Vou aproveitar as milhares de visitas advindas do "Bobagento" para fazer aquele merchan. Anteontem ficou pronto o segundo episódio do Boteco dos Game, meu podcast de vidjogames com essas pessoas aqui: link, link, link.
Episódio 1
Episódio 2
A trama do podcast ainda não foi estabelecida completamente, estamos na fase de apresentação e desenvolvimento dos personagens. Aliás, o primeiro episódio tem áudio horrível, mas no segundo minha voz de veludo salta aos ouvidos.
Vejam que, enquanto vocês, leitores, ficam aí na maciota, eu produzo entretenimento de qualidade para todas as idades.
É praticamente um presente para meus novos visitantes, porque, né, se vocês quisessem ler, vocês iam para a escola, não para a internet.
26 de fevereiro de 2011
Abra sua kbça
Um dos papéis que assumi na minha vida quotidiana (saquem meu uso elegante do qu - haha, aqui o humor é ralé mesmo) é o de QUESTIONADOR DE PREMISSAS.
Quer que eu dê um exemplo? Vou te dizer um exemplo. Ontem eu estava aqui jogando Tomb Raider: Anniversary, andando por uns lugares muito doidos do Peru (tem até dinossauro), cheguei numa porta enorme de pedra, trancada. Fui dar uma espiada esperta no diário da Lara para saber o que ela achava sobre o assunto e lá estava, ipsis litteris: "There must be a way to open this door."
Pff, faz-me rir. Quem disse que deve haver um jeito de abrir a porta? Deus? Que raciocínio tosco, sério. Não há nada neste mundo indicando que todas as portas sejam abríveis. Direto eu chego em portas gigantescas trancadas e não saio por aí presumindo que dê pra abrir tudo. Elas estão fechadas, talvez sempre tenham estado fechadas.
A porta lá de Tomb Raider, inclusive, é da época inca. Vai que os incas nunca abriam suas portas. Eles construíam elas abertas e fechavam uma vez. Provável que, por ser uma civilização muito antiga, não conhecessem o conceito de abrir. Acho que só depois da dominação pela gloriosa raça europeia eles entraram em contato com o conceito de "abertura".
Tendo basicamente refutado dialeticamente o raciocínio infantil de Lara Croft, eu saí do jogo satisfeito por ter chegado ao fim. Um pouco decepcionado por não ter tido algum filmezinho e tal, mas que eu zerei o jogo, zerei. E a Lara vai ter que tomar algumas aulas com, sei lá, ARISTÓTELES, antes de vir com essa conversinha fiada de "tem que ter" isso ou "deve ser" aquilo.
Mas também, gostosa demais a mulher, não dava pra esperar muita massa cinzenta.
Quer que eu dê um exemplo? Vou te dizer um exemplo. Ontem eu estava aqui jogando Tomb Raider: Anniversary, andando por uns lugares muito doidos do Peru (tem até dinossauro), cheguei numa porta enorme de pedra, trancada. Fui dar uma espiada esperta no diário da Lara para saber o que ela achava sobre o assunto e lá estava, ipsis litteris: "There must be a way to open this door."
Pff, faz-me rir. Quem disse que deve haver um jeito de abrir a porta? Deus? Que raciocínio tosco, sério. Não há nada neste mundo indicando que todas as portas sejam abríveis. Direto eu chego em portas gigantescas trancadas e não saio por aí presumindo que dê pra abrir tudo. Elas estão fechadas, talvez sempre tenham estado fechadas.
A porta lá de Tomb Raider, inclusive, é da época inca. Vai que os incas nunca abriam suas portas. Eles construíam elas abertas e fechavam uma vez. Provável que, por ser uma civilização muito antiga, não conhecessem o conceito de abrir. Acho que só depois da dominação pela gloriosa raça europeia eles entraram em contato com o conceito de "abertura".
Tendo basicamente refutado dialeticamente o raciocínio infantil de Lara Croft, eu saí do jogo satisfeito por ter chegado ao fim. Um pouco decepcionado por não ter tido algum filmezinho e tal, mas que eu zerei o jogo, zerei. E a Lara vai ter que tomar algumas aulas com, sei lá, ARISTÓTELES, antes de vir com essa conversinha fiada de "tem que ter" isso ou "deve ser" aquilo.
Mas também, gostosa demais a mulher, não dava pra esperar muita massa cinzenta.
22 de fevereiro de 2011
Controvérsia
Para elaborar uma posição radical que eu tomei enquanto gravava o Boteco dos Game (primeiro episódio, próximo em uma semana!) com meus amgs, lá vai.
No caso de um apocalipse zumbi, sou pró-zumbis. A unanimidade atual em prol dos não-infectados não é coisa saudável, sem diversidade não há democracia. É assustadora a falta de representatividade dos zumbis, é assim que acontecem os genocídios. Vê aí o caso da Líbia, daqui a pouco vamos mandar jatos para abater os bichinhos dos undead.
Na moral, todo mundo se imagina como parte da resistência, como a galera que vai repovoar a terra. Ninguém se imagina como parte da massa sem personalidade de zumbis, exceto eu, porque eu sou muito especial.
Por que eu deveria fugir dos zumbis? Ia dar mó trabalho. Se eu fico lá paradão, viro zumbi e eu persigo as pessoas, vou ser o dominante da relação, o macho alfa, a humanidade se torna minha presa. Se eu fico assim, rosinha e sadio, vou ter que ficar fugindo e me escondendo dos zumbis, vou ser a total bitch deles. Porra, e não é como se a gente fosse encontrar escopeta em cada armário pelo Brasil, esse país é mó deprê, os únicos que iam acabar sobrevivendo seriam os seguranças de carro forte.
Os resistentes teriam que se defender com umas faquinhas de cortar pão, galhos, mangueiras, varais, essas coisas que a gente realmente acha no Brasil, ia ser a visão mais emocionalmente transtornante do mundo. Por outro lado, o futuro parece brilhante se geral simplesmente aceitar virar zumbi. A gente persegue os indefesos, não sente mais dor, vive em função do prazer de comer cérebros e nem pensa em mais nada. Quando nossa população estabilizasse, a gente poderia até chegar num consenso sobre um grau sustentável de consumo de cérebros sadios.
É uma pena deveras que o debate atual sobre zumbis só esteja infectado mesmo pelo RACISMO.
No caso de um apocalipse zumbi, sou pró-zumbis. A unanimidade atual em prol dos não-infectados não é coisa saudável, sem diversidade não há democracia. É assustadora a falta de representatividade dos zumbis, é assim que acontecem os genocídios. Vê aí o caso da Líbia, daqui a pouco vamos mandar jatos para abater os bichinhos dos undead.
Na moral, todo mundo se imagina como parte da resistência, como a galera que vai repovoar a terra. Ninguém se imagina como parte da massa sem personalidade de zumbis, exceto eu, porque eu sou muito especial.
Por que eu deveria fugir dos zumbis? Ia dar mó trabalho. Se eu fico lá paradão, viro zumbi e eu persigo as pessoas, vou ser o dominante da relação, o macho alfa, a humanidade se torna minha presa. Se eu fico assim, rosinha e sadio, vou ter que ficar fugindo e me escondendo dos zumbis, vou ser a total bitch deles. Porra, e não é como se a gente fosse encontrar escopeta em cada armário pelo Brasil, esse país é mó deprê, os únicos que iam acabar sobrevivendo seriam os seguranças de carro forte.
Os resistentes teriam que se defender com umas faquinhas de cortar pão, galhos, mangueiras, varais, essas coisas que a gente realmente acha no Brasil, ia ser a visão mais emocionalmente transtornante do mundo. Por outro lado, o futuro parece brilhante se geral simplesmente aceitar virar zumbi. A gente persegue os indefesos, não sente mais dor, vive em função do prazer de comer cérebros e nem pensa em mais nada. Quando nossa população estabilizasse, a gente poderia até chegar num consenso sobre um grau sustentável de consumo de cérebros sadios.
É uma pena deveras que o debate atual sobre zumbis só esteja infectado mesmo pelo RACISMO.
16 de fevereiro de 2011
Power of intimidation
O que te assusta mais, mistério ou força? Acho que varia de pessoa pra pessoa; no meu caso, fico mais oprimido quando estou diante de alguém muito mais forte que eu. Mas a filosofia das empresas de segurança por aí parece ser a de que mistério é mais amedrontador, por isso vestem seus vigias com paletó preto e gravata, naquela vibe meio MIB.
"Tenha medo, nós vamos calcular o seu imposto de renda", essa é a única mensagem que me passam. Se eu visse um cara de camiseta, tatuado, piercing, careca ou de moicano, transpirando, acho que eu teria mais medo de chegar tocando terror na revendedora Hugo Boss.
Colocam aqueles caras bem vestidos na porta da loja, fico até tentado a arriscar um assalto épico. Posso entrar numa loja qualquer, assaltá-la e sair correndo. O que os seguranças engomadinhos vão fazer? Em 3 minutos de perseguição eles desistem porque, assim, meia e sapato social não foram feitos para esse tipo de ação frenética.
É uma crise de imagem; quando você está na academia e tem aquele estivador cabuloso levantando 80 kg na rosca direta, você não pensa "Puxa, se ele estivesse usando um terno eu teria muito mais medo dele". Mas as madames não querem uma segurança eficaz na sua loja preferida, só querem aquele cara perfumadinho no canto da loja com fone de ouvido. Taí o resultado, 50 mil homicídios por ano no país.
"Tenha medo, nós vamos calcular o seu imposto de renda", essa é a única mensagem que me passam. Se eu visse um cara de camiseta, tatuado, piercing, careca ou de moicano, transpirando, acho que eu teria mais medo de chegar tocando terror na revendedora Hugo Boss.
Colocam aqueles caras bem vestidos na porta da loja, fico até tentado a arriscar um assalto épico. Posso entrar numa loja qualquer, assaltá-la e sair correndo. O que os seguranças engomadinhos vão fazer? Em 3 minutos de perseguição eles desistem porque, assim, meia e sapato social não foram feitos para esse tipo de ação frenética.
É uma crise de imagem; quando você está na academia e tem aquele estivador cabuloso levantando 80 kg na rosca direta, você não pensa "Puxa, se ele estivesse usando um terno eu teria muito mais medo dele". Mas as madames não querem uma segurança eficaz na sua loja preferida, só querem aquele cara perfumadinho no canto da loja com fone de ouvido. Taí o resultado, 50 mil homicídios por ano no país.
11 de fevereiro de 2011
Li por aí que epidemias não precisam ser contagiosas, lol
Se a obesidade é uma epidemia, deveríamos colocar os obesos em quarentena. A gente está lidando com a situação do jeito errado, dando poltronas extras pra eles em avião e ônibus. Quem vai emagrecer assim? Geral vai querer engordar.
O que é um problema, já que vamos estar expondo nossa juventude aos males da gordura. Um gordão fica andando por aí e infectando os transeuntes com sua adiposidade. Não dá pra aceitarmos essa situação.
Isolar os gordos também traria efeitos sociais benéficos além da melhora do nível de beleza nos nossos balneários. Por exemplo, não teríamos que lidar com o fiasco Geyse Uniban. Ela nunca sairia de casa se nosso país fosse minimamente sério, usar mini-saia seria fora de questão. Veja como o nosso nível moral melhoraria.
Além disso, não aconteceriam tragédias como o Rodeio das Gordas da Unesp, em que pessoas inocentes montavam em moças obesas, tentavam permanecer o maior tempo possível em cima delas, e, inadvertidamente pegavam o vírus da gordura. Convívio social vetado aos portadores dessa terrível doença.
"Mas, mas, a obesidade é tão epidêmica quanto a febre dos ioiôs e aquela música 'Vou não, quero não, posso não'!" Exatamente, ainda bem que meus argumentos foram bem compreendidos. Só há uma explicação para a inação das autoridades competentes frente a essa situação periclitante: lobby da indústria de redução do estômago.
O que é um problema, já que vamos estar expondo nossa juventude aos males da gordura. Um gordão fica andando por aí e infectando os transeuntes com sua adiposidade. Não dá pra aceitarmos essa situação.
Isolar os gordos também traria efeitos sociais benéficos além da melhora do nível de beleza nos nossos balneários. Por exemplo, não teríamos que lidar com o fiasco Geyse Uniban. Ela nunca sairia de casa se nosso país fosse minimamente sério, usar mini-saia seria fora de questão. Veja como o nosso nível moral melhoraria.
Além disso, não aconteceriam tragédias como o Rodeio das Gordas da Unesp, em que pessoas inocentes montavam em moças obesas, tentavam permanecer o maior tempo possível em cima delas, e, inadvertidamente pegavam o vírus da gordura. Convívio social vetado aos portadores dessa terrível doença.
"Mas, mas, a obesidade é tão epidêmica quanto a febre dos ioiôs e aquela música 'Vou não, quero não, posso não'!" Exatamente, ainda bem que meus argumentos foram bem compreendidos. Só há uma explicação para a inação das autoridades competentes frente a essa situação periclitante: lobby da indústria de redução do estômago.
Acessibilidade
Procurando um emprego no Curriculum.com.br, logo abaixo de "Promotor de Vendas", umas duas posições acima de "Gerente de Qualidade", tinha uma vaga de "Pessoa Portadora de Deficiência". Esse era o nome da posição, não era um emprego normal reservado pra um cadeirante, tratava-se da própria vaga. Alguém vai ser contratado pra ser deficiente.
Deficiente por 8 horas diárias. Durante o almoço o indivíduo pode deixar de ser deficiente, sair da cadeira de rodas, tirar a venda dos olhos, destampar os ouvidos, parar aquela imitação de maneta. Mas às 2h da tarde, ele tem que voltar com toda a força para sua função. O gerente, descansado, talvez exija até mais empenho do funcionário. Ser cego não é o suficiente, um caso mais extremo de autismo talvez seja adequado para a segunda metade do dia. Mas amanhã de manhã, às 8h em ponto, espero que você esteja aqui com aquela doencinha de Down esperta, aquela síndrome de Mowat-Wilson malandra.
Do empregado espera-se versatilidade, não queremos ficar cobrando. Se você vai ser deficiente, seja direito. Antes de nós chegarmos no seu cubículo, esperamos que você já esteja sem controlar o fluxo de baba e que ignore todos os nossos comentários por não possuir a capacidade mental para compreendê-los. Se você está na nossa empresa, você tem que fazer por merecer, nós só contratamos os melhores.
Deficiente por 8 horas diárias. Durante o almoço o indivíduo pode deixar de ser deficiente, sair da cadeira de rodas, tirar a venda dos olhos, destampar os ouvidos, parar aquela imitação de maneta. Mas às 2h da tarde, ele tem que voltar com toda a força para sua função. O gerente, descansado, talvez exija até mais empenho do funcionário. Ser cego não é o suficiente, um caso mais extremo de autismo talvez seja adequado para a segunda metade do dia. Mas amanhã de manhã, às 8h em ponto, espero que você esteja aqui com aquela doencinha de Down esperta, aquela síndrome de Mowat-Wilson malandra.
Do empregado espera-se versatilidade, não queremos ficar cobrando. Se você vai ser deficiente, seja direito. Antes de nós chegarmos no seu cubículo, esperamos que você já esteja sem controlar o fluxo de baba e que ignore todos os nossos comentários por não possuir a capacidade mental para compreendê-los. Se você está na nossa empresa, você tem que fazer por merecer, nós só contratamos os melhores.
7 de fevereiro de 2011
Reportagens sobre o aquecimento global do Fantástico
Comove os jornais do mundo quando uma geleira desaba, mas acho que o mundo em geral não se importa muito. Quer dizer, é só gelo, talvez em termos absolutos seja realmente muito triste que ele derreta, mas pô, é uma formação amorfa, eu fico bem mais chocado quando percebo que o aquecimento global pode destruir alguns minutos mais rápido gelo tipo esses aqui.
Querem que alguém se importe quando mostram gelo derretendo? Mostrem um gelo com que as pessoas tenham apego emocional. Falem que o gelo que compraram para o churrasco vai render bem menos, que vão ter que encher mais vezes as gôndolas de gelo pra botar no congelador, todo mundo odeia esse tipo de coisa.
Fiquei com um desejo um pouco sádico ao ver como a queda das geleiras afetava a Sônia Bridi durante a reportagem que assisti lá do Fantástico. Pensei em chamá-la para um drink. Ia servir um whisky, tacar umas pedrinhas de gelo no copo dela, posicioná-lo na mesinha, logo à frente da repórter.
Quando nós ficássemos sem assunto, 6 minutos depois do início da conversa, ela tentaria estender o braço para bebericar o whisky e eu diria "Ã, ã, ã! Nada disso!". Levantaria, pegaria o copo da mesa e colocaria rente ao rosto dela: "Observe o gelo derreter, observe!"
E provavelmente, muito provavelmente, obrigaria a Sônia Bridi a assistir o gelo virando água só para presenciar seu semblante de terror. "Você podia ter salvado aquele cubo. Era um gelo tão bom, íntegro e honesto. Seu furo no meio não era menos que uma criação divina, exemplo para o resto do gelo do mundo."
Querem que alguém se importe quando mostram gelo derretendo? Mostrem um gelo com que as pessoas tenham apego emocional. Falem que o gelo que compraram para o churrasco vai render bem menos, que vão ter que encher mais vezes as gôndolas de gelo pra botar no congelador, todo mundo odeia esse tipo de coisa.
Fiquei com um desejo um pouco sádico ao ver como a queda das geleiras afetava a Sônia Bridi durante a reportagem que assisti lá do Fantástico. Pensei em chamá-la para um drink. Ia servir um whisky, tacar umas pedrinhas de gelo no copo dela, posicioná-lo na mesinha, logo à frente da repórter.
Quando nós ficássemos sem assunto, 6 minutos depois do início da conversa, ela tentaria estender o braço para bebericar o whisky e eu diria "Ã, ã, ã! Nada disso!". Levantaria, pegaria o copo da mesa e colocaria rente ao rosto dela: "Observe o gelo derreter, observe!"
E provavelmente, muito provavelmente, obrigaria a Sônia Bridi a assistir o gelo virando água só para presenciar seu semblante de terror. "Você podia ter salvado aquele cubo. Era um gelo tão bom, íntegro e honesto. Seu furo no meio não era menos que uma criação divina, exemplo para o resto do gelo do mundo."
6 de fevereiro de 2011
Uma explosão de simbolismo e sabor
Admiro o senso de propósito dos animais que eu vejo na rua. Eu ando por aí, um cachorro me ultrapassa. Eu não tenho nada para fazer, devo ainda decidir se vou na padaria, na academia, na farmácia, no shopping, talvez eu até tenha que trabalhar, mas vou deixar pra amanhã mesmo. A besta, por outro lado, vai resolutamente em determinada direção. O que tem naquela direção? Qual é o assunto tão premente que exige que ela ande com aquela determinação?
Provável que eu esteja confundindo as coisas, minhas dúvidas do que fazer talvez sejam sinal de que eu tenho cérebro realmente mais evoluído. O cachorro só deve estar indo para um lixo mais bacana que descobriu ontem. Pode ser que os cachorros em geral estejam em polvorosa com a descoberta desse lixo. Devem ter formado um carrossel para perseguir um o rabo do outro. Mas, bom, eles sabem o que querem fazer, eu não.
Não quero transformar isso num texto muito profundo, mas sério, queria ter a metade da convicção que os animais que eu vejo na rua têm quando vão pra um lado. Eu tenho dificuldades em manter o equilíbrio na calçada, vem um vira-lata qualquer com passadas fortes e me deixa comendo poeira. Acha que tá Avenida Paulista, né, o executivo.
Mas eu estou só sendo cute. Eu já tive assuntos urgentes pra resolver. Acho até que já aumentei a velocidade das minhas passadas uma ou duas vezes na vida. Me consolo pensando que alguém deve ter me observado nesses momentos cruciais e dito "Tá aí um sujeito que faz". Um cachorro entediado pode até ter me olhado e ter duvidado da minha inteligência: "Mente simplória, não hesita, mergulha de cara na primeira veleidade que vem à cabeça".
Provável que eu esteja confundindo as coisas, minhas dúvidas do que fazer talvez sejam sinal de que eu tenho cérebro realmente mais evoluído. O cachorro só deve estar indo para um lixo mais bacana que descobriu ontem. Pode ser que os cachorros em geral estejam em polvorosa com a descoberta desse lixo. Devem ter formado um carrossel para perseguir um o rabo do outro. Mas, bom, eles sabem o que querem fazer, eu não.
Não quero transformar isso num texto muito profundo, mas sério, queria ter a metade da convicção que os animais que eu vejo na rua têm quando vão pra um lado. Eu tenho dificuldades em manter o equilíbrio na calçada, vem um vira-lata qualquer com passadas fortes e me deixa comendo poeira. Acha que tá Avenida Paulista, né, o executivo.
Mas eu estou só sendo cute. Eu já tive assuntos urgentes pra resolver. Acho até que já aumentei a velocidade das minhas passadas uma ou duas vezes na vida. Me consolo pensando que alguém deve ter me observado nesses momentos cruciais e dito "Tá aí um sujeito que faz". Um cachorro entediado pode até ter me olhado e ter duvidado da minha inteligência: "Mente simplória, não hesita, mergulha de cara na primeira veleidade que vem à cabeça".
5 de fevereiro de 2011
Sou melhor do que você
Leio direto em vidros traseiros de táxis por aí, "Foi Deus quem me deu" ou "Jesus está voltando, prepare-se!".
Me incomoda um pouco; quer dizer, não a parte de que foi Deus quem deu o carro pro taxista. Essa parte só me deixa um pouco deprimido - o cara fica lá idolatrando um ser onipotente e só ganha um Corsa Sedan, fico até em dúvida se valeu o trabalho.
Mas a parte de que Jesus está voltando me incomoda, sim, a certeza é um pouco perturbadora. Podiam pelo menos dizer, "Jesus talvez volte, acho que vai ser em breve", ou "Jesus voltará, mas em um momento indeterminado do futuro", ou "Jesus está voltando, mas ele vem num táxi palha que nem o meu, deve ter pego trânsito".
Não sei como alguém pode falar essas coisas com esse grau de convicção. E ainda mandam eu me preparar! "Jesus está voltando e está com fome!", tenho que estocar mantimentos? Talvez ele esteja chegando e está planejando me comer na porrada, querem me alertar, provável que eu precise fazer um curso de defesa pessoal, Krav Maga. Mas assim, ele é onipotente, né, nem vai rolar eu me defender, melhor desistir.
Se ele está voltando mesmo, é pro juízo final, talvez eu já tenha sido condenado, não tenho mais que fazer preparativos.
Tenho um relacionamento conturbado com o juízo final. Acho que eu devia pelo menos ser ouvido. Ninguém aceita esses julgamentos sumários aqui na terra, mas Deus pode, né, nada a ver.
Só por que ele nos criou? Nunca entendi esse poder que Deus ganha por ser nosso criador. Eu consigo pensar em várias coisas que as pessoas criam e sobre as quais não podem ter poder absoluto. Tipo, FILHOS.
Tá, ele é bem poderoso, eu nem tenho chance se for tentar revidar, mas cadê a misericórdia? Cadê a ampla defesa? Esse sistema jurídico celestial não tem qualquer legitimidade.
Além disso, às vezes tenho medo de ser condenado ao inferno por não acreditar em Deus. Se eu tivesse direito à defesa, diria que Deus é onipotente, pelo menos poderia ter dado umas evidências mais contundentes da própria existência. Minha inteligência é limitada, não sou craque em simbolismo; se querem que eu acredite, é bom mostrarem uma coisa bem óbvia. Me tratem como um guri retardado de 3 anos de idade se precisarem.
Se tivessem me dado um Corsa Sedan, capaz de eu acreditar.
Me incomoda um pouco; quer dizer, não a parte de que foi Deus quem deu o carro pro taxista. Essa parte só me deixa um pouco deprimido - o cara fica lá idolatrando um ser onipotente e só ganha um Corsa Sedan, fico até em dúvida se valeu o trabalho.
Mas a parte de que Jesus está voltando me incomoda, sim, a certeza é um pouco perturbadora. Podiam pelo menos dizer, "Jesus talvez volte, acho que vai ser em breve", ou "Jesus voltará, mas em um momento indeterminado do futuro", ou "Jesus está voltando, mas ele vem num táxi palha que nem o meu, deve ter pego trânsito".
Não sei como alguém pode falar essas coisas com esse grau de convicção. E ainda mandam eu me preparar! "Jesus está voltando e está com fome!", tenho que estocar mantimentos? Talvez ele esteja chegando e está planejando me comer na porrada, querem me alertar, provável que eu precise fazer um curso de defesa pessoal, Krav Maga. Mas assim, ele é onipotente, né, nem vai rolar eu me defender, melhor desistir.
Se ele está voltando mesmo, é pro juízo final, talvez eu já tenha sido condenado, não tenho mais que fazer preparativos.
Tenho um relacionamento conturbado com o juízo final. Acho que eu devia pelo menos ser ouvido. Ninguém aceita esses julgamentos sumários aqui na terra, mas Deus pode, né, nada a ver.
Só por que ele nos criou? Nunca entendi esse poder que Deus ganha por ser nosso criador. Eu consigo pensar em várias coisas que as pessoas criam e sobre as quais não podem ter poder absoluto. Tipo, FILHOS.
Tá, ele é bem poderoso, eu nem tenho chance se for tentar revidar, mas cadê a misericórdia? Cadê a ampla defesa? Esse sistema jurídico celestial não tem qualquer legitimidade.
Além disso, às vezes tenho medo de ser condenado ao inferno por não acreditar em Deus. Se eu tivesse direito à defesa, diria que Deus é onipotente, pelo menos poderia ter dado umas evidências mais contundentes da própria existência. Minha inteligência é limitada, não sou craque em simbolismo; se querem que eu acredite, é bom mostrarem uma coisa bem óbvia. Me tratem como um guri retardado de 3 anos de idade se precisarem.
Se tivessem me dado um Corsa Sedan, capaz de eu acreditar.
2 de fevereiro de 2011
She was like "Huh?" and I was like "Yeah"
Quero voltar a postar aqui, mas antes disso vou fazer um layout novo para o blog.
O problema com a internet é que hoje em dia todo mundo tem computadores e navegadores capazes de mostrar o que quer que você coloque na tela, mas você não pode usar nada.
Quer dizer, todo mundo tem 4 GB de RAM e conexões de 10 MB, mas eu não posso nem usar tabelas no meu site. E a gente tem que colocar ícones gigantescos de RSS e tal, porque essa é a coisa web 2.0 de se fazer.
O problema com a internet é que hoje em dia todo mundo tem computadores e navegadores capazes de mostrar o que quer que você coloque na tela, mas você não pode usar nada.
Quer dizer, todo mundo tem 4 GB de RAM e conexões de 10 MB, mas eu não posso nem usar tabelas no meu site. E a gente tem que colocar ícones gigantescos de RSS e tal, porque essa é a coisa web 2.0 de se fazer.
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