25 de maio de 2004

Magavilha

Estou cansado da propaganda da Nova Schin. Ela é ridícula e sem sentido. Da primeira vez até que tinha algo de interessante. O pobre homem era fanho, mas graças aos extraordinários poderes alcoólicos da cerveja, ele ficou milagrosamente curado! Sensacional, não?

Aí as propagandas foram passando. A Schincariol viu que eles podiam fazer qualquer propaganda imbecil que ela seria capaz de permear os cérebros tupiniquins doidos por um jargão. É o maior clichê desde "Não é brinquedo, não!", um dos bordões mais idiotas já criados pela globo.

Em toda a esquina que eu passo tem alguém falando "Que magavilha!" Isso é mau. Muito mau. E o pior é que não tem apenas uma frase pronta, são várias! Tipo um multi-enchedor-de-saco:

"Tô falando egado!"
"Segá?"
"Você gagante?"

E outras trilhares de proposições inventadas no momento! É muito fácil!

E então. Eu estava andando na rua hoje né, e tal, quando então eu passei na frente de uma pizzaria. Eu ouvi bastantes interjeições do tipo "Me vê mais uma de mussaguela!". Até aí eu não tinha acumulado ódio e rancor por estas expressões. Eu as considerava até simpáticas. Pois aí, passo defronte à uma churrascaria. Ouço outras pessoas - vale frisar, com alguns gorós a mais - pedindo mais um pedaço de "Alcatga"! Começou a forçação. Mas tudo bem, estamos no mundo para rirmos, nos divertirmos, fora baixo astral, marquem um X no seu coração. Então eu superei essa. E continuei andando.

Foi aí que veio a bomba. Andei mais um pouco e cheguei até um parque de diversões, onde eu ouvia muitos gritos inflamados de pessoas se divertindo na montanha russa. Ao invés de demonstrações de alegria convencionais eu ouvi "IAGUUUUUU!!!" Uma lágrima percorreu minha face ao perceber o tamanho da imbecilidade humana.

Não pude mais me conter. Foi aí que atentei para a presença de uma garotinha ao meu lado, e descontei toda a minha fúria sobre ela, que repetia para si mesma "Quego andar no cagossel".

- Porra! O quê está acontecendo com todo mundo? Ficaram todos idiotas? Parem de trocar o R pelo G! Cale-se para sempre sua garota estúpida!!!

Então eu percebi uma mão sobre meu ombro esquerdo. Virei para olhar quem era e tive a seguinte visão:


Som metálico ao fundo convergindo com a luz do Sol

Era o gentil papai da menininha.

E foi assim que hoje eu cheguei no hospital.

22 de maio de 2004

Calendário de uma lua só

Nosso calendário de 365 dias com mais um a cada quatro anos é um calendário que incentiva o terror e a discórdia, como bem diz esse pessoal. É graças à nossa contagem do tempo que o mundo está uma bosta, que americanos torturam iraquianos presos e que o Zorra Total é tão engraçado quanto um câncer de fígado.

O calendário brasileiro é o melhor do mundo. Ele é o que mais contém feriados históricos idiotas, feriados religiosos, feriados comerciais, feriados por preguiça e feriados de fechamento para balanço do mundo! Nós merecemos. Trabalhamos como cachorros para ganhar uma miséria. E nem reclamamos. Somos o único povo do mundo que se o feriado for na sexta, a gente enforca a quinta.

Proponho uma mudança na nossa contagem do tempo. Está na hora de parar com essa palhaçada de feriado religioso. Todos sabem que o Natal é uma data comercial.


Paul Shanley, padre pedófilo

Cale-se você, Shanley. Vá para a Terra do Nunca com seu amiguinho Jackson. Se Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, meu nome é Maria Mercedes.

Voltando ao ponto. O novo calendário proposto pelo lixao será algo revolucionário. Exatamente por ser a mesma porcaria a que estamos acostumados, mas com umas pequenas variações no campo dos feriados, que ocuparão metade do ano.

Eis as proposições para o calendário das 709 luas:
- Vamos pôr um basta nos nomes dos feriados. Ninguém se importa com o significado do feriado. Quer saber apenas se é feriado.

- Os nomes dos feriados serão substituídos por números. Ao invés de 1º de janeiro ser chamado de Dia da Confraternização Universal (ou algo assim), ele se chamará Feriado-1. O segundo feriado do ano será chamado Feriado-2, e assim por diante. Nunca mais esqueceremos nenhum nome.

- Nossa história é idiota e elitista. Chamar os feriados Tiradentes (uma das almas mais sórdidas da nossa história. Ainda bem que morreu para nos brindar com mais um feriado) e proclamação da República por estes nomes antigos deve ser uma atitude punida com multa e reclusão. Estas nomenclaturas velhas devem ser deixadas no marasmo.

- Além do feriado, teremos o pré-feriado. Dois dias antes de acontecer o espetáculo da paralisação dos serviços e comércios do país, o expediente de todos os estabelecimentos deve ser reduzido à metade, para o fígado das pessoas começar a se acostumar com o dia que chegará.

- Nomes fáceis e alternativos serão permitidos. Por exemplo, a Páscoa poderá ser chamada de Feriado do Chocolate. Ou Feriado de Salvação da Garoto. O Natal poderia mudar para Feriado do Vinho e Chester. Carnaval se tornaria o Feriado das dancinhas escrotas. Nomeações que fazem bem mais sentido.

- Fora o que concerne aos feriados, o calendário continuará a mesma porcaria, gerando guerras e programas de humor de baixa qualidade.
Apesar da pouca mudança que propus, creio que isso fará de nosso país um lugar bem mais pacífico e dinâmico. Seus habitantes serão mais felizes, pelo grande descanso e o pouco esforço para lembrar datas, e, conseqüentemente, mais produtivo. Só aceito um calendário com mais de uma lua se esse tiver mais feriados que o que eu apresentei. Já mandei minha idéia para a Pirelli.

19 de maio de 2004

Faça do sofrimento o lucro

Havia aproximadamente 102 milhões de pessoas em volta do prédio. Sabe o que mais tinha? Ambulâncias e vendedores de picolé.

Não existe nada mais lucrativo que uma tragédia. Vez ou outra a cozinha de um restaurante é incendiada, uma carreta se choca contra três carros, um cara se joga em pé do nono andar de um edifício, uma usina nuclear explode provocando câncer na sua população durante as próximas 207 gerações. Isso é bom. A multidão é atraída. Sai o bombado do meio do povão para salvar a pessoa que se estrepou dentro do prédio em chamas. Ele entra no meio do fogaréu e traz uma criancinha em seu colo. A criancinha está intoxicada com a fumaça. Ele faz massagem cardíaca - dá uns socos no peito do moleque e ele quase morre com uma parada do coração.

Cheguei à conclusão de que precisamos de mais tragédias. O número de desastres naturais em nosso país é muito pequeno, por isso precisamos dar uma forcinha para a má sorte. Em termos econômicos, isso é maravilhoso.

Imagine um desastre com um avião da Rico, que é uma espécie de TAM da região norte do país. Agora imagine que esse avião não tenha caído numa região inóspita da Amazônia como aconteceu na última sexta, 14, porque assim não tem graça. A aeronave deve cair em Manaus e dizimar umas 150 vidas, não apenas 33. Os manauaras, como bons humanos sádicos que são, se aglomerariam em segundos em volta do gigantesco acidente para ver aquela série de cadáveres pegando uma chuvinha equatorial em seus rostos deformados.

Com aquelas bilhões de pessoas ao redor do local, carros de churrasquinho, cachorro-quente, sorvetes e churros se aproximariam para alimentar a multidão no local. Pense só em quanto capital seria movimentado! Vendo o sucesso dos vendedores de alimentos, os hippies vendedores de bijuterias veriam um mercado promissor para vender suas pulserinhas de barbante por 15 reais cada. A capital amazonense estaria parada, seria um feriado forçado. E muita gente sem fazer nada é uma massa consumidora em potencial. Se alguém fosse inteligente, cercaria o lugar onde ocorreu o (a/in)cidente e cobraria ingresso para poder ver aquele monte de defunto. Perceba como várias e várias atividades são possíveis em cima de uma destruição avassaladora!

Sem contar que as linhas aéreas Rico perderiam muitos clientes e seriam obrigadas a fazer mais campanhas de marketing para reconquistar a confiança de seus usuários, aumentando assim a concorrência e beneficiando o consumidor.

Devemos começar a dar uma mão para a vocação nacional brasileira de se fuder. Façamos a nossa parte, coloquemos nosso país cada vez mais abaixo. É por isso que os países ricos têm bastantes desastres naturais. Eles sabem tirar proveito de suas mazelas. Menos o Peru e o Irã.

17 de maio de 2004

Negócios, negócios

Depois de uma negociação milionária, decidi que meu passe pertencia agora ao Beegirl Futebol Clube. Agora estou num servidor próprio com FTP próprio, problemas próprios e endereço próprio. Graças à Lei Pelé, agora meu passe pertence à mim e não mais à um sistema estranho de publicação.

Nada mais de problemas aos domingos, quando o mBlog simplesmente dizia "Nhé, não quero mais funcionar". Assim, espero que vocês se deliciem com as mais novas aventuras de frost no reino da fantasia.

9 de maio de 2004

Kill Bill, o filme

Inventarei um codinome muito bom para mim. Provavelmente serei Punho Louco ou Célula Seca. Não, não, esses não são bons codinomes. Os personagens de Kill Bill são muito mais criativos. Olha que nomes fantásticos eles criaram: Mamba Negra (Black Mamba), Boca de Algodão (Cottonmouth), Cabeça de Cobra (Cobrahead)...

Ter uma alcunha além do meu próprio nome sempre foi um sonho. Não esses apelidos que colocam, ou esses nicknames de internet. Meu desejo era ter um verdadeiro nome que representasse superioridade. Um codinome representaria muito bem isso. Apesar de ser algo secreto, ele faria muito bem para o ego.

Também gostaria de ter um nome com vírgula. Na conquista de Cártago pelo Império Romano, um general muito destacado foi Cipião, o Africano. Não importa o que ele fez. O nome dele é o relevante na história. Perceba como a vírgula é tão bem empregada em seu nome. Se eu tivesse um nome desses (Tarquínio, o Soberbo; Licurgo, o Legislador; Pedro, o Escamoso), seria bastante feliz.

Espero algum dia ter meu nome cravado na história com uma alcunha após a vírgula, como essas personalidades supracitadas. Espero.

Quanto a Kill Bill, é um filme apenas perfeito. Ele poderia cravar seu nome na história. Seria Kill Bill, o filme.

7 de maio de 2004

Ouro ao bandido

Este é um post moderno que requer o Macromedia Flash Player 7.

Acho que tenho Transtorno Obsessivo Compulsivo. Aquela doença mesmo que faz você ter manias idiotas como coçar o outro braço ao coçar um deles e não pisar nas linhas da calçada, como bem explicou RAC, o gênio, em seu blog.

Ou eu tenho TOC, ou fico seriamente hipnotizado pelos padrões das calçadas na rua. Malditos pavimentos.

Creio que não seja apenas eu, mas muitas pessoas tentam apenas seguir uma cor nas calçadas. Isso causa sérios problemas. Chego a ficar vários dias seguidos andando na rua sem conseguir sair de uma calçada. Lembro-me de uma época que fiquei uma semana andando no mesmo quarteirão. Foi um pesadelo.

Nos calçadões da praia, normalmente escolho uma cor qualquer para seguir e não consigo me desprender dela, veja:





Considere-me como sendo o ponto vermelho. Veja quão poderosa é a hipnose do chão.


Agora, bem perversas são as calçadas que têm um padrão alternado, te forçando a pular as cores diferentes:





Perceba o esforço excessivo para saltar sobre uma das cores.


Mas, sem dúvidas, os desenhos circulares no chão são os mais malévolos:





Estes padrões foram produzidos por uma mente sádica e psicótica. Poderia ficar anos preso numa dessas belezinhas.


Então, se você quiser me destruir para sempre, pinte a calçada com uma cor perto de um cânion ou algo assim e me leve para andar nela, como demonstra a figura:



Vejam como sou legal, ensino vocês a me matarem.


Você pode fazer isso ou me inutilizar com um taco de beisebol. A escolha é sempre do leitor, afinal, ele sempre tem razão.

2 de maio de 2004

Fraternidade desconhecida

Vão lançar a quarta temporada de 24 Horas, aquela curiosa série onde tudo que acontece deve ser resolvido misteriosamente em um dia.

Nesta temporada Jack Bauer enfrentará problemas muito maiores, em escala mundial. Leia a sinopse que foi liberada:

"Jack Bauer, depois de muito tempo resolvendo problemas policiais internos, é escalado para uma missão internacional muito simples, onde ele deve erradicar a Aids da África. Para tanto, Jack Bauer poderá contar não apenas com suas habilidades sobre-humanas, mas também com o auxílio de Jairo Bauer, seu irmão e influente sexólogo que vive no Brasil fazendo participações esporádicas no Domingão do Faustão e programas de baixa qualidade na MTV?.

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Jack Bauer, novamente com problemas apenas solúveis em 24 horas

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Jairo Bauer orientará muitas pessoas sobre o sexo seguro nesta temporada

Podemos esperar muito desta nova temporada de 24 Horas, que, com certeza, será um sucesso. Ainda mais com a participação ultra-especial de Jairo Bauer pedindo para os nigerianos usarem camisinha. Só emoção!

Ps.: Não preciso nem dizer que eu sei que o nome do sexólogo é Jairo Bouer. Não me encham o saco.