Comecei a escrever uma coluna na Revista Paradoxo. Aqui está o link direto para o meu primeiro artigo, com o qual fiquei particularmente satisfeito. Visitem, amigos.
(A propósito, não passarei mais duas semanas sem postar. Voltarei à regularidade.)
30 de abril de 2005
16 de abril de 2005
George Clooney
Todos os homens do mundo querem invariavelmente ser o George Clooney. De uma forma ou de outra, querem ter o charme dele, se vestir como ele, e até falar pouco como ele. Até mesmo quem diz que quer ser o Richard Gere quer ser o George Clooney. Não dá para querer ser o Richard Gere por uma razão simples: ele faz diferentes papéis de vez em quando - mas não sempre, claro. Às vezes ele modifica um pouco sua atuação dependendo do filme, então nós nunca podemos saber quem é o verdadeiro Richard Gere. Quem será o real Richard Gere, o galã ingênuo ou o galã conquistador? É algo que nunca saberemos e talvez fiquemos discutindo isso por toda a vida.
George Clooney é o contrário disso tudo. Nós sabemos bem quem é ele, seu papel nunca muda, nunca vai nos pegar no contrapé. Ele é como a história de Malhação, pode até mudar a casca, mas não muda a essência. Em Plantão Médico, doutor Doug Ross garbosamente salvava vidas, com aquele sorrisinho sarcástico no rosto. A imagem saturou e George Clooney mudou de roupa, colocou um paletó, camisa, esqueceu a gravata e continuou com o sorrisinho sarcástico, sendo o que sempre foi. Pela constância, no duelo dos galãs, Clooney ganha, não há rivais à altura, ninguém é suficientemente charmoso para fazer-lhe frente.
Tento ser como George Clooney em todas as situações da minha vida, por exemplo, quando vou comprar pão. Você pode achar que uma situação prosaica como comprar pão não exige elegância, mas engana-se redondamente. Clooney nos ensinou que em todas as situações da vida deve-se demonstrar um sorrisinho sarcástico para adquirir a confiança do interlocutor, ou para conseguir favores sexuais, ou para não pagar a conta da padaria, ou os três. Então, quando for pedir pães lembre-se de fazê-lo como George faria, sorrindo sarcasticamente e com um olhar sedutor. "Quatro pães franceses, por favor" - diga e tente imaginar onde ficaria a câmera, você sabe, para pegar seu melhor perfil, mas tente também não conseguir favores sexuais com a padeira gorda.
George Clooney é o contrário disso tudo. Nós sabemos bem quem é ele, seu papel nunca muda, nunca vai nos pegar no contrapé. Ele é como a história de Malhação, pode até mudar a casca, mas não muda a essência. Em Plantão Médico, doutor Doug Ross garbosamente salvava vidas, com aquele sorrisinho sarcástico no rosto. A imagem saturou e George Clooney mudou de roupa, colocou um paletó, camisa, esqueceu a gravata e continuou com o sorrisinho sarcástico, sendo o que sempre foi. Pela constância, no duelo dos galãs, Clooney ganha, não há rivais à altura, ninguém é suficientemente charmoso para fazer-lhe frente.
Tento ser como George Clooney em todas as situações da minha vida, por exemplo, quando vou comprar pão. Você pode achar que uma situação prosaica como comprar pão não exige elegância, mas engana-se redondamente. Clooney nos ensinou que em todas as situações da vida deve-se demonstrar um sorrisinho sarcástico para adquirir a confiança do interlocutor, ou para conseguir favores sexuais, ou para não pagar a conta da padaria, ou os três. Então, quando for pedir pães lembre-se de fazê-lo como George faria, sorrindo sarcasticamente e com um olhar sedutor. "Quatro pães franceses, por favor" - diga e tente imaginar onde ficaria a câmera, você sabe, para pegar seu melhor perfil, mas tente também não conseguir favores sexuais com a padeira gorda.
11 de abril de 2005
Soja
(Para dre, que tem a irritante mania de comer soja. E para o Ian, de quem roubei uma piada do post.)
Arrependo-me de muitas coisas. Arrepender-se é um ato muito saudável e demonstra auto-crítica, por isso não confie em gente que só diz que se arrepende do que não fez. Essa gente exibe a presunção de nunca ter cometido alguma tolice, o que obviamente é uma mentira, afinal, todo mundo faz besteira. Para comprovar isso, é só olhar seu último almoço. Aposto que você comeu um monte de bobagem, é melhor começar a se arrepender. Eu, por exemplo, já comi carne de soja.
***
Soja não foi feita para ser leite, nem para ser carne, nem para ser comida. Quando eu fui ao interior de Goiás - fui para lá ontem, não de corpo, fui mentalmente -, conheci um menininho franzino chamado Francisco. Ele brincava feliz em meio aos pés de soja, de vez em quando pegando um grãozinho de soja e usando-o como bolinha de gude, ou jogando-o no riacho para vê-lo quicar. Perguntei-lhe se ele sabia que aquele grãozinho com o qual brincava feliz podia virar leite e, pior, carne. Ele me respondeu negativamente e, com os olhos grandes cheios de lágrimas, indagou: "Se isso é leite, o que é que sai das tetas da Marilda?" Eu não soube responder, fiquei meio encabulado. Francisco, então, argutamente, disse a mim: "Ora, mas isso não é nem comida! Quanto mais leite! Não podemos comer essa coisa que só serve para diversão, que só serve para eu brincar com os grãos! E não pode ser leite algo que não sai das tetas da Marilda! Não pode ser carne algo que não é animal! A cada vez que você comer um grão de soja, ferirá a minha alma. Não coma soja, isso não é da natureza. Dica de goiano."
Foi o Francisco que disse. Dica de goiano.
Arrependo-me de muitas coisas. Arrepender-se é um ato muito saudável e demonstra auto-crítica, por isso não confie em gente que só diz que se arrepende do que não fez. Essa gente exibe a presunção de nunca ter cometido alguma tolice, o que obviamente é uma mentira, afinal, todo mundo faz besteira. Para comprovar isso, é só olhar seu último almoço. Aposto que você comeu um monte de bobagem, é melhor começar a se arrepender. Eu, por exemplo, já comi carne de soja.
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Soja não foi feita para ser leite, nem para ser carne, nem para ser comida. Quando eu fui ao interior de Goiás - fui para lá ontem, não de corpo, fui mentalmente -, conheci um menininho franzino chamado Francisco. Ele brincava feliz em meio aos pés de soja, de vez em quando pegando um grãozinho de soja e usando-o como bolinha de gude, ou jogando-o no riacho para vê-lo quicar. Perguntei-lhe se ele sabia que aquele grãozinho com o qual brincava feliz podia virar leite e, pior, carne. Ele me respondeu negativamente e, com os olhos grandes cheios de lágrimas, indagou: "Se isso é leite, o que é que sai das tetas da Marilda?" Eu não soube responder, fiquei meio encabulado. Francisco, então, argutamente, disse a mim: "Ora, mas isso não é nem comida! Quanto mais leite! Não podemos comer essa coisa que só serve para diversão, que só serve para eu brincar com os grãos! E não pode ser leite algo que não sai das tetas da Marilda! Não pode ser carne algo que não é animal! A cada vez que você comer um grão de soja, ferirá a minha alma. Não coma soja, isso não é da natureza. Dica de goiano."
Foi o Francisco que disse. Dica de goiano.
5 de abril de 2005
Papa
Mas que coisa triste esse episódio do papa, não? Bom é a vida, quem vive de passado é museu, falemos sobre outra coisa. Eu soube que o domínio do blog de um amigo de um meu amigo, o Parmalat mas não morde, foi tirado do ar por pedido da Parmalat. E ainda dizem que as empresas capitalistas só visam o lucro, que não têm nenhuma responsabilidade social, que não se preocupam com o fato de a juventude estar se afundando nas drogas.
Percebe-se que a Parmalat contraria todos esses preconceitos, não visando lucro algum, portanto, estando quase falida, e ainda protegendo a nossa sociedade de domínios com trocadilhos ridiculamente infames.
À primeira vista, parece apenas mais um arroubo de autoritarismo, já que o menino que tinha o blog com tal nome não prejudicava de forma nenhuma os negócios da empresa. Mas analisando o caso mais a fundo, vemos que a Parmalat em momento algum pretendeu ceifar a liberdade do rapaz, mal se preocupou com a patente de sua marca sendo usada por outrem - ela quis apenas privar a sociedade de tal título tão enfadonho.
Posso até imaginar um dos executivos da Parmalat, esquálido, navegando na internet quando dá de cara com o blog Parmalat mas não morde e pula da cadeira, tapando os olhos de tanto desprazer. Como apenas a própria Parmalat podia acabar com esse ataque ao Estado de Direito, seus diretores imediatamente decidiram-se pela remoção do domínio do garoto. "Não podemos deixar que este endereço corrompa nossos filhos." - disseram.
Cai até uma lágrima de meus olhos ao pensar no zelo que a Parmalat tem pelo bom-gosto na internet. Deus seja louvado.
Percebe-se que a Parmalat contraria todos esses preconceitos, não visando lucro algum, portanto, estando quase falida, e ainda protegendo a nossa sociedade de domínios com trocadilhos ridiculamente infames.
À primeira vista, parece apenas mais um arroubo de autoritarismo, já que o menino que tinha o blog com tal nome não prejudicava de forma nenhuma os negócios da empresa. Mas analisando o caso mais a fundo, vemos que a Parmalat em momento algum pretendeu ceifar a liberdade do rapaz, mal se preocupou com a patente de sua marca sendo usada por outrem - ela quis apenas privar a sociedade de tal título tão enfadonho.
Posso até imaginar um dos executivos da Parmalat, esquálido, navegando na internet quando dá de cara com o blog Parmalat mas não morde e pula da cadeira, tapando os olhos de tanto desprazer. Como apenas a própria Parmalat podia acabar com esse ataque ao Estado de Direito, seus diretores imediatamente decidiram-se pela remoção do domínio do garoto. "Não podemos deixar que este endereço corrompa nossos filhos." - disseram.
Cai até uma lágrima de meus olhos ao pensar no zelo que a Parmalat tem pelo bom-gosto na internet. Deus seja louvado.
3 de abril de 2005
Paternidade
O pai de uma participante do Big Brother acaba de falar no Domingão do Faustão que gosta tanto de sua filha que desejava que ela tivesse saído de sua barriga. A declaração parece muito elogiosa, muito lisonjeira, parece até demonstrar grande carinho do pai pela filha, mas isso é um engodo, melhor abrir os olhos.
Ao contrário das mulheres, homens não possuem útero nem qualquer outro órgão similar que pudesse abrigar um feto. (Provavelmente homens não têm nem estômago, mas isso não vem ao caso, não estamos falando sobre digestão.) Desta forma, a única estrutura na barriga do macho humano a que o pai da moça poderia se referir era o intestino. Ou seja, o pai tencionava defecar a filha - o que é realmente pavoroso, nada elogioso, bem pouco lisonjeiro e, me arrisco a dizer, sem ternura alguma.
Portanto, peço aqui aos leitores que tomem cuidado com essas declarações apaixonadas de seus pais (os pais mesmo, os homens), pois elas podem revelar que seu pai queria lhe cagar. Aí já viu, né. Nenhum amor resiste a isso.
Ao contrário das mulheres, homens não possuem útero nem qualquer outro órgão similar que pudesse abrigar um feto. (Provavelmente homens não têm nem estômago, mas isso não vem ao caso, não estamos falando sobre digestão.) Desta forma, a única estrutura na barriga do macho humano a que o pai da moça poderia se referir era o intestino. Ou seja, o pai tencionava defecar a filha - o que é realmente pavoroso, nada elogioso, bem pouco lisonjeiro e, me arrisco a dizer, sem ternura alguma.
Portanto, peço aqui aos leitores que tomem cuidado com essas declarações apaixonadas de seus pais (os pais mesmo, os homens), pois elas podem revelar que seu pai queria lhe cagar. Aí já viu, né. Nenhum amor resiste a isso.
2 de abril de 2005
Coragem
Depois de assistir a diversas brigas na internet, chego à conclusão de que sempre constatam que as pessoas são muito corajosas atrás do computador. "Atrás do computador, você é só coragem!", sempre leio por aí alguém dizendo com grande satisfação, demonstrando que ele sim é muito bravo e seu oponente não passa de um frangotezinho, um borra-botas, um troca-tintas, um suja-laudas. Sugiro novas frasezinhas de revolta: "Na internet, você é o He-man!"; ou "Só faz isso aqui, né?!"
***
Gostaria de conhecer alguém que é um poltrão na internet, mas muito destemido na vida real. Seria muito mais pitoresco e infinitamente mais intrigante. "Vamos, não quer brigar?" "Ora, você muito corajoso na vida real! Gostaria de saber se você é assim na internet! Desafio-te para uma partida de Counter Strike!" "Ah, não, não, perdoe-me, não te afrontarei mais." - ele falaria morrendo de vergonha.
***
So to speak, acho ainda que seria melhor se todos fossem como eu: covardes tanto na vida real quanto na internet.
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Gostaria de conhecer alguém que é um poltrão na internet, mas muito destemido na vida real. Seria muito mais pitoresco e infinitamente mais intrigante. "Vamos, não quer brigar?" "Ora, você muito corajoso na vida real! Gostaria de saber se você é assim na internet! Desafio-te para uma partida de Counter Strike!" "Ah, não, não, perdoe-me, não te afrontarei mais." - ele falaria morrendo de vergonha.
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So to speak, acho ainda que seria melhor se todos fossem como eu: covardes tanto na vida real quanto na internet.
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