8 de outubro de 2004

Christine, o carro

Cultivo manias desagradáveis somente para irritar outras pessoas, como por exemplo, julgar um livro pela capa. Sério. Tenho dificuldade em ler o livro antes de comprar. Por isso julgo pela capa, compro, leio e julgo novamente.

Ontem de madrugada, eu vi Christine - O carro assassino no Intercine. O filme, baseado num best-seller de Stephen King, conta a história de Arnie Cunningham, um adolescente que é zoado pela cidade inteira, inclusive pela própria mãe. Isso até ele comprar um carro pelo qual se apaixona, um Plymouth Fury 1958 que é chamado de Christine pelo dono. Arnie começa a ter mudanças de comportamento depois de comprar o veículo e, assim, todos começam a odiar o carro - que, por sua vez, mata todo mundo. Verdade. Além de ter um espírito maligno, o carro também é imortal. Por mais que todos o quebrem, Christine se reconstruirá.

Fiquei imaginando como tal trama pôde vender tantos livros. Certamente, se eu julgasse esse livro pela capa, não compraria. Provavelmente de tão aterrorizante que seria ler uma história de carro psicopata. King é um gênio do horror, oras!

Imagino que o autor tenha visto demasiadamente o clássico Se o meu fusca falasse da Disney e se inspirou nele. Não consigo parar de pensar como seria um duelo entre o simpático Fusca 53 Herbie e Christine. Se por um lado o Plymouth é imortal, por outro, Herbie é um carro legal que tem muitos amigos - é possivel que tenha um amigo caminhão para passar por cima de Christine. Ademais, Herbie já derrotou numa ocasião anterior o temível Fusca Negro trapaceiro, então, nada impede que ele repita o feito.


Sobre o livro que planejo escrever, após este filme, pensando num bom tema para escrever, cheguei a alguns títulos que posso desenvolver. Ei-los:

- Babaloo, a goma de mascar com um melzinho do mal
- Afonso, a cadeira franco-atiradora
- Lula, o presidente-porta

Entretanto, o título que mais me agradou foi "Amanda, a urna eletrônica que só votava no PFL". Neste livro, Amanda seria uma urna apaixonada por uma seção eleitoral em que havia sido usada uma vez e não aceitava ser alocada em qualquer outra região. Quando era colocada em um local estranho, Amanda, a urna, só votava no PFL.

Terror.

6 de outubro de 2004

Estilo zen

Depois das eleições, a cobertura jornalística eleitoreira correu para a casa do prefeito reeleito, João Paulo. Talvez alguém se interesse pelo fato de o ex-canditato ter lido jornais durante o café da manhã - assim as pessoas descobrem que prefeitos são pessoas comuns; a diferença reside apenas na falta de senso de honestidade. Muito interessantíssimo.

Ressaltaram o fato de João Paulo meditar porque isso "caracteriza o estilo zen do prefeito". E vocês sabem, meditar é a arte de ficar parado, sentado, durante muito tempo, fazendo nada. Depois disso, finalmente entendi como o petista trabalha: ele fica parado, fazendo nada.

Faz tempo, mas já fui num mosteiro zen budista. Ficava sobre uma montanha. E, ao contrário do que todos pensam, lá não é um local de meditação eterna. Havia só umas casas, um bebedouro natural (numa fonte de água mineral), um templo e uma casa de projeção de filmes. Uma casa para ver filmes. Muito me perguntei por que monges zen budistas tinham uma casa de projeção de filmes naquele ambiente espiritual e silencioso, onde ninguém faz nada e todos ficam parados em posição de lótus. Talvez eles ficassem vendo filmes de um monge superstar tibetano fazendo moonwalk.

Pois é, João Paulo é estilo zen. O estilo dele é ficar parado sem fazer coisa alguma enquanto vê um filme qualquer. Baseado nisso, cheguei a uma conclusão bombástica e avassaladora. Se prepara porque agora é babado forte:

O prefeito de Recife vê Sessão da Tarde.

5 de outubro de 2004

Uma triste história amorosa para os tempos modernos

Agora que o povo brasileiro já fez seu papel de idiota bianual (inclusive beijando, abraçando e bolinando os ladrões que desviarão dinheiro nos próximos quatro anos), poderei contar uma história de amor e tragicomédia que abalará seu coração e depois te fará ir embora como se nada tivesse acontecido.

Há alguns anos, tive dois cachorros muito especiais. Um deles era um cãozinho da raça daschund (também conhecida como salsicha, linguiça ou cachorro desproporcional) chamado Ananias. O outro era uma cadela boxer, que, não obstante ser fêmea, se chamava Antônio Fagundes.



Em certa época de minha vida, quando eu era endinheirado e tinha uma casa de praia, Ananias e Antônio Fagundes ficavam passeando pelo local como quem nada queriam além de sexo; e, Ananias mal podia disfarçar sua atração pelo traseiro empinado e pelo rabinho de cotoco de Antônio Fagundes. Inclusive, acrescento que o salsichinha era bem gordo e, quando eu o chutava e fazia o pobre ficar de barriga para cima, ele não conseguia desvirar.



O daschund flertava a todos os momentos com a cadela, que demonstrava interesse, embora fosse cinco vezes maior que o bichinho. Antônio Fagundes ficava deitada, e o(a) salsicha chegava por trás dela - que não deixava, apesar de hesitar.

Mesmo assim, o sagaz cãozinho não desistia de conquistar sua Antônio Fagundes e bolava vários estratagemas para conseguir fecundar a moça. Certa vez ele tentou chegar por trás da cadela se escondendo por detrás de outro cão. Em outra ocasião, Ananias fez uma armadilha no chão que prendeu o pé de Antônio Fagundes e quase permitiu o relacionamento; o problema foi que a armadilha não impediu a mordida da boxer no pequeno daschund.

Mas no derradeiro esforço de Ananias, ele subiu numa mesa e se jogou em cima de seu amor, e por lá trepou nela e com ela - que se rendeu, pois já morria de vontade. O problema é que nem Antônio Fagundes, muito menos Ananias se preocuparam com algo crucial: o preservativo.

Alguns meses depois, a cachorra se inclinava para, aparentemente, cagar. Mas daquela vez, havia algo diferente: em vez de pelotas marrons, saíam grandes bolinhas pretas. Ananias percebeu que Antônio Fagundes estava tendo um parto e fugiu para caçar sapos. Nunca mais voltou.

Antônio Fagundes foi obrigada a cuidar dos filhotes mutantes e a comer Pedigree Champ para o resto da vida. Fim.