19 de novembro de 2014

Mazelas de nossa gente


Passo na frente de uma academia de ginástica chamada Fitness & Cia, uma loja de objetos para o lar chamada Casa & Cia, uma oficina mecânica chamada Martelinho de Ouro & Cia e fico pensando sobre como a Central Intelligence Agency dos EEUU se imiscuiu nos assuntos internos de nossa nação, ameaçando nossa independência e soberania.

Apropriam-se de setores estratégicos da economia verdeamarela: nossa saúde, os panos de pratos que decoram nossa cozinha, a lataria de nossos veículos automotores. Uma tragédia deveras e poucos percebem esse vírus que corrói a pátria a olhos vistos.

Não à toa o povo vai às ruas atualmente, percebendo a derrocada de uma outrora grande pátria. Infelizmente nada se diz a respeito da influência yankee em assuntos internos da brasilidade.

* * *

Quando mudaram as tomadas pra esse padrão BR toscaço que enche o saco quando a gente quer trazer muamba de fora, minha única preocupação era com a possível existência futura de EVAs, robôs gigantes que nos defenderão de ameaças intergaláctico-espirituais, como no anime Neon Genesis Evangelion.

É fantástico que esses monumentos à engenharia tenham um delivery de energia tão precário que fiquem ligados numa tomada gigante, e eu fico pensando na ABNT enviando um comunicado à NERV dizendo que seus robôs devem ser atualizados para o novo padrão por motivos de segurança.

No meio de uma batalha contra um "anjo" muito imaginativo, num formato de cubo ou bola, alguém esbarra no adaptador ligado à tomada e pronto, fudeu, já era, só temos 3 minutos para salvar a humanidade porque nosso time de designers não estava nem aí pra autonomia da bateria e só queriam fazer umas criaturas bípedes mecànicas gigantescas sem pensar no custo/benefício na luta contra criaturas semidivinas.

O Brasil não tem nenhuma chance de dar certo, tem muita CIA e ABNT aqui.

5 de outubro de 2014

Novas pautas sazonais para períodos eleitorais


Dia de festa para a imprensa, suas pautas sazonais desengavetadas, esforço midiático de produção de notícias tendendo a zero. Tirando a parte chatona de ficar acordado até tarde pra arranjar o sound bite dos candidatos eleitos, é praticamente dia off para os repórteres deste Brasilzão.

Poderemos experimentar revolta e indignação com os políticos que emporcalham nossas cidades com seus santinhos. Observaremos como o povo brasileiro é corrupto ao vender bebidas alcoólicas em local de lei seca.

Vamos poder acompanhar as edificantes histórias de um moleque de 16 anos indo votar para exercer sua cidadania; uma senhora muito idosa falando da importância do voto na frente da escola onde fica sua seção eleitoral, onde chegou com bastante dificuldade acompanhada de parentes.

A única coisa que a gente não vai ver é um repórter mostrando alguém que foi tirado de casa contra a vontade dizendo:

─ É, votar não importa e eu estou aqui obrigado, porque é isso ou ser obrigado a pagar R$ 3,60 depois. De qualquer jeito eu sou obrigado a fazer alguma coisa. Odeio votar.

Ou um mesário que está trabalhando obrigado em troca de um vale-refeição qualquer depois de uma seleção aleatória que surpreendentemente sempre escolhe as mesmas pessoas:

─ É, tentei me esquivar da cartinha de convocação, mas vieram umas cinco e eu fiquei bolado de não comparecer ao treinamento. Não tô nem aí pra democracia.

Fica a sugestão para nossos respeitáveis veículos de imprensa.

9 de setembro de 2014

O Eleitor Relutante


Dum lado ou doutro do espectro "ideológico" eleitoral, um perfil me diverte deveras durante essa campanha política BR 2014: o que eu chamo de Eleitor Relutante.

Você o conhece. Você já o viu, já conhece seu modus operandi. Você pode ser um Eleitor Relutante.

Talvez seu advento tenha acontecido pelo crescimento de Marina Silva nas pesquisas.

Talvez porque geral reconhece que votar é palha pra caralho e algo degradante para o ser humano.

De qualquer forma, tanto de eleitores de Aécio quanto de Dilma podemos ouvir e ler em diversas timelines por aí algo como:
"É, gente, o jeito é votar em Aécio/Dilma. Não é o melhor, mas é o que sobrou."
Invarialvelmente, quem diz isso vai estar usando um avatar com a faixa inferior dizendo Aécio 45 ou Dilma 13 (talvez com aquele efeito verde-amarelo que a pelegagem pró-Dilma tem usado).

É um monte de gente que nas últimas três eleições votou religiosamente em PT e PSDB seguidamente (Lula, Lula, Dilma/Serra, Alckmin, Serra), mas que agora dizem que votam por última opção, arrependidos, relutantes, simplesmente porque não sobrou nenhuma alternativa a não ser fazer o que sempre fizeram.

Em 100% dos casos é gente que não apenas já apoiou os mesmos candidatos e partidos que apoia hoje, mas praticamente trabalhou de cabo eleitoral, fez campanha na internet, se meteu em discussão em família pra apoiar a causa. É um monte de fulaninho de boné e camiseta do comitê eleitoral dizendo "Eu sei que não é o ideal, pessoal, mas é o que sobrou; o jeito é votar em Aécio/Dilma".

O Eleitor Relutante tá há 3 meses em clima eleitoral, mas agora achou de mandar a conversinha mole de que "o menos ruim é o candidato em que eu já sabia que ia votar desde sempre mesmo, quem diria?".

É um exército de pessoas que pensam que o próprio candidato é fodaço, o mais sinistro, vai botar quente no governo, dar um rumo a esse país, mas que não têm coragem pra falar essas paradas pras outras pessoas e confessar que amam o próprio candidato. Acho até que é bom que as pessoas tenham vergonha de ficar vomitando essas mentiradas em que acreditam pros outros - pelo menos existe um senso de decência.

Mas, campeão, se for falar que vai votar no seu candidato porque "é o que sobrou", tira o nome dele do seu avatar. Na moral.

17 de agosto de 2014

Se eu tivesse um unlimited supply de molho de mostarda e mel do Outback, provavelmente eu levaria em toda viagem também: "Não consigo começar meu dia sem"


Em locais onde brasileiros dos quatro cantos, de todas as cores, credos, sotaques, ritmos e folclores se reúnem, nós só podemos esperar uma coisa: que gaúchos vão levar o chimarrão. Os mineiros não vão levar pão de queijo, os baianos não vão levar acarajé, os pernambucanos não vão levar macaxeira com carne de sol, é certo que os capixabas vão evitar levar sua panela de barro com moqueca, mas os gaúchos sempre estarão equipados com seu nojento mate em cuia e bomba. E garantindo que é necessário e bom demais, essencial para qualquer riograndense.

Os maranhenses podem levar guaraná Jesus facilmente para qualquer lugar e não fazem tanta questão, mas os gaúchos fazem preparativos especiais para seus chimarrões. Bebida forte como o povo dos Pampas.

Quando nós chegamos de viagem e vamos pegar a bagagem na esteira do aeroporto, é certo que vai ter algum berimbau mal embalado que alguém vai estar levando. É fato que alguém fatalmente estará deslocando um berimbau de um ponto A a B do Brasil, mas ainda mais impressionante é o fato de que, sem exceção, nenhum gaúcho jamais esquece seu mate no Rio Grande do Sul, pensando "Puxa vida, eu posso viver dois (02) dias sem chimarrão".

O mundo é tão grande, vasto e rico em sua diversidade de bebidas, mas os 10 milhões de gaúchos não prescindem de seus chimarrões da mesma forma que eu, com 12 anos, não prescindia de batata frita no almoço.

Não vou mentir


Quando o avião com o corpo de Eduardo Campos estava pousando no Recife, eu pensei "E se esse avião também caísse? Muito louco".

25 de junho de 2014

Depois de estacionar o carro na puta que pariu, passar 2 horas no commute, encarar fila pro banheiro, só ter opção de sanduíche frio e cachorro quente duplo a 20 reais cada, cerveja Brahma morna e chegar às 13h pro jogo, a gente espera que você seja muito animado no estádio para maximizar o aproveitamento de nossa experiência de assistir a Seleção Brasileira pela TV


O Brasil não sabe fazer hospitais, escolas, nem estádios no tempo certo e, descobri nesta #CopadasCopas, que não sabemos torcer também.

Meus contatos no Facebook já tinham mandado a letra, que foi confirmada pelos sommeliers de torcida (e ícones da emoção) do SporTV. O Kibe mais Loco desta nação Antônio Tabet selou que o brasileiro não sabe torcer, assim como ele não sabe deixar de roubar piada e colocar a própria marca d'água.

Somos desanimados, a gente precisa da Ambev pra nos ensinar a cantar nos estádios, do Fantástico pra fazer aquele branstorming sobre novas músicas pra substituir o "Sou BR com muito orgulho". Compara com essas torcidas maravilhosas de Uruguai, Argentina, Holanda.

Por outro lado, temos os melhores analistas sociais de Facebook do mundo.

10 de abril de 2014

Spoilers de Game of Thrones


Segundo J.P. Coutinho, ebooks são coisa do passado, o futuro é o papel, caneta e hoverboards. Parece que os coitados dos ebooks vendem menos atualmente porque não dá pra colocar como display pra ficar tirando onda pra cima da visita, naquela pagação punhetística de culto intelectual.

Na real, livro é só ostentação e a parte de realmente sacar as palavras que estão impressas do lado de dentro é negócio secundário:

— Veja aquele tomo de 30 mil páginas de Guerra e Paz que posicionei estrategicamente sobre minha estante, provando que li todo o livro, inclusive aquela parte bizarrona descrevendo a campanha napoleônica na Rússia que é totalmente dispensável do ponto de vista literário, não adiciona nada à narrativa, mas Tolstói tava no embalo quando foi escrever, ninguém quis mandar ele parar, né — deseja você dizer.

Honestamente, não sei por que neguinho gosta tanto de livros físicos, porque eu odeio e sou incapaz de ter empatia, como stand-up comedians (já reparou que...? não entendo por que...).

Gosto muito de não ter um monte de livro entulhando minha estante, estamos no século da sustentabilidade, vamos nos desprender das posses materiais e viver com o mínimo. Quer dizer, ter uma estante mostrando um monte de lombada de livro é a maior idiotice e me lembra da época que eu queria ter uma enorme coleção de video games retrô.

Hoje em dia, penso na mazela que seria a limpeza das minhas estantes de fileiras de cartuchos de Mega Drive e fico feliz por ter acumulado uma grande coleção de jogos que não tomam nenhum espaço do meu quarto na biblioteca no Steam. Olho para as minhas paredes e não penso que estou numa locadora dos anos 90, posso até colocar uma decoração aqui no canto. Em vez de fita de video game, uma samambaia. Em vez de livros, um abajur.

Deve ser por isso que todo mundo quer ficar se agarrando a livro físico, porque senão vai ter que demonstrar bom gosto em decoração e todo mundo sabe que geral é meio retarda na hora embonitar o recinto.

— Mas eu não gosto do ebook porque não dá pra tocar o livro, não dá pra sentir o cheiro, a textura.

Puta fetiche loucão que geral tem por encostar em papel e sentir cheiro de papel, parada borderline sexual. Só que é pura hipocrisia, porque não tô vendo ninguém entrando numa xerox de universidade e ficando molhadinho: "Hmm, cheiro de papel impresso, dlç".

Se você realmente gosta tanto de papel assim, compra uma resma de Chamex, mó papel fodaço m1l gr4u, você vai poder passar no corpo inteiro e se deleitar com a textura. Abraça, se joga em cima, lambe.

You'll have your cake and eat it too. Vai ter todos os prazeres que somente a fibra vegetal do papel pode proporcionar e vai poder de fato ler os ebooks.

2 de abril de 2014

O ultrajante final de How I Met Your Mother


ATENÇÃO: Este post não foi patrocinado por nenhuma empresa, mas se a Asics quiser me pagar, mande email. Já aceito bitcoin.

O product placement da Asics em Além do Peso, reality show feat. obesidade da Record, foi bastante efetivo e eu adquiri meu novo par de pisantes para academia ontem, o que melhorou drasticamente meu desempenho em corridas. Usava antes um par Mizuno, que era bastante respeitável, mas que teve muito trabalho no ano de que nos despedimos, a parada tava toda gastona e correr com aquilo era chutar o chão, muito palha. Na moral, o desgaste já tava chegando na terceira camada de borracha nas laterais.

Ficara me sentindo um dos próprios participantes de 160+ kg do Além do Peso, pensa só na pressão que a mulambada coloca no pé na corrida, é praticamente martelar o pobre coitado. Aí não dava. Descobri, também por causa do programa, que minha pisada é supinada, ou cava, o que significa basicamente que eu sou todo torto e errado no meu trote, e portanto otimizei minha experiência de compra de calçados para malhação, procurando um que oferecesse suporte integral ao meu pé e sua pisada.

Todos sabem também que tênis (tênises?) de academia podem ter esquemas de cores bizarrões, é uma parada aceita socialmente, né. Meu par é prateado e grafite com detalhes vermelhos; tinha um preto com detalhes dourados, mas custava R$ 999,90, então decidi, como a Rainha Hortência, que prata é mais bonita e desprezei o ouro.

Vlw, Asics.

Hoje, mandei 01 corrida marota, me senti pisando em plumas, e meu excelente desempenho não só liberou dopamina por eu estar executando um excelente exercício aeróbico, mas também pela satisfação de ter gastado meu suado cash money de forma acertada. O sorriso de alegria do consumidor satisfeito, sensação única.

Um amigo certa vez me disse a mim que corre descalço, porque usar tênis faz mal para o pé, o corpo humano foi feito para a locomoção sem calçados, tênis não existem na natureza, etc. Nunca entendi o que ele quis dizer, porque asfalto também não existe na natureza e ele fica esfolando o pé nele como se fosse natural.

Puta mongolice, ele precisa de uma intervenção educativa de um infomercial da Asics.

Iniciativas educativas são algo por que nutro grande carinho, todo mundo sabe, e estou agora tentando emplacar meu livro, inspirado no clássico moderno Quem ama, educa! de Içami Tiba, chamado Quem ama, não usa vírgulas entre sujeito e predicado!. Estou no aguardo da resposta das editoras, mas acho que no mais tardar em 2015 meu opúsculo vai comandar os Mais Vendidos - Não-ficção da revista Veja (revista de maior circulação no Brasil).

21 de fevereiro de 2014

Sim, já passei dos 60 segundos no modo Hexagoner e agora tô trabalhando no Hexagonest, slow and steady


No revéillon descobri os prazeres de julgar quem estava online no Facebook via web em vez de mobile, como sói acontecer com pessoas normais ou ao menos aquelas que se envergonham – como devem – de estarem em casa vendo o Show da Virada. Opressão justificada no caso, temos todos que agradecer a Mark Zuckerberg por incoporar essa funcionalidade completamente desnecessária a sua rede social.

Fato é que o revéillon só acontece uma vez por ano e nem adianta tentar forçar a barra chamando geral para bebemorar (mando muito nos neologismos) o ano novo chinês, judeu ou muçulmano, porque, pra começar, ninguém gosta dessas gentes, então a gente acaba pagando de otário. Hence, só rola 01 oportunidade em nosso calendário cristão-gregoriano para julgar as pessoas que deveriam estar socializando mas não estão e isso me deixa triste deveras.

Então resto do ano tenho que ficar escolhendo novos motivos para julgar pessoas e excluí-las da minha vida, fazendo com que eu me torne uma pessoa ranzinza e sozinha no final das contas, mas que me faz sentir muito bem quando estou apontando o meu dedo fétido para aquele ser humano infeliz. Exempli gratia, julgo essa gente que tem carro cinza/prateado.

Noh, como eu fico odiando silenciosamente essa galera, essa maioria de mouthbreathers, knuckledraggers, neckbeards. Trata-se de um dos grandes problemas da cultura nacional, o fato de que todos compram carros cinza e tiram a cor, o brilho e a alegria de nossas metrópoles. Falha de mercado, ninguém consegue sair do ciclo vicioso, compramos carros prateados porque carros prateados vendem mais fácil. E quanto ao resto da paleta de cores? Porque neguinho gosta tanto de se restringir do #CCCCCC ao #333333? Vai saber, sei que tô julgando a mongolitude de todo mundo de dentro do meu carro imaginário azul/vermelho com stripes no capô.

Sério, carro cinza é complicado, o veículo parece inacabado (discai), parece que deveria retornar às fábricas do nosso querido ABC paulista porque chegou na rua e percebe-se que esqueceram do paint job. Não dá, carro cinza vale a bile liberada a qualquer momento.

Also, julgo pessoas que colocam foto própria no wallpaper do celular. Ou, pior, do namoradx. Ou, pior, de si e do namoradx.

São aquelas típicas pessoas que faziam perfis de casal no Orkut: "Flávia e Geraldo" - nunca sabíamos com quem estávamos falando. Mark Zuckerberg pontua novamente por ter acabado com perfis de casais, mas seu histórico fica um tanto turvo por ter dificultado minha atividade de odiar gente semi-gratuitamente.

(DIGRESSÃO: Será que indivíduos bissexuais entravam em contato com esses perfis de casal? "Olá, quem está falando aí? BRINCADEIRA, serve qualquer um.")

Outra coisa que me faz odiar bastante outras pessoas é quando esses CEOs de redes sociais ficam comprando aplicativos por US$ 16 bilhões. Encontrei o Mark Zuckerberg (terceira citação no texto, já virou clickbait) outro dia – true story – e fiquei odiando o maluco profundamente durante toda nossa viagem de elevador, no cerne de minha psoa, por conta da compra do WhatsApp.

Minha vida pós-Facebook ter comprado WhatsApp: agora, poderei sincronizar minha lista de contatos do Facebook com a do WhatsApp, que então sincronizará meus contatos do Instagram, que poderá postar diretamente para meu Facebook e enviar sincronizadamente minhas fotos para o Twitter e para meus contatos no WhatsApp, que também estarão sincronizados com os contatos do meu celular, LinkedIn, Skype, Foursquare e Netflix. Sim, é isso que nossas vidas se tornaram.

31 de janeiro de 2014

Eu mal consigo chegar nos 60 segundos no modo Hexagoner em Super Hexagon :(


Me ofendo com as manchetes clickbait atuais: "Você não vai acreditar até onde as revistas de moda retocam suas fotos". Ah, vou sim. Eu acredito muito, sou muito crédulo. Essas manchetes presumem erroneamente que as pessoas de forma geral são uma tropa de céticos ateus prontos para listar falácias em seus argumentos. Não são, a gente acredita em qualquer coisa que você postar na internet. Essa vida de descrença e questionamento não leva a nada, viva com o momento, carpe diem, embrace the random. Além do mais, ninguém lê revista, quem liga pros shoops que estão mandando nas capas?

Por outro lado, gosto quando as manchetes do BuzzFeed já interpretam o conteúdo para mim, porque me poupam o trabalho mental. "Essas resenhas de produtos na Amazon são a coisa mais inacreditável que você vai ler hoje!". Isso é bom, porque a disputa pela coisa mais inacreditável estava muito acirrada, coisa paralisante, eu não sabia decidir se a coisa mais incrível que eu tinha visto hoje era aquele maluco que colocou 23 cachorros quentes na boca ou se foi o caboclo que bateu 668 segundos em Super Hexagon no modo Hyper Hexagonest. Na moral, shit's frakkin insane. O link fechou a questão, nada disso era mais inacreditável que as resenhas aludidas.

Noutra instância o BuzzFeed foi capaz de catar o meu cobiçado clique ao anunciar que "Esta é a melhor transformação corporal transumanista que você verá hoje!"; o que provavelmente é verdade, porque eu posso contar nos dedos das mões os dias que torrei pesquisando nego virando ciborgue motivado ideologicamente pelo movimento transumanista.

Agora saca esta transição de assunto, porque vou falar de transumanismo. Holy shit, this was smooth.

Você provavelmente ora se pergunta qual é o problema com o transumanismo. Vou te dizer qual é o problema com o transumanismo.

Advogam que nós nos tornemos meio robôs para aumentar nossas capacidades físicas etc. Isso é maneiro, porque eu me imagino num corpo metálico fuderosão, six packs eternos sem ter que malhar, meu corpo torneado com aquele reluzir cromado que eu vou fazer questão de ter na minha pele inoxidável.

Por outro lado, acabou a paz de espírito de sair no fds pra tomar aquela Heineken, a gente vai reunir os amigos pra mandar pra beber óleo - porque é isso que robôs tomam, colega. Olha a deprê, partiu bar, vamos beber um Lubrax? Estaremos ainda fortalecendo o estado brasileiro ao consumir Lubrax, o que só prova que o transumanismo é pró-estado, anti-indivíduo.

Seremos capazes, porém, de calcular rapidamente quanto devemos no bar, sem ficar naquela parada de dividir conta e sem saber quanto passar na maquininha do Cielo. Vai rolar uns chips irados no cérebros da galera e o trabalho dos garçons nesse momento periclitante da chegada da conta será trivializado por completo.

Porém, o maior problema de virar robô está no fato de que provavelmente desaprenderemos a amar.

Boa noite.

25 de janeiro de 2014

A verdade sobre a militância anti-pedofilia que arrebata a nação


Fui criado católico e faço mestrado em humanas, de forma que me irrita o anti-catolicismo e anti-clericalismo de nosso professorado e academia. É a praga do politicamente correto que descontextualiza e desumaniza o debate cultural BR, cadê a editora LeYa me pedindo para mandar aquele Guia Politicamente Incorreto temático?

Fui abusado sexualmente quando criança? Sim. Fico rodando a baiana por isso? Não. Não sou a little bitch. Man the fuck up and tread forward.

Uma pedofiliazinha limitada não faz tanto mal assim e nós temos mais é que agradecer por todas as conquistas da ICAR para a civilização ocidental. Diria até que me deu caráter, fibra e apreciação pelo desejo do próximo, coisas que se perdem no mundo cada vez mais globalizado do capitalismo da informação ahahaha, droga, pensei que ia conseguir terminar a frase sem rir~.

Michael Jackson abusou de umas crianças e não tem ninguém sugerindo que não tenha valido a pena dar umas crianças para o rapaz em troca de Thriller, Bad e Dangerous. Pararam de dar crianças pro sujeito, o que me ocorreu? Exatamente: Invincible.

No fundo o que a forte militância anti-pedófila quer hoje em dia é menos Thriller e mais Invincible. Por isso Marco Feliciano não me representa.

Recentemente se descobriu que Woody Allen, inclusive, não passa de um desprezível molestador de crianças. Estamos aqui, sras e srs, falando de um homem que teve acesso presumivelmente irrestrito às lady parts de Scarlett Johansson e mesmo assim ainda couldn't get his fill of kink. Precisava de umas criancinhas e me parece razoável supor que ele estivesse seco pela parada, porque, pra trocar a moça por uns pivete, tem que estar muito doidaço na pedra.

Talvez seja por isso que ele matou a Scarlett no final de Match Point [SPOILER ALERT], mostrando metaforicamente que na verdade ele preferia um corpinho meio ~tauba~ e nada de gostosura. Confesse que você daria seu filho pra ele em troca de Manhattan.