Segundo a placa da fachada, a escola religiosa daqui de perto ensina "inglês bíblico (com nativos)". Nativos de onde? Da Bíblia? Yesss, quero falar com João Batista, cara maneiro. Não sabia que falava inglês, minha admiração aumenta.
Isso explica como os habitantes bíblicos se comunicam uns com os outros; um fala aramaico, o outro fala latim, tem uns gregos aqui e acolá, mas todo mundo usa o inglês como língua franca. É o povão todo falando "thou" em vez de "you" e impressionando os incautos.
"Dãã, não é isso que quiseram dizer com a placa, mongol."
Mas se não foi isso, o que foi? O que é inglês bíblico? Inglês sexual? Hmm, vamos conhecer o inglês no sentido bíblico. Todas as mais íntimas facetas do inglês. O que é o inglês entre quatro paredes.
Com nativos, ainda. Pegam alguém que fala inglês, te levam para aquele encontro bacana, vinho, velas. Depois a coisa toda é levada para um ambiente mais reservado, onde os "estudos" podem acontecer. E quando ele ou ela te conhecer biblicamente, não vai ter nada de "isso, isso, vai", o negócio vai ser todo na linha de "oh, yes, harder".
Deve ser um curso fantástico.
15 de março de 2011
14 de março de 2011
Mais um post espiritual
O ateísmo obviamente tem um problema de marketing. Na minha opinião, o maior deles é o de que os ateus acham que os não-ateus não conseguem lidar com a dura realidade de um mundo sem Deus. Quem é crente é crente porque é fraco, precisa de uma muleta, necessita de explicações rápidas para fenômenos que não entende, e em geral é uma pessoa supersticiosa e crédula, que cai em qualquer conto do vigário.
Aí complica, né, porque a gloriosa raça superior atéia se acha melhor que a gentalha plebéia teísta e acaba ofendendo os alvos da propaganda. Imagina. Você está lá, chillin', acreditando em Deus, chega um ateu hardcore, Richard Dawkins da vida, falando "Você é um fraco, Deus não passa de um conceito falso no qual você se apoia por ser covarde". E, apesar de eu estar sendo FACETO aqui, eu já vi nego falando isso aí quase literalmente.
Falando por mim, eu não diria "Puxa vida, é verdade, que fraco eu sou, vou passar a ser forte e ateu".
Porque (1) ser fraco nem é escolha, moron, e (2) mesmo que seja uma escolha, talvez ser fraco e covarde tenha lá suas vantagens.
Eu mesmo me acho bastante fraco. Não quero ficar tendo trabalho com esse negócio de crença. A maior parte das crenças requer que eu me esforce pra acreditar em algo não muito óbvio, e pior, querem que eu frequente missas, cultos, giras, afff.
Agora, ser religioso requer uma dedicação e força quase inumanas, precisa cumprir vários rituais, aceitar psicologicamente se submeter a uma força divina muito maior. Né, é difícil.
Quer dizer, o problema dos ateus é que eles querem que ser ateu seja difícil. Mas aí estão alienando o público. Ainda bem que eles são mó fortes, assim aguentam o isolamento social.
Aí complica, né, porque a gloriosa raça superior atéia se acha melhor que a gentalha plebéia teísta e acaba ofendendo os alvos da propaganda. Imagina. Você está lá, chillin', acreditando em Deus, chega um ateu hardcore, Richard Dawkins da vida, falando "Você é um fraco, Deus não passa de um conceito falso no qual você se apoia por ser covarde". E, apesar de eu estar sendo FACETO aqui, eu já vi nego falando isso aí quase literalmente.
Falando por mim, eu não diria "Puxa vida, é verdade, que fraco eu sou, vou passar a ser forte e ateu".
Porque (1) ser fraco nem é escolha, moron, e (2) mesmo que seja uma escolha, talvez ser fraco e covarde tenha lá suas vantagens.
Eu mesmo me acho bastante fraco. Não quero ficar tendo trabalho com esse negócio de crença. A maior parte das crenças requer que eu me esforce pra acreditar em algo não muito óbvio, e pior, querem que eu frequente missas, cultos, giras, afff.
Agora, ser religioso requer uma dedicação e força quase inumanas, precisa cumprir vários rituais, aceitar psicologicamente se submeter a uma força divina muito maior. Né, é difícil.
Quer dizer, o problema dos ateus é que eles querem que ser ateu seja difícil. Mas aí estão alienando o público. Ainda bem que eles são mó fortes, assim aguentam o isolamento social.
4 de março de 2011
Sarah de Iemanjá
Sarah de Iemanjá é ubíqua, a gente olha pra qualquer parte do Recife e tem um cartaz de propaganda dela dizendo: "Faço e desfaço qualquer trabalho gratuitamente, resultados em 24h". A parte do gratuitamente sempre me incomodou ao ler essas propagandas, o que significa que eu passo 17 horas do meu dia irritado, porque eu vou comprar pão, olha lá um cartaz, vou pro trabalho, lá vem outro, visito o banheiro daqui de casa, mais um.
Não entendo muito de orixás, não sei as nuances que separam candomblé de umbanda, minha noção do funcionamento de tarô e búzios é no máximo vaga. Mães de santo sempre oferecem serviços de tarô, búzios, quiromancia? Eu não saberia, sou muito ignorante.
Mas como eu dizia, a parte de que ela faz e desfaz qualquer trabalho era estranha. Se é realmente de graça, como ela se sustenta?
Pensei que ela pudesse fornecer serviços acessórios. Você vai lá, faz uma mandinga pra amarração de amor, compra uma leitura da borra de café (thanks, O Clone!) pelo preço promocional de R$25. Uma variante do modelo dos barbeadores e das lâminas, coisa sofisticada.
Os cartazes da mulher também nos levam a especular a utilização de um modelo de freemium. Você pode querer um trabalho para prosperidade profissional, mas se quiser ficar o dia todo na internet tomando aquele sorvete de pavê da Kibon e mesmo assim continuar ricão, vai ter que liberar a grana.
Tudo isso pode estar acoplado a um esquema de franchising, dada a força da marca SARAH DE IEMANJÁ. Não é possível que a mulher consiga atender a tantos clientes criados pela presença universal do seu marketing.
***
Acabei com a minha curiosidade ligando para a Da. Sarah para perguntar como ela fazia pra lucrar sem cobrar pelo serviço. Porque aqui é assim, é investigação, é JOURNALISM.
E ela me disse que não cobra pelos trabalhos mesmo, só pela consulta. E pelo material necessário nos trabalhos. Se você quiser um trabalho de "melhoria do desempenho sexual", não basta o comprimido azul, você tem também que pagar pelo horário da Da. Sarah. Mas o trabalho mesmo não é pago, né, Sarah, sua danada.
Não entendo muito de orixás, não sei as nuances que separam candomblé de umbanda, minha noção do funcionamento de tarô e búzios é no máximo vaga. Mães de santo sempre oferecem serviços de tarô, búzios, quiromancia? Eu não saberia, sou muito ignorante.
Mas como eu dizia, a parte de que ela faz e desfaz qualquer trabalho era estranha. Se é realmente de graça, como ela se sustenta?
Pensei que ela pudesse fornecer serviços acessórios. Você vai lá, faz uma mandinga pra amarração de amor, compra uma leitura da borra de café (thanks, O Clone!) pelo preço promocional de R$25. Uma variante do modelo dos barbeadores e das lâminas, coisa sofisticada.
Os cartazes da mulher também nos levam a especular a utilização de um modelo de freemium. Você pode querer um trabalho para prosperidade profissional, mas se quiser ficar o dia todo na internet tomando aquele sorvete de pavê da Kibon e mesmo assim continuar ricão, vai ter que liberar a grana.
Tudo isso pode estar acoplado a um esquema de franchising, dada a força da marca SARAH DE IEMANJÁ. Não é possível que a mulher consiga atender a tantos clientes criados pela presença universal do seu marketing.
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Acabei com a minha curiosidade ligando para a Da. Sarah para perguntar como ela fazia pra lucrar sem cobrar pelo serviço. Porque aqui é assim, é investigação, é JOURNALISM.
E ela me disse que não cobra pelos trabalhos mesmo, só pela consulta. E pelo material necessário nos trabalhos. Se você quiser um trabalho de "melhoria do desempenho sexual", não basta o comprimido azul, você tem também que pagar pelo horário da Da. Sarah. Mas o trabalho mesmo não é pago, né, Sarah, sua danada.
3 de março de 2011
Um comentário sobre Death Note que eu queria escrever há anos
Em Death Note, o caderno mágico epônimo permite a seu usuário matar qualquer zé neguinho, é só saber o nome dele e qual é o rosto do sujeito. Com essas duas informações, é só escrever o nome no caderno e bum, mais um defunto. E saber o nome da pessoa nem é lá um grande problema, porque tem HAX na série que permitem que o portador do caderno veja o nome de quem quer que olhar, sabendo até a grafia mongol que os pais do infeliz inventaram. Mesmo que você se chame Deyvÿssóhn, você não está a salvo dos poderes assassinos do caderno.
Com esse poder foda, o personagem principal da série, o Light, acaba com as guerras, com o crime e infunde medo no coração das crianças de todo o mundo, que têm medo de fazer qualquer coisa que irrite o rapaz e morrer instantaneamente.
Here's the thing. O negócio é que dá pra dobrar as regras do caderno. Se o portador não vir a cara do alvo, já era, não vai matar, otário. É só usar máscaras que já era o poder. Na verdade, no final da série a polícia até faz isso pro Light não poder atingi-los, só que isso me parece pouco. Por que as máscaras não passaram a ser usadas em massa no mundo?
Quer dizer, duvido que o Light tenha matado qualquer um no Carnaval aqui no Brasil nos anos em que ele reinou o mundo. Todo mundo mascarado, algumas pessoas sem qualquer senso de ridículo, inclusive, e todo mundo vivo. Bota uma meia na cabeça, assalta todo mundo e o portador do caderno não vai poder fazer nada contra você.
É engraçado que a série inteira tenha sido construída sobre um conjunto de regras mas que o conjunto de regras seja tão facilmente dobrável. É claro que a série nunca leva as regras às últimas consequências (apesar de ser um desenho bem inteligentinho).
Na verdade, dado que com essas poucas coisas liberadas uma pessoa poderia morrer, haveria uma crise de identidade no mundo. Todo mundo passaria a usar apelidos, todo mundo passaria a usar máscaras. Seria um problema para os governos. Ninguém confia em ninguém, o governo não teria como rastrear os cidadãos e controlá-los.
Até o comércio ficaria altamente patético num mundo com o Death Note de verdade. Como o comércio requer uma dose razoável de confiança e essa confiança não existiria com a anonimidade total, geral ia ficar miserável. O que seria uma ironia massa se tivesse sido explorada na série, já que o Light, megalomaníaco, queria criar uma sociedade perfeita. Ia acabar destruindo tudo.
***
OUTRO ASSUNTO DE IMPORTÂNCIA VITAL: e quanto a maquiagem? Se o usuário do Death Note olhar pra cara de alguém e a pessoa estiver lotada de maquiagem, vale? É só escrever no caderno o nome que ela morre?
Porque assim, parece meio injusto que máscaras te deixem imune e maquiagem não deixe. Porque tem umas maquiagens por aí que vou te contar, viu.
Com esse poder foda, o personagem principal da série, o Light, acaba com as guerras, com o crime e infunde medo no coração das crianças de todo o mundo, que têm medo de fazer qualquer coisa que irrite o rapaz e morrer instantaneamente.
Here's the thing. O negócio é que dá pra dobrar as regras do caderno. Se o portador não vir a cara do alvo, já era, não vai matar, otário. É só usar máscaras que já era o poder. Na verdade, no final da série a polícia até faz isso pro Light não poder atingi-los, só que isso me parece pouco. Por que as máscaras não passaram a ser usadas em massa no mundo?
Quer dizer, duvido que o Light tenha matado qualquer um no Carnaval aqui no Brasil nos anos em que ele reinou o mundo. Todo mundo mascarado, algumas pessoas sem qualquer senso de ridículo, inclusive, e todo mundo vivo. Bota uma meia na cabeça, assalta todo mundo e o portador do caderno não vai poder fazer nada contra você.
É engraçado que a série inteira tenha sido construída sobre um conjunto de regras mas que o conjunto de regras seja tão facilmente dobrável. É claro que a série nunca leva as regras às últimas consequências (apesar de ser um desenho bem inteligentinho).
Na verdade, dado que com essas poucas coisas liberadas uma pessoa poderia morrer, haveria uma crise de identidade no mundo. Todo mundo passaria a usar apelidos, todo mundo passaria a usar máscaras. Seria um problema para os governos. Ninguém confia em ninguém, o governo não teria como rastrear os cidadãos e controlá-los.
Até o comércio ficaria altamente patético num mundo com o Death Note de verdade. Como o comércio requer uma dose razoável de confiança e essa confiança não existiria com a anonimidade total, geral ia ficar miserável. O que seria uma ironia massa se tivesse sido explorada na série, já que o Light, megalomaníaco, queria criar uma sociedade perfeita. Ia acabar destruindo tudo.
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OUTRO ASSUNTO DE IMPORTÂNCIA VITAL: e quanto a maquiagem? Se o usuário do Death Note olhar pra cara de alguém e a pessoa estiver lotada de maquiagem, vale? É só escrever no caderno o nome que ela morre?
Porque assim, parece meio injusto que máscaras te deixem imune e maquiagem não deixe. Porque tem umas maquiagens por aí que vou te contar, viu.
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