27 de abril de 2011

Pokémon como alegoria

Pokémon é uma alegoria, mostra o que seria o mundo sem direitos dos animais. Acaba o PETA, é isso que temos, uma civilização altamente tecnológica, fim da pobreza, zero poluição, e rinhas de galo institucionalizadas.

Mas justamente o que me confunde em Pokémon é se os pokémon contam como animais ou se, de um lado, existem os pokémon e do outro os animais não-pokémon. É uma dúvida legítima. Se todo bicho é pokémon, até bactérias são pokémon? Dá para capturar com pokébola?

Talvez o que defina um pokémon seja um traço no DNA que define sua portabilidade via pokébola. Pokémon significa pocket monster, né. Antes de inventarem a pokébola, eles eram chamados de pokémon? Porque é meio complicado ficar carregando esses bichos todos no bolso e tal.

Quero comentar também o fato de que, não apenas as pokébolas são uma gaiola portátil, mas também servem como controladores da mente. Monstros selvagens são pegos com a pokébola e imediatamente obedecem nossos comandos.

Como a soma em Admirável Mundo Novo, as pokébolas são instrumentos de controle social em Pokémon. Enfiam os monstrinhos na pokébola, eles ficam doidaços e nem ligam pro stress das batalhas.

Com esses mecanismos de controle, todo mundo em Pokémon é ricão, os centros Pokémon até oferecem serviços de graça. Por quê? Porque os Pokémon são escravos, ora bolas. Botam um monte de Pikachu para gerar eletricidade, uns Charmanders para gerar fogo, água potável não é mais problema se você tiver meia dúzia de Squirtles (se bem que é meio nojento ficar bebendo água babada de tartaruga).

Talvez Pokémon precise de um abolicionista, um Joaquim Nabuco, para liberar as espécies desse jugo intolerável. Mas todos os bichinhos que parecem humanos e poderiam liderar o movimento parecem mó idiotas, tipo o Mr. Mime.

24 de abril de 2011

Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos & molhados

Millôr Fernandes disse uma vez que jornalismo é oposição. Eu concordo e expando a ideia, para mim até jornalismo esportivo tem que ser de oposição.

Juiz marcou pênalti? Pênalti o caralho, juiz ladrão. Fight the power! Não vamos deixar que o poder se safe com essa decisão arbitrária. Acho que o real jornalismo deveria instigar a torcida a invadir o campo depois de uma dessas. O jogador bateu o pênalti para fora e foi tiro de meta? Mané tiro de meta, mermão, foi gol! Gol! Juiz maldito, lacaio da elite!

Videogames são assunto de grande interesse meu. Às vezes dizem por aí que o jornalismo de games não passa de uma extensão do departamento de relações públicas dos publishers de jogos. Isso é inaceitável. Jornalismo de games precisa de mais ativismo oposicionista.

Nintendo anunciou que o próximo Super Mario Bros. vai ser maneiro? Maneiro nada, tem que ser horrível. Vamos às ruas! Vamos pintar nossas caras contra a diversão em games, contra a mão de ferro da Nintendo!

Acho que a revista Caras e a Quem estão pelegas demais também. Acho que deviam ter sido mais combativas quando disseram que Juliana Paes estava em boa forma depois da gravidez. Talvez dizer que ela devia ter ficado mais gordinha?

Essa resignação é o veneno do jornalismo nacional.

Lada celulares

Escolher celular é muito complicado, opções demais. Vai lá no Submarino, como querem que eu escolha entre o Nokia X3-02 e o Motorola MB502? "Vejam essas letras seguidas de números, decidam qual é o melhor aparelho."

Acho que o mundo precisa de menos diversidade, menos escolhas, mais uniformidade em celulares. É necessário um modelo soviético de produção de celulares. Já!

Cadê o meu celular Lada? Provavelmente seria um lixo, mas todo mundo compra iPhones, né? (Calma, geral, só peguei num iPhone duas vezes na vida, ouvi dizer que é massa pra jogar joguinhos em flash, igual ao meu browser).

Sem contar que a gente não teria mais que escolher. Aceito o medíocre se me tirarem esse stress.

19 de abril de 2011

Motel Senzala

Achei curioso encontrar um Motel Senzala enquanto andava aqui pelo Recife, no meu trabalho deprimente. De acordo com minha extensa pesquisa, senzalas fediam, as latrinas eram valas no chão e as camas eram só tábuas de madeira. Então, será que o motel recria a experiência?

Fiz uma busca esperta no Google e vi que, na verdade, tem um monte de Motel Senzala por aí, e que a maioria é bem luxuosa, mó decepção. Eu aqui esperando teto baixo, chão batido e ausência de janelas, eles me dando camas em forma de coração, espelho no teto e ar condicionado, muito nada a ver. Motel CASA GRANDE, talvez? Ricos cretinos.

A internet também me disse que tem várias outras coisas com o nome Senzala, tipo o Senzala Bar & Grill, recomendado pela Veja SP. Só pela fotinho você já vê que nem se preocuparam com verossimilhança. Tô vendo essas coisas e achando que a vida dos escravos era puro glamour.

Pelo menos no caso dos motéis o nome pode atrair o público BDSM. Essa coisa de escravidão deixa esse pessoal molhadinho.

12 de abril de 2011

Se eu fosse editor de jornalismo da Globo

O Jornal Nacional seria ainda mais restritivo em relação a marcas, nenhuma seria veiculada. Não só as marcas seriam borradas nas reportagens externas (como já são), mas também os repórteres não mais apareceriam na tela. Marketing pessoal? Nananinanão.

Aliás, para evitar qualquer tipo de propaganda, mesmo que dos funcionários, o jornal seria totalmente impessoalizado. Adeus, William e Fátima. Agora vai ser tudo narrado por aquela voz mecânica do Google Translate. Melhor ainda, os jornais seriam feitos no Xtranormal. Obviamente o logo do Xtranormal ficaria quadriculado no canto da tela.

Hoje mesmo o JN colocou no ar uma reportagem maravilhosa falando do "tablet mais vendido no mundo, criado por uma empresa americana, montado por uma empresa taiwanesa". Eu só acho que, em vez de falar que Dilma Roussef é a presidente do Brasil, deveriam dizer que discursou hoje "uma certa presidente de determinado país". Tão querendo se promover nas costas do meu jornalismo? É ruim, hein.

Nos testes do Inmetro do Fantástico, marcas seriam suprimidas do mesmo jeito, a única coisa que ia passar pela minha censura férrea seriam afirmações como "Algumas marcas de torneira passaram e outras tantas reprovaram em testes de dada autoridade governamental. Uma das marcas reprovadas enviou o seguinte comunicado dizendo que: 'A Fábrica de Torneiras obedece a todos os padrões internacionais de qualidade.'."

Na hora dos Gols do Fantástico, Tadeu Schmidt, que ficaria atrás de uma parede de ladrilhos e usaria um modulador de voz, só poderia se referir aos times como "equipes de uniforme azul" ou "equipes de uniforme vermelho". Se alguém fizesse três gols numa partida, não só não apareceria na TV pedindo música nenhuma, como ninguém nunca saberia que uma mesma pessoa marcou três gols. Porque aí já é publicidade demais, né.

[Post idealizado em conjunto com certo amigo meu. Se quiser saber qual amigo, entre em nosso site: www.manipulacao.org.]

5 de abril de 2011

Axe

Quem usa Axe do jeito que o comercial mostra? É um desodorante, não colônia. Também não é inseticida, embora seja muito massa ficar tacando o spray em tudo quanto é lugar. Será que os mosquitos atingidos no caminho da brincadeira também atraem muitas fêmeas, que nem homens atraem mulheres e anjas nos comerciais do Axe? Enquanto eu estou lá desperdiçando meu Dark Temptation, passa aquele mosquitinho esperto e se banha na fumaça. As fêmeas se desmancham por ele.

Logo, a responsabilidade sobre a reprodução do Aedes aegypti e a consequente epidemia de dengue deveria ser do Axe. Por que as autoridades ainda não acionaram judicialmente a Unilever?

Dito isto, tenho que expressar meu estupor pelo fato de que ninguém nunca pensou na campanha publicitária que vou sugerir agora: "Axe: AXESSÍVEL". Em vez de "Até os anjos cairão" ou qualquer outro nonsense do tipo, vamos explorar o mau português do vulgo. Eu nem sei o que vocês colocariam nos vídeos, mas, porra, olha esse slogan, eu ouço os "ca-shing" a cada vez que o repito.

3 de abril de 2011

Naked capitalism

Se a obesidade é uma epidemia, a causa é o Peixe Urbano. Ou o Groupon. Ou esses milhares de outros sites por aí. Conceito bacana, mas quantas vezes eu posso querer rodízio de sushi num mês? Alinhamento e balanceamento pro meu "possante" também são recorrentes, mas o mais curioso é a quantidade de ofertas de limpeza de pele e esfoliação.

Eu sabia que cravos eram um problema (pelo menos pra mim são), mas o fato de eles serem tão prevalentes a ponto de justificarem limpezas de pele diárias a 75% de desconto me surpreende.

Embora cause dor lacinante, agradeço à minha namorada por remover meus cravos manualmente, assim acabo não apoiando esse modelo de negócios que nos empurra ao consumo das mesmas coisas over and over and over and over and over. CAPITALISMO.

Desafios

Atores são os únicos profissionais que têm o aval social para chamar qualquer trabalho de "desafio". "Esse papel de presidiário maneta foi um desafio." "Fazer um cantor homossexual dos anos 80 foi um desafio." "Me colocar no lugar de uma mãe de classe média no Leblon, algo que eu já sou na minha vida cotidiana, foi um grande desafio."

Se qualquer integrante de outra profissão (ou quase - não quero ser tão abrangente, vai que aparece alguém nos comentários com dezenas de contra-exemplos) também tivesse esse hábito, perderia o emprego em dois tempos. Imagina, um encanador chega na sua casa: "Eis um desafio. Um vazamento numa pia." Você até entende na primeira vez, talvez na segunda, na terceira aquilo te perturba profundamente: "Amigo, tem certeza de que você sabe o que são encanamentos?"

É extremamente esquisito que ninguém dê uma real nos atores, dizendo que, pô, se tudo é tão difícil assim, talvez essa não seja a vocação deles. Talvez você queira um emprego na área de engenharia? Está se expandindo muito no país ultimamente.