9 de dezembro de 2015

Apropos do impeachment



Para os governistas do Facebook, o único jeito de a presidente cair é se aparecer uma gravação em que ela recebe sacos de dinheiro com cifrões desenhados do lado de fora de um cara da Odebrecht.

A Dilma tem que rir malignamente depois de receber o dinheiro.

O cara da Odebrecht tem que ser um sósia do Dick Vigarista e deve acariciar o próprio bigode e olhar para a câmera antes de entregar a grana.

Quando a Dilma receber o dinheiro, ela deve agradecer em voz alta dizendo: "Obrigado por este dinheiro sujo, corrupto da Odebrecht. Aceitarei este dinheiro sujo pois sou uma pessoa corrupta que só quer prejudicar o povo brasileiro para benefício próprio. Eu mereceria prisão se me vissem neste momento. Ainda bem que meu ato criminoso e moralmente repreensível jamais será descoberto!"

Menos do que isso não significa nada.

1 de dezembro de 2015

Hitler assassinado



O progresso da ciência ocorre pela necessidade — e qual não foi a supresa da humanidade ao notar que uma das suas necessidades mais persistentes, a de voltar no tempo e matar Hitler, havia sido atendida.

Desde 30 de abril de 1945, a humanidade se encontrava bem tristinha, macambúzia, sem saber o que fazer, chutando pedrinhas, porque ninguém mais poderia ter o prazer de tirar a vida do sanguinário ditador. Em 2015, porém, seu desejo foi atendido e as pessoas passaram a formar uma fila para entrar no portal direto para Berlim circa 1933, pós-incêndio do Reichstag, quando Hitler e os nazistas já eram bem ruins, mas não tinha rolado ainda toda aquela parada problemática dos campos de concentração

(Era uma grande preocupação dos nossos cientistas evitarem que os prospectivos time travelers evitassem qualquer situação pré-crime, de condenar Hitler por crimes ainda não cometidos, mas que ele inevitavelmente cometeria, pois era Hitler. Questão moral, precisamos ter agência e conceder o benefício da dúvida para as pessoas, mesmo que essas pessoas sejam sanguinários ditadores racistas que já cometeram crimes no passado que se tornará o futuro.)

Apesar dos altos preços da viagem no tempo, acessíveis somente ao 1%, se muito, o número de pessoas que voltou ao passado era espantoso. Famílias inteiras juntaram suas economias de uma vida para enviar seus melhores assassins ao passado. (Judeus curiosamente sub-representados, mas pagaram muitos mercenários para tomarem seu lugar; sempre racionais, não vão se arriscar fisicamente no pretérito quando podem continuar ganhando Nobéis no presente.)

A surpresa foi generalizada para os viajantes ao perceberem que não haviam sido automaticamente transportados para o gabinete do ditador, mas sim para pontos aleatórios da então altamente policiada e vigiada capital alemã. Entre os milhares de sujeitos, começava então uma corrida para ver quem conseguiria chegar primeiro até Hitler.

Nesse interim, muitos foram presos. A SS não conseguia compreender donde surgiam tantos revoltosos, a maioria dos quais mal falava três palavras de alemão. As fronteiras estavam seguras, as fábricas tinham olhos, as ruas policiadas. Mesmo assim, brotavam potenciais assassinos do Führer; as autoridades não conseguiam contê-los.

Os únicos que conseguiam parar os time travelers justiceiros eram os próprios time travelers justiceiros. Conseguiam se identificar e corriam para chegar o mais rápido possível até a sede da chancelaria. Muitos nem sabiam onde se encontrava o tal prédio, agiam em manada, seguiam uns os outros. Logo, milhares de pessoas cercaram o local, prontos para entrar -- mas olharam uns para os outros e perceberam que não teriam o privilégio de matar Hitler por conta própria: teriam que disputar com outros cretinos que total não mereciam aquela glória e alegria.

Perceberam que seus interesses eram opostos, conflitantes, que o sonho dum era também doutro, que se um seria lembrado no futuro como assassino de Hitler, o outro não seria, que todos a não ser um não chegariam a ser nota de rodapé nos livros de história da época de que saíram.

Começaram a se matar. Como em Hotline Miami, um golpe era suficiente para matar, porque não tem ninguém tanking neste conto. Alguns usaram tijolos, pedaços de pau, cassetetes que haviam transportado de 2015. Ocasionalmente um sobrevivia mais tempo, agonizava, acabava pisoteado.

Só um fulano, o cara mais normal, mais mediano e, por isso, imperceptível, passou pelas frestas, adentrou o palácio incólume e chegou até Hitler. Aquele era o momento. Ele poderia vingar todo um povo que viria a morrer num futuro que deixaria de acontecer. Ele poderia ser um herói para sempre lembrado em todos os livros de história.

Hitler só notou a presença do seu assassino quando ele já erguia a faca que havia trazido. Mas na hora do golpe, Hitler mostrou um lampejo de humanidade em seus olhos. Era notável. O viajante do tempo não conseguiu matá-lo. Percebeu que ali, na verdade, vivia uma pessoa assustada, escrava das próprias ações, uma boa pessoa no cárcere que montou para si mesma, existencialistamente.

Ficaram amigos. Hitler deixou de ser o ditador maléfico da Alemanha nazista e não chegou a cometer nenhuma das atrocidades por que lembramos dele. Na verdade, se você parar pra pensar, nem deve mais lembrar de fato o que Hitler teria feito, porque suas ditadorzices foram todas apagadas pelo poder da ciência & do amor.

Com seu novo amigo, Hitler descobriu o poder da amizade, do afeto e do carinho. Não mais tentou dominar toda a Europa pela força, pela violência, tanques e blitzkriegs, mas sim com discursos emotivos, com o coração pulsante, com o poder contagiante de sua bondade. Hitler era um cara carismático, para bem e para mal, e fez questão de exibir seu amigo em toda a sua turnê europeia, que uniu todos os povos sob a bandeira do amor. Toda a questão com a Polônia foi resolvida quando os alemães estacionaram seus Fuscas e deram flores a toda a população. Como André Singer, os nazistas sabiam que, para resolver todo atrito, o que precisava haver era uma aliança de todos, dando as mãos, como amiguinhos, reconhecendo os laços fraternos de toda a vida humana, esquecendo por ora aquela vibe stormfront que tinham encampado no começo como delírios adolescentes.

Enquanto isso, aqueles que guerrearam na frente do palácio da chancelaria e sobreviveram, os milhares ainda restantes, se recolheram e continuaram a armar. Fundaram, ilegalmente, embora sem repressão -- pois Hitler só acreditava na amizade --, o Partido Antihitlerista.

Na clandestinidade, não acreditavam nem por um segundo na mudança do ditador, cujas roupas deixavam os tons rígidos e agora adotavam coisas mais carinhosas como o azul bebê, o verde pálido e o rosa calcinha.

Meses após a mudança, Hitler anunciara que havia dominado toda a Europa -- não pela violência, mas pela compaixão, fazendo com que todos os líderes ocidentais finalmente olhassem nos olhos uns dos outros e se compreendessem. A Europa havia se tornado o "espaço vital" alemão, onde só "vigoraria o amor, para todo o sempre".

Durante o anúncio da conquista, os membros do Partido Antihitlerista finalmente têm sucesso no assasinato do antes ditador, agora amigo do povo, Hitler. Jamais confiaram nos seus novos ideais e, no escarcéu resultante, tomaram o poder. Golpe bem sucedido, nível CIA na Guatemala, talvez até nível CIA no Irã.

Sedentos por sangue, os antihitleristas dominaram toda a Europa, governaram com mão de ferro, apossaram-se de todo o aparato educacional, pretendendo ensinar às crianças tudo o que precisam para não se tornarem novos Hitlers, educando-as para os horrores da visão de mundo nazista enquanto punem dissidentes.

Tudo o que era necessário para que as pessoas se esquecerem-se do pesadelo que foi Hitler foi instaurado: grandes passeatas de lembrança do que Hitler significava, outdoors que forçavam as pessoas a se lembrarem do trauma que Hitler foi, policiamento ostensivo e vigilante de todas as esquinas para evitar o surgimento de novos sentimentos hitleristas.

Hitler foi destruído.

10 de junho de 2015

Não deixa o Conselho Federal de Psicologia saber o que tá acontecendo no futebol da Globo


Scott Pilgrim knows what's up

Uma das coisas que mais aprecio, e que tenho certeza que o telespectador desatento da programação do futebol no Brasil jamais nota, é que nossos comentaristas de arbitragem não se atêm a questões meramente técnicas. Não se prendem ao livro de regras. Não pretendem simplesmente dizer que aquela voadora foi falta ou lance-normal-segue-o-jogo.

Não.

A melhor parte do comentário nacional sobre a arbitragem de futebol são as análises psicológicas. Uma rica tradição encabeçada por Arnaldo Cézar Coelho que poucas pessoas percebem porque em geral ficam putas com os comentários merdosos que ele faz durante as transmissões de jogos.

Claro, óbvio que foi pênalti do Daniel Alves no Pogba na final da Champions, e claro que o Arnaldo falou merda dizendo que não foi, mas a melhor parte era quando ele ficava falando que o juiz estava nervoso.

Frases típicas do comentário sobre arbitragem nacional:
"Ele tá nervoso, tá perdendo o controle da partida."
"Agora ele não quer mais saber de jogo, vai apitar tudo."
"Vai dar 3 minutos só. Ele quer acabar esse jogo logo antes que se complique."
Gosto desse bate bola do Galvão e do Arnaldo falando das condições psicológicas do juiz. O problema nunca se deve à má aplicação das regras. Os problemas durante a partida são sempre um embate entre a subjetividade do árbitro e a subjetividade dos jogadores.

É uma coisa bem pós-moderna, bem faculdade de humanas. Arnaldo e Galvão estão discutindo para milhões de pessoas as dinâmicas psíquicas do poder dentro do campo de futebol e ninguém nota essa maravilhosa interação. Se der mole, dava até pra inserir uma citação a Foucault no meio e nem ia ficar deslocado.

Para a escola Arnaldo Cézar Coelho, o árbitro tem autoridade, mas ele deve exercê-la para não perder. Ele tem que instigar um temor psicológico nos jogadores. Ele tem que "manter o controle" do jogo. E quando ele faz "uma lambança", é porque estava "inseguro" e era psicologicamente incapaz de exercer a função.

A gente acha que tudo isso é normal, mas é coisa brasileira. Ninguém no exterior fica divagando sobre o estado mental dos árbitros. Pra eles, foda-se, mané autoridade. Para nós, não basta recitar o livro de regras. A gente tem que entender as motivações dos nossos juízes. Só assim a gente consegue racionalizar as decisões bosta que eles tomam.

É uma inovação da nossa locução esportiva que eu espero que sobreviva ao Arnaldo.

Mas total foi bem anulado o gol do Neymar de mão. Caralho, tem nem como discutir.

18 de março de 2015

Postscript



E viveram felizes para sempre.

Foi assim que a história desse casal, homem & mulher, terminou e uma nova fase em suas vidas começou. Antes da frase "E viveram felizes para sempre", os dois passaram por uns maus bocados, te contar. Mas superaram tudo, ficaram juntos apesar de toda a oposição dos inimigos e nunca mais deixaram de ser felizes. Nunca mais.

"E viveram felizes para sempre" foi um encanto, mais provavelmente maldição. Os dois se tornaram literalmente incapazes de sentir tristeza ou infelicidade.

Sério. Sua felicidade era inabalável, meio bizarra, assustadora. Amigos comentavam, cochichavam entre si, mandavam fotos no WhatsApp -- e no Telegram que é bem melhor, eram amigos inteligentes for the most part -- mostrando o casal sorrindo, rindo, eufórico, em qualquer situação, especialmente nas mais inapropriadas. Mantinham distância porque tinham medo de serem sugados para a loucura daquela felicidade eterna.

A mãe do homem morreu, mas ele estava lá no funeral com sua esposa, gritando para os céus que a vida era incrível, o quanto tudo aquilo valia a pena viver, que a morte de sua mãe foi o melhor que lhe poderia ter acontecido, e que no dia seguinte ele estaria mandando um rapel na Chapada Diamantina. Chamou os parentes para participarem. Sua esposa, no mesmo funeral, enfatizou sua alegria por estar presente naquele momento mágico, destacou seu amor pela falecida sogra e anunciou aos presentes sua gravidez. Os presentes, de luto de cima a baixo, não sabiam se felicitavam o casal ou prestavam suas condolências.

A gravidez foi de trigêmeos. Chegou ao quinto mês, mas a mulher caiu das escadas de seu apartamento. Seu marido ria enquanto a mulher sangrava no chão. "Que maravilha", "que sensação fantástica", exclamavam enquanto o médico fazia a curetagem após o inevitável aborto. Postaram uma foto no Instagram -- a mulher pálida e anêmica, mas com um sorriso de orelha a orelha.

O casal continuava feliz, sempre. Contra todos os prognósticos, parecia estar cada vez mais satisfeito. O perfil dos dois no Facebook -- sim, como no Orkut, mantinham um perfil de casal --, porém, não mentia. Eles mostravam para todos que estavam felizes, alegres e postavam sobre cada situação, mesmo as mais deprimentes. O que outras pessoas esconderiam na internet, eles usavam no peito como medalha, como prova de que o mundo era benigno. Capotaram o carro certa vez. O carro explodiu e publicaram foto do desastre na timeline falando da beleza do fogo.

O homem havia se tornado analista de sistemas numa megacorp, amava o trabalho, vestia a camisa da empresa, explodia de emoção a cada exercício de team building dos recursos humanos. Dinâmicas de grupo só lhe davam mais oportunidades para espalhar seu panglossianismo pelos quatro cantos do universo. Seu chefe pedia, como chefes fazem pra não ter que pagar um salário decente, 110% de dedicação. Ele dava 120%. Quando resolveram cortar pessoal, perguntaram se aceitaria 30% a menos no seu salário para continuar com a empresa. Ele falou para reduzirem 50%, porque nós só vivemos uma vez, somos resto das estrelas, o importante é se desapegar e ter em mente o que realmente importa, o milagre que é estarmos vivos.

A mulher, depois da interrupção da gravidez, voltou a seu trabalho e foi demitida logo a seguir. Era coisa legalmente duvidosa, só que ela não se importava. Estava fisicamente debilitada, mal conseguia andar por muito tempo, mas espiritualmente parecia estar ainda mais contente.

O casal chegou ao abismo financeiro. Perderam a casa e quando pessoas próximas buscavam ajudá-los, diziam que estavam felizes, bem, nada poderia estar mais perfeito em suas vidas. Suas famílias tentavam intervir, sem sucesso.

Os pais da mulher conseguiram, finalmente, intervir e enviá-la para instituição psiquiátrica. No manicômio, ainda parecia sorridente a cada vez que era presa a uma cama. Não conseguia falar, dopada, mas seu semblante traía seu entusiasmo por estar naquele local, envolvida por aquelas pessoas únicas.

Já o homem viveu nas ruas por um tempo. Não sentia falta de sua esposa, porque estava sempre ocupado pensando sobre como vivemos no melhor dos mundos possíveis. Eventualmente foi atropelado enquanto vagava durante uma noite admirando as sombras nas ruas. Seu para sempre terminou ali.

Meu dedo está no Print Screen, meus inimigos não têm onde se esconder



Ludwig Wittgenstein, em seu Tractatus Logico-Philosophicus ("Tratado Lógico-Filosófico", pros menos boiola) detalhou o relacionamento da linguagem com a realidade, os limites da ciência, da lógica e o caralho, elaborando 7 teses principais que eu total não entendi.

NÃO OBSTANTE, acho que todos podemos concordar que, neste 2015 da graça do Senhor, devemos acrescentar um postulado às 07 teses originais de Wittgenstein, a saber:
8. Aquele que printar o comentário informal no Facebook de uma pessoa aleatória, e postar tal print como forma de ridicularizar essa pessoa, automaticamente vence o debate e está logicamente correto e é irrefutável.
A internet e as redes sociais mudaram a forma como interagimos e debatemos uns com os outros. E a forma como fazemos isso no Facebook é tirando prints da tela e salvando imagens pra escrotizar pessoas da ideologia oposta.

É inacreditável que outras culturas e épocas não dispusessem desse método para resolver indubitavelmente e de uma só tacada todas as questões.

E se você quer ficar com aquela sensação de alegria e aconchego, aquela satisfação que somente estar certo pode oferecer, você também pode ganhar um debate agora mesmo! Basta entrar no Facebook, printar o comentário de uma pessoa qualquer por aí e postá-lo em seu perfil &/ou em páginas ou em grupos de pessoas ideologicamente similares para linchamento coletivo.

Nada pode fazer você se sentir melhor, mais correto e justo do que ridicularizar o comentário de um anônimo na internet.

PS.: Não é necessário printar o comentário de alguém relevante. O que você quer? Debate com nuances ou vitória esmagadora? Então não sai salvando imagens com comentários de pessoas com alguma credibilidade pra não dificultar o seu lado, hein. Literalmente qualquer idiota serve pra você provar que tá certo.

Línguas são fascinantes


Take it, take it.

Este é o lead de notícia recente do Estado de S. (por que nem ela nem a Folha usam o "ão"?) Paulo:
BAURU - "Melhor morrer de vodka (vodca) do que de tédio." A frase do poeta russo Vladimir Maiakóvski está entre as citações favoritas do estudante de Engenharia Elétrica Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, em seu perfil no Facebook. O jovem morreu após sofrer coma alcoólico durante festa organizada por alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru, no interior de São Paulo, no sábado, 28.
Nota: Apesar dos avançados mecanismos anticópia do jornal, eu fui capaz de burlá-los e postei este trecho do texto aqui, pois sou um hacker e não tenho medo das consequências desse ato de radical violação da propriedade intelectual da Estadão Corp.

Anyway, a notícia, que fala desse moleque que bebeu até morrer, como acontece de vez em quando, começa assim:
"Melhor morrer de vodka (vodca) do que de tédio."
Olha, na moral, vou ter que agradecer aqui à edição deste centenário jornal por ter colocado entre parênteses a tradução da misteriosa palavra "vodka". É "vodca".

Direto eu lia a palavra "vodka" e pensava "Nuss, que diabos é isso?", sem jamais ter minha dúvida esclarecida. Olhava-me no espelho diariamente, minha expressão cada vez mais decadente. "Ora, diabos! O que é esta infame 'vodka'?", eu me perguntava, enquanto andava pelo meu quarto em movimento circular, colocando os braços na minha frente, com as palmas viradas para o alto, em expressão de dúvida exasperante.

Mas finalmente a família brasileira pode dormir sossegada porque foi sanada a dúvida daqueles que não têm tempo para pagar 360 horas-aula de curso do idioma russo.

Vodka significa vodca. Who knew?

Me lembra um pouco de quando eu era moleque e li num gibi (caramba, lembra dessa palavra, "gibi"?) do Cebolinha que ele ia jogar "videogueime".

3 de fevereiro de 2015

O Cigano pode começar a comentar as próximas lutas explicando o que é um nocaute


Galvão Bueno narrando futebol como narra MMA:

-- A bola acaba de sair dos limites do campo de jogo, isso é o que se chama de "escanteio", não é, Casão?
-- Na verdade, Galvão, isso é um tiro de meta, que é quando o time adversário foi o último a tocar na bola antes de ela sair.
-- Ah, bom. Lá vai o jogador do time. Pegou a bola, segurou, passou da perna direita para a esquerda e foi avançando. Opa! Pode isso, Arnaldo?
-- Não pode, Galvão. A regra é clara, isso é o que se chama de "falta", quando o jogador tem o progresso impedido por outro de forma violenta.
-- E pra ganhar o jogo tem que marcar gols, não é isso?
-- Pois é, os gols somam pontos. Quem marcar mais pontos vence a partida.

* * *

Fórmula 1 já era, ninguém que importa assiste mais, e a Globo agora quer adotar o MMA como o próximo fenômeno esportivo brasileiro suplementar ao futebol -- já que o vôlei não deu certo nem com público patrocinado.

Mas já que a Globo acha que o amigo telespectador nunca vai entender as técnicas e regras do MMA, acho que eles deviam ser consistentes e passar a narrar todos os esportes como se o público fosse completamente retardado. "Opa, a bola bateu no chão e é ponto, não é, Tande?" "Hortência, não pode avançar sem quicar a bola no chão, não é isso?" "Ganha quem corre mais rápido até a linha de chegada!"