29 de junho de 2006

Pelo que eu prevejo uma das reportagens da Globo sobre o jogo entre Brasil e França

Repórter: Dia de jogo do Brasil é assim, todo mundo unido numa só corrente. Mas algumas famílias no país vão ficar divididas, como é o caso do Seu Pierre e da Dona Marília. O Seu Pierre é casado com a Dona Marília há 30 anos. Ela o conheceu durante uma viagem à França, os dois se casaram e vieram morar no Brasil. Seu Pierre, como vai ficar o coração durante o jogo, dividido? Vai torcer para quem?

Seu Pierre: O coração da gente fica meio dividido nessas horas, mas eu vou torcer pela França, né...

Repórter: E a senhora, Dona Marília, como vai ficar na hora do jogo? Vai ter muita disputa aqui?

Dona Marília: Ah, vai, né. Mas ele sabe que vai perder, hahahaha.

Repórter: Copa do Mundo é assim, esse clima de união! De volta ao estúdio.

28 de junho de 2006

Como Emerson se machucou sem nem ao menos ter encostado na bola no jogo contra Gana

É uma pergunta difícil de ser respondida, porque Emerson não participou de lance algum durante o jogo, o que pode ter levado os incautos a acharem que ele estava fora de campo, jogando dominó e tomando uma loira gelada. É um bom palpite, mas não foi o que aconteceu. O fato é que Emerson estava lá, como quem não quer nada, cuidando da própria vida, passeando pelo campo, quando foi abordado por uma dupla de jogadores ganeses, que mandaram ele passar a carteira. Emerson não passou, reagiu e acabou levando um tiro na perna, não podendo jogar o segundo tempo.

Que a desigualdade social é uma coisa lamentável. Ela gera toda essa violência que vemos por aí, e explica por que Gana, tendo uma das piores distribuições de renda do mundo, faz tantas faltas durante as partidas.

Fica então a lição: quando for abordado por marginais, não reaja. A palavra de ordem é O-POR-TU-NI-DA-DE.

19 de junho de 2006

Austrália fora da Copa é um must

Como Casagrande e Falcão teimam em me lembrar, embora eu não queira, porque esquecer as coisas me dá uma aura esnobe, o futebol africano está numa ascendente há vários anos. Essa evolução contínua eventualmente levará os times africanos a se classificarem duas vezes seguidas para a copa. Imagine só, duas, quase três, é como um sonho virando realidade para a África.

Aproveito um ensejo para declarar que de hoje em diante à Austrália não será permitido o ingresso na Copa do Mundo, não porque eu não simpatize com o país, o que seria razão suficiente para a proibição, mas porque ele teve a infelicidade de nascer na Oceania. Vejam bem, não é porque um país existe que deve ter oportunidade de participar da Copa. Venhamos e convenhamos, há que se ter bom senso. Não é por que um time ganha de Papua Nova Guiné nas eliminatórias que ele tem nível para ir à Copa. E fiquei sabendo que nas eliminatórias da Oceania há vários outros sub-países, como, digamos, Micronésia, Ilha de Robinson Crusoé, Tuvalu, ao que fica claro que a a proibição da entrada da Austrália na Copa é necessária.

11 de junho de 2006

A Completa História do Humor Mundial

O cinismo é a nova ironia, assim como o vermelho é o novo preto. Houve um tempo em que a ironia era o novo sarcasmo, mas esse tempo se foi junto com a monarquia absoluta. O nonsense sempre foi hors concours e nunca concorreu com os sistemas de humor alternativos.

9 de junho de 2006

José Porras, goleiro da Costa Rica

A MTV é como o japonês maluco que acha que a guerra ainda não acabou. Mas a MTV talvez até saiba que a guerra já acabou, só não sabe que a década de 60 já acabou e que, portanto, falar de sexo não é mais tabu. Tenho consciência de que 46 anos não são suficientes para notar o alvorecer de uma nova era, por isso aviso aqui para a MTV: falar de sexo não é revolucionário. Vi num programa da MTV outro dia uma discussão sobre a Madonna ser ou não revolucionária porque fala de sexo. C'mon, minha avó era mais revolucionária quando comia manga com feijão no almoço.

Sabem o Senhor Barrigudo Conservador, que não admitia que se falasse de sexo 40 anos atrás? Pois bem, ele foi vacinado. O infeliz nem se choca mais quando assiste a prova do kama sutra no Ponto Pê Game. Um triste fim para uma tão importante instituição social. O que ele vai conservar agora?

6 de junho de 2006

Decreto

De hoje em diante, Jô Soares está proibido de chocar-se com o número de pessoas passando fome no país. Não sou um grande fã de humor involuntário.

2 de junho de 2006

On Art

Tudo o que te faz perguntar a si próprio "Isso é arte?" não é arte. Tudo o que te faz perguntar a si próprio "Isso é bonito?" é arte. Quando dizem que seu conceito de arte é "muito restrito" significa que ele é correto. Tudo o que é chamado de arte hoje em dia (grafitti, esculturas de macarrão) não é arte. Uma pessoa que diz "estou só divulgando a minha arte" não faz arte. Problemas sociais não são arte. Tudo o que Ariano Suassuna diz que é cultura popular não é cultura popular, e, se algum dia foi, não é mais, e por bons motivos. Uma arte precisa de significado, do contrário não é arte, toda a filosofia pós-moderna notwithstanding. Tudo o que é financiado pelo governo via Ministério da Cultura não é cultura - nem arte (analogamente, tudo o que o Ministério do Esporte financia não é esporte, e.g. pólo aquático). Quem diz que a arte é tudo o que desperta algum sentimento em alguém está mentindo. A arte não tem função educativa - tudo o que tem não é arte, é apostila. Arte não está nos olhos de quem olha. Toda a arte moderna, por definição, não é arte, porque quer acabar com o conceito de beleza. A cultura de massa pode ser artística, mas a arte contemporânea, embora seja pop e finja não ser, não é. Duchamp não é artista. Por fim, todos os artistas que declaram ou já declararam que a arte é autônoma, que independe do artista, deveriam ser proibidos de receber pagamento por suas obras; se um artista não tem nenhum laço com sua obra também não tem laço nenhum com o dinheiro advindo dela.

1 de junho de 2006

Ana Maria Braga numa cervejaria em Munique

Estava lendo a Veja Mulher, revista de conteúdo muito interessante a mim, e vi esta entrevista com uma sujeita do New York Times (coloquei o link apenas para dar uma cor ao post, mas a periferia não vai poder acessar, é só para assinantes). A mulher é uma feminista qualquer, ou pelo menos foi o que eu entendi, porque não li todas as perguntas, nem as respostas inteiras, que diz que os homens não são mais necessários, que por sinal é o que dá o nome a um suposto livro dela (Os Homens são Necessários?). Cito um trecho da entrevista:
Veja - Como indaga o título de seu livro, os homens são necessários?
Dowd - Eles não são mais necessários. Sou uma feminista maluca etc, etc, etc.
Memo para as feministas: os homens não são liquidificadores, e, como tal, não precisam de uma utilidade. Basicamente toda a literatura feminista se concentra na tentativa de tentar provar a inutilidade dos homens para as mulheres, como se nós nos importássemos em parecer úteis em alguma coisa, como se elas nos estivessem pagando para fazer alguma coisa, que petulância. Se nós tratássemos as mulheres com reciprocidade, da mesma forma que elas nos tratam, seríamos acusados de machismo. Porque ou o homem quer uma esposa/namorada (inútil) ou uma faxineira (útil) - e é possível que até existam homens que achem que todas as mulheres deveriam ser faxineiras (e, infelizmente para eles, não são), mas, creio que por algum tipo de inclinação biológica, eles não saíram escrevendo livros sobre como as mulheres são desnecessárias.

Mas a essa colunista do NYT é permitido proferir comentários segregacionistas assim e sair incólume. Sabe por quê? Sabe? Porque ela é branca.