17 de abril de 2007

Não me mate, eu produzo muitas riquezas

Ontem, após ter noticiado o massacre na universidade americana, a âncora do Jornal da Globo disse, segundo a minha memória: "E a pergunta que fica é: como esse massacre pôde acontecer no país que mais produz riquezas no mundo?" Gostaria que, se possível, alguém me indicasse estudos que apontam a proporcionalidade inversa entre massacres em universidades e produção de riquezas.

13 de abril de 2007

Conto policial (early draft)

Gustavo me desafiou a escrever um romance policial. Eu confesso que não sou capaz, mas escrevi o começo de um "conto", algum dia termino:
Era tarde e a rua brilhava com o reflexo do sol sobre as poças de água acumulada depois da chuva. Fazia calor, mas o vento amenizava a sensação de ardor sobre a pele. Na terceira esquina anda Olecram, o qual tem o nome invertido, vejam bem, por essa ser uma característica estilística muito idiota adotada por vários escritores. Ao fazer uso deste artifício, advirto logo de início o leitor para não esperar nada de muito surpreendente, e, de fato, que espere o mais supérfluo e clichê do que é disponível na literatura. Olecram, embora anagrama de Marcelo, é na verdade mulher, jovem, inocente, e tem uma arma apontada para seu rosto.

O fato torna-se tanto mais misterioso quando notamos que não há ninguém segurando a arma contra Olecram. De fato, Olecram estava parada em frente à vitrine de uma loja de armas, de modo que o manequim da vitrine da loja apontava seu rifle exatamente para a maçã da bochecha direita da moça - peço que o leitor não estranhe que haja, no mundo onde se passa esta história, lojas de armas com manequins segurando rifles.

Depois de alguns minutos de estupor, em que não fez mais que admirar os artigos da loja disponíveis para contemplação, Olecram entrou no local, com uma firme resolução de que compraria o tal rifle que observara. No balcão estava um velho com chapéu de caça, sobrancelhas brancas que se encontravam e olhos cansados. Olecram arrependeu-se logo após passar pela porta da loja, mas o vendedor já a vira e seria estranho que ela fosse embora imediatamente. Decidiu trocar palavras com velho, que foi o primeiro a falar quando ela se aproximou:

- É Olecram, certo?
- Absolutamente! Chamo-me Anagram [Aqui constará uma nota do editor dizendo o seguinte: "O autor quis fazer um jogo de palavras, visto que o nome original da personagem já era um anagrama."]

3 de abril de 2007

Dúvida

Como é possível conciliar o fato de não gostar de 300 e a habilidade de amarrar os sapatos?

20 de fevereiro de 2007

Uma Crítica a Deus

Deus pode tudo. Tudinho, sem exceção. Pode fazer o que bem entender, é só querer. E, bem, Ele mandou Jesus para o mundo para livrá-lo dos pecados dos homens, etc, etc, etc, aquela história toda. Jesus então morreu, ressuscitou, tomou uma caipiroska, enfim, houve uma grande trabalheira para redimir os homens. Mas eu pergunto: se Deus pode tudo, mas tudo mesmo, não seria mais fácil ele ter simplesmente querido livrar os homens dos pecados e pronto? Assim ficariam todos felizes, sem pecados, e sem aquele aborrecimento de Jesus ter que morrer e tal. E funcionaria: Deus pode.

Jesus livrar pecados do mundo é como se eu quisesse chegar do outro lado do meu quarto, mas em vez de dar dois passos para a direita, desse a volta ao mundo pela esquerda. Meu lado economista também fala alto: foi economicamente caro demais. Houve os gastos com o sustento de Jesus até a maioridade, pregos, cruz, tempo; o mesmo resultado poderia ser obtido por Deus a custo zero. Estou ciente de que Deus não está muito preocupado com os custos de nada, porque ele pode fazer qualquer coisa sem gastar nada, mas ele podia se preocupar com os custos para nós, reles humanos.

Um problema do cenário que eu proponho (i.e., Deus faz tudo, Jesus não existe, eu fico milionário repentinamente) é que a coisa perderia muito do glamour literário. Mas Deus poderia nos fazer simplesmente achar isso esteticamente bonito e pronto.

Talvez Deus não quisesse interferir diretamente no mundo para não ferir o livre-arbítrio, por isso enviou Jesus. Porém, a isso respondo: Deus poderia simplesmente dar um twist na lógica interferir no mundo sem interferir no livre arbítrio. E Ele pode fazer isso, porque Deus kicks ass.

24 de janeiro de 2007

You've been Punk'd

A diferença principal entre festas de adultos e de crianças está nos docinhos. Porque embora você possa confiar plenamente nos docinhos de festas de crianças, os docinhos de festas de adulto são rasteiros, eles nos enganam, eles se camuflam, como bestas selvagens prontas para o bote.

Docinhos de festas de criança são o que parecem. Você nunca vai pegar um brigadeiro numa festa infantil e encontrar algo que não chocolate na composição. É simples, ninguém tenta te enganar, você sabe o que esperar. Por outro lado, pegar um docinho numa festa adulta é suicídio, pois não se sabe realmente o que tem dentro deles. Por fora, parecem amigáveis, com coberturas de chocolate ao leite e branco, suculentos, pensamos que ao comê-los vamos nos deparar com mais chocolate (ao leite ou branco) ou com qualquer outro ingrediente neutro (por exemplo, baunilha). Mas o que sempre vemos dentro são coisas como uvas ou pior. Que isso fique bem entendido, docinhos de festas de adulto não são realmente docinhos, mas apenas embalagens atrativas para coisas que de outra forma ninguém ia querer comer.

Vejam, eu tenho 19 anos. Meu espírito, contudo, a despeito da idade, é de criança, no que tange docinhos de festas. Eu não entendo, for the life of me, por que em casamentos - supostamente datas comemorativas, de alegria - fazem questão de colocar esses docinhos porcaria para as pessoas comerem. É raiva? Afinal, brigadeiros e beijinhos são mais baratos e agradam muito mais do que nozes com cobertura de chocolate. As pessoas vão lá, pensando estar prestes a comer doces de verdade, gostosos, e se chocam com o que quase engoliram. A situação é constrangedora, muitas pessoas compreensivelmente usam guardanapos para tirar e esconder as porcarias de dentro da boca.

Tentarei uma explicação para o fenômeno aqui, a saber: festas de criança são uma metáfora da vida infantil, na qual se pode confiar plenamente nos seus olhos e nas outras pessoas; festas de adultos, similarmente, são metáforas da vida adulta, onde não se pode confiar mais em ninguém e onde há armadilhas sempre à espreita. Docinhos de festas de adulto só refletem a estrutura geral da vida de um adulto. É óbvio.

14 de janeiro de 2007

Japanese ninja car

Acabei de descobrir que existe um ator cujo nome é Peter Coyote. Estou pensando em mudar meu nome para Coyote também, para que toda vez que eu for me apresentar eu possa falar "Meu nome é Erick V. Coyote, gênio, super-gênio".

25 de dezembro de 2006

Dude, I'm so smort

O natal deste ano passou tão rápido que eu quase não vi nenhum espertão falando "O natal não tem nada a ver com Cristo, era só a data em que os romanos comemoravam o solstício de inverno! LOLOL".

19 de dezembro de 2006

Breve observação

Hoje, num parachoque de caminhão, vi escrito "Não me inveje. Trabalhe" (na verdade, não tinha esse ponto no meio da mensagem, era tudo direto, "Não me inveje trabalhe", mas eu pensei que "inveje trabalhe" não faria muito sentido como locução verbal e modifiquei. Acho que vocês aprovam a mudança, certo?).

Ou seja, todas essas meninas que escrevem "Sua inveja é a velocidade do meu sucesso!" (de forma menos compreensível, claro) nos títulos de seus fotologs, se tivessem nascido um pouco mais pobres, seriam caminhoneiras.

Que ironia, não?

16 de dezembro de 2006

Uma História Verdadeira

A árvore de Natal da minha casa, que tem dois metros de altura, está montada na frente da janela, num lado da sala, e do outro lado, em frente à árvore, montamos um presépio, colocamos um candelabro de velas vermelhas e uma Bíblia enorme aberta sobre um suporte em cima de uma mesinha. Uma típica e bonita decoração de Natal. Os bonecos do presépio eram, eu não sei qual o nome daquele material, acho que de porcelana, ou algo aparentemente tão resistente quanto. Eram, como de costume, os três Reis Magos, José, Maria e Jesus. Estavam sobre uma espécie de ninho de palha, como os ninhos de passarinhos, precisamente.

O fato é que todos os dias deixamos, eu e minha mãe, a janela aberta quando saímos de casa, porque se a fechamos fica tão abafado quanto uma estufa - o ambiente ia ficar tão quente que as plantas iam crescer como as raizes que ocupam a mansão em Jumanji. Pois então. Ao voltarmos para casa à noite, sempre estávamos encontrando pedaços de palha no chão, mas pensamos que era culpa do vento, que podia estar derrubando os bonecos do presépio e espalhando as partes do ninho. Mas era recorrente. Mesmo quando não deixávamos a janela inteiramente aberta, encontrávamos pedaços de palha no chão. De tanto caírem todos os dias, dois Reis Magos do presépio quebraram; Jesus agora vai ter que se contentar somente com ouro ou mirra ou incenso.

Foi no domingo passado, quando acordei, que vi que, na verdade, era um passarinho salafrário (ou melhor, um casal de passarinhos salafrários) que estava roubando os pedaços de palha do presépio. Não eram pardais, mas eu não entendo nada de passarinhos, de qualquer forma, se os interessa, eram uns passarinhos com barriga amarela. Decidimos começar a fechar a janela para não termos mais que dividir a palha da manjedoura do Filho de Deus com o filho de dois passarinhos. De qualquer forma, desistimos da idéia de deixar o presépio sobre um ninho de palha, pois de qualquer jeito os bonecos ficavam mal equilibrados nele.

Mas mesmo assim, sem ninho e sem janela para passarinhos entrarem, continuávamos encontrando pedaços de coisas no chão. Dessa vez eram pedaços da nossa própria árvore de Natal, fiapos dos galhos, espalhados pelo chão. Noutro dia, eu e minha mãe notamos que os passarinhos ainda estavam entrando no apartamento, a partir da cozinha, e de lá seguindo para nossa sala. A cozinha fica no lado oposto do apartamento, de modo que se deve entrar pelo outro lado do prédio pelas basculantes de lá, ou pela janela da área de serviço, para entrar na nossa sala-de-estar. Imagino que esse seja um esforço hercúleo para passarinhos minúsculos com cérebros do tamanho de um amendoim, porém o que mais perturbava era a obsessão daqueles passarinhos em arrancar pedaços das nossas coisas para montar seu ninho. Por que nos haviam escolhido? Há tantas porcarias na rua de acesso mais fácil!

O motivo de tanto esforço era simples: eles já haviam montado um ninho enorme na nossa árvore e nós não havíamos percebido (é uma árvore bem grande, afinal). Era quase que totalmente constituído das palhas roubadas do presépio, mas também contava com pedaços da própria árvore e com as falsas penas das pombinhas brancas que servem de enfeite. Ah, e não, não havia nenhum ovo lá dentro.

Sei que essa não é uma história impressionante ou nada do tipo, mas eu achei bem interessante o esforço de dois passarinhos para montar um ninho e, depois, para ter acesso a ele. Ah, e também nós não deixamos os dois passarinhos consumar seu casamento dentro da nossa casa: tiramos o ninho de dentro da árvore. Afinal, não podemos permitir que dois passarinhos ladrões tenham um filho, passando para o filhote todos aspectos de suas personalidades vilanescas; nós já vivemos num mundo corrupto demais.

4 de dezembro de 2006

Três escritores que desistiram de mim

O meme para falar de três escritores de que eu desisti chegou até mim, via Gustavo. Mas não acho que seja acurado dizer que eu desisti desses escritores; eles é que desistiram de mim. O que se pode esperar de um escritor que desistiu de me ter como leitor senão a mais completa mediocridade?

Um dos que desistiram de mim foi J. R. R. Tolkien. Depois de ler as mil e trezentas páginas de O Senhor dos Anéis, eu já não agüentava mais atravessar mentalmente a ponte do Brandevin. As descrições que ele faz dos mapas que existem na cabeça dele são enfadonhas e cansativas e minaram qualquer chance de Tolkien de me ter como leitor. Dizem que O Hobbit é melhor, e eu o leria, mas Tolkien não me quer.

Flaubert também desistiu de mim, mas foi só porque não fez com que Madame Bovary me apetecesse desde o início. Não consegui passar do começo do livro, então acho que o autor ainda não desistiu completamente de mim, só está esperando que eu o leia novamente para me cativar. Devia estar testando minha persistência, vai saber.

E, por último, e de fato menos importante, para não dizer que acho que só grandes escritores conspiram contra mim, Dan Brown. Ele desistiu de todos os leitores do mundo. Não passei nem das 40 primeiras páginas de O Código da Vinci, mas ouvi dizer que teve gente que leu até o final para depois ser abandonada por Brown.

A propósito, o meme encontra seu dead end em mim. Não sei para quem passá-lo e nem acho que eu tenha intimidade com tantos blogueiros para sair mandando coisas para eles assim.

29 de novembro de 2006

Discurso sobre a origem da cabeça de Angélica

A cabeça da Angélica está enorme, umas três vezes o tamanho do corpo dela. Algo aconteceu para que ela ficasse tão deformada. Na minha cadernetinha, anotei as possíveis causas para a mudança repentina no tipo físico da loura: a) efeitos colaterais da gravidez; b) ela ficou inteligente demais, como o Macaco Louco, das Meninas Superpoderosas, e ela deveria começar a usar um capacete tapando metade da cabeça; c) a cabeça dela está inchada devido a pancadas no nariz de Luciano Huck. Só existem essas possibilidades.

Hahahaha, só estava brincando, é claro que não há a menor possibilidade de alguma dessas hipóteses absurdas ser a causa real. Doh!

Nós, espectadores do Video Game, sabemos que o verdadeiro motivo de a cabeça de Angélica ter aumentado tanto é seu emagrecimento. Ela está magra demais, com uns ombrinhos de cabide, umas perninhas que parecem umas varetas... Imaginem como está agora a "sexy mancha" (apud Gustavo) da coxa dela? Deve estar cobrindo a perna inteira! - devido ao aumento proporcional de sua área em relação à perna, para os desavisados que não entenderam.

E pensar que em tempos melhores, a apresentadora cantava:
Sou loura romântica da TV
Tenho a sexy mancha na nítida coxa
No meu peito bate um coração de fogo sagitário
Sou loura, loura romântica
A coxa já não é tão nítida, esses bons tempos não voltam mais.

17 de novembro de 2006

C&X ring the bell


Se liga no sistema.

12 de novembro de 2006

Oh, Canadá

Uma das tags que aparecem no Last.fm para a música Build Your Cages do Pulse Ultra é "Canadian music that doesn't suck". Em direta concorrência com o resto da música canadense (Alanis Morissette e o tecladista careca do David Letterman), a tag não deixa de ter certa razão.

8 de novembro de 2006

Sambe para mim, Beyonce

Minha ausência por tanto tempo se deveu ao fato de o meu computador estar quebrado. Meu computador está sempre quebrado. Ele passa quase tanto tempo no conserto quanto nós, humanos, passamos sobre os colchões Ortobom. Quando eu não postar aqui, pode apostar 10 mangos que meu computador quebrou, retorno garantido.

Deve ser o clima da cidade, Recife é muito quente e úmido, não é bom para computadores. E tem feito dias quentes deveras aqui, nos quais eu poderia até fritar ovos com bacon no asfalto, se isso não fosse culinariamente repugnante.

Falando nisso, uma coisa que eu notei foi que bons títulos de livros são freqüentemente cooptados por autores ruins, já perceberam? Jorge Amado tem um livro chamado "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água". Tinha mesmo que ser do Jorge Amado? E por quê? Só porque ele viu o título voando, como uma andorinha, e o pegou primeiro? Tinha que ter uma lei contra isso.

Esqueçam o que eu disse até aqui, tenho que falar algo mais importante. Alguém de vocês aí, por um acaso, já pensou que o São Paulo parece um daqueles times de Supercampeões onde o goleiro é o melhor jogador do time? Sempre que alguém fala que o Rogério Ceni é o melhor jogador do Brasil, fico esperando que apareça na TV algum Oliver dando uma bicicleta, fazendo o gol e caindo em pé.

1 de novembro de 2006