25 de junho de 2014

Depois de estacionar o carro na puta que pariu, passar 2 horas no commute, encarar fila pro banheiro, só ter opção de sanduíche frio e cachorro quente duplo a 20 reais cada, cerveja Brahma morna e chegar às 13h pro jogo, a gente espera que você seja muito animado no estádio para maximizar o aproveitamento de nossa experiência de assistir a Seleção Brasileira pela TV


O Brasil não sabe fazer hospitais, escolas, nem estádios no tempo certo e, descobri nesta #CopadasCopas, que não sabemos torcer também.

Meus contatos no Facebook já tinham mandado a letra, que foi confirmada pelos sommeliers de torcida (e ícones da emoção) do SporTV. O Kibe mais Loco desta nação Antônio Tabet selou que o brasileiro não sabe torcer, assim como ele não sabe deixar de roubar piada e colocar a própria marca d'água.

Somos desanimados, a gente precisa da Ambev pra nos ensinar a cantar nos estádios, do Fantástico pra fazer aquele branstorming sobre novas músicas pra substituir o "Sou BR com muito orgulho". Compara com essas torcidas maravilhosas de Uruguai, Argentina, Holanda.

Por outro lado, temos os melhores analistas sociais de Facebook do mundo.

10 de abril de 2014

Spoilers de Game of Thrones


Segundo J.P. Coutinho, ebooks são coisa do passado, o futuro é o papel, caneta e hoverboards. Parece que os coitados dos ebooks vendem menos atualmente porque não dá pra colocar como display pra ficar tirando onda pra cima da visita, naquela pagação punhetística de culto intelectual.

Na real, livro é só ostentação e a parte de realmente sacar as palavras que estão impressas do lado de dentro é negócio secundário:

— Veja aquele tomo de 30 mil páginas de Guerra e Paz que posicionei estrategicamente sobre minha estante, provando que li todo o livro, inclusive aquela parte bizarrona descrevendo a campanha napoleônica na Rússia que é totalmente dispensável do ponto de vista literário, não adiciona nada à narrativa, mas Tolstói tava no embalo quando foi escrever, ninguém quis mandar ele parar, né — deseja você dizer.

Honestamente, não sei por que neguinho gosta tanto de livros físicos, porque eu odeio e sou incapaz de ter empatia, como stand-up comedians (já reparou que...? não entendo por que...).

Gosto muito de não ter um monte de livro entulhando minha estante, estamos no século da sustentabilidade, vamos nos desprender das posses materiais e viver com o mínimo. Quer dizer, ter uma estante mostrando um monte de lombada de livro é a maior idiotice e me lembra da época que eu queria ter uma enorme coleção de video games retrô.

Hoje em dia, penso na mazela que seria a limpeza das minhas estantes de fileiras de cartuchos de Mega Drive e fico feliz por ter acumulado uma grande coleção de jogos que não tomam nenhum espaço do meu quarto na biblioteca no Steam. Olho para as minhas paredes e não penso que estou numa locadora dos anos 90, posso até colocar uma decoração aqui no canto. Em vez de fita de video game, uma samambaia. Em vez de livros, um abajur.

Deve ser por isso que todo mundo quer ficar se agarrando a livro físico, porque senão vai ter que demonstrar bom gosto em decoração e todo mundo sabe que geral é meio retarda na hora embonitar o recinto.

— Mas eu não gosto do ebook porque não dá pra tocar o livro, não dá pra sentir o cheiro, a textura.

Puta fetiche loucão que geral tem por encostar em papel e sentir cheiro de papel, parada borderline sexual. Só que é pura hipocrisia, porque não tô vendo ninguém entrando numa xerox de universidade e ficando molhadinho: "Hmm, cheiro de papel impresso, dlç".

Se você realmente gosta tanto de papel assim, compra uma resma de Chamex, mó papel fodaço m1l gr4u, você vai poder passar no corpo inteiro e se deleitar com a textura. Abraça, se joga em cima, lambe.

You'll have your cake and eat it too. Vai ter todos os prazeres que somente a fibra vegetal do papel pode proporcionar e vai poder de fato ler os ebooks.

2 de abril de 2014

O ultrajante final de How I Met Your Mother


ATENÇÃO: Este post não foi patrocinado por nenhuma empresa, mas se a Asics quiser me pagar, mande email. Já aceito bitcoin.

O product placement da Asics em Além do Peso, reality show feat. obesidade da Record, foi bastante efetivo e eu adquiri meu novo par de pisantes para academia ontem, o que melhorou drasticamente meu desempenho em corridas. Usava antes um par Mizuno, que era bastante respeitável, mas que teve muito trabalho no ano de que nos despedimos, a parada tava toda gastona e correr com aquilo era chutar o chão, muito palha. Na moral, o desgaste já tava chegando na terceira camada de borracha nas laterais.

Ficara me sentindo um dos próprios participantes de 160+ kg do Além do Peso, pensa só na pressão que a mulambada coloca no pé na corrida, é praticamente martelar o pobre coitado. Aí não dava. Descobri, também por causa do programa, que minha pisada é supinada, ou cava, o que significa basicamente que eu sou todo torto e errado no meu trote, e portanto otimizei minha experiência de compra de calçados para malhação, procurando um que oferecesse suporte integral ao meu pé e sua pisada.

Todos sabem também que tênis (tênises?) de academia podem ter esquemas de cores bizarrões, é uma parada aceita socialmente, né. Meu par é prateado e grafite com detalhes vermelhos; tinha um preto com detalhes dourados, mas custava R$ 999,90, então decidi, como a Rainha Hortência, que prata é mais bonita e desprezei o ouro.

Vlw, Asics.

Hoje, mandei 01 corrida marota, me senti pisando em plumas, e meu excelente desempenho não só liberou dopamina por eu estar executando um excelente exercício aeróbico, mas também pela satisfação de ter gastado meu suado cash money de forma acertada. O sorriso de alegria do consumidor satisfeito, sensação única.

Um amigo certa vez me disse a mim que corre descalço, porque usar tênis faz mal para o pé, o corpo humano foi feito para a locomoção sem calçados, tênis não existem na natureza, etc. Nunca entendi o que ele quis dizer, porque asfalto também não existe na natureza e ele fica esfolando o pé nele como se fosse natural.

Puta mongolice, ele precisa de uma intervenção educativa de um infomercial da Asics.

Iniciativas educativas são algo por que nutro grande carinho, todo mundo sabe, e estou agora tentando emplacar meu livro, inspirado no clássico moderno Quem ama, educa! de Içami Tiba, chamado Quem ama, não usa vírgulas entre sujeito e predicado!. Estou no aguardo da resposta das editoras, mas acho que no mais tardar em 2015 meu opúsculo vai comandar os Mais Vendidos - Não-ficção da revista Veja (revista de maior circulação no Brasil).

21 de fevereiro de 2014

Sim, já passei dos 60 segundos no modo Hexagoner e agora tô trabalhando no Hexagonest, slow and steady


No revéillon descobri os prazeres de julgar quem estava online no Facebook via web em vez de mobile, como sói acontecer com pessoas normais ou ao menos aquelas que se envergonham – como devem – de estarem em casa vendo o Show da Virada. Opressão justificada no caso, temos todos que agradecer a Mark Zuckerberg por incoporar essa funcionalidade completamente desnecessária a sua rede social.

Fato é que o revéillon só acontece uma vez por ano e nem adianta tentar forçar a barra chamando geral para bebemorar (mando muito nos neologismos) o ano novo chinês, judeu ou muçulmano, porque, pra começar, ninguém gosta dessas gentes, então a gente acaba pagando de otário. Hence, só rola 01 oportunidade em nosso calendário cristão-gregoriano para julgar as pessoas que deveriam estar socializando mas não estão e isso me deixa triste deveras.

Então resto do ano tenho que ficar escolhendo novos motivos para julgar pessoas e excluí-las da minha vida, fazendo com que eu me torne uma pessoa ranzinza e sozinha no final das contas, mas que me faz sentir muito bem quando estou apontando o meu dedo fétido para aquele ser humano infeliz. Exempli gratia, julgo essa gente que tem carro cinza/prateado.

Noh, como eu fico odiando silenciosamente essa galera, essa maioria de mouthbreathers, knuckledraggers, neckbeards. Trata-se de um dos grandes problemas da cultura nacional, o fato de que todos compram carros cinza e tiram a cor, o brilho e a alegria de nossas metrópoles. Falha de mercado, ninguém consegue sair do ciclo vicioso, compramos carros prateados porque carros prateados vendem mais fácil. E quanto ao resto da paleta de cores? Porque neguinho gosta tanto de se restringir do #CCCCCC ao #333333? Vai saber, sei que tô julgando a mongolitude de todo mundo de dentro do meu carro imaginário azul/vermelho com stripes no capô.

Sério, carro cinza é complicado, o veículo parece inacabado (discai), parece que deveria retornar às fábricas do nosso querido ABC paulista porque chegou na rua e percebe-se que esqueceram do paint job. Não dá, carro cinza vale a bile liberada a qualquer momento.

Also, julgo pessoas que colocam foto própria no wallpaper do celular. Ou, pior, do namoradx. Ou, pior, de si e do namoradx.

São aquelas típicas pessoas que faziam perfis de casal no Orkut: "Flávia e Geraldo" - nunca sabíamos com quem estávamos falando. Mark Zuckerberg pontua novamente por ter acabado com perfis de casais, mas seu histórico fica um tanto turvo por ter dificultado minha atividade de odiar gente semi-gratuitamente.

(DIGRESSÃO: Será que indivíduos bissexuais entravam em contato com esses perfis de casal? "Olá, quem está falando aí? BRINCADEIRA, serve qualquer um.")

Outra coisa que me faz odiar bastante outras pessoas é quando esses CEOs de redes sociais ficam comprando aplicativos por US$ 16 bilhões. Encontrei o Mark Zuckerberg (terceira citação no texto, já virou clickbait) outro dia – true story – e fiquei odiando o maluco profundamente durante toda nossa viagem de elevador, no cerne de minha psoa, por conta da compra do WhatsApp.

Minha vida pós-Facebook ter comprado WhatsApp: agora, poderei sincronizar minha lista de contatos do Facebook com a do WhatsApp, que então sincronizará meus contatos do Instagram, que poderá postar diretamente para meu Facebook e enviar sincronizadamente minhas fotos para o Twitter e para meus contatos no WhatsApp, que também estarão sincronizados com os contatos do meu celular, LinkedIn, Skype, Foursquare e Netflix. Sim, é isso que nossas vidas se tornaram.

31 de janeiro de 2014

Eu mal consigo chegar nos 60 segundos no modo Hexagoner em Super Hexagon :(


Me ofendo com as manchetes clickbait atuais: "Você não vai acreditar até onde as revistas de moda retocam suas fotos". Ah, vou sim. Eu acredito muito, sou muito crédulo. Essas manchetes presumem erroneamente que as pessoas de forma geral são uma tropa de céticos ateus prontos para listar falácias em seus argumentos. Não são, a gente acredita em qualquer coisa que você postar na internet. Essa vida de descrença e questionamento não leva a nada, viva com o momento, carpe diem, embrace the random. Além do mais, ninguém lê revista, quem liga pros shoops que estão mandando nas capas?

Por outro lado, gosto quando as manchetes do BuzzFeed já interpretam o conteúdo para mim, porque me poupam o trabalho mental. "Essas resenhas de produtos na Amazon são a coisa mais inacreditável que você vai ler hoje!". Isso é bom, porque a disputa pela coisa mais inacreditável estava muito acirrada, coisa paralisante, eu não sabia decidir se a coisa mais incrível que eu tinha visto hoje era aquele maluco que colocou 23 cachorros quentes na boca ou se foi o caboclo que bateu 668 segundos em Super Hexagon no modo Hyper Hexagonest. Na moral, shit's frakkin insane. O link fechou a questão, nada disso era mais inacreditável que as resenhas aludidas.

Noutra instância o BuzzFeed foi capaz de catar o meu cobiçado clique ao anunciar que "Esta é a melhor transformação corporal transumanista que você verá hoje!"; o que provavelmente é verdade, porque eu posso contar nos dedos das mões os dias que torrei pesquisando nego virando ciborgue motivado ideologicamente pelo movimento transumanista.

Agora saca esta transição de assunto, porque vou falar de transumanismo. Holy shit, this was smooth.

Você provavelmente ora se pergunta qual é o problema com o transumanismo. Vou te dizer qual é o problema com o transumanismo.

Advogam que nós nos tornemos meio robôs para aumentar nossas capacidades físicas etc. Isso é maneiro, porque eu me imagino num corpo metálico fuderosão, six packs eternos sem ter que malhar, meu corpo torneado com aquele reluzir cromado que eu vou fazer questão de ter na minha pele inoxidável.

Por outro lado, acabou a paz de espírito de sair no fds pra tomar aquela Heineken, a gente vai reunir os amigos pra mandar pra beber óleo - porque é isso que robôs tomam, colega. Olha a deprê, partiu bar, vamos beber um Lubrax? Estaremos ainda fortalecendo o estado brasileiro ao consumir Lubrax, o que só prova que o transumanismo é pró-estado, anti-indivíduo.

Seremos capazes, porém, de calcular rapidamente quanto devemos no bar, sem ficar naquela parada de dividir conta e sem saber quanto passar na maquininha do Cielo. Vai rolar uns chips irados no cérebros da galera e o trabalho dos garçons nesse momento periclitante da chegada da conta será trivializado por completo.

Porém, o maior problema de virar robô está no fato de que provavelmente desaprenderemos a amar.

Boa noite.

25 de janeiro de 2014

A verdade sobre a militância anti-pedofilia que arrebata a nação


Fui criado católico e faço mestrado em humanas, de forma que me irrita o anti-catolicismo e anti-clericalismo de nosso professorado e academia. É a praga do politicamente correto que descontextualiza e desumaniza o debate cultural BR, cadê a editora LeYa me pedindo para mandar aquele Guia Politicamente Incorreto temático?

Fui abusado sexualmente quando criança? Sim. Fico rodando a baiana por isso? Não. Não sou a little bitch. Man the fuck up and tread forward.

Uma pedofiliazinha limitada não faz tanto mal assim e nós temos mais é que agradecer por todas as conquistas da ICAR para a civilização ocidental. Diria até que me deu caráter, fibra e apreciação pelo desejo do próximo, coisas que se perdem no mundo cada vez mais globalizado do capitalismo da informação ahahaha, droga, pensei que ia conseguir terminar a frase sem rir~.

Michael Jackson abusou de umas crianças e não tem ninguém sugerindo que não tenha valido a pena dar umas crianças para o rapaz em troca de Thriller, Bad e Dangerous. Pararam de dar crianças pro sujeito, o que me ocorreu? Exatamente: Invincible.

No fundo o que a forte militância anti-pedófila quer hoje em dia é menos Thriller e mais Invincible. Por isso Marco Feliciano não me representa.

Recentemente se descobriu que Woody Allen, inclusive, não passa de um desprezível molestador de crianças. Estamos aqui, sras e srs, falando de um homem que teve acesso presumivelmente irrestrito às lady parts de Scarlett Johansson e mesmo assim ainda couldn't get his fill of kink. Precisava de umas criancinhas e me parece razoável supor que ele estivesse seco pela parada, porque, pra trocar a moça por uns pivete, tem que estar muito doidaço na pedra.

Talvez seja por isso que ele matou a Scarlett no final de Match Point [SPOILER ALERT], mostrando metaforicamente que na verdade ele preferia um corpinho meio ~tauba~ e nada de gostosura. Confesse que você daria seu filho pra ele em troca de Manhattan.

4 de dezembro de 2013

Quando as pessoas ainda "montavam" computadores



Sinto pena de meus amigos nerds que sonhavam com um futuro de hardware modular e foram recebidos pelo mundo Apple de aparelhos prontos e sistemas fechados. É nostálgico pensar em, sei lá, 2006, quando eu não podia dividir meus planos de comprar um computador sem ter alguém pra me dizer que conseguiria uma máquina com 3 vezes a performance por metade do preço. "1500 reais? Bota seiscentão na minha mão que te faço uma máquina que rode Crysis no máximo fácil."

Era uma época mais simples em que Crysis era benchmark de performance.

A popularização de laptops e tablets e o declínio das torres que tomavam espaço pra caralho na nossa mesa significa que não mais temos que nos submeter à tirania da compatibilidade das placas-mãe nem dos gênios da otimização tecnológica com sérias restrições orçamentárias.

Imagina se caboclo soubesse otimizar a pegação de mulher sem grana do mesmo jeito que sabe comprar computador barato? Infelizmente, parece que a habilidade de economizar em PCs não é transponível para outras áreas da vida em que esse pessoal realmente se beneficiaria. E, hoje em dia, como ninguém liga pra computador desktop, ficaram sem habilidade nenhuma :(

Sinceramente cretino



Coisas que nunca foram ditas sobre pessoas educadas ou simpáticas ou reservadas: "Não tem papas na língua!"; "Fala o que pensa!"; "Não se pauta pelo politicamente correto!"; "Sinceridade em pessoa!".

O que todo mundo presume é que o único jeito de ser honesto e verdadeiro é sendo babaca. Nem adianta, se você achar alguém gente fina e externar sua opinião, ninguém vai dizer: "Nuss, que real, que atitude", embora possa ser verdade, é realmente possível que você seja muito sincero ao ser agradável.

Mas ninguém acredita, educação meio que deixou de ser marca civilizatória e passou a ser chapa-branquice. O que é meio nada a ver, e desvaloriza a honestidade, torna mais difícil que as pessoas acreditem em elogios sinceros, sempre parece baba-ovismo.

E véi, na boa, eu posso realmente ser a fucking asshole, mas não é algo de que eu me orgulhe nem é uma coisa que eu use como medalha, porque não existe valor em ser sincero se você é sinceramente desprezível.

Lição valiosa, talvez alguns comediantes HUEHUE BRBR pudessem aprender.

20 de novembro de 2013

Por que gordos, além de serem gordos, também têm que se achar geneticamente inferiores?



Alimentação balanceada e exercícios já me renderam a perda de uma boa quantidade de massa adipo-obesa e, com o meu emagrecimento e meu consequente corpo sexyhot, surgem perguntas sobre como eu consegui resultados tão animadores.

No começo, quando chegavam perguntando como eu consegui perder peso, eu respondia naquela vibe de "Ah, alimentação adequada e exercícios", "Não tem fórmula mágica", "Muita esteira e fechar a boca", mas notei que o poder de convencimento da verdade é limitado. Toda vez que eu falava uma parada dessas, tinha algum neguinho pra falar "Ah, mas sua genética é boa, né?".

O que é meio palha, porque você se mata que nem um hamster na roda diariamente na porra da esteira e vem um cretino assim pra tirar seu crédito e botar tudo na conta do meu DNA irado. Por isso, tô mudando minha abordagem. A partir de agora, eu confirmo que tenho genes melhores que você.

"Ah, mas você tem genética boa, né?"

Sim, é uma genética impressionante, me sinto tão superior que quero mandar pra câmara de gás seres tão inferiores quanto vosmicê.

Veja esse rapaz, não consegue perder meio quilo, obviamente não é parte da weight losing master race. Não dá pra mandar essa gente pra uns guetos? Marcá-los e ostracizá-los, talvez colocar algumas placas nas empresas em todo o país dizendo "No fatties need apply".

"Como você fez pra perder tanto peso?"

Nasci melhor. Simples assim. Se queria perder peso, jovem, desiste logo aí e reencarna. Só quem consegue é o papai aqui, porque eu, mano, sou melhor do que você. Eu, inclusive, até manipulo meu peso à vontade, emagreço e fico maneiraço, nice beach muscles e tudo, e às vezes engordo de novo pra dar uma chance pra quem não foi tão agraciado pela seleção natural.

15 de novembro de 2013

Quando eu quero reclamar de algo, escrevo no meu blog, não no Facebook



Quando vou a cabeleireiros, eles tendem a ter imagens incríveis de cabelos nas paredes, umas franjas absurdas, umas cores idiossincráticas, penteados ousados. Então decidi que de agora em diante toda vez que eu observar um quadro de um cabelo impressionante, vou perguntar quem é aquela pessoa e quando foi feito o corte.

"Ah, a gente não conhece essa pessoa, é só um quadro decorat..." Trata-se, portanto, de fraude. Já pensou se fôssemos em tatuadores que mostram o portfólio não de tatuagens que eles fizeram, mas de outros caras? "Ah, nesse livro não tem minhas tatuagens, só são umas imagens de que eu gosto e coloquei aí."

Eu honestamente não sei ainda como a Globo não fez alguma reportagem investigativa com essa fraude abjeta que ocorre quotidianamente em toda a pátria; sempre que chego em casa espero gravações com imagem granulada e áudio inconclusivo com legendas no Jornal Nacional de cabeleireiros admitindo que nunca fizeram nenhum dos penteados que adornam suas paredes.

Isso num país que passou a semana inteira investigando se o Rei do Camarote era real ou não.

22 de agosto de 2013

Vasco, 115 anos



/+/

Quando eu era moleque, meu pai fazia questão de me levar e levar minha mãe para a casa de praia todo fim de semana. Mesmo quando não tinha ninguém na praia, fora das temporadas de férias, a gente ia pra lá ficar boiando sem fazer nada.

E lá tinha uma mesa de futebol de botão que tinha sido do meu irmão e que eu jogava absolutamente o dia todo. Autistão lá, forever alone, eu ficava trocando de um lado pro outro jogando botão comigo mesmo.

Como meu pai era Vasco e meu irmão também eram Vasco, naturalmente eu iria gravitar para o Vasco na minha vida. Principalmente considerando que um pouco mais tarde, lá pro final dos anos 90, o Vasco seria uma máquina de ganhar título, era zueragem o dia todo na escola com a torcida rival, nonstop. Mas acho que a maior influência no meu vascainismo foi o futebol de botão.

As pecinhas pretas com a faixa diagonal branca e a cruz vermelha eram as mais iradas do set. Os outros times, pelo menos os que eu tinha, tinham os adesivos palhões lá. Cores sólidas ou uns listrados nada a ver. O Vasco era puro estilo em peças de resina e caixinhas de fósforo para o gol.

15 anos depois, ainda continuo Vasco. O clube em si até tentou fazer com que o seu jogo de botão ficasse mais feio, assinando uns fornecimentos de uniforme suspeitos com umas Champs da vida nesse meio tempo, mas é impossível. As pecinhas do Vasco vão ser sempre as mais iradas.

29 de julho de 2013

É por isso que vamos às ruas



Saindo do Brasil, uma placa do governo avisava o que a gente não poderia trazer de volta. Então tomei nota de que eu não poderia trazer carne, leite, mel, sêmen.

Opa, vai ser difícil eu não trazer sêmen.

Tô sempre fully loaded de sêmen, complicado, sou fértil assim. Na revista internacional, os funcionários do aeroporto americano onde eu aterrissei atestaram esse fato. "Erick is packing heat, if you catch my drift", lembro de eles terem falado mais de uma vez.

Estou preocupado com o retorno a meu país. O Brasil dificultou minha vida com esse banimento a sêmen. Talvez eu nunca mais seja capaz de aproveitar as benesses do carnaval, das mulatas e da caipirinha por conta de minha produção prolífica de sêmen (pun intended).

Será que essa medida levou a uma fila pra punheta no banheiro do avião pré-chegada no Brasil? Tô achando que é a única forma de escapar dessa opressão inaceitável. Tomara que eu pegue um avião com wifi, a American Airlines tem feito muita propaganda deles, provavelmente tendo em mente quem se destina ao Brasil, que precisa de uma liberação emergencial de sêmen e quer levar o iPad com o Xvideos pro WC.

22 de julho de 2013

A laughing matter


Uma das coisas que contribuíam para o clima de tensão de Crime e Castigo de Dostoiévski eram as risadas.

Marmieládov fala:

— E hoje estive em casa de Sônia e fui pedir-lhe dinheiro para beber. Ah, ah, ah!

No final a gente pode pensar que o cara está engasgando, próximo do óbito, mas na real ele só estava rindo daquele jeito cachaceiro russo típico. Ah, ah, ah! E eu me confundi várias vezes durante a leitura, mas aí 20 segundos depois eu notava que na verdade "ah, ah, ah" era uma risada e a situação toda ficava menos depressiva. Mas não muito menos, os russos só riem nos momentos errados.

Acho que esse é o maior problema da literatura brasileira, a impossibilidade de aliterar uma risada no português. "Hahahaha" faz a gente parecer colonizado, "rarará" é trademark Serginho Mallandro. Estamos sem alternativas, e não é à toa que viramos referência mundial em risadas retardadas, usando desde AEUHUEAHUEAHUAE até sakopksaopksapo.

Fiz um teste em Crime e Castigo pra ver se a gente conseguia melhorar a fluidez da leitura e acho que foi um sucesso:

— Mas por que ficas assim, tão atrapalhado! Romeu! Deixa estar que ainda hoje o hei de dizer num certo lugar. HuhaUHAUEhaeuhEHUaehuaehuaehUAE Vou fazer com que mámienhka se ria, e outra pessoa também.

Acho que vale um estudo ainda sobre o uso textual do rsrsrs, alô pós-graduações em humanas!

O autor de One Piece, mangá mais popular do mundo, teve consciência dessa dificuldade localizatória dos brasileiros e ajudou os tradutores pindoramenhos ao dar uma risada completamente sem sentido para um monte de personagem. O principal ri com "shishishi", tem um vilão que ri "shulololololo" e um cara chamado Vasco Shot que ri singelamente com "toputoputopu".

Tradutores brasileiros se beneficiariam de uma onda mais rapper e freestyle no quesito risada.

2 de maio de 2013

Ruminações sobre o papel social dos nomes humanos


A graça divina em sua infinita sabedoria impediu que eu tivesse filhos até hoje, mas isso não parou meus pensamentos. Pensei bastante em quais nomes eu generosamente daria à minha prole (offspring; spawn).

Nome feminino é mole, nome de menina é o que mais tem, e tem um monte bonito. Só sendo muito alma sebosa pra dar uns nomes tipo Creuza ou Raimunda. Talvez uma taxa para desencorajar fosse adequada e civilizatória. Contemplar sua filha com um Alice ou Beatriz não custa nada.

Mas nome de homem é mais difícil, tem menos disponíveis e acho que a psicologia masculina requer um approach diverso. Não dá para considerar o nome masculino tão só pela sua atratividade.

Acho que o ideal é darmos um nome para os filhos varões completamente inadequado para criança.

Imagina aquele pivete lá, chamado Sebastião, Belardim, Otávio, Aníbal, Adelino, Gaspar. Acho uma excelente ideia porque o moleque vê desde cedo que a vida é dura e respeito se conquista com o suor de nossas testas. É bom pra não ficar de palhaçadinha quando crescer.

Parando pra pensar direito, daí a gente vê quanto poder os pais têm sobre a vida da próxima geração. Parece um tanto injusto que não tenhamos nenhum controle sobre um aspecto tão presente de nossas vidas quanto um nome.

Na real, acho que os bebês, como os Unsullied (acabei de ver no Google que são chamados de "Imaculados" em pt-br, tradução surpreendentemente massa) em Game of Thrones, não devessem ter nomes. Eles podiam ter um placeholder até o guri poder escolher como ele vai querer se chamar.

Com quatro anos, o moleque pode querer se chamar Megazord, mas e daí? Deixa ele se chamar Megazord. Por que mudar de nome tem que ser tão burocrático? Abrir uma igreja demora só um dia, eu vi no Facebook. É por isso que esse país não vai pra frente.

Quando ele quiser, ele deixa de se chamar Megazord. E passa a se chamar Beyblade com 10 anos. Ou sei lá qual é a nova moda da molecada, mas devo estar perto.

Quando o cara estiver à beira da morte, muda o nome pra Aníbal, uma alcunha cronologicamente adequada para alguém que se despede da vida.

20 de abril de 2013

Shit pro-lifers say



Sempre gosto de argumentos ruins em defesa de qualquer posição, porque me dão desculpas para posts. Recentemente um dos argumentos que usaram contra mim foi o de que é muito fácil ser a favor do aborto depois de se ter nascido.

O que me pareceu um truísmo, já que é literalmente impossível ser a favor do aborto antes de nascer. Na verdade, é bastante difícil também ser a favor do aborto logo depois de nascer, porque falta aquela capacidade intelectual para tanto. Tem que esperar uns anos para ser possível formular alguma posição.

Surpreende, pois, que usem esse argumento para provar o ponto de que deveríamos ser contra o aborto.

Claro que é fácil ser a favor do aborto depois de nascer. Também é fácil ser contra. Na verdade, é fácil ter qualquer posição depois de nascer, até porque só é possível assumir qualquer posicionamento ideológico após o nascimento.

Desde quando a gente mede a verdade de argumentos pela facilidade de se acreditar neles?

Tem gente por aí que acredita em unicórnios, na terra oca, no Projeto Vênus, no mormonismo. É muito fácil acreditar. A melhor parte das crenças é que nem fatos precisam nos afastar delas.

Notem que não dá pra acreditar em nada disso antes de nascer, o que logicamente deve provar que unicórnios existem, que a terra é oca com aberturas nas calotas polares, que uma economia boa é "baseada em recursos" e que Jesus viajou do Oriente Médio até Utah, onde enterrou umas placas de ouro descobertas séculos depois por Joseph Smith.