22 de agosto de 2013

Vasco, 115 anos



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Quando eu era moleque, meu pai fazia questão de me levar e levar minha mãe para a casa de praia todo fim de semana. Mesmo quando não tinha ninguém na praia, fora das temporadas de férias, a gente ia pra lá ficar boiando sem fazer nada.

E lá tinha uma mesa de futebol de botão que tinha sido do meu irmão e que eu jogava absolutamente o dia todo. Autistão lá, forever alone, eu ficava trocando de um lado pro outro jogando botão comigo mesmo.

Como meu pai era Vasco e meu irmão também eram Vasco, naturalmente eu iria gravitar para o Vasco na minha vida. Principalmente considerando que um pouco mais tarde, lá pro final dos anos 90, o Vasco seria uma máquina de ganhar título, era zueragem o dia todo na escola com a torcida rival, nonstop. Mas acho que a maior influência no meu vascainismo foi o futebol de botão.

As pecinhas pretas com a faixa diagonal branca e a cruz vermelha eram as mais iradas do set. Os outros times, pelo menos os que eu tinha, tinham os adesivos palhões lá. Cores sólidas ou uns listrados nada a ver. O Vasco era puro estilo em peças de resina e caixinhas de fósforo para o gol.

15 anos depois, ainda continuo Vasco. O clube em si até tentou fazer com que o seu jogo de botão ficasse mais feio, assinando uns fornecimentos de uniforme suspeitos com umas Champs da vida nesse meio tempo, mas é impossível. As pecinhas do Vasco vão ser sempre as mais iradas.

29 de julho de 2013

É por isso que vamos às ruas



Saindo do Brasil, uma placa do governo avisava o que a gente não poderia trazer de volta. Então tomei nota de que eu não poderia trazer carne, leite, mel, sêmen.

Opa, vai ser difícil eu não trazer sêmen.

Tô sempre fully loaded de sêmen, complicado, sou fértil assim. Na revista internacional, os funcionários do aeroporto americano onde eu aterrissei atestaram esse fato. "Erick is packing heat, if you catch my drift", lembro de eles terem falado mais de uma vez.

Estou preocupado com o retorno a meu país. O Brasil dificultou minha vida com esse banimento a sêmen. Talvez eu nunca mais seja capaz de aproveitar as benesses do carnaval, das mulatas e da caipirinha por conta de minha produção prolífica de sêmen (pun intended).

Será que essa medida levou a uma fila pra punheta no banheiro do avião pré-chegada no Brasil? Tô achando que é a única forma de escapar dessa opressão inaceitável. Tomara que eu pegue um avião com wifi, a American Airlines tem feito muita propaganda deles, provavelmente tendo em mente quem se destina ao Brasil, que precisa de uma liberação emergencial de sêmen e quer levar o iPad com o Xvideos pro WC.

22 de julho de 2013

A laughing matter


Uma das coisas que contribuíam para o clima de tensão de Crime e Castigo de Dostoiévski eram as risadas.

Marmieládov fala:

— E hoje estive em casa de Sônia e fui pedir-lhe dinheiro para beber. Ah, ah, ah!

No final a gente pode pensar que o cara está engasgando, próximo do óbito, mas na real ele só estava rindo daquele jeito cachaceiro russo típico. Ah, ah, ah! E eu me confundi várias vezes durante a leitura, mas aí 20 segundos depois eu notava que na verdade "ah, ah, ah" era uma risada e a situação toda ficava menos depressiva. Mas não muito menos, os russos só riem nos momentos errados.

Acho que esse é o maior problema da literatura brasileira, a impossibilidade de aliterar uma risada no português. "Hahahaha" faz a gente parecer colonizado, "rarará" é trademark Serginho Mallandro. Estamos sem alternativas, e não é à toa que viramos referência mundial em risadas retardadas, usando desde AEUHUEAHUEAHUAE até sakopksaopksapo.

Fiz um teste em Crime e Castigo pra ver se a gente conseguia melhorar a fluidez da leitura e acho que foi um sucesso:

— Mas por que ficas assim, tão atrapalhado! Romeu! Deixa estar que ainda hoje o hei de dizer num certo lugar. HuhaUHAUEhaeuhEHUaehuaehuaehUAE Vou fazer com que mámienhka se ria, e outra pessoa também.

Acho que vale um estudo ainda sobre o uso textual do rsrsrs, alô pós-graduações em humanas!

O autor de One Piece, mangá mais popular do mundo, teve consciência dessa dificuldade localizatória dos brasileiros e ajudou os tradutores pindoramenhos ao dar uma risada completamente sem sentido para um monte de personagem. O principal ri com "shishishi", tem um vilão que ri "shulololololo" e um cara chamado Vasco Shot que ri singelamente com "toputoputopu".

Tradutores brasileiros se beneficiariam de uma onda mais rapper e freestyle no quesito risada.

2 de maio de 2013

Ruminações sobre o papel social dos nomes humanos


A graça divina em sua infinita sabedoria impediu que eu tivesse filhos até hoje, mas isso não parou meus pensamentos. Pensei bastante em quais nomes eu generosamente daria à minha prole (offspring; spawn).

Nome feminino é mole, nome de menina é o que mais tem, e tem um monte bonito. Só sendo muito alma sebosa pra dar uns nomes tipo Creuza ou Raimunda. Talvez uma taxa para desencorajar fosse adequada e civilizatória. Contemplar sua filha com um Alice ou Beatriz não custa nada.

Mas nome de homem é mais difícil, tem menos disponíveis e acho que a psicologia masculina requer um approach diverso. Não dá para considerar o nome masculino tão só pela sua atratividade.

Acho que o ideal é darmos um nome para os filhos varões completamente inadequado para criança.

Imagina aquele pivete lá, chamado Sebastião, Belardim, Otávio, Aníbal, Adelino, Gaspar. Acho uma excelente ideia porque o moleque vê desde cedo que a vida é dura e respeito se conquista com o suor de nossas testas. É bom pra não ficar de palhaçadinha quando crescer.

Parando pra pensar direito, daí a gente vê quanto poder os pais têm sobre a vida da próxima geração. Parece um tanto injusto que não tenhamos nenhum controle sobre um aspecto tão presente de nossas vidas quanto um nome.

Na real, acho que os bebês, como os Unsullied (acabei de ver no Google que são chamados de "Imaculados" em pt-br, tradução surpreendentemente massa) em Game of Thrones, não devessem ter nomes. Eles podiam ter um placeholder até o guri poder escolher como ele vai querer se chamar.

Com quatro anos, o moleque pode querer se chamar Megazord, mas e daí? Deixa ele se chamar Megazord. Por que mudar de nome tem que ser tão burocrático? Abrir uma igreja demora só um dia, eu vi no Facebook. É por isso que esse país não vai pra frente.

Quando ele quiser, ele deixa de se chamar Megazord. E passa a se chamar Beyblade com 10 anos. Ou sei lá qual é a nova moda da molecada, mas devo estar perto.

Quando o cara estiver à beira da morte, muda o nome pra Aníbal, uma alcunha cronologicamente adequada para alguém que se despede da vida.

20 de abril de 2013

Shit pro-lifers say



Sempre gosto de argumentos ruins em defesa de qualquer posição, porque me dão desculpas para posts. Recentemente um dos argumentos que usaram contra mim foi o de que é muito fácil ser a favor do aborto depois de se ter nascido.

O que me pareceu um truísmo, já que é literalmente impossível ser a favor do aborto antes de nascer. Na verdade, é bastante difícil também ser a favor do aborto logo depois de nascer, porque falta aquela capacidade intelectual para tanto. Tem que esperar uns anos para ser possível formular alguma posição.

Surpreende, pois, que usem esse argumento para provar o ponto de que deveríamos ser contra o aborto.

Claro que é fácil ser a favor do aborto depois de nascer. Também é fácil ser contra. Na verdade, é fácil ter qualquer posição depois de nascer, até porque só é possível assumir qualquer posicionamento ideológico após o nascimento.

Desde quando a gente mede a verdade de argumentos pela facilidade de se acreditar neles?

Tem gente por aí que acredita em unicórnios, na terra oca, no Projeto Vênus, no mormonismo. É muito fácil acreditar. A melhor parte das crenças é que nem fatos precisam nos afastar delas.

Notem que não dá pra acreditar em nada disso antes de nascer, o que logicamente deve provar que unicórnios existem, que a terra é oca com aberturas nas calotas polares, que uma economia boa é "baseada em recursos" e que Jesus viajou do Oriente Médio até Utah, onde enterrou umas placas de ouro descobertas séculos depois por Joseph Smith.

11 de março de 2013

Coca-Cola: mitos & verdades



Sempre achei que aquela coisa de que a Coca-Cola desentope pia fosse excelente notícia para os constipados. Se estamos com prisão de ventre, basta mandar um refri que ele abre o caminho. Se consegue desentupir até pia, descongestionar entranhas são problema menor, obviamente. Se você estiver aflito e Activia não resolver, já sabe o que fazer.

Outra história legal é a de que a Coca-Cola acaba com seus dentes se os deixarmos embebidos nela por muito tempo. Ficam pretos e tudo.

Gostei muito de ouvir essa notícia, porque aí parei com meu hábito de 3 horas seguidas diárias de bochecho com Coca. Finalmente entendi o que estava amarelando minha dentição! Pensei até em processar a Coca-Cola Company por não colocar avisos claros em seus produtos dizendo aos consumidores para evitar manter refrigerantes por horas e horas na boca em contato com os dentes.

Tenho certeza, por exemplo, de que nada aconteceria de ruim com um dente meu se por um acaso ele ficasse mergulhado numa bebida saudável como o suco de laranja. Toda aquela acidez só pode fazer bem ao nosso sorriso.

Pena que eu acho que não desentope pias ou funciona como laxativo, porque seria uma mão na roda.

Humor urbano e engajado

Dizem que no Brasil a ruas são esburacadas, mas se a gente for rigoroso e comparar com a calçadas, dá pra ver pelo contraste que nossos asfaltos são planos como o planeta Terra.

Há anos creio na - e faço campanha pela - inversão de papéis nas nossas vias públicas. Carros deveriam andar nas calçadas e pedestres ocupariam as ruas. Faz todo o sentido: estamos desperdiçando terrenos de rally perfeitamente bons em pedestres - cuja única habilidade necessária para sobreviver nas calçadas é ter menos de 60 anos e não ter deficiência física grave.

Imagine os carros andando nas calçadas de Pindorama, com seus desníveis, buracos, crateras, aclives & declives, árvores, raízes, bueiros afundados, sua variedade de chãos, sua variável largura, seus postes em locais exóticos? Finalmente dirigir um carro voltaria a requerer habilidade, porque hoje em dia é mole demais.

Essa troca ainda teria a vantagem da acessibilidade. Cadeiras de rodas poderiam circular nas ruas nacionais, ao contrário do que ora acontece, que é basicamente um fuck you pra quem tem qualquer dificuldade locomotora, né. Já os carros só teriam que fazer um acerto na suspensão pra ficar num estilo mais off-road.

Pequeno preço a se pagar por uma diminuição de pés torcidos e uma viagem de carro mais emocionante para o trabalho.

5 de março de 2013

Vegetarianos, vocês também não precisam estar dispostos a pessoalmente tirar da terra tudo que vocês comem

Não tenho nada contra vegetarianos, tenho vários amigos que são. Só acho que eles não devem poder se casar entre si nem adotar crianças, standard stuff. Também não devem possuir propriedades, acho que até aí todo mundo concorda.

Apesar dessa minha atitude amigável e respeitosa com todos os vegetarianos, eles insistem naquela belicosidade totalmente nada a ver pra cima de mim.

Exemplo: direto vem um evangelista anti-carne afirmar que eu nunca seria capaz de matar uma galinha ou uma vaca para comer, ficaria com nojo e repulsa moral, e que por isso eu sou um hipócrita.

A premissa implícita é que ser hipócrita é palha.

Mas esse é um argumento difícil de entender. A ideia é a de que o instinto basilar que eu sinto contra a ideia de matar um animal com minhas próprias mões seria uma prova cabal de que animais devem ficar vivos.

Uai, mas existem várias coisas que eu não quero fazer e que eu tô muito feliz que sejam feitas. Limpar banheiro químico, por exemplo. Jamais faria isso, mas tem gente que faz e eu agradeço ao universo pela minha boa fortuna de não ter que chegar nem perto desse serviço.

Outra coisa que eu nunca faria: ser urologista. Mas tem que ter alguém pra mexer na piroca perebenta da turma por aí, né?

Então, eu não faço nada disso. E também não corto pescoço de galinha nem fatio vacas nos pastos desse meu Brasil. Até porque eu provavelmente cortaria errado as pobres das vacas e todo mundo sabe que grande parte do bom sabor da carne vem de um corte bem executado.

Tô feliz de viver num mundo em que eu não tenha estômago pra ser limpador de banheiro, urologista ou abatedor de galinha, mas que tem gente capaz e disposta a fazer tudo isso.

É a divisão do trabalho, vegetarianos. Embrace it.

4 de março de 2013

Imagine se você tivesse parâmetros incrivelmente baixos pra gostar de um texto

A gente se gaba de ter padrões altos e não se juntar à ralé. Uns amigos chegam pra mim mandando que "nunca pegariam" fulana de tal, ou sicrana, ou que beltrana é feiaça e não dá pra se rebaixar a esse nível. E rola um desprezo por quem tá nesse nível baixo pegando fulana, sicrana ou beltrana.

Só que às vezes eu penso que seria muito irado ter padrões incrivelmente baixos.

Imagina lá, ninguém está abaixo da sua consideração sexual.

Você não discrimina por idade, nem aparência, nem sexo. Sim, imagina se você fosse bissexual e pegasse qualquer coisa. A tia da tapioca? Massa, tô pegando. O coroa da oficina? Beleza.

Eu não conseguiria viver assim, mas hipoteticamente eu consigo conceber que seria um padrão de vida muito bom, mais feliz do que neguinho cheio de dedos e pudores.

Me parece que pedófilos são meio assim, eles só têm padrões tão baixos que estão pegando até criança. A gente acha revoltante, mas o fato é que são pessoas com tão pouco amor próprio que não estão nem aí pra coisas como consentimento e reciprocidade. Sem ter essas coisas já tá valendo.

Pois é, então tirando essas situações moral e legalmente suspeitas (quer dizer, pelo menos vamos nos preocupar em não fazer vítimas, hein?), ter padrões baixos seria maneiro.

Todo dia podendo chegar em casa e se jactar de ter literalmente pegado todo mundo da sua rua porque ninguém estaria fora do seu radar.

Not too shabby.

10 de novembro de 2012

Coisas caras custam muito dinheiro

Brasileiros descobriram que pagam caro por carro e lançaram a campanha "Abaixo ao Lucro Brasil", mas devo dizer que estou mais preocupado com o transitivo indireto ali. Ao Lucro Brasil? Não sei, não, tá meio estranho isso aí.

Algum obcecado por gramática por aí pra resolver essa dúvida? Não serve gente que prestou o ENEM, a prova é muito interdisciplinar, eu quero aquele povo obcecado por regrinhas inúteis de português mesmo.

A ideia do "Lucro Brasil" é que os empresários se locupletam às custas da miséria da plebe, cobrando facada pra deixar o povão andar em carroças como o Gol 1.0.

Luta justa, nossos carros são caros e ruins mesmo, só que é no mínimo esquisita que a explicação que deem pra isso seja "é caro porque cobram caro :/".

Pô, mas por que cobram caro, Sherlock? São os impostos?

"Não, os impostos não explicam tudo! É por causa da ganância dos empresários."

Mas isso é estranho, porque ficam usando aquelas imagenzinhas que mostram margens de lucro para carros menores em outros países, como México e EUA. Quer dizer que os empresários americanos são menos gananciosos que os brasileiros? Que doideira, véio.

Mas como será que medem isso? O nível médio de ganância (NMG) é aferido pelas próprias margens de lucro ou fazem outros testes?

Imagino uma convenção de empresários do setor automotivo. Reúnem os representantes de montadoras de vários países. Pegam um Gol 1.0, mostram para os caras e perguntam: "E aí, cobraria quanto por isso?"

O mexicano chega e fala: "Uns 3 mil pila tá bom, né?"

O americano responde: "Eu cobraria uns 2 mil reais. Esse carro é de baixa qualidade."

O brasileiro esfrega as mãos, está salivando, seus olhos vermelhos: "Eu cobro 36 mil e tira o ar condicionado. Vou dar opcional pra esse povo gado porra nenhuma."

(Provavelmente o brasileiro estaria com a camisa amarela da seleção, é assim que brasileiros se vestem em qualquer ocasião quando no exterior.)

10 anos esta noite (na verdade, nem é)

De vez em quando eu verifico de onde ainda vêm as visitas a este blog e percebo que alguma alma abnegada vinda direto do ano de 2006 clicou no meu país no Mapa da Blogosfera Brasileira feito pelo André Dahmer décadas atrás.

É provavelmente meu maior orgulho - me deixa, não vou controlar as lágrimas - uma época mais simples, em que se sabia o que blogs eram e para que serviam.

Era um público que eu sabia cativar. Tinha toda a mandinga, os macetes, sabia os atalhos para chegar no coração da moçada.

Agora estou velho, decadente, mantenho este blog apenas como uma relíquia, algo que me prende ao passado.

A uma época em que os Malvados eram em preto e branco e só tinham aqueles dois bonecos tipo florzinha. Agora eu entro lá e a coisa toda é uma ruptura epistemológica. Não só tem cores mas tem uns bonecos de que eu nunca ouvi falar na minha vida. Tá parecendo videogame, hoje em dia é tudo cheio de botão, ninguém mais sabe jogar, né.

Sou formado em comunicação social e, à boca pequena nos corredores da academia, já se fala de uma "crise de sentido" na blogosfera brasileira.

Que talvez não seja maior do que a crise de sentido que neguinho enfrenta quando fica boladão ao clicar num link que o Bobagento dropa no meio dos "Links de Sexta".

Toda vez que o Bobagento bizarramente linka o meu blog (pô, pode continuar linkando, eu nem entendo por quê, mas acho maneiro), fico imaginando o visitante médio de lá chegando por aqui, vendo que não tem nenhuma figura e ficando tristonho: "Por que eu não tô rindo ainda. E esse monte de letra? Cadê os gifs? :("

E vê que eu tô imaginando o cara falando com pontuação e português corretos. E só um smiley. Então eu sei que a minha imaginação é muito irrealista, e acho que é isso que mantém meu blog ainda no ar depois de quase 10 anos.

18 de setembro de 2012

You say it's the opiate of the masses like that's a bad thing

A religião é o ópio do povo, mas a elite paga por bala e doce e nem precisa. Imagina se a religião fosse mesmo ópio, o tanto de universitário de humanas que ia dar nas igrejas. Ópio legalizado, show de bola, e nem precisaria ficar arranjando seda; chega na IURD e fica dopado.

Religião sendo ópio, faz até sentido essas ongs cristãs que salvam os crackeiros por aí - elas estão trabalhando na redução de danos, que nem a galera que distribui seringas novas para viciado em heroína. Heroína que, por sinal, vem do ópio - olha como podemos substituir facilmente essa droga na vida de milhões.

Acho surpreendente quando dizem que a religião é um ópio como se isso fosse um argumento contra. Vamos, venhamos e convenhamos, nessa era de proibição e restrição, é capaz de a pessoa que ouve algo do gênero até se empolgar: "Opa, uma avenida para o uso legal de drogas."

Pensando bem, considerando desde igrejas pentecostais até as seitas bizarras americanas, se algumas delas são só ópio ou se já dá pra associar a outras drogas. Se tem uma gradação dos danos causados pela religião que justifique sua diferenciação metafórica.

A gente fica curioso, imagina qual religião é a metanfetamina do povo, o pó de anjo do povo, o krokodil do povo.

A maconha do povo no Brasil talvez seja o catolicismo: geral usa, não faz muita diferença na vida de ninguém.

Como se veste um blogueiro?

A coisa que eu mais gosto do Bem Estar, da Globo, é que os médicos que participam do programa usam jalecos. Muito me agrada essa representação da profissão, acho que todo médico usa jaleco em todas as situações da própria vida. É nisso em que eu acredito e, se não usam, deveriam, porque são médicos.

Se fossem juízes, usariam uma toga, engenheiros civis deveriam aparecer de capacete, economistas devem aparecer com uma calculadora a tira-colo, açougueiros com um facão e avental ensanguentado, jornalistas com um cartão do Bolsa-Família, pilotos de avião com um cap, e assim por diante.

Não sei ainda por que o mundo não é pautado por essa pronta identificação, me sinto muito mais seguro quando vejo médicos vestidos como médicos dando opiniões de médicos na TV. Imagine se, nesta nossa vida quotidiana com qu, a gente conseguisse saber imediatamente qual o ramo de atuação de determinada pessoa, que fantástico, todo mundo se comunicando sem amarras e selecionando tópicos de conversação sempre relevantes.

Se médicos usassem uma roupa normal, uma gola V, um blazer ou uma bermuda, eu não só não confiaria em suas credenciais de médico como nem saberia que eles eram de fato médicos. Jamais conseguiria estabelecer comunicação adequada, não poderia nem pedir dicas no elevador para tratar daquela minha pereba.

Benefícios evidentes, desvantagens nulas, mas a gente sabe que a sociedade brasileira é corrupta e nunca vamos chegar nesse nível de desenvolvimento social.

6 de agosto de 2012

Autointitulado texto

Brasil é tão burocrático que geral, nesses comentários de Facebook que ficaram populares nos blogs, já chega discordando dos "autointitulados blogueiros". Nego pode nem ser blogueiro aqui que já é tratado com sarcasmo pelo título autoimposto.

É só discordar de uma partezinha do texto que a letra passa a ser ofensiva, produto de pessoas que poderiam ser blogueiras, mas seus textos nem a isso as qualificam.

Parece até que ser blogueiro tem alto glamour, que atores aparecem na revista Quem pagando de blogueiro.

Agora não é só ter um blog e publicar coisas nele para ser blogueiro, tem que ter o aval social, provável exame da Ordem, senão você está sendo arrogante.

E deve até ter projeto de deputado, daqueles seriões mesmo - não o Romário ou o Tiririca que são de sacanaj -, que quer regulamentar a profissão, estabelecer piso salarial e condições de trabalho (menos que Windows 7 não dá, Wordpress é plataforma mínima, Blogger é equivalente a trabalho escravo).

5 de julho de 2012

Nostalgia por uma época que, ainda bem, eu nunca mais vou viver mesmo, então posso reclamar

Meio que sinto falta da época em que as pessoas colocavam uma parede entre mim e suas opiniões. Sempre parecia que eu só conheceria um cercadinho das ideias de alguém, mas, graças ao Twitter, eu descobri que críticos de cinema não só criticam cinema, mas são muito engajados politicamente, que gostam de gatos e não de cachorros, que têm dificuldade em abrir um monte de recipientes de plástico e que têm opiniões contundentes a respeito do trânsito e do espaço urbano.

Como Ron Swanson, estou consciente da ironia que é a minha vida neste momento, mas pelo menos eu posso pensar que neguinho que chega aqui quer ler minhas porcarias mesmo, sem saber muito o assunto interessantíssimo que eu devo abordar.

Ao contrário da minha surpresa ao seguir esses perfis de Twitter corporativos e descobrir, tipo, que a Coca-Cola tem péssima ortografia.

Ah, e só pra aproveitar a leva, véi, também podiam parar com o uso inconsistente de maiúsculas e minúsculas, hein?