25 de maio de 2004

Magavilha

Estou cansado da propaganda da Nova Schin. Ela é ridícula e sem sentido. Da primeira vez até que tinha algo de interessante. O pobre homem era fanho, mas graças aos extraordinários poderes alcoólicos da cerveja, ele ficou milagrosamente curado! Sensacional, não?

Aí as propagandas foram passando. A Schincariol viu que eles podiam fazer qualquer propaganda imbecil que ela seria capaz de permear os cérebros tupiniquins doidos por um jargão. É o maior clichê desde "Não é brinquedo, não!", um dos bordões mais idiotas já criados pela globo.

Em toda a esquina que eu passo tem alguém falando "Que magavilha!" Isso é mau. Muito mau. E o pior é que não tem apenas uma frase pronta, são várias! Tipo um multi-enchedor-de-saco:

"Tô falando egado!"
"Segá?"
"Você gagante?"

E outras trilhares de proposições inventadas no momento! É muito fácil!

E então. Eu estava andando na rua hoje né, e tal, quando então eu passei na frente de uma pizzaria. Eu ouvi bastantes interjeições do tipo "Me vê mais uma de mussaguela!". Até aí eu não tinha acumulado ódio e rancor por estas expressões. Eu as considerava até simpáticas. Pois aí, passo defronte à uma churrascaria. Ouço outras pessoas - vale frisar, com alguns gorós a mais - pedindo mais um pedaço de "Alcatga"! Começou a forçação. Mas tudo bem, estamos no mundo para rirmos, nos divertirmos, fora baixo astral, marquem um X no seu coração. Então eu superei essa. E continuei andando.

Foi aí que veio a bomba. Andei mais um pouco e cheguei até um parque de diversões, onde eu ouvia muitos gritos inflamados de pessoas se divertindo na montanha russa. Ao invés de demonstrações de alegria convencionais eu ouvi "IAGUUUUUU!!!" Uma lágrima percorreu minha face ao perceber o tamanho da imbecilidade humana.

Não pude mais me conter. Foi aí que atentei para a presença de uma garotinha ao meu lado, e descontei toda a minha fúria sobre ela, que repetia para si mesma "Quego andar no cagossel".

- Porra! O quê está acontecendo com todo mundo? Ficaram todos idiotas? Parem de trocar o R pelo G! Cale-se para sempre sua garota estúpida!!!

Então eu percebi uma mão sobre meu ombro esquerdo. Virei para olhar quem era e tive a seguinte visão:


Som metálico ao fundo convergindo com a luz do Sol

Era o gentil papai da menininha.

E foi assim que hoje eu cheguei no hospital.

22 de maio de 2004

Calendário de uma lua só

Nosso calendário de 365 dias com mais um a cada quatro anos é um calendário que incentiva o terror e a discórdia, como bem diz esse pessoal. É graças à nossa contagem do tempo que o mundo está uma bosta, que americanos torturam iraquianos presos e que o Zorra Total é tão engraçado quanto um câncer de fígado.

O calendário brasileiro é o melhor do mundo. Ele é o que mais contém feriados históricos idiotas, feriados religiosos, feriados comerciais, feriados por preguiça e feriados de fechamento para balanço do mundo! Nós merecemos. Trabalhamos como cachorros para ganhar uma miséria. E nem reclamamos. Somos o único povo do mundo que se o feriado for na sexta, a gente enforca a quinta.

Proponho uma mudança na nossa contagem do tempo. Está na hora de parar com essa palhaçada de feriado religioso. Todos sabem que o Natal é uma data comercial.


Paul Shanley, padre pedófilo

Cale-se você, Shanley. Vá para a Terra do Nunca com seu amiguinho Jackson. Se Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, meu nome é Maria Mercedes.

Voltando ao ponto. O novo calendário proposto pelo lixao será algo revolucionário. Exatamente por ser a mesma porcaria a que estamos acostumados, mas com umas pequenas variações no campo dos feriados, que ocuparão metade do ano.

Eis as proposições para o calendário das 709 luas:
- Vamos pôr um basta nos nomes dos feriados. Ninguém se importa com o significado do feriado. Quer saber apenas se é feriado.

- Os nomes dos feriados serão substituídos por números. Ao invés de 1º de janeiro ser chamado de Dia da Confraternização Universal (ou algo assim), ele se chamará Feriado-1. O segundo feriado do ano será chamado Feriado-2, e assim por diante. Nunca mais esqueceremos nenhum nome.

- Nossa história é idiota e elitista. Chamar os feriados Tiradentes (uma das almas mais sórdidas da nossa história. Ainda bem que morreu para nos brindar com mais um feriado) e proclamação da República por estes nomes antigos deve ser uma atitude punida com multa e reclusão. Estas nomenclaturas velhas devem ser deixadas no marasmo.

- Além do feriado, teremos o pré-feriado. Dois dias antes de acontecer o espetáculo da paralisação dos serviços e comércios do país, o expediente de todos os estabelecimentos deve ser reduzido à metade, para o fígado das pessoas começar a se acostumar com o dia que chegará.

- Nomes fáceis e alternativos serão permitidos. Por exemplo, a Páscoa poderá ser chamada de Feriado do Chocolate. Ou Feriado de Salvação da Garoto. O Natal poderia mudar para Feriado do Vinho e Chester. Carnaval se tornaria o Feriado das dancinhas escrotas. Nomeações que fazem bem mais sentido.

- Fora o que concerne aos feriados, o calendário continuará a mesma porcaria, gerando guerras e programas de humor de baixa qualidade.
Apesar da pouca mudança que propus, creio que isso fará de nosso país um lugar bem mais pacífico e dinâmico. Seus habitantes serão mais felizes, pelo grande descanso e o pouco esforço para lembrar datas, e, conseqüentemente, mais produtivo. Só aceito um calendário com mais de uma lua se esse tiver mais feriados que o que eu apresentei. Já mandei minha idéia para a Pirelli.

19 de maio de 2004

Faça do sofrimento o lucro

Havia aproximadamente 102 milhões de pessoas em volta do prédio. Sabe o que mais tinha? Ambulâncias e vendedores de picolé.

Não existe nada mais lucrativo que uma tragédia. Vez ou outra a cozinha de um restaurante é incendiada, uma carreta se choca contra três carros, um cara se joga em pé do nono andar de um edifício, uma usina nuclear explode provocando câncer na sua população durante as próximas 207 gerações. Isso é bom. A multidão é atraída. Sai o bombado do meio do povão para salvar a pessoa que se estrepou dentro do prédio em chamas. Ele entra no meio do fogaréu e traz uma criancinha em seu colo. A criancinha está intoxicada com a fumaça. Ele faz massagem cardíaca - dá uns socos no peito do moleque e ele quase morre com uma parada do coração.

Cheguei à conclusão de que precisamos de mais tragédias. O número de desastres naturais em nosso país é muito pequeno, por isso precisamos dar uma forcinha para a má sorte. Em termos econômicos, isso é maravilhoso.

Imagine um desastre com um avião da Rico, que é uma espécie de TAM da região norte do país. Agora imagine que esse avião não tenha caído numa região inóspita da Amazônia como aconteceu na última sexta, 14, porque assim não tem graça. A aeronave deve cair em Manaus e dizimar umas 150 vidas, não apenas 33. Os manauaras, como bons humanos sádicos que são, se aglomerariam em segundos em volta do gigantesco acidente para ver aquela série de cadáveres pegando uma chuvinha equatorial em seus rostos deformados.

Com aquelas bilhões de pessoas ao redor do local, carros de churrasquinho, cachorro-quente, sorvetes e churros se aproximariam para alimentar a multidão no local. Pense só em quanto capital seria movimentado! Vendo o sucesso dos vendedores de alimentos, os hippies vendedores de bijuterias veriam um mercado promissor para vender suas pulserinhas de barbante por 15 reais cada. A capital amazonense estaria parada, seria um feriado forçado. E muita gente sem fazer nada é uma massa consumidora em potencial. Se alguém fosse inteligente, cercaria o lugar onde ocorreu o (a/in)cidente e cobraria ingresso para poder ver aquele monte de defunto. Perceba como várias e várias atividades são possíveis em cima de uma destruição avassaladora!

Sem contar que as linhas aéreas Rico perderiam muitos clientes e seriam obrigadas a fazer mais campanhas de marketing para reconquistar a confiança de seus usuários, aumentando assim a concorrência e beneficiando o consumidor.

Devemos começar a dar uma mão para a vocação nacional brasileira de se fuder. Façamos a nossa parte, coloquemos nosso país cada vez mais abaixo. É por isso que os países ricos têm bastantes desastres naturais. Eles sabem tirar proveito de suas mazelas. Menos o Peru e o Irã.

17 de maio de 2004

Negócios, negócios

Depois de uma negociação milionária, decidi que meu passe pertencia agora ao Beegirl Futebol Clube. Agora estou num servidor próprio com FTP próprio, problemas próprios e endereço próprio. Graças à Lei Pelé, agora meu passe pertence à mim e não mais à um sistema estranho de publicação.

Nada mais de problemas aos domingos, quando o mBlog simplesmente dizia "Nhé, não quero mais funcionar". Assim, espero que vocês se deliciem com as mais novas aventuras de frost no reino da fantasia.

9 de maio de 2004

Kill Bill, o filme

Inventarei um codinome muito bom para mim. Provavelmente serei Punho Louco ou Célula Seca. Não, não, esses não são bons codinomes. Os personagens de Kill Bill são muito mais criativos. Olha que nomes fantásticos eles criaram: Mamba Negra (Black Mamba), Boca de Algodão (Cottonmouth), Cabeça de Cobra (Cobrahead)...

Ter uma alcunha além do meu próprio nome sempre foi um sonho. Não esses apelidos que colocam, ou esses nicknames de internet. Meu desejo era ter um verdadeiro nome que representasse superioridade. Um codinome representaria muito bem isso. Apesar de ser algo secreto, ele faria muito bem para o ego.

Também gostaria de ter um nome com vírgula. Na conquista de Cártago pelo Império Romano, um general muito destacado foi Cipião, o Africano. Não importa o que ele fez. O nome dele é o relevante na história. Perceba como a vírgula é tão bem empregada em seu nome. Se eu tivesse um nome desses (Tarquínio, o Soberbo; Licurgo, o Legislador; Pedro, o Escamoso), seria bastante feliz.

Espero algum dia ter meu nome cravado na história com uma alcunha após a vírgula, como essas personalidades supracitadas. Espero.

Quanto a Kill Bill, é um filme apenas perfeito. Ele poderia cravar seu nome na história. Seria Kill Bill, o filme.

7 de maio de 2004

Ouro ao bandido

Este é um post moderno que requer o Macromedia Flash Player 7.

Acho que tenho Transtorno Obsessivo Compulsivo. Aquela doença mesmo que faz você ter manias idiotas como coçar o outro braço ao coçar um deles e não pisar nas linhas da calçada, como bem explicou RAC, o gênio, em seu blog.

Ou eu tenho TOC, ou fico seriamente hipnotizado pelos padrões das calçadas na rua. Malditos pavimentos.

Creio que não seja apenas eu, mas muitas pessoas tentam apenas seguir uma cor nas calçadas. Isso causa sérios problemas. Chego a ficar vários dias seguidos andando na rua sem conseguir sair de uma calçada. Lembro-me de uma época que fiquei uma semana andando no mesmo quarteirão. Foi um pesadelo.

Nos calçadões da praia, normalmente escolho uma cor qualquer para seguir e não consigo me desprender dela, veja:





Considere-me como sendo o ponto vermelho. Veja quão poderosa é a hipnose do chão.


Agora, bem perversas são as calçadas que têm um padrão alternado, te forçando a pular as cores diferentes:





Perceba o esforço excessivo para saltar sobre uma das cores.


Mas, sem dúvidas, os desenhos circulares no chão são os mais malévolos:





Estes padrões foram produzidos por uma mente sádica e psicótica. Poderia ficar anos preso numa dessas belezinhas.


Então, se você quiser me destruir para sempre, pinte a calçada com uma cor perto de um cânion ou algo assim e me leve para andar nela, como demonstra a figura:



Vejam como sou legal, ensino vocês a me matarem.


Você pode fazer isso ou me inutilizar com um taco de beisebol. A escolha é sempre do leitor, afinal, ele sempre tem razão.

2 de maio de 2004

Fraternidade desconhecida

Vão lançar a quarta temporada de 24 Horas, aquela curiosa série onde tudo que acontece deve ser resolvido misteriosamente em um dia.

Nesta temporada Jack Bauer enfrentará problemas muito maiores, em escala mundial. Leia a sinopse que foi liberada:

"Jack Bauer, depois de muito tempo resolvendo problemas policiais internos, é escalado para uma missão internacional muito simples, onde ele deve erradicar a Aids da África. Para tanto, Jack Bauer poderá contar não apenas com suas habilidades sobre-humanas, mas também com o auxílio de Jairo Bauer, seu irmão e influente sexólogo que vive no Brasil fazendo participações esporádicas no Domingão do Faustão e programas de baixa qualidade na MTV?.

?Jack
Jack Bauer, novamente com problemas apenas solúveis em 24 horas

?Jairo
Jairo Bauer orientará muitas pessoas sobre o sexo seguro nesta temporada

Podemos esperar muito desta nova temporada de 24 Horas, que, com certeza, será um sucesso. Ainda mais com a participação ultra-especial de Jairo Bauer pedindo para os nigerianos usarem camisinha. Só emoção!

Ps.: Não preciso nem dizer que eu sei que o nome do sexólogo é Jairo Bouer. Não me encham o saco.

25 de abril de 2004

Sou criança

Li Alice no País das Maravilhas, é sempre bom ler algo condizente com a sua capacidade mental. O que antes parecia apenas uma inocente historinha de uma menina sonhadora, agora parece um conto de um escritor maconheiro compondo sua obra enquanto estava muito doido.

Gostei muito do livro, foi realmente recompensador lê-lo, estava novamente com 8 anos, ah, a nostalgia. Que saudades da aurora da minha vida, hoje sou apenas um velho caquético e senil.

Mas um velho caquético e senil empolgado com a leitura infantil! Estive vendo algumas impressões sobre livros infantis e estou fazendo minha listinha de próximas leituras. Acompanhe:

Pinóquio: Um garoto que sonha em se tornar político pois já tem todas as qualificações necessárias: é cara-de-pau e mentiroso. Porém, apesar de sua evidente vocação, Pinóquio se torna uma criança bastante frustrada porque possui uma doença que o impede de mentir sem ser notado - seu nariz cresce. O menino acaba entrando em depressão por não poder seguir sua carreira de homem público e foge da casa de seu pai, Gepetto, o mutilador.

O Patinho Feio: Um patinho afro-descendente é discrimado por sua família, que faz parte do Ku Klux Klan e luta por uma raça pura de cisnes brancos. Infeliz, o Patinho Feio tenta destruir a humanidade e, assim, eliminar todos os estereótipos de beleza existentes no planeta.

Os Três Porquinhos: Três porcos pedreiros tentam construir a residência perfeita, mas apenas um deles consegue fazer uma casinha decente, para se proteger do Lobo Mau. Obra anti-lobista, incita o ódio contra os lobos, passando uma falsa imagem do animal.

Estes são alguns livros que lerei. É lógico que faltaram outros clássicos como João e Maria e João e o Pé de Feijão, mas estes são os próximos da lista.

Começarei a leitura o mais breve possível.

O primeiro livro infantil que vou ler será O Alquimista.

Ao derrotado, uma tracklist

Acabaram os seus problemas. Estou aqui disponibilizando uma tracklist revolucionária que mudará a sua vida - para pior, obviamente.

Resultado de anos de pesquisas durante a madrugada de hoje, esta lista mostra a sua trilha sonora, as músicas que tocam no seu som, derrotado. Para você que nunca será alguém nesta sua podre existência, acompanhe a lista a seguir:

Música do perdedor genérico: Beck - Loser
Música do perdedor indie: Radiohead - No Surprises
Música do perdedor new metal: Korn - Deep Inside
Música do perdedor emotivo: The Get Up Kids - The Most Depressing Song
Música do perdedor brega: Reginaldo Rossi - Garçom
Música do perdedor pagodeiro: Todas
Música do perdedor happy hour: BJ Thomas - Raindrops Keep Fallin' On My Head
Música do perdedor fã de Black Sabbath: Black Sabbath - Iron Man (é a única que ele conhece)
Música do perdedor do regime militar: Caetano Veloso & Mutantes - É Proibido Probir
Música do perdedor do rock Brasil anos 80: Engenheiros do Hawaii - Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones
Música do perdedor depressivo: Joy Division - Love Will Tear Us Apart
Música do perdedor otimista: Los Hermanos - O Vencedor
Música do perdedor vagabundo: Luka - Tô Nem Aí
Música do perdedor viado: The Cure - Boys Don't Cry
Música do perdedor mentiroso: Roberto Carlos - Não Quero Ver Você Triste
Música do perdedor viúvo do grunge: Pearl Jam - Alive

Atitude mais perdedora de toda a sua vida: Passar a madrugada inventando músicas para preencher uma lista idiota.

Agradeço à um perdedor que praticamente fez essa lista para mim. Esse é o perdedor-sangue.
Espero que tenha sido de seu desagrado.

22 de abril de 2004

Antes que eu me esqueça...

Antes que eu me esqueça, pois já se passaram quase 3 meses e eu não comentei: a final do carioca no domingo me lembrou muito o antigo seriado do Batman. Vejam:







Perceberam as semelhanças?

19 de abril de 2004

Conselhos sentimentais do Kid

Neste presente momento estamos inaugurando a coluna Conselhos Sentimentais do Kid, nosso lançamento especial para o verão.

Conselhos Sentimentais do Kid se baseia na incrível sensibilidade do senhor Kid para ouvir as pessoas, apartar suas angústias e dar-lhes um pouco de esperança, carinho e afeto.

Kid é um psicólogo que atuou durante anos no ramo tradicional da profissão, mas que atualmente vem se destacando por sua notabilidade, sua desenvoltura em assuntos que dizem respeito ao coração das pessoas e análise da psiquê amorosa.

Kid, também conhecido como Israel Nobre (o nome confirma a nobreza de caráter deste grande rapaz), fará qualquer coisa para te deixar mais tranquilo, apaziguando seus ânimos e sua alma. Abaixo podemos conferir uma das brilhantes atuações dele:

Pessoa de baixa auto-estima: Doutor Kid, uma garota disse que tem muitos pretendentes antes de mim. Será que isso foi um corte?

Psico-Kid: Cara, se eu tivesse levado um corte desses, certamente eu não estava mais aqui falando com você. Eu já tinha desistido da vida. Eu nem vinha falar com psicólogo nenhum. Eu me matava, deixava de olhar no espelho, começava a ter convulsões, minha boca começava a espumar. Isso não foi um corte. A garota disse que não te quer nem pintado de ouro. Morre, cara. Tem condições não. O pior é que você fica se humilhando, vindo perguntar para terceiros o quê eles acham. Tenha um pouco de dignidade nessa cara. Você foi destruído. Recolha-se. Deixe de ser esse verme parasita. Essa garota pisou na sua cabeça, cagou para você. Prefere perder um olho a sair com você. Arranje uma vida.

E é assim, de forma sutil que nosso grande Kid lida com seus pacientes. Semana que vem, mais conselhos amorosos gentis, carinhosos e cheios de esperança. Não perca.

Update: Essas e outras que fazem do Kid a criatura mais odiada da internet mundial.

16 de abril de 2004

Brindes, vida, verão e chuva

Quem inventou as festas gospel foram os políticos para os crentes. Claro, os crentes crêem. Crêem em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e até em políticos.

Quando eu estava no Espírito Santo no início do ano, estava acontecendo o festival Jesus Vida Verão. Era uma festa na praia que esperava arrebanhar cerca de 570 milhões de fiéis ouvindo músicas gospel e lutando por brindes de vereadores.

Era nisso que o Jesus Vida Verão se resumia: muita gente, músicas de louvor a Deus e distribuição de camisetas e bonés do vereador Nilton Baiano. Foram uns três finais de semana ouvindo "Jesus é meu senhor" e vendo pessoas se humilhando por uma camisa.

Foram três finais de semana chuvosos também. Em janeiro, o ES ficou embaixo d'água, as pessoas começaram a pescar na rua, tinha gente alugando barcos na avenida Lindemberg, houve afogamentos em várias partes do centro de Vila Velha... Enfim, isso quer dizer que o Jesus Vida Chuvão não conseguiu juntar seus 570 milhões de fiéis.

A chuva nos leva ao ponto pertinente desse texto. Aparentemente os guardas que faziam a segurança na praia durante a festa estavam mais preocupados se podiam pegar um perigoso resfriado.

Um amigo e eu estávamos andando por aquelas bandas durante um show de um grupo estranho de igreja - e durante a chuva. Então, subitamente, quando olho para o lado, vejo os policiais, que deveriam estar cuidando da minha segurança, se protegendo do temporal embaixo das garagens dos prédios. Então, concluí sabiamente que policiais têm medo de água!

É lógico! Como não soube disso antes? Tudo o que os bandidos fazem para deter os policiais é inútil. Eles poderiam simplesmente molhá-los! Se eu fosse um marginal qualquer, jogaria fora meu 38 ou minha semi-automática, essas coisas ultrapassadas, e passaria a usar uma moderníssima mangueira para destruir completamente os policiais.

Isso ou uma arminha que esguicha do Gugu.

14 de abril de 2004

Notas rápidas de um post curto

- O senhor Israel Kid acaba de ser adicionado nos blogs ao lado porque ele é um cara legal e seu blog é engraçado. Parece que ele está no Canadá, hospedado na casa de alguém chamado Otário. As pessoas no Canadá têm nomes estranhos, eu nunca daria um nome desse tipo para um filho meu.

- Você pode pegar a nova música do Slipknot, Pulse Of The Maggots clicando aqui. Catei esse link por aqui. Não precisa agradecer.

Este post acaba aqui. Foi apenas uma desculpa para linkar a música e fazer uma piada com a cidade onde está o Kid.
Foi um post bem ruim. Não vou liberar os comentários para esse post para poupar a minha mãe.

13 de abril de 2004

Politicagem Pernalonga

Vão construir um muro em volta da favela da Rocinha no Rio. É por isso que você deve acreditar nos políticos! Eles são honestos, trabalhadores e assistem a muitos desenhos dos Looney Tunes.

Acho, apenas, que eles foram muito modestos nessa proposta. Tenho sugestões mais divertidas e impressionantes para serem aplicadas. São elas:

Fazer um teto na favela da Rocinha: Sim, não apenas seria feito um muro em volta da comunidade, como construiría-se um teto sobre a favela e aquelas pessoas finalmente teriam como se proteger da chuva. Além disso, nunca mais os habitantes de Copacabana seriam importunados com balas perdidas advindas daquela região, já que os projéteis interceptar-se-iam graças ao muro.

Cobrir o Sol: Cobriremos como o Sr. Burns num dos episódios d'Os Simpsons. A falta de luz solar esfriaria o clima do Rio e forçaria as pessoas a ficarem em casa, embaixo das cobertas, diminuindo a violência, apesar do aumento da taxa de natalidade inevitável.

Obrigar a população a se vestir de palhaço: Isso faria o povo ficar muito melhor humorado, não tendo tempo para se associar ao narcotráfico, graças às gargalhadas sem fim. Os traficantes também perceberiam que a vida é bela e que eles não precisam ser foras-da-lei para ficarem felizes. Além disso, teria o fator honestidade, já que o povo estaria vestido a caráter, afinal, o poder público acha que está administrando um circo.

Declarar guerra contra a Colômbia: No final das contas, a culpa de tudo é da Colômbia que vende a nossa coca, não é? Então vamos destruí-los para sempre, nos utilizando de nossa super-ultra-mega-incrivelmente-destruidora bomba atômica que desenvolvemos durante anos e agora os EUA querem inspecionar.

Incrementar o plano de segurança: Acho que o secretário de segurança Anthony Garotinho já disse isso. Devemos pedir auxilio das forças armadas, com seus atiradores de elite, para-quedistas, fuzileiros navais, tanques alemães, advogados, aviões da TAM e conexões com a Al Qaeda. Ainda bem que o secretário de segurança já tomou essa medida!

Construir robôs gigantes: Seríamos como os Power Rangers mantendo pomposos robôs gigantes (a serem inventados) para vigiar a Rocinha. Quem se utilizasse de rádios para a comunicação seria queimado vivo pelo robô. Os olhos do andróide teriam capacidade de enxergar dentro das casas e qualquer atitude suspeita ativaria o sistema inibidor do ciborgue: os braços do robô se desacoplariam e destruiriam o foco da ação supostamente criminosa.

Se tudo isso não funcionasse, o que é realmente improvável, ainda podemos passar com o trator em cima da casa daquelas pessoas e inundar o morro para construir um piscinão na Rocinha. Seria a sensação do verão.

12 de abril de 2004

Sobre bonés e José Carlos Gratz

Moro em Pernambuco, mas nasci no Espírito Santo, aquele lugar mesmo, que dizem ser uma periferia do Rio ou uma varanda de Minas Gerais. É normal dizerem isso, eu até encorajo, meu estado é ridículo e continuará uma merda por várias gerações. A gente ainda não teve a idéia genial de cercar as favelas com um muro de concreto de 3 metros.

Quem vive lá vota em José Carlos Gratz. Isso já explica metade dos problemas que tivemos nos últimos 430 anos. Época de eleição lá é uma festa, cada esquina é dominada por cabos eleitorais de Gratz, inclusive eu já ganhei uns cinco bonés dele nessa brincadeira. Mas isso não significa muito, visto que eu fazia uma coleção de bonés. Digo-lhes até que já tive um boné da Canal Imóveis, mas o meu preferido era o boné da fábrica de picolés Ajelso, colorido harmoniosamente de amarelo com letras azuis, uma elegância. Os bonés caros nunca me atraíram muito. Meu sonho é ter um boné daqueles bem fodidos da Texaco, ou um do MST. É por isso que eu ainda serei presidente e... Opa, estou me desfocando do assunto.

Bem, como ia dizendo, a época de eleição no ES é uma serelepia. Gratz distribui presentes para o estado inteiro: adesivos, camisas, bonés, geladeiras, fogões, carros e casas. Dizem que ele compra os votos de todo mundo. Sinceramente gostaria que ele comprasse o meu, eu venderia meu voto por uma dentadura. Ouve-se muitas histórias de que se compra votos no interior do país por apenas uma dentadura. Ninguém nunca tentou comprar o meu voto, mas eu venderia com certeza, já que não uso ele pra muita coisa.

Nasci na cidade de Vila Velha, vizinha da capital Vitória. Vila Velha é um lugar com uma capacidade de repulsão incrível das pessoas. Governador Valadares é fichinha perto de Vila Velha. Nossos conterrâneos estão todos espalhados ao redor do planeta, e eu sou filho da geração de pessoas que abandonou a cidade natal. Desde que começou a diáspora do nosso povo, creio que a população do município tenha sido reduzida à metade, mais ou menos.

Somos como os judeus, um povo sem pátria. Vamos acabar por comprar terras no Espírito Santo e construir a nossa nação novamente. Vilavelhenses de todo o mundo, uni-vos! Tenhamos de volta a nossa terra, o nosso solo, o nosso chão. Fundemos o nosso Estado Independente!

Ainda terá distribuição de bonés, mas nenhum José Carlos Gratz.