11 de dezembro de 2018

Sobre Newtypes e Alaya-Vijnana systems



A presença dos Newtypes, humanos com habilidades psíquicas expandidas, em Mobile Suit Gundam, de fato empresta certa poesia ao fato de que se trata de uma série sobre os horrores da guerra (com a presença de robôs gigantes, máquinas de combate mortíferas à mesma medida que vendáveis em forma de brinquedos). Os Newtypes, especialmente os mais desenvolvidos, têm amplas habilidades empatas. São capazes de perceber outros indivíduos espacialmente e se comunicar mentalmente, de forma somewhat limitada.

Ironia fundamental em Gundam é o fato de que, como uma série de guerra, essas habilidades, essencialmente construtivas e potencialmente conciliadoras, são usadas para a guerra. A rivalidade principal da timeline original de Gundam, entre Amuro e Char, ocorre basicamente por um desentendimento. Como Newtypes, ambos seriam capazes de perceber com maior acuidade os reais sentimentos um do outro, mas isso jamais acontece.

Quando aparecem logo no final da série original de 1979, os Newtypes parecem um plot device sem qualquer signficado. De fato, sua inclusão nas demais séries de Gundam parece ser uneven, mas o diretor, Yoshiyuki Tomino, parecia estar consciente da contradição fundamental no âmago dos Newtypes serem tratados como soldados. A primeira personagem com habilidades especiais que vemos, afinal, Lalah Sune, é absolutamente pacífica e é jogada no meio da guerra como retribuição ao apoio que Char lhe deu ao longo da vida.

Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans, uma série em um universo paralelo que recicla alguns temas da original, tem o sistema Alaya-Vijnana em vez dos Newtypes. Como os poderes psíquicos Newtypes, o Alaya-Vijnana permite que os pilotos dos robozões sejam máquinas de guerra muito mais eficientes. É um plugue implantado diretamente na coluna do paciente e permite que máquinas sejam conectadas diretamente ao piloto, para dar uma interface de controle imediato através do sistema nervoso.

Mas, em contraposição aos Newtypes, o implante AV é como uma estrela amarela, uma marca das classes inferiores. O perigo da cirurgia do implante indica a falta de valor da vida dos que são sujeitados a ela. Os que recebem o implante com sucesso ganham valor como trabalhadores, mas apenas enquanto puderem executar os trabalhos mais perigosos.

A contraposição dos dois conceitos me parece interessante. Enquanto o Newtype é, em essência, um sistema de comunicação humana elevada, o AV é um sistema de comunicação com máquinas. Há uma divisão intensa entre a comunicação humana, nuançada e imperfeita, e o infodump dos robôs gigantes, em comunicação direta com a coluna cervical dos pilotos.

Enquanto a guerra, no Universal Century, com a presença dos Newtypes parece uma fatalidade evitável, no universo de Iron-Blooded Orphans, o implante do AV em membros da underclass é sua metonímia.

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