11 de dezembro de 2018

Learning not to be ill



Pouco mais de três anos atrás, no dia 19 de agosto de 2015, operei minhas costas para curar uma hérnia de disco. Não funcionou, eu escrevi whining and moaning about it. Mesmo depois de substituir meu disco fissurado que se encontrava entre as vértebras L5 e S1 por um disco sintético afixado por parafusos de titânio, minhas costas pareciam ainda sofrer, o nervo ciático ainda se sentindo empurrado por um abaulamento inexistente.

Fui em médicos; todos me disseram que não havia nada de errado. Minhas costas, estruturalmente, estavam perfeitas. Eu não devia sentir dor, embora ela estivesse lá. Uma dor fantasma, talvez, a sofrência de algo que desaprendeu a ser saudável.

Um problema é que você se acha incapaz de dizer que melhorou; você sabe que sente dores, mas como dizer se estão mais brandas do que antes da cirurgia? Se dizer que piorou, é sinal de capitulação. Tudo que você fez foi em vão, todo o sofrimento acessório à cirurgia, toda a recuperação, todo o trabalho pra convencer o plano de saúde a gastar alguns milhares de reais na empreitada.

Então você se convence, como eu me convenci, de que, não sendo perfeita, era uma situação um pouco melhor, uma elevação da utilidade, meu ótimo de Pareto. Mas eu continuava a sentir dor.

Porém, sem nem me dar conta, as dores foram se moderando, tornando-se ocasionais, cedendo em seu relentless drive. Talvez a fonte da dor de fato não exista há 3 anos, mas só agora meu cérebro aprendeu que não deve mais sentir nada na região e meu ciático se acostumou a não ser pressionado pelo disco lesionado.

Essa dor, this fucking pain, é uma chaga na minha vida há mais de meia década. Desaprendi a viver em liberdade. A não estar sempre consciente do meu desconforto presente ou potencial. Minha grumpiness está sempre pronta para assomar à face ao primeiro sinal de dor de coluna.

And yet, agora essa muleta, pouco a pouco, vai sumindo. Já posso ir na academia sem maiores restrições. Finalmente faço atividade física por tempo estendido, levanto peso. Faço a posição do Alá, alongamento de coluna, mais como ritual diário, não porque é estritamente necessária ao bem estar.

Funnily enough, indo a uma academia de jiu-jitsu para sondar preços, falo da minha insegurança com o professor, que diz que todo jiteiro tem várias hérnias de disco anyway, então não é um big deal. Fiquei absolutamente horrorizado com aquela menção e mentalmente já me fechei à possibilidade da prática do esporte.

Mas esse é um receio que não me cabe mais. Vivi por anos no regime do medo, resignado ao destino de que meu corpo ia me falhar. Não é mais o caso.

Quem tem o corpo saudável -- no sentido de funcionalidade, sem dores ou limitações específicas, não com um significado vago de wellness -- normalmente não percebe suas práticas diárias vêm do hábito de não ter limitações. E eu percebo que preciso reganhar esses hábitos porque desaprendi a funcionar.

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