Caros,
Venho por meio deste dar meus sinceros parabéns àqueles brasileiros que ganharam medalhas de prata ou bronze nestes Jogos Pan-americanos, em todas as modalidades. Vocês são um orgulho para o país ao prestarem um serviço tão nobre como o de critério de desempate no quadro de medalhas. Vejam que, caso o Brasil venha a empatar com Cuba nas medalhas de ouro, aqueles que ganharam medalhas de prata vão prestar um enorme serviço à pátria, desempatando a competição, colocando o país no segundo lugar geral das Américas.
A importância de suas medalhas é análoga à do número de vitórias ou ao saldo de gols de um time do Brasileirão; isto é, no caso das medalhas de prata. No caso das de bronze, elas não são mais que o número de empates ou, talvez, os gols pró. Não quero que pensem que estou desmerecendo suas conquistas ao dizer isso — longe de mim. Elas são grandes façanhas, uma medalha de prata a mais e o Fluminense passaria do Goiás na tabela do campeonato, um bronze e o Figueirense superaria o Internacional. Suas conquistas são importantes, é necessário haver segundos colocados, sustentáculos, apêndices, vice-escolhidos, critérios de desempate, para que se destaquem aqueles que realmente merecem.
Para demonstrar meu apreço por seus serviços, pretendo inclusive confeccionar-lhes, não gratuitamente, mas a um módico custo, não maior que o incorrido para que chegassem onde chegaram — a saber, no máximo no segundo lugar —, algumas camisetas com mensagens edificantes, como por exemplo "Sou critério de desempate, mas sou feliz", "Fiquei em segundo/terceiro, mas vou virar comentarista da Globo no próximo Pan" e "Prata não conta, mas é mais bonita". Espero que gostem.
Sem mais.
Yours sincerely,
24 de julho de 2007
21 de julho de 2007
Roliudi IV
Depois de mais de duas semanas, voltei ao Roliudi, numa resenha um tanto afetada aqui e numa notícia atrasada aqui.
15 de julho de 2007
Coisas que não têm graça, mas que continuam a ser tratadas como se tivessem #2
Chamar o Lula de apedeuta, de Lulla, de Mula, ou mesmo do combo Mulla, com ou sem os ll em verde e amarelo, para espertamente aludir a Collor: Lulla — de fato, qualquer apelido inventado para o Lula é estúpido (não que eu goste do Lula; poucos o devem odiar mais do que eu, mas eu tenho consciência de que ele se fortalece sempre que um seu adversário o apelida de alguma coisa).
Marketing inteligente
Esta dúvida está me consumindo, tirando meu sono, formando mechas e mais mechas de cabelos acima das minhas orelhas, me criando rugas na testa, pés-de-galinha ao lado dos olhos e bolsas de cansaço ao redor deles: na propaganda da Brahma, que diabos aquele Z tem a ver com a cerveja?
4 de julho de 2007
Conto dos absurdos
Acordara naquela manhã e, percebendo o misterioso uso do pretérito mais-que-perfeito para descrever o que ocorria, teve suas suspeitas despertadas. Fora escovar os dentes, mas, antes de entrar no banheiro, ouvira um trecho da conversa de sua mulher com uma amiga qualquer, na qual ela, sua mulher, não a amiga qualquer, o mencionava. Transcrevo literalmente a curta frase da mulher: "Sim, lá foi o meu esposo." Chocado com o vocabulário usado por sua amada, que outrora não ousaria terminar um adjetivo substantivado (como, por exemplo, esquisitice, burrice, etc) com ss, tivera suas suspeitas ainda mais aguçadas. Fora para o trabalho; houvera se esquecido de que naquele dia era seu aniversário. Ao chegar lá, o que viu não foi senão um enorme bolo, de onde saiu um travesti, que o puxou para dançar - o que divertiu à beça seus colegas de serviço, que riam como bebês tendo as barrigas acariciadas. Não pudera acreditar que existiam de fato pessoas que achavam travestis engraçados, e, durante a dança, seus membros eram levados sem resistência para onde quer que os movessem. O que sentia era um torpor, uma estupefação, diante da absurdidade dos eventos. Não havia dúvidas, as evidências eram conclusivas, e ele não podia fazer nada além de aceitar a conclusão inescapável. Estava num conto.
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