10 de abril de 2014

Spoilers de Game of Thrones


Segundo J.P. Coutinho, ebooks são coisa do passado, o futuro é o papel, caneta e hoverboards. Parece que os coitados dos ebooks vendem menos atualmente porque não dá pra colocar como display pra ficar tirando onda pra cima da visita, naquela pagação punhetística de culto intelectual.

Na real, livro é só ostentação e a parte de realmente sacar as palavras que estão impressas do lado de dentro é negócio secundário:

— Veja aquele tomo de 30 mil páginas de Guerra e Paz que posicionei estrategicamente sobre minha estante, provando que li todo o livro, inclusive aquela parte bizarrona descrevendo a campanha napoleônica na Rússia que é totalmente dispensável do ponto de vista literário, não adiciona nada à narrativa, mas Tolstói tava no embalo quando foi escrever, ninguém quis mandar ele parar, né — deseja você dizer.

Honestamente, não sei por que neguinho gosta tanto de livros físicos, porque eu odeio e sou incapaz de ter empatia, como stand-up comedians (já reparou que...? não entendo por que...).

Gosto muito de não ter um monte de livro entulhando minha estante, estamos no século da sustentabilidade, vamos nos desprender das posses materiais e viver com o mínimo. Quer dizer, ter uma estante mostrando um monte de lombada de livro é a maior idiotice e me lembra da época que eu queria ter uma enorme coleção de video games retrô.

Hoje em dia, penso na mazela que seria a limpeza das minhas estantes de fileiras de cartuchos de Mega Drive e fico feliz por ter acumulado uma grande coleção de jogos que não tomam nenhum espaço do meu quarto na biblioteca no Steam. Olho para as minhas paredes e não penso que estou numa locadora dos anos 90, posso até colocar uma decoração aqui no canto. Em vez de fita de video game, uma samambaia. Em vez de livros, um abajur.

Deve ser por isso que todo mundo quer ficar se agarrando a livro físico, porque senão vai ter que demonstrar bom gosto em decoração e todo mundo sabe que geral é meio retarda na hora embonitar o recinto.

— Mas eu não gosto do ebook porque não dá pra tocar o livro, não dá pra sentir o cheiro, a textura.

Puta fetiche loucão que geral tem por encostar em papel e sentir cheiro de papel, parada borderline sexual. Só que é pura hipocrisia, porque não tô vendo ninguém entrando numa xerox de universidade e ficando molhadinho: "Hmm, cheiro de papel impresso, dlç".

Se você realmente gosta tanto de papel assim, compra uma resma de Chamex, mó papel fodaço m1l gr4u, você vai poder passar no corpo inteiro e se deleitar com a textura. Abraça, se joga em cima, lambe.

You'll have your cake and eat it too. Vai ter todos os prazeres que somente a fibra vegetal do papel pode proporcionar e vai poder de fato ler os ebooks.

2 de abril de 2014

O ultrajante final de How I Met Your Mother


ATENÇÃO: Este post não foi patrocinado por nenhuma empresa, mas se a Asics quiser me pagar, mande email. Já aceito bitcoin.

O product placement da Asics em Além do Peso, reality show feat. obesidade da Record, foi bastante efetivo e eu adquiri meu novo par de pisantes para academia ontem, o que melhorou drasticamente meu desempenho em corridas. Usava antes um par Mizuno, que era bastante respeitável, mas que teve muito trabalho no ano de que nos despedimos, a parada tava toda gastona e correr com aquilo era chutar o chão, muito palha. Na moral, o desgaste já tava chegando na terceira camada de borracha nas laterais.

Ficara me sentindo um dos próprios participantes de 160+ kg do Além do Peso, pensa só na pressão que a mulambada coloca no pé na corrida, é praticamente martelar o pobre coitado. Aí não dava. Descobri, também por causa do programa, que minha pisada é supinada, ou cava, o que significa basicamente que eu sou todo torto e errado no meu trote, e portanto otimizei minha experiência de compra de calçados para malhação, procurando um que oferecesse suporte integral ao meu pé e sua pisada.

Todos sabem também que tênis (tênises?) de academia podem ter esquemas de cores bizarrões, é uma parada aceita socialmente, né. Meu par é prateado e grafite com detalhes vermelhos; tinha um preto com detalhes dourados, mas custava R$ 999,90, então decidi, como a Rainha Hortência, que prata é mais bonita e desprezei o ouro.

Vlw, Asics.

Hoje, mandei 01 corrida marota, me senti pisando em plumas, e meu excelente desempenho não só liberou dopamina por eu estar executando um excelente exercício aeróbico, mas também pela satisfação de ter gastado meu suado cash money de forma acertada. O sorriso de alegria do consumidor satisfeito, sensação única.

Um amigo certa vez me disse a mim que corre descalço, porque usar tênis faz mal para o pé, o corpo humano foi feito para a locomoção sem calçados, tênis não existem na natureza, etc. Nunca entendi o que ele quis dizer, porque asfalto também não existe na natureza e ele fica esfolando o pé nele como se fosse natural.

Puta mongolice, ele precisa de uma intervenção educativa de um infomercial da Asics.

Iniciativas educativas são algo por que nutro grande carinho, todo mundo sabe, e estou agora tentando emplacar meu livro, inspirado no clássico moderno Quem ama, educa! de Içami Tiba, chamado Quem ama, não usa vírgulas entre sujeito e predicado!. Estou no aguardo da resposta das editoras, mas acho que no mais tardar em 2015 meu opúsculo vai comandar os Mais Vendidos - Não-ficção da revista Veja (revista de maior circulação no Brasil).