21 de agosto de 2011

Doenças epônimas e o impacto delas na história da medicina

Falei sobre o assunto uns três anos atrás, mas pensei um pouco mais na coisa, que eu agora acho ser de suma importância na medicina ocidental.

Acho muito palha que uma pessoa estude por tanto tempo uma doença, a descreva num artigo científico, inicie todo um movimento para o reconhecimento dos problemas que essa condição causa e o melhor que a tradição ocidental consegue para essa galera é dar o nome dos pesquisadores PARA A DOENÇA.

Doença de Alzheimer, de Huntington, de Chagas, de Kawasaki, de Parkinson, síndrome de Down, daltonismo, tem um monte.

Olha, no mínimo, no mínimo, deveriam dar o nome do cara para a cura.

Aposto que o sr. Cláudio Aids ficou muito decepcionado quando, tentando ajudar a humanidade, descreveu a síndrome de imunodeficiência e colocaram o nome dela de "aids". Falta de consideração total.

Imagino que emprestar o nome para doenças já tenha desestimulado muitas pesquisas médicas ao longo dos séculos. O sujeito pensa que vai ser para sempre lembrado como uma doença, já fica com pé atrás, pensa se realmente vale a pena todo aquele esforço. Milhares de doenças já devem ter deixado de ser catalogadas por esse sistema injusto e desumano de honrarias.

Sei também que existe um movimento hoje em dia para não se dar mais nome de ninguém para doenças, mas isso não resolve o problema.

Vou dar aqui de graça uma solução para a questão. Talvez ela possa ser chamada de Solução de Vasconcelos.

Se não for possível dar o nome do pesquisador para a cura da doença que ele descreveu, que ele possa usar o nome do inimigo.

Haveria um estímulo muito maior para a pesquisa das doenças. Pensa bem, tem o cara lá vendo uma multiplicação anormal das células de uma determinada região do corpo, vê que aquilo é um problema e fala "Hahaha! Vou trollar esse cretino do meu vizinho, o Otávio Câncer".

A comunidade médica instantaneamente ficaria menos inibida e isso estimularia as pessoas a não serem babacas, para não acabarem emprestando o nome para uma causa de morte qualquer por aí.

17 de agosto de 2011

Gays: arautos da repressão moral

Meu texto sobre adoção gay, grande sucesso de público e crítica, inspiração para legislações mundo afora, acirrou os ânimos de diversos comentaristas anônimos.

Apesar de todos os comentários anônimos terem vaga garantida no meu coração, o que mais me chamou a atenção foi esse, o que disse que homens gays, que cometeram o erro de achar que são mulheres (será que eles têm mesmo essa crise de identidade?) não devem induzir outro ser humano inocente a fazer o mesmo.

Achei válida a observação.

Quer dizer, em casa de gay, todo mundo fica induzindo os filhos a serem gays direto. É o que acontece. É a vida real, meu amigo.

Em lar de casal gay, os filhos meninos já são condicionados desde a mais tenra idade a brincar de boneca, usar vestidos, brincar de casinha; meninas são estimuladas a comer areia, bater nos amiguinhos e jogar aquele futiba.

Já ouvi histórias lamentáveis de um casal gay amigo meu pegando o filho dando aquela sacada em site pornô hétero. Foi a maior decepção da vida deles, uma crise que abalou os alicerces da casa, o filho ficou sem falar com os pais por semanas.

Lembro de outro caso em que o filho teve que deixar a casa da família por ter ousado entrar no armário! Sério! Um filho de gay decidiu virar hétero! Queria que a coisa acabasse bem?

Triste essa situação que vigora nos lares homossexuais; deviam aprender uma coisinha ou outra com as casas dos hétero, que são ninhos de tolerância, onde ninguém induz ninguém a erro nenhum, qualquer escolha é recebida com o mais absoluto respeito.

15 de agosto de 2011

Histórias da mendicância recifense

Aqui em Boa Viagem (é Recife, gente) tem um mendigo razoavelmente conhecido. Quer dizer, não sei realmente se o homem é mendigo, porque ele só fica vagando pelo bairro, e se você adotar a definição de mendigo como esmoléu, acho que ele não encaixa. Enfim, é um maluco pobraço e sujo que fica perambulando por aí.

Minha mãe chegou pra mim outro dia e falou que a fofoca recifense diz que o pobre coitado é, na verdade, de família muito rica. Renunciou à riqueza.

Eu concordei, claro. Quem não abriria mão da sujeira do dinheiro em favor da sujeira por baixo da unha? Ninguém! É tudo um grande experimento sociológico.

Até vejo algum mérito em pensar que ele virou flagelado por opção. Quer dizer, olhando no Peixe Urbano hoje, a Lúcia Helena Estética oferece 95% OFF (em maiúsculas, deve ser abreviação) em limpeza de pele + peeling com vitamina C + máscara revitalizadora, de R$310 por R$15. E eu lembro que umas semanas atrás o Groupon arranjou Whoppers no Burger King por um centavo.

Então, lógico, só dá pra pensar que uma pessoa desgraçada e faminta está vivendo assim por opção. Era só arranjar um cartão de crédito e uma conexão de internet! Com tão pouco seria possível se tornar uma "sereia com rostinho encantador", é o que diz na página da oferta.

A pior parte de achar que o cara é miserável por opção é que ninguém deve querer dar coisas realmente úteis para ele, como comida, provavelmente todo mundo fica direto oferecendo conselhos familiares:

"Não vou te dar pão, amigo, sei que você tem berço. Sei que você quis seguir carreira na música e seu pai o obrigou a assumir os negócios da família. Mas volte para casa, o rancor só deixa um rastro de destruição."

Seguido do que o mendigo deve começar a desejar arduamente se viciar em crack e destruir a própria vida pra parar de ouvir a mongolice.

13 de agosto de 2011

The HORROR

Fui na padaria comprar porcaria pra comer e, esperando na fila do caixa, localizei, como uma águia localiza sua presa, o verso de um maço de cigarros no qual havia o aviso do Ministério da Saúde dizendo que fumar causa HORROR.

A figurinha, como dá pra ver ali no link, mostra a mulher totalmente destruída pelo vício. Provavelmente viciada em heroína, crack, metanfetamina, porque, pra ficar acabada daquele jeito fumando cigarro, minha filha, precisa de muito, viu.

Tenho astigmatismo, que não foi causado pelo cigarro, então precisei chegar mais perto pra conseguir ler que, na verdade, o aviso alertava que cigarro causa envelhecimento da pele. Isso é HORROR.

Então, estamos combinados, ficar velho é HORROR. Leblon e Copacabana, pelo que eu pude perceber pelos meus poucos dias no Rio, tinham aquele monte de velho tomando sol no meio da rua. Ali era praticamente o apocalipse zumbi, e eu imagino um funcionário do Ministério da Saúde entrando em pânico com aquele monte de gente de pele enrugada.

Eu não tenho nada contra, minha posição pró-zumbis está bem documentada.

Mas deve ser meio palha para a população idosa, que tem que lidar diariamente com o mundo NORMAL e preconceituoso, e fica HORRORIZANDO todo mundo. Imagina, vovó chegando na padaria e o balconista já acha que aquilo é filme do George Romero e recebe a velhinha com dois tiros na cabeça.

10 de agosto de 2011

Solução para o problema da adoção gay

Pensei num sistema infalível para acabar com o debate sobre a adoção gay. Digamos que um casal gay queira adotar uma criança e aparece, como sempre, algum conservador sendo contra. Esse conservador, então, ao argumentar contra a adoção, deverá ser legalmente obrigado a adotar a criança.

Sob pena de prisão, talvez. Ou multa.

Se mesmo depois da pena o conservador e sua família não quiserem adotar a criança, ele deverá comparecer ao orfanato onde se encontra a criança e dizer a ela "Eu te rejeitei. Por minha causa você vai continuar vivendo sem uma família".

Se a criança for jovem demais para entender, um porta-retrato com fotos da família que a rejeitou deverá ser mantido próximo a cama dela, com uma nota dizendo "Família que te privou da felicidade". Meios para contato (email, telefone, endereço) deverão ser mantidos à disposição da criança, para o caso de ela querer se vingar depois de adulta.