28 de julho de 2005

Japoneses

Vi há algum tempo no Globo Repórter que as crianças japonesas do ensino fundamental usam capacetes quando na escola. É por isso que o Brasil continuará perpetuamente sendo um país de terceiro mundo, porque sua bandeira é muito feia, com aquele bordão horroroso no meio, e também porque os brasileiros ignoram que suas crianças podem, de uma hora para outra, começar a bater a cabeça na parede sem motivo aparente.

Os japoneses sabem que não dá para confiar no discernimento das crianças e colocam capacetes nelas, e por isso são os segundos no mundo - também por causa da bandeira deles, que só tem uma bola no meio e é muito divertida de desenhar, ao contrário da nossa, muito complexa; nunca acertarei a posição das estrelinhas, mesmo tentando desenhá-las em todos os dias de minha vida.

Como quero ser lembrado como alguém bem pouco patriotinha, reproduzirei aqui uma citação de Nelson Rodrigues, para mostrar que sou muito conservador e que cuspo no Brasil e nos brasileiros: "O brasileiro é o povo mais idiota do mundo pois, ao contrário do japonês, não faz com que suas crianças usem capacetes para se protegerem de impulsos doentios de bater a cabeça na parede sem motivo aparente."

Seu Nelson falou, tá falado!

27 de julho de 2005

Menina de olho

A emocionante história de uma boxeadora que fica tetraplégica, sem poder nem mesmo falar. Seu treinador lhe dá a opção do suicídio assistido: ela deveria piscar se quisesse morrer ou ficar com os olhos abertos se quisesse continuar vivendo. O filme termina com o falecimento da ex-boxeadora graças a uma infecção generalizada, provavelmente ocorrida graças a uma sujeira que caiu em seu olho.

Breve nos cinemas.

19 de julho de 2005

Conto do banheiro

O banheiro do shopping estava vazio, até que dois homens, ambos altos e fortes, ora se não eram, entraram, trancaram-se em cubículos vizinhos e puseram-se a urinar. Passaram-se alguns segundos de silêncio, somente com o barulho característico das urinas tocando na água da privada, você sabe, e um dos homens acabou por se irritar:

- Que barulho enjoado! Mija na louça! - disse.
- Tá falando comigo? - o outro rapaz indagou.
- Claro!
- E o que você quer?
- Mija na louça!
- Hã?!
- Mija na louça da privada! Tá fazendo barulho!

Os dois se calam por alguns minutos, pois, como já deve ser de conhecimento dos leitores, a mijada de ambos personagens desta anedota, para fins fabulísticos, demora várias horas. Ambos continuam a mijar, o rapaz se irrita novamente e diz, com um tom mais agressivo:

- Mira o mijo na louça do vaso!
- Ah, é muito difícil! Não vou fazer isso, não!
- Mas e esse barulho?
- Vai ter que agüentar!
- Ah, não vou, não! Ouvi dizer que, para fins fabulísticos, nosso mijo demora várias horas! Vou enlouquecer com esse barulho! Você vai ter que mijar na louça!

Então, o rapaz, o que estava exasperado por causa do ruído do mijo alheio ao bater na água, mira sua urina para o chão, para que ela escorra até os pés do vizinho:

- Epa, o que é isso? - o rapaz do cubículo ao lado pergunta, enquanto tenta se manter urinando na privada e sacode os pés, esforçando-se para se livrar do líquido.
- E aí, vai mijar na louça?
- Pára de mijar no meu pé!
- Nunca!
- Vou mijar na sua cabeça! - disse, enquanto subia no vaso e mirava sua urina para que ela passasse por cima da divisória dos cubículos e acertasse o vizinho.
- Porra! - o outro exclamou quando sentiu sua careca molhada, e saiu correndo do cubículo, colocando o pinto para dentro da calça.

Ao sair de lá, ele foi lavar as mãos. Viu o outro se aproximar um tempo depois, já que, para fins de fábula, os personagens desta história também demoram várias horas lavando as mãos. Chegou e os dois ficaram enxaguando as mãos em pias próximas durante alguns minutos. Passou-se um tempo e o que havia começado a lavar mão primeiro virou para o outro:

- Mira a água no ralo. Tá fazendo barulho.