11 de março de 2013

Coca-Cola: mitos & verdades



Sempre achei que aquela coisa de que a Coca-Cola desentope pia fosse excelente notícia para os constipados. Se estamos com prisão de ventre, basta mandar um refri que ele abre o caminho. Se consegue desentupir até pia, descongestionar entranhas são problema menor, obviamente. Se você estiver aflito e Activia não resolver, já sabe o que fazer.

Outra história legal é a de que a Coca-Cola acaba com seus dentes se os deixarmos embebidos nela por muito tempo. Ficam pretos e tudo.

Gostei muito de ouvir essa notícia, porque aí parei com meu hábito de 3 horas seguidas diárias de bochecho com Coca. Finalmente entendi o que estava amarelando minha dentição! Pensei até em processar a Coca-Cola Company por não colocar avisos claros em seus produtos dizendo aos consumidores para evitar manter refrigerantes por horas e horas na boca em contato com os dentes.

Tenho certeza, por exemplo, de que nada aconteceria de ruim com um dente meu se por um acaso ele ficasse mergulhado numa bebida saudável como o suco de laranja. Toda aquela acidez só pode fazer bem ao nosso sorriso.

Pena que eu acho que não desentope pias ou funciona como laxativo, porque seria uma mão na roda.

Humor urbano e engajado

Dizem que no Brasil a ruas são esburacadas, mas se a gente for rigoroso e comparar com a calçadas, dá pra ver pelo contraste que nossos asfaltos são planos como o planeta Terra.

Há anos creio na - e faço campanha pela - inversão de papéis nas nossas vias públicas. Carros deveriam andar nas calçadas e pedestres ocupariam as ruas. Faz todo o sentido: estamos desperdiçando terrenos de rally perfeitamente bons em pedestres - cuja única habilidade necessária para sobreviver nas calçadas é ter menos de 60 anos e não ter deficiência física grave.

Imagine os carros andando nas calçadas de Pindorama, com seus desníveis, buracos, crateras, aclives & declives, árvores, raízes, bueiros afundados, sua variedade de chãos, sua variável largura, seus postes em locais exóticos? Finalmente dirigir um carro voltaria a requerer habilidade, porque hoje em dia é mole demais.

Essa troca ainda teria a vantagem da acessibilidade. Cadeiras de rodas poderiam circular nas ruas nacionais, ao contrário do que ora acontece, que é basicamente um fuck you pra quem tem qualquer dificuldade locomotora, né. Já os carros só teriam que fazer um acerto na suspensão pra ficar num estilo mais off-road.

Pequeno preço a se pagar por uma diminuição de pés torcidos e uma viagem de carro mais emocionante para o trabalho.

5 de março de 2013

Vegetarianos, vocês também não precisam estar dispostos a pessoalmente tirar da terra tudo que vocês comem

Não tenho nada contra vegetarianos, tenho vários amigos que são. Só acho que eles não devem poder se casar entre si nem adotar crianças, standard stuff. Também não devem possuir propriedades, acho que até aí todo mundo concorda.

Apesar dessa minha atitude amigável e respeitosa com todos os vegetarianos, eles insistem naquela belicosidade totalmente nada a ver pra cima de mim.

Exemplo: direto vem um evangelista anti-carne afirmar que eu nunca seria capaz de matar uma galinha ou uma vaca para comer, ficaria com nojo e repulsa moral, e que por isso eu sou um hipócrita.

A premissa implícita é que ser hipócrita é palha.

Mas esse é um argumento difícil de entender. A ideia é a de que o instinto basilar que eu sinto contra a ideia de matar um animal com minhas próprias mões seria uma prova cabal de que animais devem ficar vivos.

Uai, mas existem várias coisas que eu não quero fazer e que eu tô muito feliz que sejam feitas. Limpar banheiro químico, por exemplo. Jamais faria isso, mas tem gente que faz e eu agradeço ao universo pela minha boa fortuna de não ter que chegar nem perto desse serviço.

Outra coisa que eu nunca faria: ser urologista. Mas tem que ter alguém pra mexer na piroca perebenta da turma por aí, né?

Então, eu não faço nada disso. E também não corto pescoço de galinha nem fatio vacas nos pastos desse meu Brasil. Até porque eu provavelmente cortaria errado as pobres das vacas e todo mundo sabe que grande parte do bom sabor da carne vem de um corte bem executado.

Tô feliz de viver num mundo em que eu não tenha estômago pra ser limpador de banheiro, urologista ou abatedor de galinha, mas que tem gente capaz e disposta a fazer tudo isso.

É a divisão do trabalho, vegetarianos. Embrace it.

4 de março de 2013

Imagine se você tivesse parâmetros incrivelmente baixos pra gostar de um texto

A gente se gaba de ter padrões altos e não se juntar à ralé. Uns amigos chegam pra mim mandando que "nunca pegariam" fulana de tal, ou sicrana, ou que beltrana é feiaça e não dá pra se rebaixar a esse nível. E rola um desprezo por quem tá nesse nível baixo pegando fulana, sicrana ou beltrana.

Só que às vezes eu penso que seria muito irado ter padrões incrivelmente baixos.

Imagina lá, ninguém está abaixo da sua consideração sexual.

Você não discrimina por idade, nem aparência, nem sexo. Sim, imagina se você fosse bissexual e pegasse qualquer coisa. A tia da tapioca? Massa, tô pegando. O coroa da oficina? Beleza.

Eu não conseguiria viver assim, mas hipoteticamente eu consigo conceber que seria um padrão de vida muito bom, mais feliz do que neguinho cheio de dedos e pudores.

Me parece que pedófilos são meio assim, eles só têm padrões tão baixos que estão pegando até criança. A gente acha revoltante, mas o fato é que são pessoas com tão pouco amor próprio que não estão nem aí pra coisas como consentimento e reciprocidade. Sem ter essas coisas já tá valendo.

Pois é, então tirando essas situações moral e legalmente suspeitas (quer dizer, pelo menos vamos nos preocupar em não fazer vítimas, hein?), ter padrões baixos seria maneiro.

Todo dia podendo chegar em casa e se jactar de ter literalmente pegado todo mundo da sua rua porque ninguém estaria fora do seu radar.

Not too shabby.