13 de novembro de 2004

Quando o mundo conspira contra nós

Dia 24 de outubro passado, fui com minha namorada ao show do Offspring aqui no Recife; e utilizamos o serviço de transporte coletivo, onde fomos obrigados a inalar perfumes de empregada. Daqueles que ficam trinta horas no ar após a moça passar no ambiente. E, creio eu, que os únicos seres imunes aos efeitos alucinógenos desses Avons são as próprias empregadas. No dia, quase que não saio do ônibus, asfixiado.

Descemos no devido ponto e andamos por ambientes assustadores para conseguirmos chegar no Classic Hall. Tivemos que andar ao lado de uma favela até conseguir chegar ao local do evento. Foi relativamente fácil passar por este trecho e alcançamos o local do show. Só havia um porém: tínhamos que atravessar a avenida.

De fato, uma larga avenida. Chutando por baixo, 28 corredores de carros e limite de velocidade de 540 quilômetros por hora. Ou seja, eu e minha namorada teríamos que usar de toda nossa ginga e desenvoltura para passar para o outro lado da rua e assistir ao show. Não imaginamos que seria uma tarefa tão árdua, já que nossa especialidade é atravessar avenidas. Mas nossos superpoderes foram requisitados.

eu taty

Transformamo-nos os dois em super-heróis de quadrinhos e tentamos transpor a insuperável barreira de carros, ônibus, caminhões, motos, bicicletas e ovnis. Em vão - nem mesmo a super velocidade e o Laço da Verdade eram capazes de parar a manada de veículos. Percebemos que nunca conseguiríamos ver o show da banda americana se uma atitude drástica não fosse tomada.

Chamei Taty para andarmos até o ponto de ônibus. Foi quando sentimos aquele odor de perfume de empregada que estava impregnado no ar desde que havíamos descido e ficamos anestesiados. Completamente dormentes. Tentamos atravessar a rua, um carro se chocou conosco e não sentimos nada; levantamos do chão e continuamos andando. No caminho, levamos mais porrada de um caminhão de gasolina e uma Hilux. Não sentimos nada.

Meia hora se passa enquanto estamos no meio da rua e finalmente atravessamos a gigantesca avenida. O efeito de dormência de Avon passou e fomos ver o Offspring, num show onde fomos mais espancados e percebemos que deveríamos carregar esses perfumes pavorosos no bolso.

Questão de proteção pessoal.

12 de novembro de 2004

O dia em que eu tomei tenência

Presentes só devem ser dados quando você tem dinheiro e não por consideração. Constrangedor dar "uma lembrancinha" e eu juro que nunca mais darei um presente em vida enquanto não ganhar um salário de 250 mil reais anuais.

Minha mesquinhez de alma permite até que eu aceite dinheiro como forma de presente. Te dou algo no seu aniversário, você me dá dinheiro no meu e todos ficam alegres saltitantes a cantar no bosque.

Somente seres rasteiros não retribuem presentes; por sinal, foram esses mesmos seres rasteiros que inventaram que não pode pedir presente em retribuição a algo que tenha sido dado anteriormente. É feio. Então, quando eu te der um presente, sinta-se na obrigação de dar algo de volta ou devolva, porque eu não gosto de perder dinheiro sem alguma compensação.

Lembro-me de um tio-avô meu falando há algum tempo quando eu não queria dar um presente para uma pessoa que havia me agraciado com uma camisa da C&A:

- Tome tenência, hômi!

Então eu comprei um par de meias para dar de presente. E fiquei esperando que a pessoa enfiasse as meias na cabeça até aprender a comprar coisas de verdade.

10 de novembro de 2004

Dona Elésia

Todo mundo deveria andar com uma Dona Elésia embaixo do braço. Cada pessoa deveria carregar uma a qualquer canto. Seria uma espécie de talismã. Como uma bíblia para os crentes, uma prancha de surfe para os surfistas ou uma alcatra para meu tio Ary. Dona Elésia é um amuleto que resolveria qualquer problema.

Não, eu não inventei a Dona Elésia. Ela é uma senhora que vive numa ruela próxima a meu prédio e que usa maravilhosos métodos de persuasão. Qualquer argumento exaurido contra Dona Elésia pode ser facilmente destroçado pela simpática velhinha.

Certa vez minha avó estava falando com ela quando eu cheguei para cumprimentar ambas. Bastou eu virar para que D. Elésia visse minha bermuda modernosa abaixo do joelho e disparasse:


Certamente fiquei sem reação. Pois então, abaixei a cabeça e me recolhi. Num outro dia, discutindo sobre o fim de uma novela do SBT que ninguém assiste com minha tia, Dona Elésia disse:

- Eu acho que o Marcos Henrique vai se casar com Maria Cláudia!
- Tu vire gente, sua cabiçuda!

Imbatível. Até testei o modus operandi da simpática velhinha.

Fui discutir sobre caminhos para o Brasil, crise econômica e política internacional numa roda de amigos certa vez. Falavam bem do governo de Lula. Não tive dúvidas. Saquei minha Dona Elésia do bolso e ela bradou para todos: "Virem gente, seus cabiçudos!"

Levantei vitorioso e fui embora. Quando falarem bem do governo, não hesite, puxe sua Dona Elésia e vença a discussão antes que o ambiente se torne perigoso para o convívio.

9 de novembro de 2004

Fade to green

Meu sonho é atravessar de pônei o Brasil. E quando chegasse em casa, meu pônei teria a alfafa servida na mesa. Seria uma flecha andando pelo cerrado brasileiro. Como Silver, o cavalo de Zorro. Ou Corcel Negro, o indomável, de Alec Ramsay. Meu pônei seria o melhor pônei do mundo.

Montado no meu pônei, voltei ao mundo dos blogs anos depois de ter sido deliberadamente expulso deste mundinho pelo mblog que destruiu para sempre o meu querido blog Lixão. Tenho certeza que ele viverá para sempre em seus corações.

Lixones, como era popularmente conhecido, já havia ressurgido das cinzas uma vez, quando fomos expulsos da Globo, mas desta vez a morte foi definitiva. Acreditem, foi como perder um filho para mim. Uma cena tão comovente quanto um pônei tendo que escolher apenas um filhote-pônei para amamentar. Realizem.

Pois é, foi assim mesmo, jovens. Pois é.

8 de outubro de 2004

Christine, o carro

Cultivo manias desagradáveis somente para irritar outras pessoas, como por exemplo, julgar um livro pela capa. Sério. Tenho dificuldade em ler o livro antes de comprar. Por isso julgo pela capa, compro, leio e julgo novamente.

Ontem de madrugada, eu vi Christine - O carro assassino no Intercine. O filme, baseado num best-seller de Stephen King, conta a história de Arnie Cunningham, um adolescente que é zoado pela cidade inteira, inclusive pela própria mãe. Isso até ele comprar um carro pelo qual se apaixona, um Plymouth Fury 1958 que é chamado de Christine pelo dono. Arnie começa a ter mudanças de comportamento depois de comprar o veículo e, assim, todos começam a odiar o carro - que, por sua vez, mata todo mundo. Verdade. Além de ter um espírito maligno, o carro também é imortal. Por mais que todos o quebrem, Christine se reconstruirá.

Fiquei imaginando como tal trama pôde vender tantos livros. Certamente, se eu julgasse esse livro pela capa, não compraria. Provavelmente de tão aterrorizante que seria ler uma história de carro psicopata. King é um gênio do horror, oras!

Imagino que o autor tenha visto demasiadamente o clássico Se o meu fusca falasse da Disney e se inspirou nele. Não consigo parar de pensar como seria um duelo entre o simpático Fusca 53 Herbie e Christine. Se por um lado o Plymouth é imortal, por outro, Herbie é um carro legal que tem muitos amigos - é possivel que tenha um amigo caminhão para passar por cima de Christine. Ademais, Herbie já derrotou numa ocasião anterior o temível Fusca Negro trapaceiro, então, nada impede que ele repita o feito.


Sobre o livro que planejo escrever, após este filme, pensando num bom tema para escrever, cheguei a alguns títulos que posso desenvolver. Ei-los:

- Babaloo, a goma de mascar com um melzinho do mal
- Afonso, a cadeira franco-atiradora
- Lula, o presidente-porta

Entretanto, o título que mais me agradou foi "Amanda, a urna eletrônica que só votava no PFL". Neste livro, Amanda seria uma urna apaixonada por uma seção eleitoral em que havia sido usada uma vez e não aceitava ser alocada em qualquer outra região. Quando era colocada em um local estranho, Amanda, a urna, só votava no PFL.

Terror.

6 de outubro de 2004

Estilo zen

Depois das eleições, a cobertura jornalística eleitoreira correu para a casa do prefeito reeleito, João Paulo. Talvez alguém se interesse pelo fato de o ex-canditato ter lido jornais durante o café da manhã - assim as pessoas descobrem que prefeitos são pessoas comuns; a diferença reside apenas na falta de senso de honestidade. Muito interessantíssimo.

Ressaltaram o fato de João Paulo meditar porque isso "caracteriza o estilo zen do prefeito". E vocês sabem, meditar é a arte de ficar parado, sentado, durante muito tempo, fazendo nada. Depois disso, finalmente entendi como o petista trabalha: ele fica parado, fazendo nada.

Faz tempo, mas já fui num mosteiro zen budista. Ficava sobre uma montanha. E, ao contrário do que todos pensam, lá não é um local de meditação eterna. Havia só umas casas, um bebedouro natural (numa fonte de água mineral), um templo e uma casa de projeção de filmes. Uma casa para ver filmes. Muito me perguntei por que monges zen budistas tinham uma casa de projeção de filmes naquele ambiente espiritual e silencioso, onde ninguém faz nada e todos ficam parados em posição de lótus. Talvez eles ficassem vendo filmes de um monge superstar tibetano fazendo moonwalk.

Pois é, João Paulo é estilo zen. O estilo dele é ficar parado sem fazer coisa alguma enquanto vê um filme qualquer. Baseado nisso, cheguei a uma conclusão bombástica e avassaladora. Se prepara porque agora é babado forte:

O prefeito de Recife vê Sessão da Tarde.

5 de outubro de 2004

Uma triste história amorosa para os tempos modernos

Agora que o povo brasileiro já fez seu papel de idiota bianual (inclusive beijando, abraçando e bolinando os ladrões que desviarão dinheiro nos próximos quatro anos), poderei contar uma história de amor e tragicomédia que abalará seu coração e depois te fará ir embora como se nada tivesse acontecido.

Há alguns anos, tive dois cachorros muito especiais. Um deles era um cãozinho da raça daschund (também conhecida como salsicha, linguiça ou cachorro desproporcional) chamado Ananias. O outro era uma cadela boxer, que, não obstante ser fêmea, se chamava Antônio Fagundes.



Em certa época de minha vida, quando eu era endinheirado e tinha uma casa de praia, Ananias e Antônio Fagundes ficavam passeando pelo local como quem nada queriam além de sexo; e, Ananias mal podia disfarçar sua atração pelo traseiro empinado e pelo rabinho de cotoco de Antônio Fagundes. Inclusive, acrescento que o salsichinha era bem gordo e, quando eu o chutava e fazia o pobre ficar de barriga para cima, ele não conseguia desvirar.



O daschund flertava a todos os momentos com a cadela, que demonstrava interesse, embora fosse cinco vezes maior que o bichinho. Antônio Fagundes ficava deitada, e o(a) salsicha chegava por trás dela - que não deixava, apesar de hesitar.

Mesmo assim, o sagaz cãozinho não desistia de conquistar sua Antônio Fagundes e bolava vários estratagemas para conseguir fecundar a moça. Certa vez ele tentou chegar por trás da cadela se escondendo por detrás de outro cão. Em outra ocasião, Ananias fez uma armadilha no chão que prendeu o pé de Antônio Fagundes e quase permitiu o relacionamento; o problema foi que a armadilha não impediu a mordida da boxer no pequeno daschund.

Mas no derradeiro esforço de Ananias, ele subiu numa mesa e se jogou em cima de seu amor, e por lá trepou nela e com ela - que se rendeu, pois já morria de vontade. O problema é que nem Antônio Fagundes, muito menos Ananias se preocuparam com algo crucial: o preservativo.

Alguns meses depois, a cachorra se inclinava para, aparentemente, cagar. Mas daquela vez, havia algo diferente: em vez de pelotas marrons, saíam grandes bolinhas pretas. Ananias percebeu que Antônio Fagundes estava tendo um parto e fugiu para caçar sapos. Nunca mais voltou.

Antônio Fagundes foi obrigada a cuidar dos filhotes mutantes e a comer Pedigree Champ para o resto da vida. Fim.

30 de setembro de 2004

Assaltos

Há três horas atrás minha campainha tocou e eu rapidamente me joguei embaixo da mesa, tremendo. Sabem, não é muito comum a campainha tocar às 11h30 da noite numa quarta-feira de Lua cheia com Saturno alinhado com a Terra, ajudando os assaltantes de todos os tipos.

Então, enquanto eu estava embaixo da mesa, gritei "Quem é?". Quem estava do lado de fora não respondeu. Perguntei de novo e nada. Aí começaram a forçar a porta com um pé-de-cabra e eu saí de debaixo da mesa tranqüilo, porque ao menos eu já sabia que estavam tentando assaltar a minha casa. Ufa, um alívio!

Vim para o computador e deixei aquele estranho tentando arrombar a porta. Decidi então contar para vocês como foram minhas primeiras experiências em assaltos, ou seja, como eu me desgracei fodidamente nas duas primeiras vezes.

1º assalto
Estava eu andando na rua feliz a cantar, levando uns 130 mil reais em dinheiro na cueca - dinheiro conseguido com anúncios subliminares no meio dos posts. Aliás, neste post há zilhares de mensagens subliminares e vocês nunca saberão onde eles estão! Lero-lero!

Mas enfim, voltando ao assalto. Pois bem, eu andava com milhares de reais na cueca (fazendo um volume irreal) quando ouvi um cara gritando:

- Perdeu, perdeu!

Me joguei no chão tremendo, com as mãos na cabeça e falando "Perdi, perdi". O marginal me abordou com uma faca e já foi falando "Aê, sagaz, só quero o celular!", como mostrado abaixo:


Beba Coca-Cola


Na verdade, o assaltante tinha a cara do Charlton Heston, o que me deixou com ainda mais medo. Charlton Heston tem uma cara muito ameaçadora. Portanto, foi mais ou menos assim:


Windows não trava


Comecei a dizer desesperadamente "Eu não tenho celular, eu não tenho celular, só tenho 130 mil reais em dinheiro!" enquanto rolava na calçada. O Heston-cover falou "Seu inútil!" e começou a me chutar a cabeça. E também a barriga. Mas não me levou nada, apenas fiquei desmaiado na calçada por dois dias.

E assim foi minha primeira experiência sendo assaltado.

2º assalto
Depois do primeiro assalto, dois dias passaram e eu estava na calçada ainda. Fui acordado por três caras dando tapinhas na minha cara, o que muito me recordou os Irmãos Metralha do desenho do Tio Patinhas, o Ducktales. Perguntaram se eu tinha cinqüenta centavos, porque eles estavam morrendo de fome.

Fui levantando e dizendo "Tenho algum dinheiro aqui", mas isso só fez com que os três me empurrassem de volta para o chão e gritassem:

- Perdeu, perdeu!

Um dos três falando rapidamente, dizia "Passa cinqüenta centavos, sagaz, passa, passa!". De súbito, comecei a rolar no chão tremendo e falando "Perdi, perdi", e depois "Não tenho trocado, só tenho 130 mil reais em dinheiro vivo!". Me chamaram de inútil e começaram a chutar a minha cabeça. E também a barriga.

26 de setembro de 2004

Lula lá!

O Homem Torrada está pedindo para ser meu amigo novamente no orkut e eu temo que ele nunca vá desistir disso. Acredito que já neguei a amizade dele umas 97 vezes, porém ele persiste firme no objetivo de me colocar em seu álbum de figurinhas. Ele nunca desistirá... Provavelmente, ele me ama. Se não for isso, deve me odiar muito.


Ele deve também ter fotos minhas espalhadas por seu quarto e acorda pensando em um meio de me torturar. Depois de comer sua torrada matinal, ele senta em sua cadeira confortável e atira um dardo numa imagem da minha cara pregada na parede. Acerta no olho. Então, ele abre meu profile e pede minha amizade.

Vou mudar de assunto porque esse me deixa muito triste; saber que você é odiado por uma torrada é horrível.

Quinta-feira eu vi uma palestra com o tema Era Bush e Terrorismo. Um tema pomposo desses merecia alguma grande personalidade palestrando. No caso, foram dois professores de história. Um deles chamava-se Serafim e o outro era o Professor Charles Xavier, tutor dos X-Men. Tá certo, era alguém muito parecido. Inclusive ele se chamava Lula.

Imaginem o líder dos X-men chamado Lula falando de Bush e Terror. O melhor é que ele falou coisas nada óbvias. Posso citar algumas frases dele, algo que eu dificilmente deduziria só, sozinho e sem ajuda. Abre aspas:

"Os Estados Unidos eram aliados de Osama Bin Laden e Sadam Hussein!"
"A Guerra Fria acabou em 1989!"


Rapidamente comecei a pensar em coisas menos óbvias para ele dizer como:

"O Brasil é pobre."
"O Terrorismo mata pessoas."
"Eu não tenho tranças."

Depois de falar coisas inusitadas, Lula deixou paralisadas todas as pessoas com seus poderes psíquicos, coisa e tal, até que a palestra acabasse.

Falando nisso, nada a ver, neste momento que eu escrevo, acabou de passar o Altas Horas com a senhorita dre mostrando sua carinha de cabocla na platéia. Inclusive, a câmera a pegou por uns 2 segundos, enquanto dre dava uma gingadinha de estilo durante a apresentação do Capital Inicial. Gingadinha esta que demonstrou toda a empolgação da moça quanto à banda.

O Capital Inicial tem 97,6% do seu orçamento advindo de cachês do programa do Serginho Groissman, não sei se vocês sabem. Todo dia eles estão lá. Provavelmente o grupo tem algum contrato de exclusividade, eu sei lá.

Neste momento meu dedão do pé direito está tendo uma hemorragia e eu suspeito que vou secar em alguns momentos, pois já se formou uma imensa poça de sangue no chão. Rasguei o dedo há mais ou menos uma semana quando um caco de vidro enorme de uns 5 nanômetros perfurou minha derme e me infectou com tétano, hepatite-C e, talvez, câncer de fígado. Problema é que eu sempre acabo chutando a quina das paredes, fazendo o ferimento do dedão jamais cicatrizar.

Passei duas horas no parágrafo acima e a Formula 1 já terminou. Com certeza meu óbito é questão de tempo. Pelo menos vou tentar dormir antes que meu cérebro compute o fato de o Rubinho ter ganho a corrida e faça eu me sentir ainda mais ridículo. Ridículo como o post aí abaixo.

24 de setembro de 2004

Greve

Todos os setores da sociedade estão em greve, ao menos aqui no Recife, o que me faz acreditar que o espetáculo do crescimento não acontecerá, a menos que todos tenham sido enganados até hoje e que seus empregos não sirvam para porcaria nenhuma.

É aquela coisa, suponha que os ascensoristas entrem em greve. Não me imagino batendo a cabeça na parede e gritando "Oh, não! Quem apertará os botões do elevador para mim? Por que isso tinha que acontecer? Por quê? Por quê?".

Ah, mas sim, eu tinha que completar o raciocínio. Como dito anteriormente, todos os setores da sociedade estão em greve, ou estavam, não sei - mas isso não faz a mínima diferença, já que mesmo que eles não estejam em greve, é como se estivessem. Estão paralisados os bancários, os metroviários, os ascensoristas, as grávidas e até os governadores do Estado.

As grávidas disseram que não teriam nenhum filho até terem melhores travesseiros redondos para se encostarem em todos os bancos das praças do Recife. Os obstetras ficaram com inveja e começaram a grevear também, querendo sessões de bronzeamento três vezes por semana. O PSTU sai distribuindo santinhos onde está escrito "Entre em greve você também".

Por acaso, ontem eu acabei recebendo um desses santinhos e recebi paralisar minhas atividades também. De hoje em diante, não farei mais nada até ter melhores condições de trabalho, salário e teto. Exijo ser remunerado pelos meus serviços e ter direito a todos os meus benefícios. Não farei nada enquanto minhas reivindicações não forem ouvidas. Ficarei apenas aqui, sentado, parado.

E, como eu sei que paralisações totais são ilegais em setores básicos da sociedade (eu sou muito importante para o andamento da cidade), manterei 30% da capacidade de operação, ou seja, continuarei indo ao banheiro e, se a situação estiver muito periclitante, tomarei banho. Espero que vocês sejam solidários a mim e façam pressões para que as autoridades ouçam minha voz oprimida!

Agora, com licença, porque esperarei alguém vir aqui me oferecer comida. Vejam que, em virtude de meus ideais grevistas, fatalmente acabarei morrendo =(. Só espero que se lembrem de mim como um homem que realmente lutou por seus direitos. Porque em tempos de capitalismo selvagem, vocês precisam de um mártir, alguém que sonhe com um mundo melhor e fique sentado esperando esse mundo chegar. \o/

22 de setembro de 2004

Conzinha Maravilhosa da Dona Geralda

Não sei se vocês acreditarão, mas contarei, para que assim vocês reflitam e decidam se acreditarão ou não, depois que eu conte, não antes, depois, porque antes é difícil acreditar.

Vejam bem, MEUS TRÊS IRMÕES SÃO COZINHEIROS e eu não. Quando alguma coisa desse estilo acontece, geralmente há uma anomalia, e eu a sou. Os três sabem manipular alimentos eximiamente enquanto o pobre diabo aqui, na única vez que tentou fritar um ovo, teve óleo espirrado em seu cabelo, que pegou fogo e causou uma dor de cabeça danada. Sério.

Mas isso irá mudar. Mudar! Tentei mostrar ao mundo minhas maravilhosíssimas habilidades adquiridas num novo talk-show de dicas culinárias chamado Conzinha Maravilhosa da Dona Geralda. Dona Geralda que no caso, seria eu mesmo.

Mas a Globo não sabe o que é bom e o que tem potencial (que sou eu fazendo minhas estripulias no fogão) e não me contratou, apesar de o programa-piloto ser uma maravilha. Eles só contratam a Xuxa para fazer um programa com 0,2 ponto de audiência, como o Xuxa no Mundo da Imaginação. Conclusão: resolvi mostrar meus dotes comidísticos aqui no lixao mesmo, apresentando uma grande receita logo de cara!



Como preparar a Charque do Sertão pendurada a sereno



Ingredientes:
- charque
- sal
- açúcar
- pão francês
- varal
- martelo
- sereno
- fogo, vento, terra, água, coração

Modo de Preparo:
Pegue o fogo, o vento, a terra, a água e o coração e jogue fora. Você não vai precisar dessas coisas. Então, certifique-se de que você está na Caatinga nordestina e espere chegar a noite.

Use o martelo e bata com todas as suas energias na charque para que ela fique amaciada. Depois de deixá-la macia, hasteie o varal na rua e pendure a charque lá, deixando a carne exposta ao sereno da noite sertaneja.

A carne deve ficar exposta ao ar frio do sereno do Sertão por duas noites. Você tira a carne, joga sal e açúcar e coloca a charque dentro do pão francês.

Agora é só servir, o prato está pronto para o consumo.


Água na boca, hein?

21 de setembro de 2004

Bullet in the head

Estão perdendo balas loucamente na minha cidade e é meu dever de cidadão denunciar isso, já que, hoje, encontrei uma bala cravada num buraco no chão e com muita astúcia pensei "Oh! Algum atirador deve ter deixado sua munição cair do bolso, portanto deixarei esta bala no chão para o caso de ele vir procurá-la."

Ainda bem que onde eu vivo não se atira em ninguém com o objetivo único e exclusivo de assassinar pessoas, acertando suas cabeças e espalhando cérebros pela rua.

São muitas denúncias a se fazer e pouco espaço, portanto devo escolher os tópicos mais importantes para publicar e fazer as mulheres sentirem ódio de mim. Quero dizer, não assistam filmes pornôs americanos. Nem brasileiros. Na verdade, não assistam filmes pornôs de lugar nenhum. As mulheres desses filmes, além de serem bonecas inexistentes, têm a auréola do peito (a parte intermediária entre o peito propriamente dito e o bico) excessivamente grande.

Leitoras, me desculpem, mas se torna algo estranho a auréola gigante. Ela parece que dominará o peito. Talvez domine o peito inteiro de verdade. É vitiligo ao contrário. E essas esquisitas atrizes pornôs têm coisas do tipo.

Fazendo uma analogia, uma auréola grande no peito é algo desproporcional, você sabe. Parece que o Brasil se tornou maior que a Rússia, que a Terra se tornou maior que o Sol ou que Zenom Barriga e Pesado (o Sr. Barriga) ficou mais alto que o Professor Girafalles. Total falta de absurdo.

Não me levem a mal, meninas. Denúncias são denúncias e alguém pode acabar morrendo se todos se abstiverem de temas de tão alta relevância. Daqui a pouco morre outro Ramone e fica todo mundo se perguntando por que.

19 de setembro de 2004

No meu aniversário...

Tão bonito o calendário ali ao lado com os números grandes. Devia haver uma lei que proibisse dias sem posts para que todos os calendários do mundo fossem elegantes e cheios de dias linkados.

...

No meu aniversário, não se trabalha. Estão todos em casa aproveitando o feriado. Diria mais! Não apenas é um feriado, mas hoje é um dia santo! Ontem aqui em casa houve uma super festa para mais de 250 milhões de convidados comemorando os 67 anos de frost, aquele menino loirinho de olhos acinzentados da Baixada que, com muita luta, venceu na vida.

Ontem, houve até uma contagem regressiva para a chegada de meu aniversário. Às 23h59m55s, amigos e familiares de todos os cantos da Terra começaram a contar:

- 5... 4... 3... 2... 1...

E, à meia-noite, explodiram fogos nos quatro cantos do nosso planetinha, numa data que ficará marcada na história do Cosmo. Após isso, todos vestidos de branco, abriram as garrafas de champanhe para comemorar a data especial e jogaram ao mar outras garrafas contendo flores para Iemanjá.

Abaixo você pode conferir uma foto da noite de ontem:



Inesquecível.

...

Sim, amigozinhos, hoje, dia 19 de setembro é o dia mais especial do ano para o frostizinho aqui. E para minha irmã, que estranhamente nasceu uns 30 anos antes, porém, no mesmo dia. Maldita, tirou o meu dia especial de mim, oh, mundo injusto.

Ao contrário de outros blogueiros espalhados por esse Brasilzão, eu não fiz uma longa lista no Submarino com presentes que ninguém vai comprar. Peço-lhes, leitores, apenas uma torradeira. Sonho todas as noites com uma crocante torrada e finalmente arranjei um bom pretexto para pedir a torradeira. E também peço bastante trigo e fermento para fazer pão para torrar. Aí sim minha vida será completa.

...

Sabem, hoje também é terminantemente permitido que vocês digam que me amam nos comentários deste blog. Façam meu ego inflar, digam que não podem viver sem mim e exaltem o tamanho do meu pinto. Mintam mesmo.

Preciso que vocês se importem comigo, sério, cara, no duro. Sou mais simpático até que o Reinaldo Gianechinni. Tá certo, apesar de ser bonito, ele tem tanto carisma quanto uma pedra, mas estou apenas tentando lhes convencer a me puxar o saco.

Então, aí vocês dizem que me amam e puxam uma briga com a dona taty, o que fará bombar meus comentários. Menina braba, rapá.

...

Numa festa de 250 milhões de convidados, imagine quantas cuecas eu ganhei. Nunca mais vou precisar lavar minhas roupas íntimas, ficarei só trocando-as para sempre até formar uma enorme pilha fedorenta de cuecas sujas para lavar com apenas uma caixa de Omo Multi-Ação.

Não entendo por que as pessoas insistem em dar roupas de baixo como presente. Quando se dá uma camisa para alguém, você pode ver a pessoa usando o presente depois. Mas pense só numa pessoa checando se a outra está usando a cueca que ela havia lhe dado:

- E aí, cara? Tá usando o meu presente?
- Dia sim, dia não!

17 de setembro de 2004

I'm afraid of strangers

A rua abriga muitos seres estranhos, os quais, se provocados, atacam. Neste ambiente hostil, podemos encontrar pessoas com a camisa do PT com bandeiras pontiagudas que viram para cima de você com voracidade. E se estiveres com a guarda baixa, teu abdome será perfurado e, já morto, tua carne será comida por corvos. É verdade, pode crer.

Pessoas que fazem campanha vociferam em minha direção e isso faz com que eu tenha medo e me esconda.

Os transportes coletivos em geral são casa de muitos outros bichos estranhos, pouco adaptados à falta de espaço. Normalmente a área disponível para esses organismos num ônibus é de uns 30 centímetros quadrados, desta forma, mulheres gordas - cujas bundas poderiam matar por asfixia um homem adulto sadio de 1,80m - que não sabem se equilibrar, ficam caindo na sua direção e só o que te resta fazer é gritar com toda a força "Oh, meu deus! Alguma coisa com a bunda mais pesada do que eu está tentando COITAR comigo!"

Pessoas gordas e grandes tentam copular comigo e isso faz com que eu corra e me esconda.

Amigo, o que você chama de medo eu chamo de instinto de sobrevivência.

15 de setembro de 2004

Cadoca 15

Aqui no Recife, há um candidato do PMDB à prefeitura, o Cadoca que, em seu guia eleitoral, ele mostra uma das pessoas que supostamente já ajudou quando era Secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco.

O cara diz que arranjou o emprego por causa de Cadoca, mais ou menos assim:


Depois mostram a excelente residença que o rapaz adquiriu, algo como a figura abaixo:


Isso é uma falta de absurdo.