Experimentar coisas somente para falar mal depois é uma das coisas mais degradantes do mundo, como é degradante, nem me fale, e é por isso que todo mundo só vive falando isso, "oh, meu Deus, não fale mal sem conhecer, tem que falar mal com embasamento, atitudes como a sua contribuem para a má qualidade do debate na internet!!!". A internet está infestada de gente que quer debates de alta qualidade, não sei para quê, visto que, ora, o debate é de baixa qualidade porque as pessoas são de baixa qualidade, os inteligentes não se preocupam com debates de alta qualidade, nem em falar mal com embasamento.
"Não fale mal de colocar o dedo na tomada, você nunca nem colocou, para saber, sua atitude inconseqüente contribui para o enfraquecimento do já debilitado debate da internet hodierno", eu gostaria de ver alguém dizer, à mesa de jantar, após eu dizer que jamais colocaria o dedo na tomada para não acontecer essas coisas chatas, levar um choque, talvez. Essa é basicamente a atitude de quem lê Paulo Coelho para falar mal com embasamento: colocar a mão na tomada para saber como é e achar muito bonito. Essa atitude deve advir de revolta das pessoas, sabe-se lá, fizeram algo muito estúpido e agora saem pelo mundo incentivando os outros a fazerem coisas igualmente estúpidas. "Eu li Código da Vinci, leia você também", diz o arauto do bom debate na internet, "li e agora falo com propriedade, não saio destilando críticas sem conteúdo". É como você martelar o próprio dedo e sair pelo mundo propalando as maravilhas de martelar o próprio dedo, para que você possa falar sem medo sobre como é martelar o próprio dedo.
Mas essas pessoas não me pegam, sou muito esperto, tenho os reflexos rápidos como os de uma raposa do deserto azul, animal muito ágil que acabo de inventar, ninguém vai me fazer ler Paulo Coelho, talvez eu nem leia Código da Vinci, que comecei outro dia, mas Paulo Coelho nunca. E mesmo que eu leia Código da Vinci, não falarei para que vocês leiam, pois não tenho esses impulsos sádicos, nem discuto na internet, a única coisa que faço online são raps, e aproveitando o ensejo, gostaria de chamá-los para lá, para a Comunidade Rap, para que você se junte a mim, a nós, na arte de fazer raps. E essa propaganda é a única razão de este post existir.
31 de agosto de 2005
11 de agosto de 2005
Expressões constrangedoras
Das mais para as menos constrangedoras:
- "dar muito beijo na boca";
- "muita gente bonita";
- "ver por dois ângulos principais";
- "básico";
- "é relativo".
É importante frisar que as primeiras duas expressões remetem imediatamente a Hebe Camargo. Ou seja, se você as usa, já usou, pensa ou pensou nelas, ceteris paribus, você é Hebe Camargo. Questão puramente lógica, ou erro em minha reflexão?
Provo-a com um exemplo simples. Basta imaginar Hebe Camargo conversando com a ex-Casa dos Artistas Mari Alexandre:
Mari Alexandre: Sabe, Hebe, é que ainda estou estudando as propostas das revistas para posar nua. Ainda não surgiu uma proposta que me balançasse. (E dá uma balançadinha na cabeça enquanto fala "balançasse".)
Hebe: Tem que fazer isso mesmo. E você, jovem e bonita, tem mais é que aproveitar a vida, sair por aí e dar muito beijo na boca!
A terceira e a última expressões não precisam nem de explicações, porque, ora, que coisa horrível é alguém chegar e dizer na sua cara para você olhar de dois ângulos um assunto, e que o assunto é todo relativo, e que você não pode dar "essa explicação tão simplista", e essas coisas. Enfim, não vou me estender neste ponto, parece-me óbvio.
Ah, e "básico". "Para sair para a night, você põe aquele jeans básico." Note que "básico" é expressão predominantemente usada por VJs da MTV. Isto significa que, se você a usa, provavelmente você é o Léo Madeira.
Update:
Outras expressões repulsivas:
- "balada";
- "monopólio da ética".
- "dar muito beijo na boca";
- "muita gente bonita";
- "ver por dois ângulos principais";
- "básico";
- "é relativo".
É importante frisar que as primeiras duas expressões remetem imediatamente a Hebe Camargo. Ou seja, se você as usa, já usou, pensa ou pensou nelas, ceteris paribus, você é Hebe Camargo. Questão puramente lógica, ou erro em minha reflexão?
Provo-a com um exemplo simples. Basta imaginar Hebe Camargo conversando com a ex-Casa dos Artistas Mari Alexandre:
Mari Alexandre: Sabe, Hebe, é que ainda estou estudando as propostas das revistas para posar nua. Ainda não surgiu uma proposta que me balançasse. (E dá uma balançadinha na cabeça enquanto fala "balançasse".)
Hebe: Tem que fazer isso mesmo. E você, jovem e bonita, tem mais é que aproveitar a vida, sair por aí e dar muito beijo na boca!
A terceira e a última expressões não precisam nem de explicações, porque, ora, que coisa horrível é alguém chegar e dizer na sua cara para você olhar de dois ângulos um assunto, e que o assunto é todo relativo, e que você não pode dar "essa explicação tão simplista", e essas coisas. Enfim, não vou me estender neste ponto, parece-me óbvio.
Ah, e "básico". "Para sair para a night, você põe aquele jeans básico." Note que "básico" é expressão predominantemente usada por VJs da MTV. Isto significa que, se você a usa, provavelmente você é o Léo Madeira.
Update:
Outras expressões repulsivas:
- "balada";
- "monopólio da ética".
1 de agosto de 2005
Perguntão
Apreciaria por demais se alguém me explicasse por que a Nova York dos filmes está constantemente em incêndio, como neste filme que vejo agora, no Corujão, às quatro da manhã, em que ocorre uma briga no metrô da cidade com muita fumaça ao fundo. O que é aquilo? Fumaça mesmo? Vultos? Gás lacrimogêneo? Peidos? Vejam, neste momento a cena acaba de mudar para dentro da casa da pessoa e continua aquela fumaça passando. A noite de Nova York tem tanta fumaça assim? Estou ficando louco com esta dúvida.
Mas mudo de assunto. Deixe-me contar que, ontem, um meu tio e sua mulher, que moram no interior de Pernambuco e, portanto, não podem nos visitar freqüentemente, vieram à minha casa e ficaram aqui durante umas três ou quatro horas, conversando frivolidades com minha mãe, enfim, matando as saudades, vez que eles vêm poucas vezes para a parte do estado que mais se aproxima da civilização.
Minha mãe lhes entreteu mostrando os encantos do mundo moderno, deixando-os maravilhados com coisas como fósforos ("Santo Deus, é só riscar nessa parte marrom da caixa que acende?") e velcro ("Olha como cola um lado no outro!"), e, ademais, ela se divertiu conversando com parentes que quase nunca vê. O ponto é que, ao irem os dois embora, ela veio me reclamar: "Olha só, perdi minha novela!"
E, bem, isso sempre acontece. Certo dia, não brinco, veio nossa velha vizinha, Dona Saudade, aqui em casa para conversar às nove e meia da manhã. Passaram aproximadamente quinze minutos conversando, até que Dona Saudade ficou com sono, ou alguma coisa assim, nunca se sabe, e voltou para casa. Isso fez com que minha mãe irresignadamente corresse até mim para queixar-se: "Olha só, perdi minha novela!"
Mamãe sempre perde ou perderá uma novela, por mais estranha que seja a hora em que acontecem as visitas, o que nos leva a perguntas lógicas, pois hoje estou perguntão e vou explorar os comentaristas deste blog: 1) Quantas novelas passam na TV aberta brasileira e elas passam em horários esparsos como as visitas à minha casa? 2) De manhã passa novela ou a TV Globinho é uma novela? 3) Qual a duração média de cada capítulo das novelas nacionais?
Muito grato pelas respostas, embora a questão da fumaça seja muito mais aflitiva, e talvez responda por que Nova York fede tanto. (Nada contra, mesmo, mesmo, mas é que fede, vou dizer o quê? E tem aqueles ratos asquerosos.)
Mas mudo de assunto. Deixe-me contar que, ontem, um meu tio e sua mulher, que moram no interior de Pernambuco e, portanto, não podem nos visitar freqüentemente, vieram à minha casa e ficaram aqui durante umas três ou quatro horas, conversando frivolidades com minha mãe, enfim, matando as saudades, vez que eles vêm poucas vezes para a parte do estado que mais se aproxima da civilização.
Minha mãe lhes entreteu mostrando os encantos do mundo moderno, deixando-os maravilhados com coisas como fósforos ("Santo Deus, é só riscar nessa parte marrom da caixa que acende?") e velcro ("Olha como cola um lado no outro!"), e, ademais, ela se divertiu conversando com parentes que quase nunca vê. O ponto é que, ao irem os dois embora, ela veio me reclamar: "Olha só, perdi minha novela!"
E, bem, isso sempre acontece. Certo dia, não brinco, veio nossa velha vizinha, Dona Saudade, aqui em casa para conversar às nove e meia da manhã. Passaram aproximadamente quinze minutos conversando, até que Dona Saudade ficou com sono, ou alguma coisa assim, nunca se sabe, e voltou para casa. Isso fez com que minha mãe irresignadamente corresse até mim para queixar-se: "Olha só, perdi minha novela!"
Mamãe sempre perde ou perderá uma novela, por mais estranha que seja a hora em que acontecem as visitas, o que nos leva a perguntas lógicas, pois hoje estou perguntão e vou explorar os comentaristas deste blog: 1) Quantas novelas passam na TV aberta brasileira e elas passam em horários esparsos como as visitas à minha casa? 2) De manhã passa novela ou a TV Globinho é uma novela? 3) Qual a duração média de cada capítulo das novelas nacionais?
Muito grato pelas respostas, embora a questão da fumaça seja muito mais aflitiva, e talvez responda por que Nova York fede tanto. (Nada contra, mesmo, mesmo, mas é que fede, vou dizer o quê? E tem aqueles ratos asquerosos.)
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