Brasileiros descobriram que pagam caro por carro e lançaram a campanha "Abaixo ao Lucro Brasil", mas devo dizer que estou mais preocupado com o transitivo indireto ali. Ao Lucro Brasil? Não sei, não, tá meio estranho isso aí.
Algum obcecado por gramática por aí pra resolver essa dúvida? Não serve gente que prestou o ENEM, a prova é muito interdisciplinar, eu quero aquele povo obcecado por regrinhas inúteis de português mesmo.
A ideia do "Lucro Brasil" é que os empresários se locupletam às custas da miséria da plebe, cobrando facada pra deixar o povão andar em carroças como o Gol 1.0.
Luta justa, nossos carros são caros e ruins mesmo, só que é no mínimo esquisita que a explicação que deem pra isso seja "é caro porque cobram caro :/".
Pô, mas por que cobram caro, Sherlock? São os impostos?
"Não, os impostos não explicam tudo! É por causa da ganância dos empresários."
Mas isso é estranho, porque ficam usando aquelas imagenzinhas que mostram margens de lucro para carros menores em outros países, como México e EUA. Quer dizer que os empresários americanos são menos gananciosos que os brasileiros? Que doideira, véio.
Mas como será que medem isso? O nível médio de ganância (NMG) é aferido pelas próprias margens de lucro ou fazem outros testes?
Imagino uma convenção de empresários do setor automotivo. Reúnem os representantes de montadoras de vários países. Pegam um Gol 1.0, mostram para os caras e perguntam: "E aí, cobraria quanto por isso?"
O mexicano chega e fala: "Uns 3 mil pila tá bom, né?"
O americano responde: "Eu cobraria uns 2 mil reais. Esse carro é de baixa qualidade."
O brasileiro esfrega as mãos, está salivando, seus olhos vermelhos: "Eu cobro 36 mil e tira o ar condicionado. Vou dar opcional pra esse povo gado porra nenhuma."
(Provavelmente o brasileiro estaria com a camisa amarela da seleção, é assim que brasileiros se vestem em qualquer ocasião quando no exterior.)
10 de novembro de 2012
10 anos esta noite (na verdade, nem é)
De vez em quando eu verifico de onde ainda vêm as visitas a este blog e percebo que alguma alma abnegada vinda direto do ano de 2006 clicou no meu país no Mapa da Blogosfera Brasileira feito pelo André Dahmer décadas atrás.
É provavelmente meu maior orgulho - me deixa, não vou controlar as lágrimas - uma época mais simples, em que se sabia o que blogs eram e para que serviam.
Era um público que eu sabia cativar. Tinha toda a mandinga, os macetes, sabia os atalhos para chegar no coração da moçada.
Agora estou velho, decadente, mantenho este blog apenas como uma relíquia, algo que me prende ao passado.
A uma época em que os Malvados eram em preto e branco e só tinham aqueles dois bonecos tipo florzinha. Agora eu entro lá e a coisa toda é uma ruptura epistemológica. Não só tem cores mas tem uns bonecos de que eu nunca ouvi falar na minha vida. Tá parecendo videogame, hoje em dia é tudo cheio de botão, ninguém mais sabe jogar, né.
Sou formado em comunicação social e, à boca pequena nos corredores da academia, já se fala de uma "crise de sentido" na blogosfera brasileira.
Que talvez não seja maior do que a crise de sentido que neguinho enfrenta quando fica boladão ao clicar num link que o Bobagento dropa no meio dos "Links de Sexta".
Toda vez que o Bobagento bizarramente linka o meu blog (pô, pode continuar linkando, eu nem entendo por quê, mas acho maneiro), fico imaginando o visitante médio de lá chegando por aqui, vendo que não tem nenhuma figura e ficando tristonho: "Por que eu não tô rindo ainda. E esse monte de letra? Cadê os gifs? :("
E vê que eu tô imaginando o cara falando com pontuação e português corretos. E só um smiley. Então eu sei que a minha imaginação é muito irrealista, e acho que é isso que mantém meu blog ainda no ar depois de quase 10 anos.
É provavelmente meu maior orgulho - me deixa, não vou controlar as lágrimas - uma época mais simples, em que se sabia o que blogs eram e para que serviam.
Era um público que eu sabia cativar. Tinha toda a mandinga, os macetes, sabia os atalhos para chegar no coração da moçada.
Agora estou velho, decadente, mantenho este blog apenas como uma relíquia, algo que me prende ao passado.
A uma época em que os Malvados eram em preto e branco e só tinham aqueles dois bonecos tipo florzinha. Agora eu entro lá e a coisa toda é uma ruptura epistemológica. Não só tem cores mas tem uns bonecos de que eu nunca ouvi falar na minha vida. Tá parecendo videogame, hoje em dia é tudo cheio de botão, ninguém mais sabe jogar, né.
Sou formado em comunicação social e, à boca pequena nos corredores da academia, já se fala de uma "crise de sentido" na blogosfera brasileira.
Que talvez não seja maior do que a crise de sentido que neguinho enfrenta quando fica boladão ao clicar num link que o Bobagento dropa no meio dos "Links de Sexta".
Toda vez que o Bobagento bizarramente linka o meu blog (pô, pode continuar linkando, eu nem entendo por quê, mas acho maneiro), fico imaginando o visitante médio de lá chegando por aqui, vendo que não tem nenhuma figura e ficando tristonho: "Por que eu não tô rindo ainda. E esse monte de letra? Cadê os gifs? :("
E vê que eu tô imaginando o cara falando com pontuação e português corretos. E só um smiley. Então eu sei que a minha imaginação é muito irrealista, e acho que é isso que mantém meu blog ainda no ar depois de quase 10 anos.
18 de setembro de 2012
You say it's the opiate of the masses like that's a bad thing
A religião é o ópio do povo, mas a elite paga por bala e doce e nem precisa. Imagina se a religião fosse mesmo ópio, o tanto de universitário de humanas que ia dar nas igrejas. Ópio legalizado, show de bola, e nem precisaria ficar arranjando seda; chega na IURD e fica dopado.
Religião sendo ópio, faz até sentido essas ongs cristãs que salvam os crackeiros por aí - elas estão trabalhando na redução de danos, que nem a galera que distribui seringas novas para viciado em heroína. Heroína que, por sinal, vem do ópio - olha como podemos substituir facilmente essa droga na vida de milhões.
Acho surpreendente quando dizem que a religião é um ópio como se isso fosse um argumento contra. Vamos, venhamos e convenhamos, nessa era de proibição e restrição, é capaz de a pessoa que ouve algo do gênero até se empolgar: "Opa, uma avenida para o uso legal de drogas."
Pensando bem, considerando desde igrejas pentecostais até as seitas bizarras americanas, se algumas delas são só ópio ou se já dá pra associar a outras drogas. Se tem uma gradação dos danos causados pela religião que justifique sua diferenciação metafórica.
A gente fica curioso, imagina qual religião é a metanfetamina do povo, o pó de anjo do povo, o krokodil do povo.
A maconha do povo no Brasil talvez seja o catolicismo: geral usa, não faz muita diferença na vida de ninguém.
Religião sendo ópio, faz até sentido essas ongs cristãs que salvam os crackeiros por aí - elas estão trabalhando na redução de danos, que nem a galera que distribui seringas novas para viciado em heroína. Heroína que, por sinal, vem do ópio - olha como podemos substituir facilmente essa droga na vida de milhões.
Acho surpreendente quando dizem que a religião é um ópio como se isso fosse um argumento contra. Vamos, venhamos e convenhamos, nessa era de proibição e restrição, é capaz de a pessoa que ouve algo do gênero até se empolgar: "Opa, uma avenida para o uso legal de drogas."
Pensando bem, considerando desde igrejas pentecostais até as seitas bizarras americanas, se algumas delas são só ópio ou se já dá pra associar a outras drogas. Se tem uma gradação dos danos causados pela religião que justifique sua diferenciação metafórica.
A gente fica curioso, imagina qual religião é a metanfetamina do povo, o pó de anjo do povo, o krokodil do povo.
A maconha do povo no Brasil talvez seja o catolicismo: geral usa, não faz muita diferença na vida de ninguém.
Como se veste um blogueiro?
A coisa que eu mais gosto do Bem Estar, da Globo, é que os médicos que participam do programa usam jalecos. Muito me agrada essa representação da profissão, acho que todo médico usa jaleco em todas as situações da própria vida. É nisso em que eu acredito e, se não usam, deveriam, porque são médicos.
Se fossem juízes, usariam uma toga, engenheiros civis deveriam aparecer de capacete, economistas devem aparecer com uma calculadora a tira-colo, açougueiros com um facão e avental ensanguentado, jornalistas com um cartão do Bolsa-Família, pilotos de avião com um cap, e assim por diante.
Não sei ainda por que o mundo não é pautado por essa pronta identificação, me sinto muito mais seguro quando vejo médicos vestidos como médicos dando opiniões de médicos na TV. Imagine se, nesta nossa vida quotidiana com qu, a gente conseguisse saber imediatamente qual o ramo de atuação de determinada pessoa, que fantástico, todo mundo se comunicando sem amarras e selecionando tópicos de conversação sempre relevantes.
Se médicos usassem uma roupa normal, uma gola V, um blazer ou uma bermuda, eu não só não confiaria em suas credenciais de médico como nem saberia que eles eram de fato médicos. Jamais conseguiria estabelecer comunicação adequada, não poderia nem pedir dicas no elevador para tratar daquela minha pereba.
Benefícios evidentes, desvantagens nulas, mas a gente sabe que a sociedade brasileira é corrupta e nunca vamos chegar nesse nível de desenvolvimento social.
Se fossem juízes, usariam uma toga, engenheiros civis deveriam aparecer de capacete, economistas devem aparecer com uma calculadora a tira-colo, açougueiros com um facão e avental ensanguentado, jornalistas com um cartão do Bolsa-Família, pilotos de avião com um cap, e assim por diante.
Não sei ainda por que o mundo não é pautado por essa pronta identificação, me sinto muito mais seguro quando vejo médicos vestidos como médicos dando opiniões de médicos na TV. Imagine se, nesta nossa vida quotidiana com qu, a gente conseguisse saber imediatamente qual o ramo de atuação de determinada pessoa, que fantástico, todo mundo se comunicando sem amarras e selecionando tópicos de conversação sempre relevantes.
Se médicos usassem uma roupa normal, uma gola V, um blazer ou uma bermuda, eu não só não confiaria em suas credenciais de médico como nem saberia que eles eram de fato médicos. Jamais conseguiria estabelecer comunicação adequada, não poderia nem pedir dicas no elevador para tratar daquela minha pereba.
Benefícios evidentes, desvantagens nulas, mas a gente sabe que a sociedade brasileira é corrupta e nunca vamos chegar nesse nível de desenvolvimento social.
6 de agosto de 2012
Autointitulado texto
Brasil é tão burocrático que geral, nesses comentários de Facebook que ficaram populares nos blogs, já chega discordando dos "autointitulados blogueiros". Nego pode nem ser blogueiro aqui que já é tratado com sarcasmo pelo título autoimposto.
É só discordar de uma partezinha do texto que a letra passa a ser ofensiva, produto de pessoas que poderiam ser blogueiras, mas seus textos nem a isso as qualificam.
Parece até que ser blogueiro tem alto glamour, que atores aparecem na revista Quem pagando de blogueiro.
Agora não é só ter um blog e publicar coisas nele para ser blogueiro, tem que ter o aval social, provável exame da Ordem, senão você está sendo arrogante.
E deve até ter projeto de deputado, daqueles seriões mesmo - não o Romário ou o Tiririca que são de sacanaj -, que quer regulamentar a profissão, estabelecer piso salarial e condições de trabalho (menos que Windows 7 não dá, Wordpress é plataforma mínima, Blogger é equivalente a trabalho escravo).
É só discordar de uma partezinha do texto que a letra passa a ser ofensiva, produto de pessoas que poderiam ser blogueiras, mas seus textos nem a isso as qualificam.
Parece até que ser blogueiro tem alto glamour, que atores aparecem na revista Quem pagando de blogueiro.
Agora não é só ter um blog e publicar coisas nele para ser blogueiro, tem que ter o aval social, provável exame da Ordem, senão você está sendo arrogante.
E deve até ter projeto de deputado, daqueles seriões mesmo - não o Romário ou o Tiririca que são de sacanaj -, que quer regulamentar a profissão, estabelecer piso salarial e condições de trabalho (menos que Windows 7 não dá, Wordpress é plataforma mínima, Blogger é equivalente a trabalho escravo).
5 de julho de 2012
Nostalgia por uma época que, ainda bem, eu nunca mais vou viver mesmo, então posso reclamar
Meio que sinto falta da época em que as pessoas colocavam uma parede entre mim e suas opiniões. Sempre parecia que eu só conheceria um cercadinho das ideias de alguém, mas, graças ao Twitter, eu descobri que críticos de cinema não só criticam cinema, mas são muito engajados politicamente, que gostam de gatos e não de cachorros, que têm dificuldade em abrir um monte de recipientes de plástico e que têm opiniões contundentes a respeito do trânsito e do espaço urbano.
Como Ron Swanson, estou consciente da ironia que é a minha vida neste momento, mas pelo menos eu posso pensar que neguinho que chega aqui quer ler minhas porcarias mesmo, sem saber muito o assunto interessantíssimo que eu devo abordar.
Ao contrário da minha surpresa ao seguir esses perfis de Twitter corporativos e descobrir, tipo, que a Coca-Cola tem péssima ortografia.
Ah, e só pra aproveitar a leva, véi, também podiam parar com o uso inconsistente de maiúsculas e minúsculas, hein?
Como Ron Swanson, estou consciente da ironia que é a minha vida neste momento, mas pelo menos eu posso pensar que neguinho que chega aqui quer ler minhas porcarias mesmo, sem saber muito o assunto interessantíssimo que eu devo abordar.
Ao contrário da minha surpresa ao seguir esses perfis de Twitter corporativos e descobrir, tipo, que a Coca-Cola tem péssima ortografia.
Ah, e só pra aproveitar a leva, véi, também podiam parar com o uso inconsistente de maiúsculas e minúsculas, hein?
Popeye e a dominação cultural do agribusiness
Me pergunto se o desenho do Popeye foi o maior esforço publicitário já feito pela indústria do espinafre, porque eu não lembro de jamais ter sido exposto ao espinafre em nenhuma outra mídia. Nem em propaganda do Bompreço colocam o infeliz.
Parece ter sido um esforço tresloucado em RAISING AWARENESS.
A gente já vê as marcas do desespero no enredo do cartum, baseado na cultura machista dos marinheiros, no "pego qualquer tranqueira porque passei 6 meses no mar", já que, convenhamos, a Olívia Palito não é uma Alessandra Ambrosio.
Coisa que eu menos entendo em Popeye é a insistência em comer espinafre puro, direto da lata (vai saber em qual estado a parada estava dentro do recipiente?). Daí você já vê a pressa em colocar o produto no mercado, teriam muito mais aceitação se o Popeye, em vez de tacar de vez o espinafre pra dentro, parasse e fizesse uma refeição balanceada de salada que incluísse espinafre como principal, mas não desprezasse ingredientes essenciais de uma alimentação vegetariana, como alface, tomate, pepino, cenoura, beterrada e - por que não? - mussarela de búfala.
Só não precisaria colocar uva passa, isso sempre acaba com a minha vibe saúde.
Parece ter sido um esforço tresloucado em RAISING AWARENESS.
A gente já vê as marcas do desespero no enredo do cartum, baseado na cultura machista dos marinheiros, no "pego qualquer tranqueira porque passei 6 meses no mar", já que, convenhamos, a Olívia Palito não é uma Alessandra Ambrosio.
Coisa que eu menos entendo em Popeye é a insistência em comer espinafre puro, direto da lata (vai saber em qual estado a parada estava dentro do recipiente?). Daí você já vê a pressa em colocar o produto no mercado, teriam muito mais aceitação se o Popeye, em vez de tacar de vez o espinafre pra dentro, parasse e fizesse uma refeição balanceada de salada que incluísse espinafre como principal, mas não desprezasse ingredientes essenciais de uma alimentação vegetariana, como alface, tomate, pepino, cenoura, beterrada e - por que não? - mussarela de búfala.
Só não precisaria colocar uva passa, isso sempre acaba com a minha vibe saúde.
25 de maio de 2012
Hoje também é Dia do Sapateado e ninguém tá me dando parabéns
Tem gente me dando parabéns pelo Dia do Orgulho Nerd.
Mas não é o meu dia. Orgulho e nerd na mesma frase é praticamente uma contradição em termos. Eu sou nerd, não tenho orgulho disso. Sou roots, sou daqueles nerds que se envergonham da própria vida nerd, que ficam jogando videogame frustrados no porão de casa, escondem as revistinhas quando a galera pop da escola passa por perto rindo, auto-centrados, cientes de que são melhores do que eu.
A nerdice tá muito banalizada hoje em dia. Um pouco de comedimento faz um mundo de diferença, colegas nerds.
Mas não é o meu dia. Orgulho e nerd na mesma frase é praticamente uma contradição em termos. Eu sou nerd, não tenho orgulho disso. Sou roots, sou daqueles nerds que se envergonham da própria vida nerd, que ficam jogando videogame frustrados no porão de casa, escondem as revistinhas quando a galera pop da escola passa por perto rindo, auto-centrados, cientes de que são melhores do que eu.
A nerdice tá muito banalizada hoje em dia. Um pouco de comedimento faz um mundo de diferença, colegas nerds.
26 de março de 2012
Na internet brasileira chamariam isso de "trollagem"
Muita gente, com inquebrantável racionalismo, chega pra mim direto pra falar que futebol é tosco, sem sentido, não passa de "22 homens correndo atrás de uma bola durante 90 minutos".
Venho tentando trazer essa atitude saudável ao meu quotidiano e mostrar ceticismo radical em todas as searas da minha vida.
Percebi que essa vibe de destrinchar detalhadamente do que se tratam nossas tarefas diárias é coisa muito poderosa, todo mundo fica desiludido.
Encontrei fulaninho saindo pro trabalho outro dia aqui no meu prédio e falei: "Opa, doutor! Já vai para o trabalho?" "Pois é!" "Entrar num carro, chegar numa sala, rabiscar papéis, apertar botões num teclado que fazem letras aparecerem numa tela... Qual o sentido?" Pude sentir o cara já meio desanimado enquanto ele virava chave na ignição.
Mas eu não estava satisfeito. Vi amigo meu rangando aquele dogão mais tarde e cheguei pro cara. "E aí, véi, e esse dogue aí?" "Maneiro, né, não? Capricharam." "Preparar um pão com carne no meio, salpicar com condimentos, depois ingerir enquanto suja os dedos. Pra quê? É tudo tão aleatório." Ali deu pra ver o apetite dele indo embora.
Porém, minha cartada final ainda estava por vir. Dias depois, vi aquela menina que já tinha me advertido de que futebol é palha e metafisicamente vazio. Ela tava lá com o iPod dela, curtindo um som, quando eu chego arrancando os fones de seu ouvido na maior falta de educação (porquê, pô, educação é tão sem significado) e mando:
- Isso que a gente ouve são apenas oscilações de pressão transmitidas pelo ar! O mundo não tem lógica!
E saí.
Venho tentando trazer essa atitude saudável ao meu quotidiano e mostrar ceticismo radical em todas as searas da minha vida.
Percebi que essa vibe de destrinchar detalhadamente do que se tratam nossas tarefas diárias é coisa muito poderosa, todo mundo fica desiludido.
Encontrei fulaninho saindo pro trabalho outro dia aqui no meu prédio e falei: "Opa, doutor! Já vai para o trabalho?" "Pois é!" "Entrar num carro, chegar numa sala, rabiscar papéis, apertar botões num teclado que fazem letras aparecerem numa tela... Qual o sentido?" Pude sentir o cara já meio desanimado enquanto ele virava chave na ignição.
Mas eu não estava satisfeito. Vi amigo meu rangando aquele dogão mais tarde e cheguei pro cara. "E aí, véi, e esse dogue aí?" "Maneiro, né, não? Capricharam." "Preparar um pão com carne no meio, salpicar com condimentos, depois ingerir enquanto suja os dedos. Pra quê? É tudo tão aleatório." Ali deu pra ver o apetite dele indo embora.
Porém, minha cartada final ainda estava por vir. Dias depois, vi aquela menina que já tinha me advertido de que futebol é palha e metafisicamente vazio. Ela tava lá com o iPod dela, curtindo um som, quando eu chego arrancando os fones de seu ouvido na maior falta de educação (porquê, pô, educação é tão sem significado) e mando:
- Isso que a gente ouve são apenas oscilações de pressão transmitidas pelo ar! O mundo não tem lógica!
E saí.
24 de março de 2012
Provavelmente é porque escrever em chinês dá mó preguiça, aí fica parecendo tão impressionante
Tem uma camisa por aí com a imagem de um ideograma "mandarim" e embaixo a legenda: "Saúde".
Uai, mas saúde em português não era suficiente? Agora a saúde tem que ser em chinês também, senão não tem poder? véi, é só um alfabeto diferente, não é magia nem macumba.
Meio que duvido que o negócio queira dizer saúde também. Talvez queira dizer "ostra", ou "mato denso".
Acho esses símbolos chineses mó atraso de vida, outro dia li uma pesquisa de que os chineses são tudo analfa, escrevem no nosso alfabeto e o Word que eles usam lá traduz pros símbolos pra ficar tudo bonitinho e mágico.
Gosto mais quando a gente é colonizado pelos americanos, pelo menos não tem toda a pretensão espiritualista.
Se bem que, olha aí, tem filão de negócios. Posso começar a vender umas camisas com uns treco em inglês com umas legendas nada a ver.
Pego, sei lá, aqueles moletons escrito "Property of Harvard U" e a legenda embaixo "Prosperidade"; o que, te contar, não é de todo mentira.
Uai, mas saúde em português não era suficiente? Agora a saúde tem que ser em chinês também, senão não tem poder? véi, é só um alfabeto diferente, não é magia nem macumba.
Meio que duvido que o negócio queira dizer saúde também. Talvez queira dizer "ostra", ou "mato denso".
Acho esses símbolos chineses mó atraso de vida, outro dia li uma pesquisa de que os chineses são tudo analfa, escrevem no nosso alfabeto e o Word que eles usam lá traduz pros símbolos pra ficar tudo bonitinho e mágico.
Gosto mais quando a gente é colonizado pelos americanos, pelo menos não tem toda a pretensão espiritualista.
Se bem que, olha aí, tem filão de negócios. Posso começar a vender umas camisas com uns treco em inglês com umas legendas nada a ver.
Pego, sei lá, aqueles moletons escrito "Property of Harvard U" e a legenda embaixo "Prosperidade"; o que, te contar, não é de todo mentira.
14 de março de 2012
Cony 2012

Vídeo viral que expõe toda a desprezível obra do imortal Carlos Heitor Cony e as tentativas de uma guerrilha para depô-lo.
No decorrer do filme, o expectador será brindado com várias citações completamente sem graça do escritor/jornalista, e provavelmente ficará com vontade de sequestrar e talvez formar um exército com crianças para destruí-lo.
A obra será criticada por analisar muito profundamente a obra de Cony, que não merece tanta atenção assim.
12 de março de 2012
Where Might is Right
Numa academia, como num khalasar Dothraki, os fortes mandam.
Não faço juízo de valor, não digo que é justo que o mundo seja assim, mas é. Sou apenas um cientista, descrevendo a realidade, um Maquiavel do mundo político da ginástica.
Se você usa um banco, aquele que está usando halteres maiores tem mais direito que você ao equipamento e pode requerer que você saia do caminho se necessário.
A qualquer momento, quem pega mais peso tem mais poder político, não só físico, na academia.
Se os pesos forem iguais, a questão é resolvida no visual. Quem parece mais fortão?
Sistema machista, claro, mas mulher não liga porque fica direto no transport e malhando glúteos.
É uma subversão o que minha academia faz, um monte de fracote vestindo camisa de professor, querem impor o respeito na marra. Mas ninguém consegue respeitá-los, no subconsciente das academias de ginástica está enraizado um sistema baseado na força e não no conhecimento científico sobre educação física.
Acontece em todas as academias do Brasil e, me parece, isso é uma bomba relógio. Essa oligarquia dos professores não vai durar muito tempo. Logo os alunos, que não conseguem desvencilhar a imagem de saúde física de um corpo fisiculturista, vão se rebelar. Vai ser a Primavera da Musculação.
Não faço juízo de valor, não digo que é justo que o mundo seja assim, mas é. Sou apenas um cientista, descrevendo a realidade, um Maquiavel do mundo político da ginástica.
Se você usa um banco, aquele que está usando halteres maiores tem mais direito que você ao equipamento e pode requerer que você saia do caminho se necessário.
A qualquer momento, quem pega mais peso tem mais poder político, não só físico, na academia.
Se os pesos forem iguais, a questão é resolvida no visual. Quem parece mais fortão?
Sistema machista, claro, mas mulher não liga porque fica direto no transport e malhando glúteos.
É uma subversão o que minha academia faz, um monte de fracote vestindo camisa de professor, querem impor o respeito na marra. Mas ninguém consegue respeitá-los, no subconsciente das academias de ginástica está enraizado um sistema baseado na força e não no conhecimento científico sobre educação física.
Acontece em todas as academias do Brasil e, me parece, isso é uma bomba relógio. Essa oligarquia dos professores não vai durar muito tempo. Logo os alunos, que não conseguem desvencilhar a imagem de saúde física de um corpo fisiculturista, vão se rebelar. Vai ser a Primavera da Musculação.
8 de março de 2012
Guerra dos Gêmeos
Guerra dos Gêmeos será minha estreia no mundo estagnado das novelas globais.
A trama tratará de um dos mais estabelecidos princípios dos folhetins brasileiros: os irmãos gêmeos, um mau e um bom.
Indo além, todos os personagens terão irmãos gêmeos, e sempre um dos gêmeos será bom. Essa organização do mundo trará profundas consequências sociológicas.
Ao nascerem crianças (sempre gêmeos idênticos), os gêmeos bons se unirão numa força para identificar desde mais tenra idade quem é o nascido maligno. Quaisquer sinais valem, um puxão de cabelo quando criança, um dedo no olho mais travesso, uma piadinha que mostre preconceitos de raça ou credo.
Os gêmeos bons tratarão então de tentar matar as crianças más, ironicamente fazendo com que se tornem maus. O time do mal tentará salvar os pequenos gêmeos maus então, fazendo com que, ironicamente, se tornem bons.
É muita nuance moral pra uma novela só!
Os personagens principais da novela serão irmãos separados pelo destino. O bom se tornara pobre, mas nobre; o mau, um rico empresário inescrupuloso. Este, maligno, fará de tudo para ficar com a mulher que é o amor da vida de seu irmão.
Ele contará com o apoio da irmã gêmea idêntica maligna dela para afastá-los. Embora iguais de aparência aos irmãos bons, eles não podem ficar juntos porque isso seria moralmente neutro.
É pra ficar com o coração na boca de segunda a sábado por oito meses seguidos!
A trama tratará de um dos mais estabelecidos princípios dos folhetins brasileiros: os irmãos gêmeos, um mau e um bom.
Indo além, todos os personagens terão irmãos gêmeos, e sempre um dos gêmeos será bom. Essa organização do mundo trará profundas consequências sociológicas.
Ao nascerem crianças (sempre gêmeos idênticos), os gêmeos bons se unirão numa força para identificar desde mais tenra idade quem é o nascido maligno. Quaisquer sinais valem, um puxão de cabelo quando criança, um dedo no olho mais travesso, uma piadinha que mostre preconceitos de raça ou credo.
Os gêmeos bons tratarão então de tentar matar as crianças más, ironicamente fazendo com que se tornem maus. O time do mal tentará salvar os pequenos gêmeos maus então, fazendo com que, ironicamente, se tornem bons.
É muita nuance moral pra uma novela só!
Os personagens principais da novela serão irmãos separados pelo destino. O bom se tornara pobre, mas nobre; o mau, um rico empresário inescrupuloso. Este, maligno, fará de tudo para ficar com a mulher que é o amor da vida de seu irmão.
Ele contará com o apoio da irmã gêmea idêntica maligna dela para afastá-los. Embora iguais de aparência aos irmãos bons, eles não podem ficar juntos porque isso seria moralmente neutro.
É pra ficar com o coração na boca de segunda a sábado por oito meses seguidos!
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