Teve a idéia de retratar as humildes famílias produtoras de paçoca do sertão do Rio Grande do Norte e começou a produção de seu documentário com verbas do Ministério da Cultura. O Cineasta Brasileiro estava retratando, dizia, um importante aspecto da cultura nacional, e que revelar os hábitos do povo pobre de longe dos grandes centros urbanos do Brasil é a tarefa primordial qualquer pessoa que faça cinema no país. Seu filme, Sertão e Suor, mostrava a tocante rotina dos sertanejos que pisavam nos amendoins para moê-los e, como os amendoins do sertão são mais duros que o normal, acabavam com os pés totalmente calejados ao fim do dia de trabalho.
Sertão e Suor ficou em exibição nos cinemas do país por mais de um mês, e foi um recorde de público, uma verdadeira febre. Quando sua obra entrou em cartaz, o Cineasta Brasileiro deu uma entrevista para a Folha Ilustrada, onde declarou que "o cinema deve servir como instrumento de transformação social". Ganhou um Kikito em Gramado, o prêmio mais ridículo do cinema mundial, e também ganhou vários elogios de atores presentes no evento, que acrescentavam ainda que era natural que o filme fosse bom, pois em Gramado está sempre a fina flor do cinema brasileiro. Pouco depois, o Cineasta Brasileiro foi premiado em Cannes, este o prêmio mais banal do cinema mundial, o que encheu os brasileiros de orgulho, pois o talento da nossa gente estava sendo reconhecido. Europeus em Cannes disseram que o documentário foi "um retrato fiel da realidade brasileira, que servirá para que as pessoas despertem uma consciência crítica em relação às mazelas do Terceiro Mundo".
O documentário, por fim, foi o indicado brasileiro ao Oscar, criando grande expectativa no público. No domingo da premiação, Marília Gabriela e Rubens Ewald Filho asseveraram que, neste ano, o Brasil teria que levar a estatueta, pois era mais que merecido, e o talento do Cineasta Brasileiro já estava mais do que provado. Sertão e Suor perdeu para um filme espanhol e, no dia seguinte, em comentário no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor afirmou com sua típica acidez: "Os velhinhos da Academia, recostados em suas confortáveis poltronas, não querem saber dos problemas do Terceiro Mundo. Desprezam essas absurdidades presentes em nossos filmes. O Cineasta Brasileiro, com seu talento inegável, levou às telas dos americanos a realidade que eles - e o Bush - tanto desprezam. Ao invés de serem imparciais e premiarem com sensatez, os velhinhos da Academia preferem se curvar ao lobby da Miramax. A nós, pobres terceiro-mundistas, só resta lamentar."
O Cineasta Brasileiro, então, começou a produzir outro filme, um sobre a venda de cocos em balsas nos rios do interior do Amazonas. Algumas vezes, Sertão e Suor concorre com pornochanchadas da Vera Fischer (tais como Gata em Teto de Zinco Quente e Navalha na Carne) no Intercine e perde, porém o filme ainda pode ser assistido de madrugada duas vezes ao ano no Canal Brasil.
11 de outubro de 2005
6 de outubro de 2005
Contra o dinheiro
Como está passando o Programa do Jô, fui estimulado a prestar atenção em algo que não fosse a TV e, aqui no computador, enquanto ouço o novo CD do Ill Niño (excelente, principalmente a faixa 5, De la Vida, vão baixar lá no Pirate Bay), acabo de descobrir a aterradora realidade: tem gente contra o dinheiro. Como isso é possível, não sei, mas existe sim gente contra o dinheiro, querem até aboli-lo, como se o pobre do dinheiro tivesse feito alguma coisa! Declaro que o dinheiro é inocente!
Tudo bem você não gostar dos desenhinhos do dinheiro (tem um peixe na nota de 100, não estou brincando), mas as pessoas não são contra isso, são contra o que o dinheiro representa. É como se saíssem por aí gritando "eu sou contra um meio de troca indireta, gente!!!", e se descabelando, não querendo utilizar um meio de troca indireta, porque só os meios de troca direta são legais. No fundo é isso que os detratores do dinheiro pregam: a não utilização de um meio de troca indireta e o retorno ao escambo. Nada contra pessoas que querem trocar sacas de arroz por um litro de leite, até admiro alguém que queira fazer isso (imagine-se saindo por aí com 50 quilos de arroz nas costas para trocar por outros bens, que coisa fantástica), mas tem gente que é preguiçosa, que não gosta de fazer exercícios, que só quer ficar em casa ouvindo Ill Niño. Peço condescendência.
Update: O De Repente está de volta!
Tudo bem você não gostar dos desenhinhos do dinheiro (tem um peixe na nota de 100, não estou brincando), mas as pessoas não são contra isso, são contra o que o dinheiro representa. É como se saíssem por aí gritando "eu sou contra um meio de troca indireta, gente!!!", e se descabelando, não querendo utilizar um meio de troca indireta, porque só os meios de troca direta são legais. No fundo é isso que os detratores do dinheiro pregam: a não utilização de um meio de troca indireta e o retorno ao escambo. Nada contra pessoas que querem trocar sacas de arroz por um litro de leite, até admiro alguém que queira fazer isso (imagine-se saindo por aí com 50 quilos de arroz nas costas para trocar por outros bens, que coisa fantástica), mas tem gente que é preguiçosa, que não gosta de fazer exercícios, que só quer ficar em casa ouvindo Ill Niño. Peço condescendência.
Update: O De Repente está de volta!
4 de outubro de 2005
Legítima defesa
Hesitei em escrever esse post porque, ah, está todo mundo postando sobre o tema, não queria parecer vulgar. Mas vamos lá. Há algum tempo, eu estava discutindo no orkut com uma garota sobre o desarmamento, defendendo ardorosamente minha posição a favor das armas, contra a vida e contra a paz. Argumentei dizendo que proibir as armas era um ataque ao direito fundamental da legítima defesa. Ela me respondeu que não, que desarmar não é atacar a legítima defesa, que o desarmamento apenas nos veda um dos meios de exercê-la. Ou seja, se quiser exercer a legítima defesa, pegue um extintor de incêndio e arremesse na cabeça do agressor, porque arma de fogo não vale. Quando ela me disse isso, rapidamente me ocorreu uma situação como a que descrevo a seguir.
Um bandido armado invade a casa de um cidadão à noite e este acorda ouvindo um barulho. O cidadão levanta da cama e pega o revólver para espantar o invasor. Com cuidado, ele chega por trás do bandido e aponta a arma na cabeça dele:
- Parado aí!
- Opa, um minuto aí, legítima defesa, só sem armas!
- Nossa, é verdade, como fui estúpido. - diz o cidadão, enquanto joga seu revólver no chão.
- Foi mesmo. Onde já se viu? Usar armas para exercer a legítima defesa? A que ponto chegamos, meu Deus!
- Olha, espera um minuto aí, não se mexa, não saia do lugar, vou lá na garagem pegar meu facão de churrasco para exercer meu direito, ok?
- Claro, vá em frente. Ainda bem que estou invadindo a casa de uma pessoa racional...
Um bandido armado invade a casa de um cidadão à noite e este acorda ouvindo um barulho. O cidadão levanta da cama e pega o revólver para espantar o invasor. Com cuidado, ele chega por trás do bandido e aponta a arma na cabeça dele:
- Parado aí!
- Opa, um minuto aí, legítima defesa, só sem armas!
- Nossa, é verdade, como fui estúpido. - diz o cidadão, enquanto joga seu revólver no chão.
- Foi mesmo. Onde já se viu? Usar armas para exercer a legítima defesa? A que ponto chegamos, meu Deus!
- Olha, espera um minuto aí, não se mexa, não saia do lugar, vou lá na garagem pegar meu facão de churrasco para exercer meu direito, ok?
- Claro, vá em frente. Ainda bem que estou invadindo a casa de uma pessoa racional...
30 de setembro de 2005
Sobre Luana Piovani
Sobre o belíssimo comentário de Luana Piovani sobre o desarmamento, tenho a dizer que concordo plenamente, acrescentando que, além das armas, o voto também não deveria existir, pois ele só alimenta a gana por poder político, e o dinheiro também não deveria existir, pois este só alimenta a doença pelo poder econômico. Deixe-me estender o raciocínio da invenção da pólvora para a comida, que, ao ser inventada, só potencializou a doença da gula. As pessoas se tornaram muito mais gulosas com a invenção da comida, inegavelmente, então a comida não deveria ter sido criada, digo eu. Como a televisão só alimentou a doença por maratonas de Smallville, criando exércitos de zumbis, ela não deveria existir. E, e, vejamos, como o Mal é inerente ao Universo, a criação do Universo só permitiu a manifestação do Mal, logo, o Universo não deveria existir.
26 de setembro de 2005
Depoimento
"As armas de fogo não deveriam existir, elas só servem para alimentar a doença pelo poder. Não se deveria ter descoberto a pólvora."
Luana Piovani, atriz
Luana Piovani, atriz
12 de setembro de 2005
Lição numero um para blogueiros: ser processado é ruim
Blogueiros parecem ter se esquecido desta elementar noção do mundo moderno: ser processado é ruim. De verdade, ser processado não é nada legal, não dá status, ao contrário do que os blogueiros acreditam, e você perde um dinheirão com essas coisas. Ops, olha só para esta porcaria, acabo de derramar Coca-Cola no meu mouse pad, maldição. Vou puxar o mouse para cima do refrigerante que caiu, para esconder. Um momento, por favor. Pronto, agora sim. Droga, não sei se posso mexer o mouse sem espalhar refrigerante, creio que terei que conviver para sempre com essa dúvida. Refrigerantes são ruins por isso, eles caem, emporcalham tudo e sempre dá para ver as manchas. Eu devia ter comprado Sprite, penso que esconderia melhor. Pelo menos quando as migalhas deste sanduíche caem no teclado, elas rapidamente se escondem entre as teclas, mas Coca-Cola nãããão, ela se acha muito importante, tem que dar trabalho, é um inferno.
10 de setembro de 2005
Ah, não faço mais templates
Qual o problema do orkut? Eu lhes explico e dou a solução, porque é assim que um profissional de opinião tem que proceder: apontar os problemas e mostrar saídas viáveis. Do contrário, não passa de uma crítica inócua e sem sentido. Bolas!, não adianta simplesmente falar para um doente "você está resfriado", nada mais fútil, é necessário dizer "você está resfriado, logo, deve descansar e tomar muito líquido".
Pois bem, o problema do orkut não são os brasileiros, e até é legal o jeito como os brasileiros se orgulham de serem maioria lá. Brasileiros são assim mesmo, e é bom que sejam, têm um estilo de vida bonito, vêem alegria em todas as pequenas coisas: estar em maioria no orkut, construir castelinhos de areia na praia, ganhar a Copa Sul-Americana. Não, não, o problema do orkut é outro. O problema do orkut são as discussões, não exatamente o que se discute, mas a forma como se discute. Uma prática que tem se difundido pelo orkut nas discussões é a de colocar "Fulano disse:" antes da citação de alguém e "Eu:" após a citação da própria pessoa, tal como represento abaixo, com aquela vergonhinha de franzir o cenho:
Note que foi uma crítica construtiva, sadia, indicando saídas, provando que não estou aqui apenas para me alimentar de polêmicas fáceis, manifestando minha vontade de ajudar na construção de uma sociedade mais justa. Os próximos temas de discussões no orkut a serem abordados serão: 1) gente que deixa "abraços cordiais" no fim dos posts; 2) gente que coloca "saudações 'alguma-coisa'" no fim dos posts ("saudações libertárias", "saudações comunistas", "saudações masoquistas" etc).
Pois bem, o problema do orkut não são os brasileiros, e até é legal o jeito como os brasileiros se orgulham de serem maioria lá. Brasileiros são assim mesmo, e é bom que sejam, têm um estilo de vida bonito, vêem alegria em todas as pequenas coisas: estar em maioria no orkut, construir castelinhos de areia na praia, ganhar a Copa Sul-Americana. Não, não, o problema do orkut é outro. O problema do orkut são as discussões, não exatamente o que se discute, mas a forma como se discute. Uma prática que tem se difundido pelo orkut nas discussões é a de colocar "Fulano disse:" antes da citação de alguém e "Eu:" após a citação da própria pessoa, tal como represento abaixo, com aquela vergonhinha de franzir o cenho:
Joãozinho Pé-de-Mesa disse: "As focas são peixes."Para quê, meu Deus, para quê? E eu juro que isso acontece, gente, juro mesmo. Gente colocando "Fulano disse:" antes do argumento de outrem e depois, pior ainda, colocando "Eu:" para indicar que começou a enunciar a própria opinião. É como se você fosse conversar com alguém e esse alguém, antes de responder, dissesse "Você disse: Oi, tudo bem? Eu: Tudo bem". É claro que em tópicos do orkut muitas pessoas opinam, às vezes é necessário esse tipo de coisa, colar o que o outro disse e pararã, mas, diabos, por que "Fulano disse:" e "Eu:"? As pessoas que usam esse artifício são o mesmo tipo de gente que mija na rua, atrás da muretinha, a ligação entre as duas coisas, para mim, é clara como a água. Solução para o problema: as pessoas pararem de usar "Fulano disse:" e "Eu:".
Eu: As focas não são peixes nem mamíferos, são seres mágicos, que nascem com uma bola no focinho para brincar.
Note que foi uma crítica construtiva, sadia, indicando saídas, provando que não estou aqui apenas para me alimentar de polêmicas fáceis, manifestando minha vontade de ajudar na construção de uma sociedade mais justa. Os próximos temas de discussões no orkut a serem abordados serão: 1) gente que deixa "abraços cordiais" no fim dos posts; 2) gente que coloca "saudações 'alguma-coisa'" no fim dos posts ("saudações libertárias", "saudações comunistas", "saudações masoquistas" etc).
9 de setembro de 2005
Faço templates a 40 reais, uma pechincha, promoção e pra mocinha, aproveite, o estoque é limitado
Comemoro hoje o aniversário do meu diarinho, o Manipulação, acrescentando que não sei se hoje é o aniversário do blog, porque nunca comemorei o aniversário dele e nem sei quando postei pela primeira vez. Portanto, hoje é só uma data figurativa, não sei a idade do blog na verdade. Não é nada improvável, inclusive, que ele, o blog, já seja um homem feito, pronto para casar - talvez também, não dá para precisar, o blog também seja uma moça já formada, com os peitinhos grandes e redondinhos, que enchem uma mão. (Ele nunca me confidencia essas coisas de sexualidade, o(a) Manipulação é muito reservado(a), mas o(a) amo mesmo assim.)
Para presentear o blog, além de ter mudado a cor do blog daquele divertido verde-luzinha-de-computador para este elegante azul-turquesa, como muito bem definiu um leitor nos comentários de algum post anterior, preparei uma festinha para ele, com bexigas e saborosos beijinhos (vocês sabem, aquelas bolinhas de leite, amarelinhas, gostosas. Na festinha do meu blog, elas não têm aqueles cravos horríveis em cima, coitados dos beijinhos, não fizeram nada para ter uma coisa daquelas enterrada neles), e todos os amiguinhos.
Um presente que não fiz para meu blog foi um brasão, que é um plano antigo. Quero desde tempos remotos fazer um brasão para este blog, para que o reconheçam na rua somente pelas cores que traja, mas desisti porque ia dar muito trabalho, Deus está de prova. Sou um admirador da parassematografia, a arte de confeccionar brasões, nada mais natural, então, que querer um emblema para o Manipulação. Tenho até o emblema na minha mente, ele seria assim: azul-turquesa e verde-luzinha-de-computador seriam suas cores principais, óbvio, são cores familiares; li no site da monarquia brasileira que o losango presente na bandeira brasileira é uma homenagem heráldica às mulheres - pois bem, no brasão de meu blog, mesmo que fosse errado misturar bandeira com brasão e tal, não sei e não me importo, também queria homenagear as mulheres, então no emblema deveria haver um losango, digamos, um cinto de castidade em volta e uma vassoura no interior dele, para demonstrar a estima que nutro por elas neste território; e também tinha que ter golfinhos pulando em volta do símbolo, porque golfinhos são maneiros. No resto do brasão eu não pensei, mas já deu para ter uma idéia, eu acho. Poderia, quem sabe, colocar um livro representando os dez mandamentos em algum lugar, só que, veja, já está dando trabalho, deixa para lá. Não vou fazer nada, e nessas festinhas só tem muquirana, lamento, blog.
Para presentear o blog, além de ter mudado a cor do blog daquele divertido verde-luzinha-de-computador para este elegante azul-turquesa, como muito bem definiu um leitor nos comentários de algum post anterior, preparei uma festinha para ele, com bexigas e saborosos beijinhos (vocês sabem, aquelas bolinhas de leite, amarelinhas, gostosas. Na festinha do meu blog, elas não têm aqueles cravos horríveis em cima, coitados dos beijinhos, não fizeram nada para ter uma coisa daquelas enterrada neles), e todos os amiguinhos.
Um presente que não fiz para meu blog foi um brasão, que é um plano antigo. Quero desde tempos remotos fazer um brasão para este blog, para que o reconheçam na rua somente pelas cores que traja, mas desisti porque ia dar muito trabalho, Deus está de prova. Sou um admirador da parassematografia, a arte de confeccionar brasões, nada mais natural, então, que querer um emblema para o Manipulação. Tenho até o emblema na minha mente, ele seria assim: azul-turquesa e verde-luzinha-de-computador seriam suas cores principais, óbvio, são cores familiares; li no site da monarquia brasileira que o losango presente na bandeira brasileira é uma homenagem heráldica às mulheres - pois bem, no brasão de meu blog, mesmo que fosse errado misturar bandeira com brasão e tal, não sei e não me importo, também queria homenagear as mulheres, então no emblema deveria haver um losango, digamos, um cinto de castidade em volta e uma vassoura no interior dele, para demonstrar a estima que nutro por elas neste território; e também tinha que ter golfinhos pulando em volta do símbolo, porque golfinhos são maneiros. No resto do brasão eu não pensei, mas já deu para ter uma idéia, eu acho. Poderia, quem sabe, colocar um livro representando os dez mandamentos em algum lugar, só que, veja, já está dando trabalho, deixa para lá. Não vou fazer nada, e nessas festinhas só tem muquirana, lamento, blog.
7 de setembro de 2005
Faço templates por 50 reais
Pensei em acabar com esse blog e me tornar tão baixo quanto, bem, quanto pessoas que acabam blogs por aí o tempo todo, mas pensei que não ia ter tantos comentários dizendo "oh, frost, por favor, volte, precisamos de você", então desisti. O único motivo razoável para se acabar com um blog é fazer os outros pedirem para você voltar, assim como o único motivo razoável para ter um blog e não ganhar dinheiro é receber comentários elogiosos. Pensei em fazer várias coisas idiotas nesta semana, não apenas acabar com o blog. Pensei, por exemplo, em praticar Tai Chi Chuan, porque vi na TV gente fazendo isso - eram pessoas comemorando os 130 anos do Mercado de São José, um mercado popular de Recife. Praticar Tai Chi Chuan é um jeito muito pitoresco de comemorar alguma coisa, mas, sabe-se lá, provavelmente o Tai Chi Chuan fosse o que melhor representasse a alegria do povo por tal data marcante.
(Claro que abandonei a idéia de praticar Tai Chi Chuan, claro, claro, quer dizer, sou muito influenciável pela TV, mas logo me volta o senso do ridículo. Deixe-me contar-lhes uma coisa, muito confidencial, sei que provavelmente vocês são leitores de bom gosto, que não gostam de dar tapas nas outras pessoas, principalmente na nuca, mas hoje pensei nisso, me parece divertidíssimo; já pensaram em dar um "Pedala, Robinho!" em alguém praticando Tai Chi Chuan? Assim, dar um bofetão na nuca do praticante, para que ele caia em slowmotion, com aquela baba voando lentamente de sua boca, gritando numa voz grave "nããããããooooooo". Poderiam considerar, pensar nisso me diverte, vocês nem sabem.)
Acho que é a segunda vez que falo de Tai Chi Chuan neste blog, devo ser a pessoa que mais despendeu tempo falando disso na história mundial, tirando os mestres chineses, que, dizem por aí, escreveram livros sobre como se movimentar lentamente. Porém, acho que eles não contam, porque o tempo no mundo dos praticantes de Tai Chi Chuan passa umas cinqüenta vezes mais lentamente. Pois, devo ter garantido um espacinho no próximo Guiness.
(Claro que abandonei a idéia de praticar Tai Chi Chuan, claro, claro, quer dizer, sou muito influenciável pela TV, mas logo me volta o senso do ridículo. Deixe-me contar-lhes uma coisa, muito confidencial, sei que provavelmente vocês são leitores de bom gosto, que não gostam de dar tapas nas outras pessoas, principalmente na nuca, mas hoje pensei nisso, me parece divertidíssimo; já pensaram em dar um "Pedala, Robinho!" em alguém praticando Tai Chi Chuan? Assim, dar um bofetão na nuca do praticante, para que ele caia em slowmotion, com aquela baba voando lentamente de sua boca, gritando numa voz grave "nããããããooooooo". Poderiam considerar, pensar nisso me diverte, vocês nem sabem.)
Acho que é a segunda vez que falo de Tai Chi Chuan neste blog, devo ser a pessoa que mais despendeu tempo falando disso na história mundial, tirando os mestres chineses, que, dizem por aí, escreveram livros sobre como se movimentar lentamente. Porém, acho que eles não contam, porque o tempo no mundo dos praticantes de Tai Chi Chuan passa umas cinqüenta vezes mais lentamente. Pois, devo ter garantido um espacinho no próximo Guiness.
31 de agosto de 2005
Com embasamento
Experimentar coisas somente para falar mal depois é uma das coisas mais degradantes do mundo, como é degradante, nem me fale, e é por isso que todo mundo só vive falando isso, "oh, meu Deus, não fale mal sem conhecer, tem que falar mal com embasamento, atitudes como a sua contribuem para a má qualidade do debate na internet!!!". A internet está infestada de gente que quer debates de alta qualidade, não sei para quê, visto que, ora, o debate é de baixa qualidade porque as pessoas são de baixa qualidade, os inteligentes não se preocupam com debates de alta qualidade, nem em falar mal com embasamento.
"Não fale mal de colocar o dedo na tomada, você nunca nem colocou, para saber, sua atitude inconseqüente contribui para o enfraquecimento do já debilitado debate da internet hodierno", eu gostaria de ver alguém dizer, à mesa de jantar, após eu dizer que jamais colocaria o dedo na tomada para não acontecer essas coisas chatas, levar um choque, talvez. Essa é basicamente a atitude de quem lê Paulo Coelho para falar mal com embasamento: colocar a mão na tomada para saber como é e achar muito bonito. Essa atitude deve advir de revolta das pessoas, sabe-se lá, fizeram algo muito estúpido e agora saem pelo mundo incentivando os outros a fazerem coisas igualmente estúpidas. "Eu li Código da Vinci, leia você também", diz o arauto do bom debate na internet, "li e agora falo com propriedade, não saio destilando críticas sem conteúdo". É como você martelar o próprio dedo e sair pelo mundo propalando as maravilhas de martelar o próprio dedo, para que você possa falar sem medo sobre como é martelar o próprio dedo.
Mas essas pessoas não me pegam, sou muito esperto, tenho os reflexos rápidos como os de uma raposa do deserto azul, animal muito ágil que acabo de inventar, ninguém vai me fazer ler Paulo Coelho, talvez eu nem leia Código da Vinci, que comecei outro dia, mas Paulo Coelho nunca. E mesmo que eu leia Código da Vinci, não falarei para que vocês leiam, pois não tenho esses impulsos sádicos, nem discuto na internet, a única coisa que faço online são raps, e aproveitando o ensejo, gostaria de chamá-los para lá, para a Comunidade Rap, para que você se junte a mim, a nós, na arte de fazer raps. E essa propaganda é a única razão de este post existir.
"Não fale mal de colocar o dedo na tomada, você nunca nem colocou, para saber, sua atitude inconseqüente contribui para o enfraquecimento do já debilitado debate da internet hodierno", eu gostaria de ver alguém dizer, à mesa de jantar, após eu dizer que jamais colocaria o dedo na tomada para não acontecer essas coisas chatas, levar um choque, talvez. Essa é basicamente a atitude de quem lê Paulo Coelho para falar mal com embasamento: colocar a mão na tomada para saber como é e achar muito bonito. Essa atitude deve advir de revolta das pessoas, sabe-se lá, fizeram algo muito estúpido e agora saem pelo mundo incentivando os outros a fazerem coisas igualmente estúpidas. "Eu li Código da Vinci, leia você também", diz o arauto do bom debate na internet, "li e agora falo com propriedade, não saio destilando críticas sem conteúdo". É como você martelar o próprio dedo e sair pelo mundo propalando as maravilhas de martelar o próprio dedo, para que você possa falar sem medo sobre como é martelar o próprio dedo.
Mas essas pessoas não me pegam, sou muito esperto, tenho os reflexos rápidos como os de uma raposa do deserto azul, animal muito ágil que acabo de inventar, ninguém vai me fazer ler Paulo Coelho, talvez eu nem leia Código da Vinci, que comecei outro dia, mas Paulo Coelho nunca. E mesmo que eu leia Código da Vinci, não falarei para que vocês leiam, pois não tenho esses impulsos sádicos, nem discuto na internet, a única coisa que faço online são raps, e aproveitando o ensejo, gostaria de chamá-los para lá, para a Comunidade Rap, para que você se junte a mim, a nós, na arte de fazer raps. E essa propaganda é a única razão de este post existir.
11 de agosto de 2005
Expressões constrangedoras
Das mais para as menos constrangedoras:
- "dar muito beijo na boca";
- "muita gente bonita";
- "ver por dois ângulos principais";
- "básico";
- "é relativo".
É importante frisar que as primeiras duas expressões remetem imediatamente a Hebe Camargo. Ou seja, se você as usa, já usou, pensa ou pensou nelas, ceteris paribus, você é Hebe Camargo. Questão puramente lógica, ou erro em minha reflexão?
Provo-a com um exemplo simples. Basta imaginar Hebe Camargo conversando com a ex-Casa dos Artistas Mari Alexandre:
Mari Alexandre: Sabe, Hebe, é que ainda estou estudando as propostas das revistas para posar nua. Ainda não surgiu uma proposta que me balançasse. (E dá uma balançadinha na cabeça enquanto fala "balançasse".)
Hebe: Tem que fazer isso mesmo. E você, jovem e bonita, tem mais é que aproveitar a vida, sair por aí e dar muito beijo na boca!
A terceira e a última expressões não precisam nem de explicações, porque, ora, que coisa horrível é alguém chegar e dizer na sua cara para você olhar de dois ângulos um assunto, e que o assunto é todo relativo, e que você não pode dar "essa explicação tão simplista", e essas coisas. Enfim, não vou me estender neste ponto, parece-me óbvio.
Ah, e "básico". "Para sair para a night, você põe aquele jeans básico." Note que "básico" é expressão predominantemente usada por VJs da MTV. Isto significa que, se você a usa, provavelmente você é o Léo Madeira.
Update:
Outras expressões repulsivas:
- "balada";
- "monopólio da ética".
- "dar muito beijo na boca";
- "muita gente bonita";
- "ver por dois ângulos principais";
- "básico";
- "é relativo".
É importante frisar que as primeiras duas expressões remetem imediatamente a Hebe Camargo. Ou seja, se você as usa, já usou, pensa ou pensou nelas, ceteris paribus, você é Hebe Camargo. Questão puramente lógica, ou erro em minha reflexão?
Provo-a com um exemplo simples. Basta imaginar Hebe Camargo conversando com a ex-Casa dos Artistas Mari Alexandre:
Mari Alexandre: Sabe, Hebe, é que ainda estou estudando as propostas das revistas para posar nua. Ainda não surgiu uma proposta que me balançasse. (E dá uma balançadinha na cabeça enquanto fala "balançasse".)
Hebe: Tem que fazer isso mesmo. E você, jovem e bonita, tem mais é que aproveitar a vida, sair por aí e dar muito beijo na boca!
A terceira e a última expressões não precisam nem de explicações, porque, ora, que coisa horrível é alguém chegar e dizer na sua cara para você olhar de dois ângulos um assunto, e que o assunto é todo relativo, e que você não pode dar "essa explicação tão simplista", e essas coisas. Enfim, não vou me estender neste ponto, parece-me óbvio.
Ah, e "básico". "Para sair para a night, você põe aquele jeans básico." Note que "básico" é expressão predominantemente usada por VJs da MTV. Isto significa que, se você a usa, provavelmente você é o Léo Madeira.
Update:
Outras expressões repulsivas:
- "balada";
- "monopólio da ética".
1 de agosto de 2005
Perguntão
Apreciaria por demais se alguém me explicasse por que a Nova York dos filmes está constantemente em incêndio, como neste filme que vejo agora, no Corujão, às quatro da manhã, em que ocorre uma briga no metrô da cidade com muita fumaça ao fundo. O que é aquilo? Fumaça mesmo? Vultos? Gás lacrimogêneo? Peidos? Vejam, neste momento a cena acaba de mudar para dentro da casa da pessoa e continua aquela fumaça passando. A noite de Nova York tem tanta fumaça assim? Estou ficando louco com esta dúvida.
Mas mudo de assunto. Deixe-me contar que, ontem, um meu tio e sua mulher, que moram no interior de Pernambuco e, portanto, não podem nos visitar freqüentemente, vieram à minha casa e ficaram aqui durante umas três ou quatro horas, conversando frivolidades com minha mãe, enfim, matando as saudades, vez que eles vêm poucas vezes para a parte do estado que mais se aproxima da civilização.
Minha mãe lhes entreteu mostrando os encantos do mundo moderno, deixando-os maravilhados com coisas como fósforos ("Santo Deus, é só riscar nessa parte marrom da caixa que acende?") e velcro ("Olha como cola um lado no outro!"), e, ademais, ela se divertiu conversando com parentes que quase nunca vê. O ponto é que, ao irem os dois embora, ela veio me reclamar: "Olha só, perdi minha novela!"
E, bem, isso sempre acontece. Certo dia, não brinco, veio nossa velha vizinha, Dona Saudade, aqui em casa para conversar às nove e meia da manhã. Passaram aproximadamente quinze minutos conversando, até que Dona Saudade ficou com sono, ou alguma coisa assim, nunca se sabe, e voltou para casa. Isso fez com que minha mãe irresignadamente corresse até mim para queixar-se: "Olha só, perdi minha novela!"
Mamãe sempre perde ou perderá uma novela, por mais estranha que seja a hora em que acontecem as visitas, o que nos leva a perguntas lógicas, pois hoje estou perguntão e vou explorar os comentaristas deste blog: 1) Quantas novelas passam na TV aberta brasileira e elas passam em horários esparsos como as visitas à minha casa? 2) De manhã passa novela ou a TV Globinho é uma novela? 3) Qual a duração média de cada capítulo das novelas nacionais?
Muito grato pelas respostas, embora a questão da fumaça seja muito mais aflitiva, e talvez responda por que Nova York fede tanto. (Nada contra, mesmo, mesmo, mas é que fede, vou dizer o quê? E tem aqueles ratos asquerosos.)
Mas mudo de assunto. Deixe-me contar que, ontem, um meu tio e sua mulher, que moram no interior de Pernambuco e, portanto, não podem nos visitar freqüentemente, vieram à minha casa e ficaram aqui durante umas três ou quatro horas, conversando frivolidades com minha mãe, enfim, matando as saudades, vez que eles vêm poucas vezes para a parte do estado que mais se aproxima da civilização.
Minha mãe lhes entreteu mostrando os encantos do mundo moderno, deixando-os maravilhados com coisas como fósforos ("Santo Deus, é só riscar nessa parte marrom da caixa que acende?") e velcro ("Olha como cola um lado no outro!"), e, ademais, ela se divertiu conversando com parentes que quase nunca vê. O ponto é que, ao irem os dois embora, ela veio me reclamar: "Olha só, perdi minha novela!"
E, bem, isso sempre acontece. Certo dia, não brinco, veio nossa velha vizinha, Dona Saudade, aqui em casa para conversar às nove e meia da manhã. Passaram aproximadamente quinze minutos conversando, até que Dona Saudade ficou com sono, ou alguma coisa assim, nunca se sabe, e voltou para casa. Isso fez com que minha mãe irresignadamente corresse até mim para queixar-se: "Olha só, perdi minha novela!"
Mamãe sempre perde ou perderá uma novela, por mais estranha que seja a hora em que acontecem as visitas, o que nos leva a perguntas lógicas, pois hoje estou perguntão e vou explorar os comentaristas deste blog: 1) Quantas novelas passam na TV aberta brasileira e elas passam em horários esparsos como as visitas à minha casa? 2) De manhã passa novela ou a TV Globinho é uma novela? 3) Qual a duração média de cada capítulo das novelas nacionais?
Muito grato pelas respostas, embora a questão da fumaça seja muito mais aflitiva, e talvez responda por que Nova York fede tanto. (Nada contra, mesmo, mesmo, mas é que fede, vou dizer o quê? E tem aqueles ratos asquerosos.)
28 de julho de 2005
Japoneses
Vi há algum tempo no Globo Repórter que as crianças japonesas do ensino fundamental usam capacetes quando na escola. É por isso que o Brasil continuará perpetuamente sendo um país de terceiro mundo, porque sua bandeira é muito feia, com aquele bordão horroroso no meio, e também porque os brasileiros ignoram que suas crianças podem, de uma hora para outra, começar a bater a cabeça na parede sem motivo aparente.
Os japoneses sabem que não dá para confiar no discernimento das crianças e colocam capacetes nelas, e por isso são os segundos no mundo - também por causa da bandeira deles, que só tem uma bola no meio e é muito divertida de desenhar, ao contrário da nossa, muito complexa; nunca acertarei a posição das estrelinhas, mesmo tentando desenhá-las em todos os dias de minha vida.
Como quero ser lembrado como alguém bem pouco patriotinha, reproduzirei aqui uma citação de Nelson Rodrigues, para mostrar que sou muito conservador e que cuspo no Brasil e nos brasileiros: "O brasileiro é o povo mais idiota do mundo pois, ao contrário do japonês, não faz com que suas crianças usem capacetes para se protegerem de impulsos doentios de bater a cabeça na parede sem motivo aparente."
Seu Nelson falou, tá falado!
Os japoneses sabem que não dá para confiar no discernimento das crianças e colocam capacetes nelas, e por isso são os segundos no mundo - também por causa da bandeira deles, que só tem uma bola no meio e é muito divertida de desenhar, ao contrário da nossa, muito complexa; nunca acertarei a posição das estrelinhas, mesmo tentando desenhá-las em todos os dias de minha vida.
Como quero ser lembrado como alguém bem pouco patriotinha, reproduzirei aqui uma citação de Nelson Rodrigues, para mostrar que sou muito conservador e que cuspo no Brasil e nos brasileiros: "O brasileiro é o povo mais idiota do mundo pois, ao contrário do japonês, não faz com que suas crianças usem capacetes para se protegerem de impulsos doentios de bater a cabeça na parede sem motivo aparente."
Seu Nelson falou, tá falado!
27 de julho de 2005
Menina de olho
A emocionante história de uma boxeadora que fica tetraplégica, sem poder nem mesmo falar. Seu treinador lhe dá a opção do suicídio assistido: ela deveria piscar se quisesse morrer ou ficar com os olhos abertos se quisesse continuar vivendo. O filme termina com o falecimento da ex-boxeadora graças a uma infecção generalizada, provavelmente ocorrida graças a uma sujeira que caiu em seu olho.
Breve nos cinemas.
Breve nos cinemas.
19 de julho de 2005
Conto do banheiro
O banheiro do shopping estava vazio, até que dois homens, ambos altos e fortes, ora se não eram, entraram, trancaram-se em cubículos vizinhos e puseram-se a urinar. Passaram-se alguns segundos de silêncio, somente com o barulho característico das urinas tocando na água da privada, você sabe, e um dos homens acabou por se irritar:
- Que barulho enjoado! Mija na louça! - disse.
- Tá falando comigo? - o outro rapaz indagou.
- Claro!
- E o que você quer?
- Mija na louça!
- Hã?!
- Mija na louça da privada! Tá fazendo barulho!
Os dois se calam por alguns minutos, pois, como já deve ser de conhecimento dos leitores, a mijada de ambos personagens desta anedota, para fins fabulísticos, demora várias horas. Ambos continuam a mijar, o rapaz se irrita novamente e diz, com um tom mais agressivo:
- Mira o mijo na louça do vaso!
- Ah, é muito difícil! Não vou fazer isso, não!
- Mas e esse barulho?
- Vai ter que agüentar!
- Ah, não vou, não! Ouvi dizer que, para fins fabulísticos, nosso mijo demora várias horas! Vou enlouquecer com esse barulho! Você vai ter que mijar na louça!
Então, o rapaz, o que estava exasperado por causa do ruído do mijo alheio ao bater na água, mira sua urina para o chão, para que ela escorra até os pés do vizinho:
- Epa, o que é isso? - o rapaz do cubículo ao lado pergunta, enquanto tenta se manter urinando na privada e sacode os pés, esforçando-se para se livrar do líquido.
- E aí, vai mijar na louça?
- Pára de mijar no meu pé!
- Nunca!
- Vou mijar na sua cabeça! - disse, enquanto subia no vaso e mirava sua urina para que ela passasse por cima da divisória dos cubículos e acertasse o vizinho.
- Porra! - o outro exclamou quando sentiu sua careca molhada, e saiu correndo do cubículo, colocando o pinto para dentro da calça.
Ao sair de lá, ele foi lavar as mãos. Viu o outro se aproximar um tempo depois, já que, para fins de fábula, os personagens desta história também demoram várias horas lavando as mãos. Chegou e os dois ficaram enxaguando as mãos em pias próximas durante alguns minutos. Passou-se um tempo e o que havia começado a lavar mão primeiro virou para o outro:
- Mira a água no ralo. Tá fazendo barulho.
- Que barulho enjoado! Mija na louça! - disse.
- Tá falando comigo? - o outro rapaz indagou.
- Claro!
- E o que você quer?
- Mija na louça!
- Hã?!
- Mija na louça da privada! Tá fazendo barulho!
Os dois se calam por alguns minutos, pois, como já deve ser de conhecimento dos leitores, a mijada de ambos personagens desta anedota, para fins fabulísticos, demora várias horas. Ambos continuam a mijar, o rapaz se irrita novamente e diz, com um tom mais agressivo:
- Mira o mijo na louça do vaso!
- Ah, é muito difícil! Não vou fazer isso, não!
- Mas e esse barulho?
- Vai ter que agüentar!
- Ah, não vou, não! Ouvi dizer que, para fins fabulísticos, nosso mijo demora várias horas! Vou enlouquecer com esse barulho! Você vai ter que mijar na louça!
Então, o rapaz, o que estava exasperado por causa do ruído do mijo alheio ao bater na água, mira sua urina para o chão, para que ela escorra até os pés do vizinho:
- Epa, o que é isso? - o rapaz do cubículo ao lado pergunta, enquanto tenta se manter urinando na privada e sacode os pés, esforçando-se para se livrar do líquido.
- E aí, vai mijar na louça?
- Pára de mijar no meu pé!
- Nunca!
- Vou mijar na sua cabeça! - disse, enquanto subia no vaso e mirava sua urina para que ela passasse por cima da divisória dos cubículos e acertasse o vizinho.
- Porra! - o outro exclamou quando sentiu sua careca molhada, e saiu correndo do cubículo, colocando o pinto para dentro da calça.
Ao sair de lá, ele foi lavar as mãos. Viu o outro se aproximar um tempo depois, já que, para fins de fábula, os personagens desta história também demoram várias horas lavando as mãos. Chegou e os dois ficaram enxaguando as mãos em pias próximas durante alguns minutos. Passou-se um tempo e o que havia começado a lavar mão primeiro virou para o outro:
- Mira a água no ralo. Tá fazendo barulho.
Assinar:
Postagens (Atom)