27 de novembro de 2004

Bilôla

Parece-me bastante claro que os debates políticos deveriam ser como a relação com as nossas tias quando tínhamos quatro anos de idade. Elas mal nos viam. E quando viam, as titias disparavam uma pergunta padrão, sem cerimônias:

- Cadê a bilôla, hein? Tá grande?

Nos debates, cada candidato deveria perguntar como está a bilôla dos adversários. O político que demonstrasse menos segurança após o "Tá grande?" seria derrotado. Votaríamos no candidato mais confiante em sua própria bilôla.

A imagem de alguns candidatos perguntando sobre a bilôla alheia seria bastante interessante, já que tornaria o voto mais consciente. Não precisaríamos ouvir proposta de governo nenhuma, conseqüentemente, prestaríamos mais atenção no debate (já que este seria mais engraçado) e escolheríamos o melhor.

E para as mulheres, perguntaria-se se os peitinhos delas já enchem uma mão. Como uma boa tia de criança de quatro anos de idade.

26 de novembro de 2004

"A verdadeira amizade resiste à fugacidade do tempo e do espaço"

Que bonita frase é essa. Olhe o título.

Até tentei imaginar um espaço fugaz, mas não consegui. Já pensou? Você está lá, sendo amigo de alguém, mas então percebe que sua amizade não é verdadeira. Aí, o espaço foge. Pense. O chão desaparece e você começa a cair indefinidamente.

Um espaço que eu gostaria que fosse fugaz é esse espaço no meu estômago. Está vazio há 12 horas. Ah, como gostaria de tomar um cafézinho com torrada.

O mais próximo que eu cheguei de uma fugacidade de espaço foi quando eu estava andando de ônibus e entrou uma mulher (provavelmente chamada Marluce. Marluces tendem a ser imensas), que, depois de desentalar-se da roleta, sentou ao meu lado e, dessa forma, afugentou todo o espaço disponível.

Quem escreveu tal frase do começo do título foi uma garota se despedindo do ano de 2004 e dos amigos. Ela fez um texto falando de amizade e amor cheio de frases de efeito e palavras profundas. E eu estava na sala quando ela - com cerca de 40 amigos com amizades resistentes à fugacidade do espaço-tempo. Juro que não era amigo dela. Tenho um código de ética para textos falando de amizade e amor. Eu não presto atenção neles. Fico constrangido. Principalmente neste caso, em que a garota encerrou o texto com um "brinde à amizade".

Pena que foi um brinde imaginário. Ninguém bebeu nada. Se eu tivesse um copo na mão, juro que jogava na cabeça da menina.

Aí sim ela veria o espaço fugindo.

21 de novembro de 2004

Alleys of Bronx

Tento nunca falar de política aqui no blog. E é por isso que não vou falar.

Contarei a história de Aluísio, adolescente nerd, pobre e preto que morava no Bronx, Nova York, nos anos 70.

Muitas coisas Aluísio fazia por dia, como por exemplo, estudar. E ler bulas de remédio. Ser nerd pobre e preto no Bronx na década de 70 era uma tarefa árdua, mas Aluísio não se entregava; ele era americano e não desistia nunca.

Porém, em certo dia do ano de 1973, Aluísio - que não tinha amigos, por ser nerd - estava ouvindo o programa do Polishop no seu radinho de pilha. Neste programa estavam vendendo aquelas canetas de ponta indestrutível que hoje aparecem na RedeTV. Daquelas que você pode bater a ponta numa mesa de madeira que a caneta furará a mesa e atravessará até o outro lado. Uma caneta potente.

Aluísio pensou nas grandes possibilidades que teria ao comprar uma caneta desse porte. Gastou todas as economias de uma vida no jogo de canetas do Polishop e pensou que nunca mais teria que se preocupar com Jones Batuta, líder de uma gangue de delinqüentes destruidores de canetas. Jamais deixaram Aluísio escrever uma página sem antes quebrar a caneta do pobre nerd.

No mesmo dia, Aluísio foi estrear o jogo de canetas no colégio. Jones Batuta se aproximou e tentou destruir as recentes aquisições do jovem, mas ele reagiu e apontou a maior das canetas da coleção para o atacante. Jones não se intimidou e tentou esbofetear o coitado nerd preto pobre, que atacou a mão de Batuta com a sua caneta-arma e a furou - deixando um buraco horrível que fez Jones desmaiar e acabar com sua gangue, por medo.

Aluísio ficou confiante e começou a furar as mãos de todo mundo com sua poderosa caneta. E depois passou a furar os abdomes das pessoas. Em pouco tempo começou a furar testas.

Começou a ser chamado nos becos do Bronx de Black Kamen Raider. Todos tremiam ao ouvir tal nome e logo perguntavam se era ele o "maldito caneteiro". Kamen Raider não ficava 2 minutos sem uma caneta em cada orelha. As canetas na orelha não o deixavam ser preso, pois ele conservava um bigodinho ridículo, o que fazia a polícia confundir Aluísio com um padeiro com canetas sobre a orelha.

O ex-nerd fundou a gangue dos caneteiros, que aterrorizava o Bronx. Havia diversas patentes nessa gangue. O posto mais baixo só possuia uma Bic; os generais ganhavam uma MontBlanc. Mas somente Black Kamen Raider tinha as canetas Polishop.

Passou-se um ano e a gangue já contava com 10 mil membros. Foi então que Jones Batuta pediu para entrar no grupo. Kamen Raider pensou um pouco e decidiu dar um voto de confiança ao antigo inimigo - que se mostrou um eficiente soldado no grupo e logo tornou-se o braço direito de Black.

Isso até um certo dia em 1975, quando Black Kamen Raider foi tomar banho e deixou suas canetas sagradas sobre uma mesa. Jones Batuta, desejoso de vingança há tempos, posicionou o conjunto de canetas do líder numa cadeira. Quando Kamen Raider saiu do banho, sentou na cadeira e gritou de dor.

A maior caneta havia adentrado sua bunda - atravessando o osso do baço e deixando impossível para Black Kamen Raider sentar pelo resto da vida. Perdeu o respeito e voltou a ser só Aluísio.

17 de novembro de 2004

Mãos-leves

Um rapaz de Uberlândia me plagiou. Este aqui, rapaz! Ah, ele postou meus textos neste outro blog também. Uma lástima. Já pensou? Você esta lá, cantarolando feliz enquanto escreve seus textos e quando vê, uma alma inescrupulosa do tipo vai lá e copia tudo para colocar no UOL Blog.

Só não quero imaginar como é o horror de alguém que foi plagiado e seus textos postados no Blig ou Weblogger. É o tipo de coisa que me chocaria mesmo que acontecesse com um desconhecido.

Mas sobre o ladrãozinho que me plagiou, gostaria de passar uma mensagem cifrada, para que só ele, o Brenno, entenda:

Seu mãos-leves d'uma figa, eu queria mijar na sua cara!

***

Perceberam como fui malévolo ao jogar na cara dele a verdade incontestável? Foi como um tapa na cara. Livrei-me do fardo do mundo mas minhas costas e finalmente chamei-o de ladrão, cuspindo a verdade no rosto dele como se fosse ácido. Pensa, você. Acorda, toma café e pá!, uma verdade é arremessada contra você e nem dá tempo de se esquivar. Eu não quero viver num mundo cheio de gente que diz a verdade.

Daqui a pouco estarão me chamando de ladrão, vê só.

Se eu fosse estapeado com tal verdade tão subitamente, desligaria as luzes e dormiria por três dias. Seria traumático. Mas tenho esse defeito. Não consigo poupar ninguém que me apunhala de tal forma pelas costas. Quem me plagia tem que ouvir umas poucas e boas.

Se não quiserem ouvir eu resmungando como um velho novamente, não copiem, não, certo? Senão eu jogarei verdades destruidoras na sua cara e será tão doloroso quanto um cofre caindo sobre o Primo Desossado.

16 de novembro de 2004

O riso é como um peido

Só é possível suportar uma certa quantidade de peido dentro do corpo. Assim, quando há gases demais no organismo, peidamos; o mesmo ocorre com o riso: você suporta certa quantidade de riso dentro do corpo, mas chega uma hora que não é possível agüentar mais e dá a gargalhada.

Quanto maior o espaço disponível, mais peido pode-se guardar. O mesmo acontece com o riso.

Conclusões:
1) Pedro Cardoso é uma espécie de metralhadora de gás metano;
2) E é por isso que Jô Soares tanto ri por dentro.

15 de novembro de 2004

Acerca do show do Offspring...

Este post é parte de uma saga interminável que acaba hoje, portanto, o post anterior deve ser lido para que este seja entendido.

Pois atravessamos eu e minha namorada a avenida gigante e chegamos ao Classic Hall, onde pensávamos estar seguros. Durante a travessia da rua, nos sentimos como no clássico jogo Frogger do Atari, só que éramos nós no lugar do sapo e os carros parecendo mamutes furiosos. Mais ou menos assim:


Mas conseguimos nos safar dos perigosos mamutes loucos e entramos para ver o show. Primeiro tocou a banda Democratas, daqui de Recife. As pessoas não se importaram muito com eles, até que o público pediu a música Blitzkrieg Bop (hey, ho, let's go) dos Ramones e eles tocaram Pet Sematary.

Então, passaram-se umas 4 horas e iniciou-se o show do Offspring. Começaram a tocar e quando acenderam as luzes do local eu gritei tão alto que todas as quinze mil pessoas presentes olharam para mim, fazendo o show parar. Gritei de medo pois o vocalista da banda, Dexter Holland, havia engordado tanto que me pareceu um mamute daqueles que nos perseguiram na entrada e me traumatizaram. Compare:

dexter holland mamute

Dexter, de verdade, parecia uma vaca, uma bola, e precisava de uma lipo. Uma falta de consideração com os fãs da banda traumatizados com mamutes.

Depois do susto inicial, o Offspring soube contornar a situação fazendo um grande show, tocando maravilhas musicais como Come Out And Play, Preety Fly (For A White Guy) e Self Steem. Assim, eu e minha namorada nos divertimos na platéia, remexendo o esqueleto, e Dexter se divertiu cantando, como na figura abaixo:


E fomos felizes.

13 de novembro de 2004

Quando o mundo conspira contra nós

Dia 24 de outubro passado, fui com minha namorada ao show do Offspring aqui no Recife; e utilizamos o serviço de transporte coletivo, onde fomos obrigados a inalar perfumes de empregada. Daqueles que ficam trinta horas no ar após a moça passar no ambiente. E, creio eu, que os únicos seres imunes aos efeitos alucinógenos desses Avons são as próprias empregadas. No dia, quase que não saio do ônibus, asfixiado.

Descemos no devido ponto e andamos por ambientes assustadores para conseguirmos chegar no Classic Hall. Tivemos que andar ao lado de uma favela até conseguir chegar ao local do evento. Foi relativamente fácil passar por este trecho e alcançamos o local do show. Só havia um porém: tínhamos que atravessar a avenida.

De fato, uma larga avenida. Chutando por baixo, 28 corredores de carros e limite de velocidade de 540 quilômetros por hora. Ou seja, eu e minha namorada teríamos que usar de toda nossa ginga e desenvoltura para passar para o outro lado da rua e assistir ao show. Não imaginamos que seria uma tarefa tão árdua, já que nossa especialidade é atravessar avenidas. Mas nossos superpoderes foram requisitados.

eu taty

Transformamo-nos os dois em super-heróis de quadrinhos e tentamos transpor a insuperável barreira de carros, ônibus, caminhões, motos, bicicletas e ovnis. Em vão - nem mesmo a super velocidade e o Laço da Verdade eram capazes de parar a manada de veículos. Percebemos que nunca conseguiríamos ver o show da banda americana se uma atitude drástica não fosse tomada.

Chamei Taty para andarmos até o ponto de ônibus. Foi quando sentimos aquele odor de perfume de empregada que estava impregnado no ar desde que havíamos descido e ficamos anestesiados. Completamente dormentes. Tentamos atravessar a rua, um carro se chocou conosco e não sentimos nada; levantamos do chão e continuamos andando. No caminho, levamos mais porrada de um caminhão de gasolina e uma Hilux. Não sentimos nada.

Meia hora se passa enquanto estamos no meio da rua e finalmente atravessamos a gigantesca avenida. O efeito de dormência de Avon passou e fomos ver o Offspring, num show onde fomos mais espancados e percebemos que deveríamos carregar esses perfumes pavorosos no bolso.

Questão de proteção pessoal.

12 de novembro de 2004

O dia em que eu tomei tenência

Presentes só devem ser dados quando você tem dinheiro e não por consideração. Constrangedor dar "uma lembrancinha" e eu juro que nunca mais darei um presente em vida enquanto não ganhar um salário de 250 mil reais anuais.

Minha mesquinhez de alma permite até que eu aceite dinheiro como forma de presente. Te dou algo no seu aniversário, você me dá dinheiro no meu e todos ficam alegres saltitantes a cantar no bosque.

Somente seres rasteiros não retribuem presentes; por sinal, foram esses mesmos seres rasteiros que inventaram que não pode pedir presente em retribuição a algo que tenha sido dado anteriormente. É feio. Então, quando eu te der um presente, sinta-se na obrigação de dar algo de volta ou devolva, porque eu não gosto de perder dinheiro sem alguma compensação.

Lembro-me de um tio-avô meu falando há algum tempo quando eu não queria dar um presente para uma pessoa que havia me agraciado com uma camisa da C&A:

- Tome tenência, hômi!

Então eu comprei um par de meias para dar de presente. E fiquei esperando que a pessoa enfiasse as meias na cabeça até aprender a comprar coisas de verdade.

10 de novembro de 2004

Dona Elésia

Todo mundo deveria andar com uma Dona Elésia embaixo do braço. Cada pessoa deveria carregar uma a qualquer canto. Seria uma espécie de talismã. Como uma bíblia para os crentes, uma prancha de surfe para os surfistas ou uma alcatra para meu tio Ary. Dona Elésia é um amuleto que resolveria qualquer problema.

Não, eu não inventei a Dona Elésia. Ela é uma senhora que vive numa ruela próxima a meu prédio e que usa maravilhosos métodos de persuasão. Qualquer argumento exaurido contra Dona Elésia pode ser facilmente destroçado pela simpática velhinha.

Certa vez minha avó estava falando com ela quando eu cheguei para cumprimentar ambas. Bastou eu virar para que D. Elésia visse minha bermuda modernosa abaixo do joelho e disparasse:


Certamente fiquei sem reação. Pois então, abaixei a cabeça e me recolhi. Num outro dia, discutindo sobre o fim de uma novela do SBT que ninguém assiste com minha tia, Dona Elésia disse:

- Eu acho que o Marcos Henrique vai se casar com Maria Cláudia!
- Tu vire gente, sua cabiçuda!

Imbatível. Até testei o modus operandi da simpática velhinha.

Fui discutir sobre caminhos para o Brasil, crise econômica e política internacional numa roda de amigos certa vez. Falavam bem do governo de Lula. Não tive dúvidas. Saquei minha Dona Elésia do bolso e ela bradou para todos: "Virem gente, seus cabiçudos!"

Levantei vitorioso e fui embora. Quando falarem bem do governo, não hesite, puxe sua Dona Elésia e vença a discussão antes que o ambiente se torne perigoso para o convívio.

9 de novembro de 2004

Fade to green

Meu sonho é atravessar de pônei o Brasil. E quando chegasse em casa, meu pônei teria a alfafa servida na mesa. Seria uma flecha andando pelo cerrado brasileiro. Como Silver, o cavalo de Zorro. Ou Corcel Negro, o indomável, de Alec Ramsay. Meu pônei seria o melhor pônei do mundo.

Montado no meu pônei, voltei ao mundo dos blogs anos depois de ter sido deliberadamente expulso deste mundinho pelo mblog que destruiu para sempre o meu querido blog Lixão. Tenho certeza que ele viverá para sempre em seus corações.

Lixones, como era popularmente conhecido, já havia ressurgido das cinzas uma vez, quando fomos expulsos da Globo, mas desta vez a morte foi definitiva. Acreditem, foi como perder um filho para mim. Uma cena tão comovente quanto um pônei tendo que escolher apenas um filhote-pônei para amamentar. Realizem.

Pois é, foi assim mesmo, jovens. Pois é.