28 de maio de 2005
O tímido
Sempre foi melhor escrevendo que falando. Certo dia, resolveu vencer sua timidez indo à noite a um bar, onde mandou um torpedo a uma bela moça, que mandou-lhe um de volta, chamando-o para sentar-se com ela. Sentou-se, tirou um bloquinho de notas do bolso e escreveu "Oi, tudo bem?".
8 de maio de 2005
Feliz Dia das Mães
Eu estava mesmo me sentindo bom demais para escrever num simples bloguinho para meus leitores antigos e fiéis, mas aí lembrei que escrevo de graça para a Revista Paradoxo. Sempre que escrevo uma coluna para lá, bate uma dor no peito, minha consciência pesa e fatalmente desmaio. Nenhum sentimento de superioridade resiste a trabalho, muito menos trabalho não-remunerado, como o meu. Em meu blog, eu trabalho de graça, mas ao menos trabalho para mim mesmo.
Outra coisa desagradabilíssima de escrever para a Revista Paradoxo é o fato de ter que fazer uma coluna por semana. Escrevi a primeira e poucos dias depois a segunda foi ao ar. Nesta quarta-feira a terceira coluna será publicada e assim continuará infinitamente, deixando-me completamente desgastado.
Contudo, não é por isso que não venho postando neste blog. A verdade é que certos fatos isolados têm-me tolhido a vontade de escrever. Anteontem, por exemplo, eu estava motivadíssimo a postar, até que bebi uma cerveja chamada Bossa Nova e fiquei bastante abatido. Foi horrível, desejo isso a todos os meus piores inimigos. Não obstante, não entendo: a maconha é proibida, a Bossa Nova é permitida, qual é o critério?
Aproveito este post cheio de assuntos desconexos para dizer que desprezo muito todos os blogueiros que fazem piadinhas utilizando o striketrough ("Euodeio amo o Zezinho dos Sapatos Lustrosos!" "Nós saímos para encher a cara nos divertir como pessoas saudáveis e civilizadas..."). Portanto, leitor, se você utiliza striketrough para fazer piadinhas, saiba que está abaixo da cerveja Bossa Nova no meu conceito. Bando de gente obscena.
Outra coisa desagradabilíssima de escrever para a Revista Paradoxo é o fato de ter que fazer uma coluna por semana. Escrevi a primeira e poucos dias depois a segunda foi ao ar. Nesta quarta-feira a terceira coluna será publicada e assim continuará infinitamente, deixando-me completamente desgastado.
Contudo, não é por isso que não venho postando neste blog. A verdade é que certos fatos isolados têm-me tolhido a vontade de escrever. Anteontem, por exemplo, eu estava motivadíssimo a postar, até que bebi uma cerveja chamada Bossa Nova e fiquei bastante abatido. Foi horrível, desejo isso a todos os meus piores inimigos. Não obstante, não entendo: a maconha é proibida, a Bossa Nova é permitida, qual é o critério?
Aproveito este post cheio de assuntos desconexos para dizer que desprezo muito todos os blogueiros que fazem piadinhas utilizando o striketrough ("Eu
30 de abril de 2005
Coluna
Comecei a escrever uma coluna na Revista Paradoxo. Aqui está o link direto para o meu primeiro artigo, com o qual fiquei particularmente satisfeito. Visitem, amigos.
(A propósito, não passarei mais duas semanas sem postar. Voltarei à regularidade.)
(A propósito, não passarei mais duas semanas sem postar. Voltarei à regularidade.)
16 de abril de 2005
George Clooney
Todos os homens do mundo querem invariavelmente ser o George Clooney. De uma forma ou de outra, querem ter o charme dele, se vestir como ele, e até falar pouco como ele. Até mesmo quem diz que quer ser o Richard Gere quer ser o George Clooney. Não dá para querer ser o Richard Gere por uma razão simples: ele faz diferentes papéis de vez em quando - mas não sempre, claro. Às vezes ele modifica um pouco sua atuação dependendo do filme, então nós nunca podemos saber quem é o verdadeiro Richard Gere. Quem será o real Richard Gere, o galã ingênuo ou o galã conquistador? É algo que nunca saberemos e talvez fiquemos discutindo isso por toda a vida.
George Clooney é o contrário disso tudo. Nós sabemos bem quem é ele, seu papel nunca muda, nunca vai nos pegar no contrapé. Ele é como a história de Malhação, pode até mudar a casca, mas não muda a essência. Em Plantão Médico, doutor Doug Ross garbosamente salvava vidas, com aquele sorrisinho sarcástico no rosto. A imagem saturou e George Clooney mudou de roupa, colocou um paletó, camisa, esqueceu a gravata e continuou com o sorrisinho sarcástico, sendo o que sempre foi. Pela constância, no duelo dos galãs, Clooney ganha, não há rivais à altura, ninguém é suficientemente charmoso para fazer-lhe frente.
Tento ser como George Clooney em todas as situações da minha vida, por exemplo, quando vou comprar pão. Você pode achar que uma situação prosaica como comprar pão não exige elegância, mas engana-se redondamente. Clooney nos ensinou que em todas as situações da vida deve-se demonstrar um sorrisinho sarcástico para adquirir a confiança do interlocutor, ou para conseguir favores sexuais, ou para não pagar a conta da padaria, ou os três. Então, quando for pedir pães lembre-se de fazê-lo como George faria, sorrindo sarcasticamente e com um olhar sedutor. "Quatro pães franceses, por favor" - diga e tente imaginar onde ficaria a câmera, você sabe, para pegar seu melhor perfil, mas tente também não conseguir favores sexuais com a padeira gorda.
George Clooney é o contrário disso tudo. Nós sabemos bem quem é ele, seu papel nunca muda, nunca vai nos pegar no contrapé. Ele é como a história de Malhação, pode até mudar a casca, mas não muda a essência. Em Plantão Médico, doutor Doug Ross garbosamente salvava vidas, com aquele sorrisinho sarcástico no rosto. A imagem saturou e George Clooney mudou de roupa, colocou um paletó, camisa, esqueceu a gravata e continuou com o sorrisinho sarcástico, sendo o que sempre foi. Pela constância, no duelo dos galãs, Clooney ganha, não há rivais à altura, ninguém é suficientemente charmoso para fazer-lhe frente.
Tento ser como George Clooney em todas as situações da minha vida, por exemplo, quando vou comprar pão. Você pode achar que uma situação prosaica como comprar pão não exige elegância, mas engana-se redondamente. Clooney nos ensinou que em todas as situações da vida deve-se demonstrar um sorrisinho sarcástico para adquirir a confiança do interlocutor, ou para conseguir favores sexuais, ou para não pagar a conta da padaria, ou os três. Então, quando for pedir pães lembre-se de fazê-lo como George faria, sorrindo sarcasticamente e com um olhar sedutor. "Quatro pães franceses, por favor" - diga e tente imaginar onde ficaria a câmera, você sabe, para pegar seu melhor perfil, mas tente também não conseguir favores sexuais com a padeira gorda.
11 de abril de 2005
Soja
(Para dre, que tem a irritante mania de comer soja. E para o Ian, de quem roubei uma piada do post.)
Arrependo-me de muitas coisas. Arrepender-se é um ato muito saudável e demonstra auto-crítica, por isso não confie em gente que só diz que se arrepende do que não fez. Essa gente exibe a presunção de nunca ter cometido alguma tolice, o que obviamente é uma mentira, afinal, todo mundo faz besteira. Para comprovar isso, é só olhar seu último almoço. Aposto que você comeu um monte de bobagem, é melhor começar a se arrepender. Eu, por exemplo, já comi carne de soja.
***
Soja não foi feita para ser leite, nem para ser carne, nem para ser comida. Quando eu fui ao interior de Goiás - fui para lá ontem, não de corpo, fui mentalmente -, conheci um menininho franzino chamado Francisco. Ele brincava feliz em meio aos pés de soja, de vez em quando pegando um grãozinho de soja e usando-o como bolinha de gude, ou jogando-o no riacho para vê-lo quicar. Perguntei-lhe se ele sabia que aquele grãozinho com o qual brincava feliz podia virar leite e, pior, carne. Ele me respondeu negativamente e, com os olhos grandes cheios de lágrimas, indagou: "Se isso é leite, o que é que sai das tetas da Marilda?" Eu não soube responder, fiquei meio encabulado. Francisco, então, argutamente, disse a mim: "Ora, mas isso não é nem comida! Quanto mais leite! Não podemos comer essa coisa que só serve para diversão, que só serve para eu brincar com os grãos! E não pode ser leite algo que não sai das tetas da Marilda! Não pode ser carne algo que não é animal! A cada vez que você comer um grão de soja, ferirá a minha alma. Não coma soja, isso não é da natureza. Dica de goiano."
Foi o Francisco que disse. Dica de goiano.
Arrependo-me de muitas coisas. Arrepender-se é um ato muito saudável e demonstra auto-crítica, por isso não confie em gente que só diz que se arrepende do que não fez. Essa gente exibe a presunção de nunca ter cometido alguma tolice, o que obviamente é uma mentira, afinal, todo mundo faz besteira. Para comprovar isso, é só olhar seu último almoço. Aposto que você comeu um monte de bobagem, é melhor começar a se arrepender. Eu, por exemplo, já comi carne de soja.
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Soja não foi feita para ser leite, nem para ser carne, nem para ser comida. Quando eu fui ao interior de Goiás - fui para lá ontem, não de corpo, fui mentalmente -, conheci um menininho franzino chamado Francisco. Ele brincava feliz em meio aos pés de soja, de vez em quando pegando um grãozinho de soja e usando-o como bolinha de gude, ou jogando-o no riacho para vê-lo quicar. Perguntei-lhe se ele sabia que aquele grãozinho com o qual brincava feliz podia virar leite e, pior, carne. Ele me respondeu negativamente e, com os olhos grandes cheios de lágrimas, indagou: "Se isso é leite, o que é que sai das tetas da Marilda?" Eu não soube responder, fiquei meio encabulado. Francisco, então, argutamente, disse a mim: "Ora, mas isso não é nem comida! Quanto mais leite! Não podemos comer essa coisa que só serve para diversão, que só serve para eu brincar com os grãos! E não pode ser leite algo que não sai das tetas da Marilda! Não pode ser carne algo que não é animal! A cada vez que você comer um grão de soja, ferirá a minha alma. Não coma soja, isso não é da natureza. Dica de goiano."
Foi o Francisco que disse. Dica de goiano.
5 de abril de 2005
Papa
Mas que coisa triste esse episódio do papa, não? Bom é a vida, quem vive de passado é museu, falemos sobre outra coisa. Eu soube que o domínio do blog de um amigo de um meu amigo, o Parmalat mas não morde, foi tirado do ar por pedido da Parmalat. E ainda dizem que as empresas capitalistas só visam o lucro, que não têm nenhuma responsabilidade social, que não se preocupam com o fato de a juventude estar se afundando nas drogas.
Percebe-se que a Parmalat contraria todos esses preconceitos, não visando lucro algum, portanto, estando quase falida, e ainda protegendo a nossa sociedade de domínios com trocadilhos ridiculamente infames.
À primeira vista, parece apenas mais um arroubo de autoritarismo, já que o menino que tinha o blog com tal nome não prejudicava de forma nenhuma os negócios da empresa. Mas analisando o caso mais a fundo, vemos que a Parmalat em momento algum pretendeu ceifar a liberdade do rapaz, mal se preocupou com a patente de sua marca sendo usada por outrem - ela quis apenas privar a sociedade de tal título tão enfadonho.
Posso até imaginar um dos executivos da Parmalat, esquálido, navegando na internet quando dá de cara com o blog Parmalat mas não morde e pula da cadeira, tapando os olhos de tanto desprazer. Como apenas a própria Parmalat podia acabar com esse ataque ao Estado de Direito, seus diretores imediatamente decidiram-se pela remoção do domínio do garoto. "Não podemos deixar que este endereço corrompa nossos filhos." - disseram.
Cai até uma lágrima de meus olhos ao pensar no zelo que a Parmalat tem pelo bom-gosto na internet. Deus seja louvado.
Percebe-se que a Parmalat contraria todos esses preconceitos, não visando lucro algum, portanto, estando quase falida, e ainda protegendo a nossa sociedade de domínios com trocadilhos ridiculamente infames.
À primeira vista, parece apenas mais um arroubo de autoritarismo, já que o menino que tinha o blog com tal nome não prejudicava de forma nenhuma os negócios da empresa. Mas analisando o caso mais a fundo, vemos que a Parmalat em momento algum pretendeu ceifar a liberdade do rapaz, mal se preocupou com a patente de sua marca sendo usada por outrem - ela quis apenas privar a sociedade de tal título tão enfadonho.
Posso até imaginar um dos executivos da Parmalat, esquálido, navegando na internet quando dá de cara com o blog Parmalat mas não morde e pula da cadeira, tapando os olhos de tanto desprazer. Como apenas a própria Parmalat podia acabar com esse ataque ao Estado de Direito, seus diretores imediatamente decidiram-se pela remoção do domínio do garoto. "Não podemos deixar que este endereço corrompa nossos filhos." - disseram.
Cai até uma lágrima de meus olhos ao pensar no zelo que a Parmalat tem pelo bom-gosto na internet. Deus seja louvado.
3 de abril de 2005
Paternidade
O pai de uma participante do Big Brother acaba de falar no Domingão do Faustão que gosta tanto de sua filha que desejava que ela tivesse saído de sua barriga. A declaração parece muito elogiosa, muito lisonjeira, parece até demonstrar grande carinho do pai pela filha, mas isso é um engodo, melhor abrir os olhos.
Ao contrário das mulheres, homens não possuem útero nem qualquer outro órgão similar que pudesse abrigar um feto. (Provavelmente homens não têm nem estômago, mas isso não vem ao caso, não estamos falando sobre digestão.) Desta forma, a única estrutura na barriga do macho humano a que o pai da moça poderia se referir era o intestino. Ou seja, o pai tencionava defecar a filha - o que é realmente pavoroso, nada elogioso, bem pouco lisonjeiro e, me arrisco a dizer, sem ternura alguma.
Portanto, peço aqui aos leitores que tomem cuidado com essas declarações apaixonadas de seus pais (os pais mesmo, os homens), pois elas podem revelar que seu pai queria lhe cagar. Aí já viu, né. Nenhum amor resiste a isso.
Ao contrário das mulheres, homens não possuem útero nem qualquer outro órgão similar que pudesse abrigar um feto. (Provavelmente homens não têm nem estômago, mas isso não vem ao caso, não estamos falando sobre digestão.) Desta forma, a única estrutura na barriga do macho humano a que o pai da moça poderia se referir era o intestino. Ou seja, o pai tencionava defecar a filha - o que é realmente pavoroso, nada elogioso, bem pouco lisonjeiro e, me arrisco a dizer, sem ternura alguma.
Portanto, peço aqui aos leitores que tomem cuidado com essas declarações apaixonadas de seus pais (os pais mesmo, os homens), pois elas podem revelar que seu pai queria lhe cagar. Aí já viu, né. Nenhum amor resiste a isso.
2 de abril de 2005
Coragem
Depois de assistir a diversas brigas na internet, chego à conclusão de que sempre constatam que as pessoas são muito corajosas atrás do computador. "Atrás do computador, você é só coragem!", sempre leio por aí alguém dizendo com grande satisfação, demonstrando que ele sim é muito bravo e seu oponente não passa de um frangotezinho, um borra-botas, um troca-tintas, um suja-laudas. Sugiro novas frasezinhas de revolta: "Na internet, você é o He-man!"; ou "Só faz isso aqui, né?!"
***
Gostaria de conhecer alguém que é um poltrão na internet, mas muito destemido na vida real. Seria muito mais pitoresco e infinitamente mais intrigante. "Vamos, não quer brigar?" "Ora, você muito corajoso na vida real! Gostaria de saber se você é assim na internet! Desafio-te para uma partida de Counter Strike!" "Ah, não, não, perdoe-me, não te afrontarei mais." - ele falaria morrendo de vergonha.
***
So to speak, acho ainda que seria melhor se todos fossem como eu: covardes tanto na vida real quanto na internet.
***
Gostaria de conhecer alguém que é um poltrão na internet, mas muito destemido na vida real. Seria muito mais pitoresco e infinitamente mais intrigante. "Vamos, não quer brigar?" "Ora, você muito corajoso na vida real! Gostaria de saber se você é assim na internet! Desafio-te para uma partida de Counter Strike!" "Ah, não, não, perdoe-me, não te afrontarei mais." - ele falaria morrendo de vergonha.
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So to speak, acho ainda que seria melhor se todos fossem como eu: covardes tanto na vida real quanto na internet.
25 de março de 2005
Heróis
Astroboy, herói do desenho animado que leva seu nome, é um robô que usa sunga e voa por aí salvando todo mundo das situações mais adversas. Eu me recuso a ser salvo por um robô de sunga, I'm very sorry, Astro. Assim como me recuso a ser salvo pelo Super-Homem, pelo Batman, pelo Flash, pelo Lanterna Verde ou por qualquer outro herói que use sungas.
A razão disso é muito simples: não podemos ser salvos por gente inferior a nós. Se alguém nos salva, é porque é superior a nós, porque tem habilidades de que não dispomos, porque é superdotado de alguma forma, e gente de sunga não é superior a ninguém. Talvez gente de sunga seja superior a você, mas não é superior a mim, e acho que se Bruce Wayne lutasse contra o mal usando seu elegante terno, Gotham City lhe seria muito mais grata. Só sou salvo por gente mais bem vestida que eu, porque assim minha auto-estima não é afetada. Você pode até pensar o contrário, pode pensar que isso é uma tolice, mas perceba que os melhores nadadores não usam sungas e sim colants e que os melhores surfistas não usam sungas e sim bermudas.
***
Estou convicto de que Terri Schiavo, a mulher que está há quinze anos viva por meio de aparelhos, quer morrer. Não sei se ela queria morrer antes, só que agora muito provavelmente ela quer, deve ter perdido o amor pela vida, certamente está triste pelo modo com que os acontecimentos se desenrolaram. O Judiciário americano havia determinado o desligamento dos aparelhos, mas o Congresso votou uma lei que proibe a eutanásia, o que manterá Terri viva.
Se ela de alguma forma soube que isso aconteceu, morrerá de desgosto, com sua auto-estima profundamente combalida, totalmente humilhada. Terri Schiavo teve sua vida salva por políticos. É melhor deixar claro: nem gente de sunga é inferior a um político.
(Ps.: Escrevi este texto levianamente, sem conferir nada, e acabo de descobrir que os aparelhos de Terri Schiavo estão desligados. Ela não vai morrer tão infeliz, at least.)
A razão disso é muito simples: não podemos ser salvos por gente inferior a nós. Se alguém nos salva, é porque é superior a nós, porque tem habilidades de que não dispomos, porque é superdotado de alguma forma, e gente de sunga não é superior a ninguém. Talvez gente de sunga seja superior a você, mas não é superior a mim, e acho que se Bruce Wayne lutasse contra o mal usando seu elegante terno, Gotham City lhe seria muito mais grata. Só sou salvo por gente mais bem vestida que eu, porque assim minha auto-estima não é afetada. Você pode até pensar o contrário, pode pensar que isso é uma tolice, mas perceba que os melhores nadadores não usam sungas e sim colants e que os melhores surfistas não usam sungas e sim bermudas.
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Estou convicto de que Terri Schiavo, a mulher que está há quinze anos viva por meio de aparelhos, quer morrer. Não sei se ela queria morrer antes, só que agora muito provavelmente ela quer, deve ter perdido o amor pela vida, certamente está triste pelo modo com que os acontecimentos se desenrolaram. O Judiciário americano havia determinado o desligamento dos aparelhos, mas o Congresso votou uma lei que proibe a eutanásia, o que manterá Terri viva.
Se ela de alguma forma soube que isso aconteceu, morrerá de desgosto, com sua auto-estima profundamente combalida, totalmente humilhada. Terri Schiavo teve sua vida salva por políticos. É melhor deixar claro: nem gente de sunga é inferior a um político.
(Ps.: Escrevi este texto levianamente, sem conferir nada, e acabo de descobrir que os aparelhos de Terri Schiavo estão desligados. Ela não vai morrer tão infeliz, at least.)
23 de março de 2005
Lamúria
Tenho um anúncio importante deveras a fazer e quero que todos aqui prestem bastante atenção. Venho notando uma tendência no mundinho dos blogs e percebo que algo deve ser feito para frear o avanço dessa onda, portanto, proíbo o uso da palavra "lamúria" por todos aqueles que escrevem poemas góticos. Ninguém mais escreve lamúria nenhuma, seu uso, a partir de hoje, é vetado. Então, você aí, saia de trás desse arbusto, eu o vi escrevendo lamúria no chão. E você, mocinha?, pare de escrever lamúria pelos cantos, estou vigiando, ninguém me escapa.
Aposto meus suspensórios que os poemas góticos ficarão excepcionalmente melhores com a retirada da palavra lamúria. Eu gostaria de proibir a utilização de templates do Marilyn Manson também, mas temo não ser capaz de coibir seu uso - essas pessoas que fazem poemas góticos correm o risco de ficarem felizes sem usar os templates do Marilyn Manson e acabarão revoltando-se contra mim. É um medo que muito me aflige todas as noites.
Aposto meus suspensórios que os poemas góticos ficarão excepcionalmente melhores com a retirada da palavra lamúria. Eu gostaria de proibir a utilização de templates do Marilyn Manson também, mas temo não ser capaz de coibir seu uso - essas pessoas que fazem poemas góticos correm o risco de ficarem felizes sem usar os templates do Marilyn Manson e acabarão revoltando-se contra mim. É um medo que muito me aflige todas as noites.
18 de março de 2005
Cultura
Descobri hoje que o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, assinou um documento tombando todo tipo de manifestação cultural feita em solo pernambucano pelo imaginário popular - e não por qualquer elitizadozinho por aí, como vocês podem achar, pois tem que ser do povo, tem que ser da nossa gente. Então, já que escrevo em solo pernambucano, em Recife, estou precisando saber se sou ralé o suficiente para ter meu blog figurando como patrimônio cultural do Estado (o que seria muito lisonjeiro, pense você: o Manipulação seria tão importante para o país quanto as músicas da banda Brega.com, que é muito pernambucana, é muito gente-como-a-gente, é muito arte-do-povo).
Como não sei por onde ou para quem perguntar, exporei minha dúvida aqui: como faço para saber se sou plebe o suficiente para meu blog ser tombado pelo governador? Tenho certeza de que sou bem gentinha, mas preciso me certificar antes de ficar orgulhoso, antes que eu saia cantando de clérigo para todo mundo.
Estou fazendo um exaustivo trabalho para parecer menos nobre, não fazendo o mínimo esforço para limpar o rosto, ficando todo remelentinho e meio suado, mas creio que isso ainda não será suficiente e penso que ainda terei que entortar alguns dentes para parecer do povo. Espero mais sugestões para dar um improvement na minha cara de sofrido e assim figurar no topo da produção cultural do Nordeste.
E agora, com licença, vou comer feijão com farinha.
Como não sei por onde ou para quem perguntar, exporei minha dúvida aqui: como faço para saber se sou plebe o suficiente para meu blog ser tombado pelo governador? Tenho certeza de que sou bem gentinha, mas preciso me certificar antes de ficar orgulhoso, antes que eu saia cantando de clérigo para todo mundo.
Estou fazendo um exaustivo trabalho para parecer menos nobre, não fazendo o mínimo esforço para limpar o rosto, ficando todo remelentinho e meio suado, mas creio que isso ainda não será suficiente e penso que ainda terei que entortar alguns dentes para parecer do povo. Espero mais sugestões para dar um improvement na minha cara de sofrido e assim figurar no topo da produção cultural do Nordeste.
E agora, com licença, vou comer feijão com farinha.
15 de março de 2005
Democracia
Perguntaram-me - com aquele sorrisinho esperto no canto da boca e olhando-me de esguelha - se eu penso que democracia é encher urnas. Ainda não tenho certeza, mas acho que foi uma pergunta retórica, já que, para mim, democracia é isso aí mesmo, encher urnas, escolher uns paspalhos para fazer aquilo que não queremos fazer e talvez até consista naquele negócio de liberdade de imprensa, não sei ao certo. E foi isso que eu disse quando me perguntaram, só que aparentemente não foi uma resposta satisfatória, pois ficaram me olhando torto, dizendo que todo mundo espera mais da democracia, querendo que ela proveja, além de eleições, dignidade, afeto e amor para os cidadãos. Que se fosse uma ditadura comunista, poderia até não haver liberdade, mas haveria dignidade para todos.
Ou seja, são pessoas muito carentes, que precisam que o governos lhes dê dignidade, enquanto todo mundo consegue desenvolver esse tipo de coisa sozinho (algumas pessoas até não desenvolvem, acredite, mas não se sentem mal com isso). Para essa gente, se estiverem com problemas psicológicos, precisando de uma esmolinha de dignidade do governo, recomendo a psicanálise ou o site ParPerfeito.com.br, que pode ajudar muito a recuperar a auto-estima. Anote aí.
***
E, aproveitando o post, não posso deixar de dizer que estou todo pimpão com o elogio de Alexandre Soares Silva a mim em seu blog, tanto que estou olhando com o nariz empinado para todo mundo. Em primeiro lugar porque sou fã dele. E também porque gostaria há muito de mandar um abraço e um tapinha na bunda para alguém por aqui. Desta vez, vai para ele. Obrigado, Alexandre!
Ou seja, são pessoas muito carentes, que precisam que o governos lhes dê dignidade, enquanto todo mundo consegue desenvolver esse tipo de coisa sozinho (algumas pessoas até não desenvolvem, acredite, mas não se sentem mal com isso). Para essa gente, se estiverem com problemas psicológicos, precisando de uma esmolinha de dignidade do governo, recomendo a psicanálise ou o site ParPerfeito.com.br, que pode ajudar muito a recuperar a auto-estima. Anote aí.
***
E, aproveitando o post, não posso deixar de dizer que estou todo pimpão com o elogio de Alexandre Soares Silva a mim em seu blog, tanto que estou olhando com o nariz empinado para todo mundo. Em primeiro lugar porque sou fã dele. E também porque gostaria há muito de mandar um abraço e um tapinha na bunda para alguém por aqui. Desta vez, vai para ele. Obrigado, Alexandre!
13 de março de 2005
Onde Aguinaldo Silva errou
A cena do casamento de Maria do Carmo com o bicheiro no capítulo final de Senhora do Destino não poderia ter sido mais ridícula e imbecil, o que mostra que faltou a Aguinaldo Silva a sensibilidade para cativar os espectadores. Esta sensibilidade, modéstia à parte, ocorreu-me e eu sugiro à Globo que refilme a cena para quando for passar a novela no Vale a Pena Ver de Novo. Eis a melhor cena de casamento, na minha opinião:
(São Nunca, que era o padre, pergunta ao bicheiro do qual não me recordo o nome e à Maria do Carmo se eles desejam unir-se em matrimônio.)
São Nunca: Bicheiro, desejas unir-se à Maria do Carmo, amando-a e respeitando-a, na alegria e no vocês-sabem-o-resto?
Bicheiro: Sim.
São Nunca: Maria do Carmo, desejas se casar com o bicheiro, amando-o e tudo o mais?
Maria do Carmo: Sim, desejo.
São Nunca: Mas vocês vão se casar só no dia de São Nunca!
(Risos descontrolados do resto do elenco. Carol Castro tira a blusa e cai no chão rindo. Leandra Leal tira a blusa, coloca a boina para esconder seus seios e sai correndo pelo set sem motivo aparente.)
***
Falando em Globo, descobri hoje que Didi Mocó escreveu um livro ano passado, chamado Amizade Sem Fim, com prefácio de Carlos Heitor Cony - que diz que a obra tem de tudo para figurar com mérito e dignidade na prateleira da nobre literatura nacional. Quer dizer, a despeito dos erros de português e das vírgulas mal colocadas, Didi Mocó é um escritor de mão cheia, e não apenas um grande humorista, como todo mundo sabe e se farta de tanto rir.
O livro conta a história de um milionário que fez voto de pobreza e descobriu numa regressão hipnótica que ele tem uma conexão - que não compreendi muito bem qual é - com Jesus Cristo. Então, o livro fala sobre a violência carioca e de como o protagonista desvirgina uma enfermeira.
Didi Mocó quis ser sério nesta obra, o que é muito desolador, já que, provavelmente, a enfermeira não tem um marido negão que aparece depois querendo bater em todo mundo. Uma falta de absurdo totalmente lamentável: Renato Aragão não aprendeu nada em tantos anos atuando em A Turma do Didi. Mas ainda há esperança: ele já está preparando seu segundo romance. Talvez neste haja um negão corno violento querendo bater em todo mundo.
(São Nunca, que era o padre, pergunta ao bicheiro do qual não me recordo o nome e à Maria do Carmo se eles desejam unir-se em matrimônio.)
São Nunca: Bicheiro, desejas unir-se à Maria do Carmo, amando-a e respeitando-a, na alegria e no vocês-sabem-o-resto?
Bicheiro: Sim.
São Nunca: Maria do Carmo, desejas se casar com o bicheiro, amando-o e tudo o mais?
Maria do Carmo: Sim, desejo.
São Nunca: Mas vocês vão se casar só no dia de São Nunca!
(Risos descontrolados do resto do elenco. Carol Castro tira a blusa e cai no chão rindo. Leandra Leal tira a blusa, coloca a boina para esconder seus seios e sai correndo pelo set sem motivo aparente.)
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Falando em Globo, descobri hoje que Didi Mocó escreveu um livro ano passado, chamado Amizade Sem Fim, com prefácio de Carlos Heitor Cony - que diz que a obra tem de tudo para figurar com mérito e dignidade na prateleira da nobre literatura nacional. Quer dizer, a despeito dos erros de português e das vírgulas mal colocadas, Didi Mocó é um escritor de mão cheia, e não apenas um grande humorista, como todo mundo sabe e se farta de tanto rir.
O livro conta a história de um milionário que fez voto de pobreza e descobriu numa regressão hipnótica que ele tem uma conexão - que não compreendi muito bem qual é - com Jesus Cristo. Então, o livro fala sobre a violência carioca e de como o protagonista desvirgina uma enfermeira.
Didi Mocó quis ser sério nesta obra, o que é muito desolador, já que, provavelmente, a enfermeira não tem um marido negão que aparece depois querendo bater em todo mundo. Uma falta de absurdo totalmente lamentável: Renato Aragão não aprendeu nada em tantos anos atuando em A Turma do Didi. Mas ainda há esperança: ele já está preparando seu segundo romance. Talvez neste haja um negão corno violento querendo bater em todo mundo.
11 de março de 2005
Senhora do Destino
Acho que o Aguinaldo Silva entrou num concurso para fazer o pior final de novela da história, uma competição entre ele e o Walcir Carrasco. Claro que o Walcir sai ganhando porque suas novelas já são uma porcaria só por levarem seu nome e, com uma novela porcaria, um final porcaria é muito mais fácil de ser feito. Mas Aguinaldo Silva não quer ficar atrás e, com Senhora do Destino, entrou para o hall dos autores que fazem finais de novelas mais idiotas desse meu Brasilzão.
Aguinaldo Silva mostrou que é capaz de ser um dos maiores escritores de Malhação da história e, desta forma, espero que a direção da Globo tome as providências cabíveis, alocando o autor no núcleo jovem da emissora. Gostaria, por sinal, de mandar uma mensagem ao grande Aguinaldão, dizendo que agora que ele será o autor da novelinha que, por favor, coloque o João para apanhar do pai; vai dar uma super alavancada na audiência, além de, claro, tornar o programinha bem mais interessante.
Espero realmente que ele leia.
Aguinaldo Silva mostrou que é capaz de ser um dos maiores escritores de Malhação da história e, desta forma, espero que a direção da Globo tome as providências cabíveis, alocando o autor no núcleo jovem da emissora. Gostaria, por sinal, de mandar uma mensagem ao grande Aguinaldão, dizendo que agora que ele será o autor da novelinha que, por favor, coloque o João para apanhar do pai; vai dar uma super alavancada na audiência, além de, claro, tornar o programinha bem mais interessante.
Espero realmente que ele leia.
9 de março de 2005
Soletrando o Código da Vinci
No embalo das publicações sobre o Código da Vinci - tais como Quebrando o Código da Vinci, Revelando o Código da Vinci e Decifrando o Código da Vinci -, eu vos mostro meu mais novo trabalho, o Soletrando o Código da Vinci, fruto de anos de pesquisa em que não li o Código da Vinci, mas posso imaginar que seja que um livro muito bacana - assim como também posso imaginar que não o seja, e, na verdade, imagino que seja um livro que fala sobre Formula 1.
Dado isso, mostro aqui em primeira mão para meus queridos leitores fiéis o Soletrando o Código da Vinci, que chegará em breve ao mercado brasileiro.
Dado isso, mostro aqui em primeira mão para meus queridos leitores fiéis o Soletrando o Código da Vinci, que chegará em breve ao mercado brasileiro.
Soletrando o Código da VinciE, em breve, do mesmo autor, eu mesmo, Silabando o Código da Vinci, com todos os truques de separação e pronúncia das silabas do Código da Vinci. Eis uma prévia:
Autor: Howard S. Frost
Tradução: João Pereira Froste
"Vamos lá, repita comigo: C, Ó, D, I, G, O, respire, D, A, respire, V, I, N, C, I."
Silabando o Código da VinciSoon.
Autor: Howard S. Frost
Tradução: Froste Assis
"Diga em voz alta, depois de mim: cê, ó, có; dê, i, di...
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