29 de julho de 2013

É por isso que vamos às ruas



Saindo do Brasil, uma placa do governo avisava o que a gente não poderia trazer de volta. Então tomei nota de que eu não poderia trazer carne, leite, mel, sêmen.

Opa, vai ser difícil eu não trazer sêmen.

Tô sempre fully loaded de sêmen, complicado, sou fértil assim. Na revista internacional, os funcionários do aeroporto americano onde eu aterrissei atestaram esse fato. "Erick is packing heat, if you catch my drift", lembro de eles terem falado mais de uma vez.

Estou preocupado com o retorno a meu país. O Brasil dificultou minha vida com esse banimento a sêmen. Talvez eu nunca mais seja capaz de aproveitar as benesses do carnaval, das mulatas e da caipirinha por conta de minha produção prolífica de sêmen (pun intended).

Será que essa medida levou a uma fila pra punheta no banheiro do avião pré-chegada no Brasil? Tô achando que é a única forma de escapar dessa opressão inaceitável. Tomara que eu pegue um avião com wifi, a American Airlines tem feito muita propaganda deles, provavelmente tendo em mente quem se destina ao Brasil, que precisa de uma liberação emergencial de sêmen e quer levar o iPad com o Xvideos pro WC.

22 de julho de 2013

A laughing matter


Uma das coisas que contribuíam para o clima de tensão de Crime e Castigo de Dostoiévski eram as risadas.

Marmieládov fala:

— E hoje estive em casa de Sônia e fui pedir-lhe dinheiro para beber. Ah, ah, ah!

No final a gente pode pensar que o cara está engasgando, próximo do óbito, mas na real ele só estava rindo daquele jeito cachaceiro russo típico. Ah, ah, ah! E eu me confundi várias vezes durante a leitura, mas aí 20 segundos depois eu notava que na verdade "ah, ah, ah" era uma risada e a situação toda ficava menos depressiva. Mas não muito menos, os russos só riem nos momentos errados.

Acho que esse é o maior problema da literatura brasileira, a impossibilidade de aliterar uma risada no português. "Hahahaha" faz a gente parecer colonizado, "rarará" é trademark Serginho Mallandro. Estamos sem alternativas, e não é à toa que viramos referência mundial em risadas retardadas, usando desde AEUHUEAHUEAHUAE até sakopksaopksapo.

Fiz um teste em Crime e Castigo pra ver se a gente conseguia melhorar a fluidez da leitura e acho que foi um sucesso:

— Mas por que ficas assim, tão atrapalhado! Romeu! Deixa estar que ainda hoje o hei de dizer num certo lugar. HuhaUHAUEhaeuhEHUaehuaehuaehUAE Vou fazer com que mámienhka se ria, e outra pessoa também.

Acho que vale um estudo ainda sobre o uso textual do rsrsrs, alô pós-graduações em humanas!

O autor de One Piece, mangá mais popular do mundo, teve consciência dessa dificuldade localizatória dos brasileiros e ajudou os tradutores pindoramenhos ao dar uma risada completamente sem sentido para um monte de personagem. O principal ri com "shishishi", tem um vilão que ri "shulololololo" e um cara chamado Vasco Shot que ri singelamente com "toputoputopu".

Tradutores brasileiros se beneficiariam de uma onda mais rapper e freestyle no quesito risada.