15 de setembro de 2016

Golpe, eterno devir



As Testemunhas de Jeová sempre estão postergando a data da volta de Jesus porque ele nunca realmente volta. Achavam que seria em 1878, depois em 1881, 1914, 1918, 1925 e 1975.

O golpe, por outro lado, sempre começou numa data anterior. Nós achávamos que o golpe tinha apenas sido iniciado em 2016 com a deposição da Líder Suprema Dilma Rousseff, mas na verdade a articulação vinha desde 2015, ou talvez 2014 com a reeleição. Na verdade, tudo começou com o julgamento do mensalão de 2010, que já deu as bases pra destruir o PT.

Se pensar em termos mais amplos, porém, o golpe começou em 2006, com o próprio Mensalão, que jamais foi provado. Ou melhor, por que não, começou com a sabotagem do Fome Zero em 2005, incorporando-o ao Bolsa-Família.

Talvez o golpe tenha começado em 2002, com o ressentimento das elites pela eleição de LILS.

É possível, ainda, que o golpe seja um estado permanente. Como a revolução trotskista só era possível em constante renovação, o golpe também é recorrente e jamais termina. Não há começo e fim do golpe, ele é um fluxo, como o ciclo da água, interminável, sempre renovado.

O golpe não é apenas uma ocorrência, mas uma ideologia (golpismo), um pensamento que perpassa gerações, desvinculado de qualquer fato em si. Os golpes enquanto acontecimentos foram apenas manifestações do Golpe real, ideal.

O golpe é como uma entidade em 4D da qual nós, presos em 3 dimensões espaciais, só conseguimos ver uma manifestação incompleta e ocasional.

Deve ser entendido como atemporal, até inevitável, o golpe nem mesmo precisa de pessoas, porque é atrelado à organização lógica do universo.

O movimento do golpe é tão inevitável quanto o movimento das placas tectônicas. É irredutível.

O golpe não acontece. O golpe é.

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