2 de abril de 2005

Coragem

Depois de assistir a diversas brigas na internet, chego à conclusão de que sempre constatam que as pessoas são muito corajosas atrás do computador. "Atrás do computador, você é só coragem!", sempre leio por aí alguém dizendo com grande satisfação, demonstrando que ele sim é muito bravo e seu oponente não passa de um frangotezinho, um borra-botas, um troca-tintas, um suja-laudas. Sugiro novas frasezinhas de revolta: "Na internet, você é o He-man!"; ou "Só faz isso aqui, né?!"

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Gostaria de conhecer alguém que é um poltrão na internet, mas muito destemido na vida real. Seria muito mais pitoresco e infinitamente mais intrigante. "Vamos, não quer brigar?" "Ora, você muito corajoso na vida real! Gostaria de saber se você é assim na internet! Desafio-te para uma partida de Counter Strike!" "Ah, não, não, perdoe-me, não te afrontarei mais." - ele falaria morrendo de vergonha.

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So to speak, acho ainda que seria melhor se todos fossem como eu: covardes tanto na vida real quanto na internet.

25 de março de 2005

Heróis

Astroboy, herói do desenho animado que leva seu nome, é um robô que usa sunga e voa por aí salvando todo mundo das situações mais adversas. Eu me recuso a ser salvo por um robô de sunga, I'm very sorry, Astro. Assim como me recuso a ser salvo pelo Super-Homem, pelo Batman, pelo Flash, pelo Lanterna Verde ou por qualquer outro herói que use sungas.

A razão disso é muito simples: não podemos ser salvos por gente inferior a nós. Se alguém nos salva, é porque é superior a nós, porque tem habilidades de que não dispomos, porque é superdotado de alguma forma, e gente de sunga não é superior a ninguém. Talvez gente de sunga seja superior a você, mas não é superior a mim, e acho que se Bruce Wayne lutasse contra o mal usando seu elegante terno, Gotham City lhe seria muito mais grata. Só sou salvo por gente mais bem vestida que eu, porque assim minha auto-estima não é afetada. Você pode até pensar o contrário, pode pensar que isso é uma tolice, mas perceba que os melhores nadadores não usam sungas e sim colants e que os melhores surfistas não usam sungas e sim bermudas.

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Estou convicto de que Terri Schiavo, a mulher que está há quinze anos viva por meio de aparelhos, quer morrer. Não sei se ela queria morrer antes, só que agora muito provavelmente ela quer, deve ter perdido o amor pela vida, certamente está triste pelo modo com que os acontecimentos se desenrolaram. O Judiciário americano havia determinado o desligamento dos aparelhos, mas o Congresso votou uma lei que proibe a eutanásia, o que manterá Terri viva.

Se ela de alguma forma soube que isso aconteceu, morrerá de desgosto, com sua auto-estima profundamente combalida, totalmente humilhada. Terri Schiavo teve sua vida salva por políticos. É melhor deixar claro: nem gente de sunga é inferior a um político.

(Ps.: Escrevi este texto levianamente, sem conferir nada, e acabo de descobrir que os aparelhos de Terri Schiavo estão desligados. Ela não vai morrer tão infeliz, at least.)

23 de março de 2005

Lamúria

Tenho um anúncio importante deveras a fazer e quero que todos aqui prestem bastante atenção. Venho notando uma tendência no mundinho dos blogs e percebo que algo deve ser feito para frear o avanço dessa onda, portanto, proíbo o uso da palavra "lamúria" por todos aqueles que escrevem poemas góticos. Ninguém mais escreve lamúria nenhuma, seu uso, a partir de hoje, é vetado. Então, você aí, saia de trás desse arbusto, eu o vi escrevendo lamúria no chão. E você, mocinha?, pare de escrever lamúria pelos cantos, estou vigiando, ninguém me escapa.

Aposto meus suspensórios que os poemas góticos ficarão excepcionalmente melhores com a retirada da palavra lamúria. Eu gostaria de proibir a utilização de templates do Marilyn Manson também, mas temo não ser capaz de coibir seu uso - essas pessoas que fazem poemas góticos correm o risco de ficarem felizes sem usar os templates do Marilyn Manson e acabarão revoltando-se contra mim. É um medo que muito me aflige todas as noites.

18 de março de 2005

Cultura

Descobri hoje que o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, assinou um documento tombando todo tipo de manifestação cultural feita em solo pernambucano pelo imaginário popular - e não por qualquer elitizadozinho por aí, como vocês podem achar, pois tem que ser do povo, tem que ser da nossa gente. Então, já que escrevo em solo pernambucano, em Recife, estou precisando saber se sou ralé o suficiente para ter meu blog figurando como patrimônio cultural do Estado (o que seria muito lisonjeiro, pense você: o Manipulação seria tão importante para o país quanto as músicas da banda Brega.com, que é muito pernambucana, é muito gente-como-a-gente, é muito arte-do-povo).

Como não sei por onde ou para quem perguntar, exporei minha dúvida aqui: como faço para saber se sou plebe o suficiente para meu blog ser tombado pelo governador? Tenho certeza de que sou bem gentinha, mas preciso me certificar antes de ficar orgulhoso, antes que eu saia cantando de clérigo para todo mundo.

Estou fazendo um exaustivo trabalho para parecer menos nobre, não fazendo o mínimo esforço para limpar o rosto, ficando todo remelentinho e meio suado, mas creio que isso ainda não será suficiente e penso que ainda terei que entortar alguns dentes para parecer do povo. Espero mais sugestões para dar um improvement na minha cara de sofrido e assim figurar no topo da produção cultural do Nordeste.

E agora, com licença, vou comer feijão com farinha.

15 de março de 2005

Democracia

Perguntaram-me - com aquele sorrisinho esperto no canto da boca e olhando-me de esguelha - se eu penso que democracia é encher urnas. Ainda não tenho certeza, mas acho que foi uma pergunta retórica, já que, para mim, democracia é isso aí mesmo, encher urnas, escolher uns paspalhos para fazer aquilo que não queremos fazer e talvez até consista naquele negócio de liberdade de imprensa, não sei ao certo. E foi isso que eu disse quando me perguntaram, só que aparentemente não foi uma resposta satisfatória, pois ficaram me olhando torto, dizendo que todo mundo espera mais da democracia, querendo que ela proveja, além de eleições, dignidade, afeto e amor para os cidadãos. Que se fosse uma ditadura comunista, poderia até não haver liberdade, mas haveria dignidade para todos.

Ou seja, são pessoas muito carentes, que precisam que o governos lhes dê dignidade, enquanto todo mundo consegue desenvolver esse tipo de coisa sozinho (algumas pessoas até não desenvolvem, acredite, mas não se sentem mal com isso). Para essa gente, se estiverem com problemas psicológicos, precisando de uma esmolinha de dignidade do governo, recomendo a psicanálise ou o site ParPerfeito.com.br, que pode ajudar muito a recuperar a auto-estima. Anote aí.

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E, aproveitando o post, não posso deixar de dizer que estou todo pimpão com o elogio de Alexandre Soares Silva a mim em seu blog, tanto que estou olhando com o nariz empinado para todo mundo. Em primeiro lugar porque sou fã dele. E também porque gostaria há muito de mandar um abraço e um tapinha na bunda para alguém por aqui. Desta vez, vai para ele. Obrigado, Alexandre!

13 de março de 2005

Onde Aguinaldo Silva errou

A cena do casamento de Maria do Carmo com o bicheiro no capítulo final de Senhora do Destino não poderia ter sido mais ridícula e imbecil, o que mostra que faltou a Aguinaldo Silva a sensibilidade para cativar os espectadores. Esta sensibilidade, modéstia à parte, ocorreu-me e eu sugiro à Globo que refilme a cena para quando for passar a novela no Vale a Pena Ver de Novo. Eis a melhor cena de casamento, na minha opinião:

(São Nunca, que era o padre, pergunta ao bicheiro do qual não me recordo o nome e à Maria do Carmo se eles desejam unir-se em matrimônio.)

São Nunca: Bicheiro, desejas unir-se à Maria do Carmo, amando-a e respeitando-a, na alegria e no vocês-sabem-o-resto?
Bicheiro: Sim.
São Nunca: Maria do Carmo, desejas se casar com o bicheiro, amando-o e tudo o mais?
Maria do Carmo: Sim, desejo.
São Nunca: Mas vocês vão se casar só no dia de São Nunca!

(Risos descontrolados do resto do elenco. Carol Castro tira a blusa e cai no chão rindo. Leandra Leal tira a blusa, coloca a boina para esconder seus seios e sai correndo pelo set sem motivo aparente.)

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Falando em Globo, descobri hoje que Didi Mocó escreveu um livro ano passado, chamado Amizade Sem Fim, com prefácio de Carlos Heitor Cony - que diz que a obra tem de tudo para figurar com mérito e dignidade na prateleira da nobre literatura nacional. Quer dizer, a despeito dos erros de português e das vírgulas mal colocadas, Didi Mocó é um escritor de mão cheia, e não apenas um grande humorista, como todo mundo sabe e se farta de tanto rir.

O livro conta a história de um milionário que fez voto de pobreza e descobriu numa regressão hipnótica que ele tem uma conexão - que não compreendi muito bem qual é - com Jesus Cristo. Então, o livro fala sobre a violência carioca e de como o protagonista desvirgina uma enfermeira.

Didi Mocó quis ser sério nesta obra, o que é muito desolador, já que, provavelmente, a enfermeira não tem um marido negão que aparece depois querendo bater em todo mundo. Uma falta de absurdo totalmente lamentável: Renato Aragão não aprendeu nada em tantos anos atuando em A Turma do Didi. Mas ainda há esperança: ele já está preparando seu segundo romance. Talvez neste haja um negão corno violento querendo bater em todo mundo.

11 de março de 2005

Senhora do Destino

Acho que o Aguinaldo Silva entrou num concurso para fazer o pior final de novela da história, uma competição entre ele e o Walcir Carrasco. Claro que o Walcir sai ganhando porque suas novelas já são uma porcaria só por levarem seu nome e, com uma novela porcaria, um final porcaria é muito mais fácil de ser feito. Mas Aguinaldo Silva não quer ficar atrás e, com Senhora do Destino, entrou para o hall dos autores que fazem finais de novelas mais idiotas desse meu Brasilzão.

Aguinaldo Silva mostrou que é capaz de ser um dos maiores escritores de Malhação da história e, desta forma, espero que a direção da Globo tome as providências cabíveis, alocando o autor no núcleo jovem da emissora. Gostaria, por sinal, de mandar uma mensagem ao grande Aguinaldão, dizendo que agora que ele será o autor da novelinha que, por favor, coloque o João para apanhar do pai; vai dar uma super alavancada na audiência, além de, claro, tornar o programinha bem mais interessante.

Espero realmente que ele leia.

9 de março de 2005

Soletrando o Código da Vinci

No embalo das publicações sobre o Código da Vinci - tais como Quebrando o Código da Vinci, Revelando o Código da Vinci e Decifrando o Código da Vinci -, eu vos mostro meu mais novo trabalho, o Soletrando o Código da Vinci, fruto de anos de pesquisa em que não li o Código da Vinci, mas posso imaginar que seja que um livro muito bacana - assim como também posso imaginar que não o seja, e, na verdade, imagino que seja um livro que fala sobre Formula 1.

Dado isso, mostro aqui em primeira mão para meus queridos leitores fiéis o Soletrando o Código da Vinci, que chegará em breve ao mercado brasileiro.

Soletrando o Código da Vinci
Autor: Howard S. Frost
Tradução: João Pereira Froste

"Vamos lá, repita comigo: C, Ó, D, I, G, O, respire, D, A, respire, V, I, N, C, I."
E, em breve, do mesmo autor, eu mesmo, Silabando o Código da Vinci, com todos os truques de separação e pronúncia das silabas do Código da Vinci. Eis uma prévia:

Silabando o Código da Vinci
Autor: Howard S. Frost
Tradução: Froste Assis

"Diga em voz alta, depois de mim: cê, ó, có; dê, i, di...
Soon.

3 de março de 2005

Moda

O capacete dos soldados da missão brasileira no Haiti é azul, um azul clarinho, o conhecido azul-calcinha. Percebe-se que os brasileiros são mestres na arte da camuflagem, colocando um uniforme verde com um capacete combinando, portanto, sugiro às tropas brasileiras que usem botas cor-de-rosa e que coloquem um alvo na cabeça, para ficarem com um look super moderno e praticamente invisíveis aos bandidos haitianos. Duvido inclusive que receberiam uma alfinetada do Ronaldo Ésper.

Claro que eu sei que o capacete azul e a roupa verde dos brasileiros pode ajudar muito em situações de risco. Por exemplo, se o soldado, numa vicissitude, for obrigado a fugir, ele pode esconder a cabeça numa piscina e o resto do corpo no meio de uns arbustos. Nunca o encontrariam. Todos os países deveriam adotar nosso modelito para suas Forças Armadas.

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Quando eu penso num soldado brasileiro se escondendo, sempre imagino-o agachado atrás de um grande vaso de plantas com o capacete aparecendo, talvez mostrando o cofrinho. Na verdade, penso num soldado precisamente atrás do grande vaso de plantas que fica no corredor daqui de minha casa - até porque acho que eu não conseguiria imaginar outro vaso de plantas em outro lugar, pois creio piamente que esse é o único vaso de plantas que existe. Tenho passado muito tempo neste lugar, deitado, sem fazer nada, e aquele vaso ficou gravado na minha cabeça.

O grande vaso de plantas do outro lado do corredor é uma das poucas coisas que eu sei da minha casa, pois só transito entre o quarto, a cozinha e o banheiro. O resto da casa permanece um mistério tão incógnito que eu tenho medo que haja escorpiões, lobisomens ou até Petit Gateaus nos outros aposentos. It scares me to hell.

(Este é o mapa da minha casa na minha mente.)

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- A Samanta fez uma comunidade no orkut para o Manipulação, vejam aqui. Obrigado, Samanta!

- Já o Ian fez uma comunidade para o Neto, comentarista e estrela do Esporte Total da Band.

Juntem-se.

26 de fevereiro de 2005

Descoberta

Sexólogos e pedagogos sempre dão entrevistas por aí dizendo que os adolescentes estão na fase de descobrir o próprio corpo e que isso se deve aos hormônios e tudo mais. Antes da minha adolescência, por exemplo, eu não sabia absolutamente nada do meu corpo e por isso eu mijava sem usar a mão para mirar na privada, o que ocasionava problemas terríveis, tais como deixar molhada a tampa do vaso. Foi uma época muito difícil da minha vida porque eu não sabia que o pinto precisava de uma ajuda para saber aonde deve-se urinar.

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Para ajudar todos os adolescentes do mundo, digo-lhes que seu corpo é só isso mesmo, pois talvez vocês tenham ficado em dúvida se existe algo mais ao ouvirem um sexólogo dizer que a adolescência é a fase da descoberta. Não adianta procurar, não tem um tesouro, é só isso aí que você viu no espelho - talvez tenha até algumas coisas na parte de trás do corpo, mas isso é apenas especulação, ninguém provou nada. E ainda digo-lhes que a adolescência não é a fase da descoberta do próprio corpo, mas sim a fase da descoberta do corpo alheio. Leve diferença, questão de referencial.

21 de fevereiro de 2005

Elegância

É preciso muita elegância para uma mulher peituda sair correndo por aí com seus peitos balançando. Por isso, gostaria de pedir para as peitudas não correrem por aí se não tiverem a expressividade necessária, a elegância, a técnica precisa para balançar os seios em público enquanto corre. O balançar de seios é uma arte que não deve ser profanada, não pode ser blasfemada da forma que vem sendo, neste mundo onde toda mulher peituda não tem o mínimo de pudor ao correr.

Para provar minha tese, cito duas cenas. Uma é do primeiro filme de Tomb Raider, quando Angelina Jolie começa a correr do desmoronamento da caverna onde estava. Não sei se vocês já viram, mas eu lhes digo que é uma corrida com elegância, em câmera lenta, em que os seios de Angelina postam-se na posição perfeita, sincronizados - sem falar da expressividade da atriz, que não apenas preocupa-se em correr e balançar os peitos de forma exemplar, mas também preocupa-se em salvar a própria vida. A outra cena, a ruim, é de Malhação, de quando Joana Balaguer ouve seu namorado dizer a um amigo que gosta de outra. Grávida, Joana começa a correr desengonçadamente, balançando os peitos sem cuidado nenhum (certas vezes eles iam para direções diametralmente opostas), sem câmera lenta, mostrando a falta de experiência da atriz em correr, em balançar peito e em atuar de forma geral. Comparando as cenas, percebemos que Angelina Jolie pode correr por aí e Joana Balauguer, infelizmente, ainda tem que comer muito arroz com feijão.

Isso mostra que a humanidade é intrinsecamente errada pois mulheres com peitos grandes que não sabem correr acabam correndo, ofendendo as pessoas de bem, que nada fizeram para merecer aquilo. Portanto, leitora de seios grandes, nunca corra, nem que seja muito necessário, se você não quiser ferir a alma de quem te observa. Vai uma sugestão: treine um pouco em casa para quando precisar correr numa situação de emergência, algum dia.

Se você já sabe correr, por favor, saia na rua, correndo e saltitando, para encher os olhos de gente como eu, que cresceu vendo Baywatch.

16 de fevereiro de 2005

Patota movida a música e Michael Jackson

Temos que esclarecer algumas coisas para a galerinha blogueira: vocês não são movidos a música. Podem viver e até bem confortavelmente sem música, num agradável silêncio. Juro por estas calças que visto (veja, são jeans, compridas, meio desconfortáveis, admito). Gostaria que essa moçadinha esperta que se diz movida a música tentasse fechar o Winamp para ver se eles ficam parados, pois eu acho que não, e a mim esse negócio de movido a música não convence.

Vamos separar as coisas: você só é movido a música se você vive no mundo dos filmes musicais, onde todo mundo sai por aí, cantando e dançando, sem pudor algum (é um mundo realmente feliz. Eu gostaria muito de viver nele). Se você não sai pela rua cantando e dançando, você não é movido a música, talvez nem seja movido a coisa alguma, é possível que você fique aí mesmo, parado. Portanto, coleguinhas, esqueçam esse negócio de ser movido a música porque é meio ridículo.

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Dizem que os americanos são hipócritas por seu conservadorismo, por sua mania de não gostar de gente nua aparecendo na televisão, por serem canhotos, por usarem uns bigodinhos feiosos. Compartilho desta visão: os americanos são uns hipócritas pois estão tentando destruir a lenda que é Michael Jackson, estão tentando matar o ídolo, acabar com um dos que tornou os Estados Unidos a potência que são hoje.

Serão injustos se condenarem o Rei do Pop porque ele nada deve a sociedade, concordam? Se Michael legou ao mundo o moonwalk, nada mais justo que ceder a ele algumas crianças para satisfazer suas taras doentias. Se Thriller não vale isso, eu não sei o que vale.

14 de fevereiro de 2005

Sobre as coisas de que gosto em Recife

Os jovenzinhos super conscientes de seu papel como cidadãos aqui em Recife odeiam essa postura minha de ficar falando mal dessa terrinha abençoada por Deus, porque eu deveria dar valor ao que é da gente, essas coisas do povo brasileiro, do Nordeste nordestino. "Affe, vai pros Estado Unidus, seu burguês x(", eu sempre leio por aí, o que me faz ficar muito triste, porque não passo de um menino bom que não tem nada contra Recife, e digo-lhes que até gosto de algumas coisas desta cidade tão bela.

A coisa que eu mais gosto em Recife é o Aeroporto Internacional dos Guararapes, que é muito bonito, passou por uma reforma recentemente para ficar mais bonito ainda, e agora traz muita felicidade às pessoas que entram nele, que ficam morrendo de vontade de ir embora, e mal conseguem conter a euforia. Sempre ouvimos por lá frases do tipo "Meu amado Deus, vou embora!", ou "Pensei que ia ficar preso nesse lugar até o fim da vida!", ou até "Cirlene, a gente está aqui, minha filha!" (normalmente esta última vem acompanhada de cartazes e faixas como "Benvinda devolta, Cirlene" e umas 20 pessoas meio cabeludas demais comemorando a chegada da Cirlene, que estava estudando no Pará).

O Aeroporto dos Guararapes, também chamado de Aeroporto Gilberto Freyre, proporciona uma experiência aprazível deveras, eu diria única, na arte de ir embora de Recife. Ir embora do Recife não é coisa para amadores, para neófitos aventureiros, é algo que deve ser aproveitado do começo ao fim, e essa experiência só o Aeroporto pode proporcionar, um aeroporto singular, pois lá pensamos que não estamos mais em Recife, uma coisa maravilhosa. Vocês sabem, não estar no Recife é uma satisfação quase sexual, o paraíso na Terra, o Éden dos pobrinhos.

Então, meus queridos jovens super antenados com seu papel na sociedade, não fiquem tristes comigo porque eu gosto de muitas coisas de Recife, como o aeroporto, e se forem ficar com raiva de mim, escolham um motivo mais legal, como por exemplo o fato de eu ter a barba rala - um ódio muito mais justificável e bem mais simpático. (Imagine-se falando "Eu o odeio por causa de sua barba rala!" Você seria uma pessoa realmente admirada. "Nossa, veja como os ódios do Alcir são simpáticos, acho que vou dar para ele!", várias menininhas diriam, aposto.)

11 de fevereiro de 2005

O triste mundo das Pessoas Complexas

Estou aqui, sem nada para fazer e sem dormir. Só durmo quando tenho coisas importantes para fazer, a gente esquece as coisas importantes quando dorme. Então, decidi postar, pois uma semana se passou e nenhum texto foi escrito - mas vocês me entendem, foi culpa do Carnaval, apontem para ele. Escrevi então este post, sobre o declínio da civilização e caldas de cereja.

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Pois bem, caldas de cereja são muito gostosas. Isso é tudo o que tenho que dizer sobre caldas de cereja, vamos agora falar sobre o declínio da civilização. Chutarei uma previsão, o que é algo que muito me deixa contente, porque adoro previsões, mesmo que estupidamente burras, e também adoro chutar, mesmo quando não tenho embasamento algum. Chuto convictamente que o Galvão Bueno ficará careca, pois acho que a testa dele tem aumentado vários centímetros nos últimos anos. E chuto que daqui a 500 anos a humanidade não terá evoluído absolutamente nada, digo, em escala global, a economia minguará, a humanidade emburrecerá.

Tenho uma teoria, que considero superior a qualquer outra que já existe (e na verdade eu chuto que realmente seja): as pessoas se tornaram complexas demais para evoluirem. Ninguém mais responde uma pergunta de sim ou não com sim ou não, sempre somos deparados com fatores muito mais complexos. "Mas veja só, cara, as coisas não são tão simples quanto parecem." Ficaram complexos demais para um sim, um não, quem sabe até um talvez.

Se a gente inocentemente pergunta se a pessoa quer um copo d'água, o sim ou não (duas opções tão bonitinhas e que ficam tristes quando as esquecemos), são esquecidos e dão lugar aos fatores muito mais complexos que fogem à nossa compreensão simplista.

Outro dia, perguntei a um amigo como ele estava, se estava bem ou mal, uma pergunta de fácil resposta, bastava escolher uma opção, mas ele não escolheu nenhuma, ele é uma pessoa complexa. Disse-me que estava "atordoado com aquela enchente de sentimentos contraditórios e intensos". Seu empenho em explicar-me como ele estava não respondeu à pergunta, continuei sem saber se ele estava bem ou mal. Perguntei-lhe se aquilo significava que ele estava bem, então. Ele me disse que não sabia ao certo e que "a alma humana não pode ser resumida nesses reles parâmetros".

Meu bom Deus.

É por isso que acho que daqui a quinhentos anos estaremos de mal a pior, acho até que estaremos extintos.

E o dia do apocalipse chegará quando o DOS perguntar a alguém:

- Format C:? (y/n)
- Veja bem, essa questão é mais complexa do que parece...

We're all dead.

4 de fevereiro de 2005

Devaneios

Vou direto ao ponto porque não gosto de enrolar, vocês sabem, sou uma pessoa muito sucinta, então, ouçam e ouçam bem: não se lê blogs em que o autor diz na descrição "Estes são os pensamentos e devaneios de uma mente perturbada". Todo mundo tem pensamentos e devaneios de uma mente perturbada e estou começando a achar que eu sou o anormal por não ter pensamentos e devaneios de uma mente perturbada. Qual o problema das pessoas? Orgulham-se de terem pensamentos e devaneios de uma mente perturbada? De que mais vão se orgulhar? De sair na rua com a cueca na cabeça? De protestar contra o imperialismo? Quem sabe até orgulhem-se de serem vegetarianos. Ninguém é normal, percebam. Li também em um blog uma descrição dizendo que o autor está eternamente "absorto no mundo dos pensamentos". O mundo dos pensamentos deve estar superpovoado de blogueiros maluquinhos que, Deus, usam a palavra "devaneio" à torto e à direito. Perdemos as rédeas completamente.