22 de novembro de 2011

Quase tão criativo quanto a capital do Brasil se chamar Brasília

A antiga capital do Japão se chama Kyoto.

A nova se chama Tokyo.

Depois reclamam do estereótipo do japonês bom em matemática.

21 de novembro de 2011

Momento Jimmy Carr

Teve um guri em Goiás que morreu depois de se masturbar 42 vezes seguidas. Supostamente.

Vou presumir que seja verdade. Isso dá ensejo pra tantos comentários curtos!

Imagino ele depois da 41ª gozada, agonizando: "Só... mais... uma..." *splurt* *dies*

Depois da 42ª, sentindo o toque da morte, grita "NO REGRETS!".

Acho que foi um jeito deliberado de morrer também. Se você pode morrer tocando uma, porque arriscar morrer afogado? Ou num atropelamento? Ou atingido por um raio? Ou de câncer?

Morrer via punheta é caminho garantido pra morte feliz.

Pensa o guri decidindo que ia bater non-stop naquela noite: "Tive uma vida feliz. Estou pronto para partir."

Amigas disseram ter feito homenagem após a morte do cara. Twitcam.

20 de novembro de 2011

Essas muletas que a gente usa para não encarar a realidade

Conheço uns ateus por aí que comparam a fé religiosa a uma muleta. O negócio que te ajuda a segurar a onda, porque a realidade é horrível. Como se neguinho fosse um fraco por precisar de uma muleta.

Como eu já escrevi aqui, eu não vejo nada de errado em ser fraco.

Mas o ponto é: qual é o problema de precisar de muletas?

Assim, tem gente que é deficiente, né. Se você sai por aí rindo de amputados andando de muleta, você é meio babaca.

Imagina, você lá, infeliz, acabou de sofrer um acidente, perna enfaixada e tudo, chega um ateu chutando a sua muleta e falando, enquanto você cai de bunda no chão "Seu fraco, você precisa de muletas!". Coisa triste, todo mundo há de concordar.

***

Sem sacanagem, essa história é 100% verdade (normalmente eu conto um monte de mentira aqui, mas dessa vez shit's real), uma vez eu estava andando na rua, perto daqui de casa, e passei perto de um deficiente físico daqueles que tem o corpo todo atrofiado.

Aqui em Recife principalmente, talvez pelas condições mais precárias de saúde, parece ter muita gente que teve paralisia infantil ou outras complicações no parto e tal. Esse cara, em particular, era daqueles que fica sentado num skate remando pra lá e pra cá, pedindo umas moedas no sinal.

Dessa vez o cara não tava num skate, ele estava se arrastando pelo asfalto mesmo e resmungando. Fiquei prestando atenção no que ele tava falando, sem falar muita coisa e tal. Long story short, ele disse que tinham roubado o skate dele.

Dá pra pensar uma hora dessas se não foi um ateu estressado com alguma discussão no Facebook que chegou no pobre coitado e arrancou o skate dele. "O skate é só uma muleta que você usa para não encarar a realidade!"

Lógico que é, mas quem disse que muletas são ruins?

13 de setembro de 2011

O melhor programa de sócios-torcedores do Brasil

Eu sou muito vascaíno. Não fico me gabando, apesar de isso me fazer superior a vocês mesmo; meu nível de vascainismo é altaço.

Então, eu estava comentando com um amigo vascaíno que o programa de sócios do Vasco é horroroso. Pra quem é de fora do Rio, nego paga 30 conto pra ganhar uma revista lá podrona que ninguém quer, ainda paga a carteirinha por fora e depois de um ano ganha o privilégio magnânimo de pagar 90 reais na camisa do time por tempo determinado. (Os planos para residentes no Rio são coisas tristes de se ver também.) Só não é pior que o programa da mulambada, óbvio.

Mas claro que nosso programa é bisonho, são 47 mil inadimplentes de 57 mil inscritos. Um completo fracasso para uma gestão que se disse a sinistra no marketing e tal.

Comecei a considerar alternativas mais inclusivas para o Vasco. Trinta barões não dá. Vamos fazer um programa decente pro Gigante da Colina. O São Paulo tem um monte de planos maneiros, apesar de que eles nem precisavam, porque sabe-se que a comunidade gay tem maior poder aquisitivo (LOL, sacanagem, acho gays legais pra caramba, podem clicar aí).

Vamos então listar os novos preços e benefícios para o sócio-torcedor Vasco da Gama:
Sócio Silver: R$5,00
Dá direito à carteirinha do clube.

Sócio Gold: R$7,00
Dá direito a carteirinha do clube + lancheira.

Sócio Master Gold: R$7,00
Dá direito a carteirinha do clube + copo de plástico do Vasco.

Sócio Platinum: R$8,00
Carteirinha + copo de vidro com o escudo do Vascão.

Sócio Master Platinum: R$10,00
Carteirinha + mini-bandeira + bandana do time.

Sócio Gold Master Platinum Extreme: R$12,00
Carteirinha + Havaianas do Vasco.
Claro que essas são só ideias preliminares, e a gente teria que incluir o boneco do Juninho Pernambucano em algum lugar aí em algum momento.

Falando com esse meu amigo, notei ainda que os planos tavam meio elite ainda, coisa da burguesia. Faltam os planos populares mesmo, coisa povão, ralé.

E como nós estamos na era digital, pobre usa orkut e email em LAN house, o Vasco deveria ser vanguardista, assim como foi em 1924 aceitando os desfavorecidos no time, e lançar o:
Programa Sócio Digital

Sócio Digital Plus: R$2,00
Dá direito a um email de agradecimento do Roberto Dinamite, dizendo "Obrigado, Fulano! Seu apoio é muito importante para o Vasco da Gama! Att., Roberto Dinamite"

Sócio Digital Plus 2.0: R$2,50
Dá direito ao email de agradecimento do Roberto Dinamite + imagem da cruz de malta anexada para o torcedor imprimir, recortar e colocar na carteira.

Sócio Digital Online: R$3,00
Email de agradecimento do Roberto Dinamite + boneco em papercraft do Juninho Pernambucano para o torcedor imprimir e montar em casa.

Sócio Digital Online 2.0: R$3,50
Email de agradecimento do Roberto Dinamite + boneco do Juninho em papercraft + vídeo que alguém colocou no Youtube anexado do gol do Juninho no River Plate em 1998.

(Alguns amigos sugeriram que deveria ser feito um vídeo bem produzido sobre o time e tal, mas vascaíno fica mais feliz com esse gol aí, e a gente não ia gastar nada.)

Sócio Banda-Larga: R$4,00
Email do Roberto Dinamite com vídeo anexado com o presidente falando "Obrigado, Fulano! Seu apoio é muito importante para o Vasco da Gama!". Já teríamos vários vídeos pré-produzidos com nomes comuns, como Rafael, Felipe. Assim não teríamos que gravar vídeo toda hora. Se o sujeito tiver nome muito feio, vai ter que ser efetuado pagamento único adicional de R$5,00 para o presidente falar o nome dele para o vídeo.
Pronto, é isso. Acho que preparei o melhor programa de sócio-torcedor do Brasil. Agora é só o Vasco aprová-lo e ir coletar a Libertadores 2012, porque o tanto de grana que vai entrar não vai ser brincadeira. Vai ser Messi em São Januário em dois tempos.

E eu só tô meio zoando. Na moral.

21 de agosto de 2011

Doenças epônimas e o impacto delas na história da medicina

Falei sobre o assunto uns três anos atrás, mas pensei um pouco mais na coisa, que eu agora acho ser de suma importância na medicina ocidental.

Acho muito palha que uma pessoa estude por tanto tempo uma doença, a descreva num artigo científico, inicie todo um movimento para o reconhecimento dos problemas que essa condição causa e o melhor que a tradição ocidental consegue para essa galera é dar o nome dos pesquisadores PARA A DOENÇA.

Doença de Alzheimer, de Huntington, de Chagas, de Kawasaki, de Parkinson, síndrome de Down, daltonismo, tem um monte.

Olha, no mínimo, no mínimo, deveriam dar o nome do cara para a cura.

Aposto que o sr. Cláudio Aids ficou muito decepcionado quando, tentando ajudar a humanidade, descreveu a síndrome de imunodeficiência e colocaram o nome dela de "aids". Falta de consideração total.

Imagino que emprestar o nome para doenças já tenha desestimulado muitas pesquisas médicas ao longo dos séculos. O sujeito pensa que vai ser para sempre lembrado como uma doença, já fica com pé atrás, pensa se realmente vale a pena todo aquele esforço. Milhares de doenças já devem ter deixado de ser catalogadas por esse sistema injusto e desumano de honrarias.

Sei também que existe um movimento hoje em dia para não se dar mais nome de ninguém para doenças, mas isso não resolve o problema.

Vou dar aqui de graça uma solução para a questão. Talvez ela possa ser chamada de Solução de Vasconcelos.

Se não for possível dar o nome do pesquisador para a cura da doença que ele descreveu, que ele possa usar o nome do inimigo.

Haveria um estímulo muito maior para a pesquisa das doenças. Pensa bem, tem o cara lá vendo uma multiplicação anormal das células de uma determinada região do corpo, vê que aquilo é um problema e fala "Hahaha! Vou trollar esse cretino do meu vizinho, o Otávio Câncer".

A comunidade médica instantaneamente ficaria menos inibida e isso estimularia as pessoas a não serem babacas, para não acabarem emprestando o nome para uma causa de morte qualquer por aí.

17 de agosto de 2011

Gays: arautos da repressão moral

Meu texto sobre adoção gay, grande sucesso de público e crítica, inspiração para legislações mundo afora, acirrou os ânimos de diversos comentaristas anônimos.

Apesar de todos os comentários anônimos terem vaga garantida no meu coração, o que mais me chamou a atenção foi esse, o que disse que homens gays, que cometeram o erro de achar que são mulheres (será que eles têm mesmo essa crise de identidade?) não devem induzir outro ser humano inocente a fazer o mesmo.

Achei válida a observação.

Quer dizer, em casa de gay, todo mundo fica induzindo os filhos a serem gays direto. É o que acontece. É a vida real, meu amigo.

Em lar de casal gay, os filhos meninos já são condicionados desde a mais tenra idade a brincar de boneca, usar vestidos, brincar de casinha; meninas são estimuladas a comer areia, bater nos amiguinhos e jogar aquele futiba.

Já ouvi histórias lamentáveis de um casal gay amigo meu pegando o filho dando aquela sacada em site pornô hétero. Foi a maior decepção da vida deles, uma crise que abalou os alicerces da casa, o filho ficou sem falar com os pais por semanas.

Lembro de outro caso em que o filho teve que deixar a casa da família por ter ousado entrar no armário! Sério! Um filho de gay decidiu virar hétero! Queria que a coisa acabasse bem?

Triste essa situação que vigora nos lares homossexuais; deviam aprender uma coisinha ou outra com as casas dos hétero, que são ninhos de tolerância, onde ninguém induz ninguém a erro nenhum, qualquer escolha é recebida com o mais absoluto respeito.

15 de agosto de 2011

Histórias da mendicância recifense

Aqui em Boa Viagem (é Recife, gente) tem um mendigo razoavelmente conhecido. Quer dizer, não sei realmente se o homem é mendigo, porque ele só fica vagando pelo bairro, e se você adotar a definição de mendigo como esmoléu, acho que ele não encaixa. Enfim, é um maluco pobraço e sujo que fica perambulando por aí.

Minha mãe chegou pra mim outro dia e falou que a fofoca recifense diz que o pobre coitado é, na verdade, de família muito rica. Renunciou à riqueza.

Eu concordei, claro. Quem não abriria mão da sujeira do dinheiro em favor da sujeira por baixo da unha? Ninguém! É tudo um grande experimento sociológico.

Até vejo algum mérito em pensar que ele virou flagelado por opção. Quer dizer, olhando no Peixe Urbano hoje, a Lúcia Helena Estética oferece 95% OFF (em maiúsculas, deve ser abreviação) em limpeza de pele + peeling com vitamina C + máscara revitalizadora, de R$310 por R$15. E eu lembro que umas semanas atrás o Groupon arranjou Whoppers no Burger King por um centavo.

Então, lógico, só dá pra pensar que uma pessoa desgraçada e faminta está vivendo assim por opção. Era só arranjar um cartão de crédito e uma conexão de internet! Com tão pouco seria possível se tornar uma "sereia com rostinho encantador", é o que diz na página da oferta.

A pior parte de achar que o cara é miserável por opção é que ninguém deve querer dar coisas realmente úteis para ele, como comida, provavelmente todo mundo fica direto oferecendo conselhos familiares:

"Não vou te dar pão, amigo, sei que você tem berço. Sei que você quis seguir carreira na música e seu pai o obrigou a assumir os negócios da família. Mas volte para casa, o rancor só deixa um rastro de destruição."

Seguido do que o mendigo deve começar a desejar arduamente se viciar em crack e destruir a própria vida pra parar de ouvir a mongolice.

13 de agosto de 2011

The HORROR

Fui na padaria comprar porcaria pra comer e, esperando na fila do caixa, localizei, como uma águia localiza sua presa, o verso de um maço de cigarros no qual havia o aviso do Ministério da Saúde dizendo que fumar causa HORROR.

A figurinha, como dá pra ver ali no link, mostra a mulher totalmente destruída pelo vício. Provavelmente viciada em heroína, crack, metanfetamina, porque, pra ficar acabada daquele jeito fumando cigarro, minha filha, precisa de muito, viu.

Tenho astigmatismo, que não foi causado pelo cigarro, então precisei chegar mais perto pra conseguir ler que, na verdade, o aviso alertava que cigarro causa envelhecimento da pele. Isso é HORROR.

Então, estamos combinados, ficar velho é HORROR. Leblon e Copacabana, pelo que eu pude perceber pelos meus poucos dias no Rio, tinham aquele monte de velho tomando sol no meio da rua. Ali era praticamente o apocalipse zumbi, e eu imagino um funcionário do Ministério da Saúde entrando em pânico com aquele monte de gente de pele enrugada.

Eu não tenho nada contra, minha posição pró-zumbis está bem documentada.

Mas deve ser meio palha para a população idosa, que tem que lidar diariamente com o mundo NORMAL e preconceituoso, e fica HORRORIZANDO todo mundo. Imagina, vovó chegando na padaria e o balconista já acha que aquilo é filme do George Romero e recebe a velhinha com dois tiros na cabeça.

10 de agosto de 2011

Solução para o problema da adoção gay

Pensei num sistema infalível para acabar com o debate sobre a adoção gay. Digamos que um casal gay queira adotar uma criança e aparece, como sempre, algum conservador sendo contra. Esse conservador, então, ao argumentar contra a adoção, deverá ser legalmente obrigado a adotar a criança.

Sob pena de prisão, talvez. Ou multa.

Se mesmo depois da pena o conservador e sua família não quiserem adotar a criança, ele deverá comparecer ao orfanato onde se encontra a criança e dizer a ela "Eu te rejeitei. Por minha causa você vai continuar vivendo sem uma família".

Se a criança for jovem demais para entender, um porta-retrato com fotos da família que a rejeitou deverá ser mantido próximo a cama dela, com uma nota dizendo "Família que te privou da felicidade". Meios para contato (email, telefone, endereço) deverão ser mantidos à disposição da criança, para o caso de ela querer se vingar depois de adulta.

27 de julho de 2011

Minha professora da auto-escola diria que eu não sou um motorista defensivo

Videogames me tornaram inapto para o trânsito. Pelo menos para o trânsito atual.

Alguém bate no carro do outro, ninguém consegue ver o dano, mas é possível ver um descasque leve da tinta, dependendo da posição da luz. Isso já é motivo para sair do carro, parar o trânsito, discutir por horas, entrar em contato com o seguro, periciar o veículo, perder dia de trabalho.

Ah, véi, se baterem no meu carro e arrancarem o porta-mala, eu vou sair, olhar e dizer "Opa, ainda anda".

É assim que videogames funcionam. Você bate o carro e vai batendo até o life acabar. Arranhão não é motivo pra parar, ainda dá pra completar a fase.

Se você joga GTA e o carro da frente não anda, você acelera e vai empurrando o outro carro pra ele sair do caminho. Se o cara sair pra discutir, você atropela.

A vida real é tão superficial. É uma questão de desprendimento: as pessoas não deviam ficar querendo a perfeição nos seus carros. Qualquer coisa é motivo pra escarcéu. Um arranhão, um retrovisor quebrado, um farol estilhaçado, escapamento vazando.

Se tocarem no parachoque do seu carro, sem stress. Passe a chave no carro do cretino e complete a missão.

3 de junho de 2011

There's a huge dildo, we might as well bend over

Todos os domingos no Fantástico, Max Gehringer nos ensina a ser melhores empregados submissos. Querendo ter emprego no Brasil, é melhor seguir à risca todas as orientações dele.

Tenha espírito de liderança, mas não tanto, pode amedrontar o chefe. Tenha fluência em cinco línguas, mínimo. Seja pontual, dinâmico, pró-ativo, confiante, comunicativo, responsável, discreto, experiente, interessado, organizado, motivado, disponível, bonito, elegante, sensato, bem relacionado.

Na dinâmica de grupo, seja líder, mas ouça. Obedeça, mas dê ideias. Adapte-se e acate. Não ligue para sugestões contraditórias, odeie sugestões contraditórias. Se puder, leve um cafezinho para o chefe durante a entrevista de emprego.

Enfim, é complicado.

Estou meio cansado de ter que ficar implorando para me contratarem. O idioma corporativo também não cai bem com pessoas que têm algum amor próprio. E tem dias que eu acordo e pronto, estou com amor próprio.

Acho que as relações trabalhistas têm que mudar. Está muito fácil para os empregadores. Muito pouca concorrência.

Se depender de mim, o governo implode amanhã. Zero impostos, zero regulamentações. Qualquer um pode concorrer com o mundo todo. Agora eu quero ver. Sem o governo segurando as empresas no colo, elas que vão ter que ficar correndo atrás da minha mão de obra.

A partir de então, os prospectivos empregados seriam aqueles a ditar as regras.

Me entreguem seus currículos, empresas, talvez eu aceite que vocês me paguem. Se seus sites forem ruins, já era. Se a emissão de carbono for excessiva, nem tentem. Se o portfólio for ruim, sem chance.

E essas empresas que colaboraram com nazismo que se acham tão boas, vivem julgando todo mundo? It's go time. Não têm a menor chance comigo: IBM, Volkswagen, Siemens, Coca-Cola, Hugo Boss, Kodak. Esse pessoal colaborando com a censura chinesa, não esperem muita simpatia também, certo, Google, Microsoft?

A entrevista vai ser na minha casa. Não vou ficar me deslocando mais para poupar seus recursos, empresas.

Quando chegarem aqui, eu que vou entrevistar o RH de vocês, não o contrário. Se eu pedir um cafezinho, vocês têm que trazer. Se eu mandar dançar, vocês dançam. Não vou aceitar representante homem de RH também. Tem que ser mulher. Os trajes têm que ser sérios with a hint of slutty.

Minha entrevista será composta por perguntas como "Quais são suas maiores qualidades e defeitos?", "O que tem feito ultimamente que demonstre sua capacidade de tomar iniciativa?" e "Você se considera uma empresa líder?".

Suas respostas estarão sempre erradas, não se preocupem.

Ao final, eu vou colocar os nomes das empresas numa caixinha e sortear quem vai ser contemplado com o meu trabalho.

Decorações

Casas de praia são invariavelmente decoradas como casas de praia. Elas não são decoradas como casas que acontece de serem localizadas na praia. Elas têm que gritar "SOU UMA CASA DE PRAIA E NÃO ME ENVERGONHO DISSO". Aí penduram na parede um peixe de madeira, uma vara de pescar, uns panos coloridos, redes se entrecruzando. Quartos têm beliches. Praias aparentemente têm uma fixação com beliches.

Deve haver um número desproporcional de coisas feitas de palha. Cadeiras? Palha. Estofados? Nunca. Substituir por trançados de palha. Tons pastéis, cores quentes em vez de azuis e roxos.

É um tanto bizarro, eu não vejo ninguém que mora aqui na Avenida Beira-Mar em Recife colocando folhas de coqueiro na parede e tomando seus drinks em copos de madeira envernizados. Mas mudou para uma cidade estritamente litorânea, a casa tem que refletir essa mudança.

Casas que não estão na praia não são decoradas como "casas de cidade". São decoradas como casas. Se fôssemos aplicar esse padrão de decoração de acordo com o ambiente, como ficaria a cidade?

Cadeiras de concreto? Faixas de trânsito no chão? Se você morar perto da favela, é melhor substituir a piscina por um pouco de esgoto a céu aberto.

Casas na zona rural vão ter que se virar com chão de terra batida. Casa no sertão tem que ser completamente vazia por dentro. Se bem que eu acho que isso não é lá muito longe da realidade, né.

30 de maio de 2011

Papai tem orgulho

A coisa que mais me impressiona quando vejo vídeos pornôs amadores é a quantidade de gente nos comentários se preocupando com o que o pai da menina em cena está achando da situação. "Papai tá orgulhoso!", coisas assim.

Tenho certeza de que a garota vai aprender a lição depois da censura de um comentário do Redtube e nunca mais vai decepcionar o coroa assim, deixando um malandro desagradável qualquer gravar aquele boquete pela câmera do celular.

Vídeos brasileiros sempre contam com a participação de alguém se lamentando pela decadência moral do nosso povo. "Esse é o meu Brasil!", "É por isso que o Brasil está do jeito que está!". Ufa, e eu aqui pensando que nosso problema era saneamento básico e desemprego.

Caboclo entra em site pornô e quer fazer análise sociológica. Uma análise muito mais interessante seria sobre as razões que levam carolas conservadores a comentários de sites de vídeos pornô.

Esse pessoal é ainda mais incompreensível do que aquela galera que inevitavelmente aparece avaliando o desempenho sexual do cara que está de fato fazendo sexo com uma mulher no vídeo. Pelo menos a gente sabe que esse pessoal está só delirando mesmo.

Exemplo, vejam esse comentário que eu acabei de pescar aqui no Xvideos: "nossa meu, uma mina dessas nao merece um viadinho de pau minusculo e que nao sabe nem comer a mina direito".

Acho que as meninas devem se deixar gravar para aparecer na internet e descobrir que estavam se desperdiçando com os próprios namorados. Elas querem mais emoção, mais prazer, mais tesão. Coisas que só um anônimo tocando uma num site pornô pode proporcionar.

20 de maio de 2011

Reais palavras japonesas de origem portuguesa

Portugal estava precisando que a Finlândia não vetasse uma esmola da União Europeia, então fez um vídeo até interessante sobre o país - o clipe inclusive passou umas semanas atrás no Jornal Nacional.

O problema é que no vídeo dizem que "arigatō" é uma palavra de origem portuguesa, derivada de "obrigado". Nem é (mas "tempura" é). Arigatō vem do japonês antigo mesmo.

Agora, eu não entendo por que ninguém presta atenção em outra óbvia palavra de origem portuguesa, bishōnen.

Na moral, o negócio é ÓBVIO. A primeira coisa que eu imagino são os jesuítas chegando no Japão em mil seiscentos e lá vai bolinha, vendo um cara desses e exclamando "OW ISSO EH UMA BISHONEN???", nas imortais palavras do porteiro Severino, interpretado por Paulo Silvino.

15 de maio de 2011

Elas nunca gozam

Não sei se isso acontece na realidade, mas vou acreditar que Hollywood retrata fielmente o comportamento das mulheres quando elas tentam terminar o relacionamento e humilhar os parceiros.

"Eu nunca gozei!", elas dizem.

Pô, que palha, eu gozei em todas as vezes que a gente fez sexo. Talvez você já devesse ter procurado uma companhia sexual que te satisfizesse melhor há algum tempo, hein?

Sei lá, pode ser um problema fisiológico também. Não tem um Boston Medical Group para mulher?

É uma tentativa estranha de tentar humilhar os homens, sério. O relacionamento está terminando mesmo, querem afetar meu orgulho? Elas que se fuderam, eu tô tranquilão.

Agora, imagina que sua namorada tá lá morrendo de ódio de você, prestes a terminar o namoro, e diz:

- VOCÊ NUNCA GOZOU.
- Não acredito! Achei que tivesse gozado! :-O
- Ilusão, você nunca gozou. Em todas as vezes que a gente fez sexo, você nunca chegou ao clímax.
- M-m-mas...
- Nada de "mas", você nunca gozou e ponto final. Suas bolas sempre ficavam doendo porque você estava sempre prestes a gozar e não gozava. Isso aconteceu em todas as vezes que fizemos sexo. Todas.

É, meu amigo, aí sim a coisa assusta.

Insensato Coração

Olha, eu normalmente reluto em dar o meu ENDOSSO OFICIAL a qualquer obra de entretenimento, porque eu tô ligado que a galera leva a sério qualquer coisa que leve o selo Manipulação.

Dito isso, tenho que confessar que Insensato Coração vem me deixando com as emoções à flor da pele.

Para quem não sabe, o Henrique tinha informações comprometedoras sobre o banqueiro Cortez. As informações eram tão comprometedoras que ele gravou todas em um só DVD e não manteve nenhum backup.

Em vez de fazer CÓPIAS, ele decidiu que seria mais eficiente colocar o único DVD num cofre. Foi uma sacada de GÊNIO perceber que o ÚNICO DVD COM INFORMAÇÕES DE GRANDE IMPORTÂNCIA devia ser mantido À DISTÂNCIA, num cofre longínquo, sem qualquer possibilidade de recuperar o conteúdo em caso de perda.

O cofre foi assaltado, ele perdeu o DVD e morreu quando tentou recuperá-lo. LOL

***

Procurei saber quanto custa alugar um cofre desses em banco, apesar de o Henrique ter alugado um cofre num navio, o que deve sair por um precinho maior.

O Google só conseguiu me dar estimativas do valor na Europa, que é tipo 50 euros por ano para o menor cofre, que é o que eu acho que ele alugou, embora a RACIONALIDADE TRANSBORDANTE do personagem torne bastante possível que ele tenha alugado um cofre do tamanho de um apartamento de dois quartos.

Pesquisei também quanto custa um DVD virgem. A unidade aqui perto de casa sai por uns 80 centavos. Beleza, digamos que você não queira um DVD fubeca da Multilaser ou Ridata. Vamos chutar uns R$2 por um DVD da Sony (o negócio deve vir folheado a ouro por esse preço).

Fazendo o cálculo de custos-benefícios:

DVD virgem: R$2, mais uma cópia, maior segurança contra perda de dados.
Cofre: 50€/ano, zero cópias a mais, mesma segurança contra perda de dados.

Só colocando tudo na ponta do lápis que a gente consegue ver como foi lúcida a decisão do cara.

***

Ah, falando nisso, nada a ver, ontem na novela jogaram no PlayStation 2 um jogo chamado VINGANÇA FATAL.

Será que é outra versão hackeada do PES, tipo o Bomba Patch?

I am become Death, the destroyer of worlds

Peguei o SBP e matei um monte de formiga na cozinha. No final, sobrou uma, cambaleante. Fui clemente, deixei a pequena ir-se. Minha vitória fora esmagadora.

Agora não consigo mais dormir. Será que a formiga sobrevivente vai retornar no futuro com sede de vingança? Será que vai ter apurado todos os instintos e será que seu poder vai ter se crescido exponencialmente? É possível que ela seja a formiga lendária que vai derrotar o opressor humano?

Fui leviano, devia ter aniquilado toda a população quando tive a chance, agora sou consumido pelo medo.

Se a formiga renegada realmente for voltar para pegar minha cabeça, eu devo esperar que ela apareça num período de mais ou menos quanto tempo, dada a esperança de vida média de formigas de cozinha? Uma, duas semanas?

13 de maio de 2011

3 de maio de 2011

Sou parte da internet brasileira agora

Como eu posso provar por este tweet, e também por este, até alguns dias atrás eu não fazia a menor ideia de quem era Felipe Neto. Vi o vídeo dele sobre diminuir impostos das coisas, e graças ao Chico Barney, descobri que a ideia radical dele de diminuir impostos está atraindo oposição ferrenha da internet brasileira.

"Impostos altos 4eva", "Eu <3 Impostos", "É 50% do PIB ou mais!" são os gritos que a gente ouve nos quatro cantos do país. Essa foi uma semana de descobertas, porque descobri também a a existência de um SITE NA INTERNET chamado "Papo de Homem". De acordo com ele, esse negócio de baixar impostos das coisas não tá com nada, o maneiro é instalar fábricas dentro do país, porque comprar coisas de outros países não gera dinheiro pro Brasil.

Se a gente produzir nosso Xbox nacional (Zeebo?), a gente vai gerar divisas para o país, e não vai financiar esses ianques malditos. Nas palavras do Papo de Homem: "Sem individualismos, sempre pensando na sociedade como um todo."

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Acho que a galera anti-anti-impostos podia mudar seu slogan para "GOVERNO, ME POSSUA, YOU BIG LUMMOX".

Porque protecionismo não é bacana. Sério. Sei que os brasileiros não tiveram muito tempo para absorver esse argumento, o argumento pró-livre comércio só está rolando desde Adam Smith e David Ricardo, tem só uns 200 anos.

Mas esse negócio de instalar fábricas no país porque comprar fora só dá dinheiro pros estrangeiros sujos é o mesmo que eu dar a doida aqui e falar "Ah, vou produzir meu pão aqui em casa, comprar na padaria só dá dinheiro pra esse português nojento".

É uma noção meio bizarra, mas a gente não fica mais rico quando tem menos coisa.

27 de abril de 2011

Pokémon como alegoria

Pokémon é uma alegoria, mostra o que seria o mundo sem direitos dos animais. Acaba o PETA, é isso que temos, uma civilização altamente tecnológica, fim da pobreza, zero poluição, e rinhas de galo institucionalizadas.

Mas justamente o que me confunde em Pokémon é se os pokémon contam como animais ou se, de um lado, existem os pokémon e do outro os animais não-pokémon. É uma dúvida legítima. Se todo bicho é pokémon, até bactérias são pokémon? Dá para capturar com pokébola?

Talvez o que defina um pokémon seja um traço no DNA que define sua portabilidade via pokébola. Pokémon significa pocket monster, né. Antes de inventarem a pokébola, eles eram chamados de pokémon? Porque é meio complicado ficar carregando esses bichos todos no bolso e tal.

Quero comentar também o fato de que, não apenas as pokébolas são uma gaiola portátil, mas também servem como controladores da mente. Monstros selvagens são pegos com a pokébola e imediatamente obedecem nossos comandos.

Como a soma em Admirável Mundo Novo, as pokébolas são instrumentos de controle social em Pokémon. Enfiam os monstrinhos na pokébola, eles ficam doidaços e nem ligam pro stress das batalhas.

Com esses mecanismos de controle, todo mundo em Pokémon é ricão, os centros Pokémon até oferecem serviços de graça. Por quê? Porque os Pokémon são escravos, ora bolas. Botam um monte de Pikachu para gerar eletricidade, uns Charmanders para gerar fogo, água potável não é mais problema se você tiver meia dúzia de Squirtles (se bem que é meio nojento ficar bebendo água babada de tartaruga).

Talvez Pokémon precise de um abolicionista, um Joaquim Nabuco, para liberar as espécies desse jugo intolerável. Mas todos os bichinhos que parecem humanos e poderiam liderar o movimento parecem mó idiotas, tipo o Mr. Mime.

24 de abril de 2011

Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos & molhados

Millôr Fernandes disse uma vez que jornalismo é oposição. Eu concordo e expando a ideia, para mim até jornalismo esportivo tem que ser de oposição.

Juiz marcou pênalti? Pênalti o caralho, juiz ladrão. Fight the power! Não vamos deixar que o poder se safe com essa decisão arbitrária. Acho que o real jornalismo deveria instigar a torcida a invadir o campo depois de uma dessas. O jogador bateu o pênalti para fora e foi tiro de meta? Mané tiro de meta, mermão, foi gol! Gol! Juiz maldito, lacaio da elite!

Videogames são assunto de grande interesse meu. Às vezes dizem por aí que o jornalismo de games não passa de uma extensão do departamento de relações públicas dos publishers de jogos. Isso é inaceitável. Jornalismo de games precisa de mais ativismo oposicionista.

Nintendo anunciou que o próximo Super Mario Bros. vai ser maneiro? Maneiro nada, tem que ser horrível. Vamos às ruas! Vamos pintar nossas caras contra a diversão em games, contra a mão de ferro da Nintendo!

Acho que a revista Caras e a Quem estão pelegas demais também. Acho que deviam ter sido mais combativas quando disseram que Juliana Paes estava em boa forma depois da gravidez. Talvez dizer que ela devia ter ficado mais gordinha?

Essa resignação é o veneno do jornalismo nacional.

Lada celulares

Escolher celular é muito complicado, opções demais. Vai lá no Submarino, como querem que eu escolha entre o Nokia X3-02 e o Motorola MB502? "Vejam essas letras seguidas de números, decidam qual é o melhor aparelho."

Acho que o mundo precisa de menos diversidade, menos escolhas, mais uniformidade em celulares. É necessário um modelo soviético de produção de celulares. Já!

Cadê o meu celular Lada? Provavelmente seria um lixo, mas todo mundo compra iPhones, né? (Calma, geral, só peguei num iPhone duas vezes na vida, ouvi dizer que é massa pra jogar joguinhos em flash, igual ao meu browser).

Sem contar que a gente não teria mais que escolher. Aceito o medíocre se me tirarem esse stress.

19 de abril de 2011

Motel Senzala

Achei curioso encontrar um Motel Senzala enquanto andava aqui pelo Recife, no meu trabalho deprimente. De acordo com minha extensa pesquisa, senzalas fediam, as latrinas eram valas no chão e as camas eram só tábuas de madeira. Então, será que o motel recria a experiência?

Fiz uma busca esperta no Google e vi que, na verdade, tem um monte de Motel Senzala por aí, e que a maioria é bem luxuosa, mó decepção. Eu aqui esperando teto baixo, chão batido e ausência de janelas, eles me dando camas em forma de coração, espelho no teto e ar condicionado, muito nada a ver. Motel CASA GRANDE, talvez? Ricos cretinos.

A internet também me disse que tem várias outras coisas com o nome Senzala, tipo o Senzala Bar & Grill, recomendado pela Veja SP. Só pela fotinho você já vê que nem se preocuparam com verossimilhança. Tô vendo essas coisas e achando que a vida dos escravos era puro glamour.

Pelo menos no caso dos motéis o nome pode atrair o público BDSM. Essa coisa de escravidão deixa esse pessoal molhadinho.

12 de abril de 2011

Se eu fosse editor de jornalismo da Globo

O Jornal Nacional seria ainda mais restritivo em relação a marcas, nenhuma seria veiculada. Não só as marcas seriam borradas nas reportagens externas (como já são), mas também os repórteres não mais apareceriam na tela. Marketing pessoal? Nananinanão.

Aliás, para evitar qualquer tipo de propaganda, mesmo que dos funcionários, o jornal seria totalmente impessoalizado. Adeus, William e Fátima. Agora vai ser tudo narrado por aquela voz mecânica do Google Translate. Melhor ainda, os jornais seriam feitos no Xtranormal. Obviamente o logo do Xtranormal ficaria quadriculado no canto da tela.

Hoje mesmo o JN colocou no ar uma reportagem maravilhosa falando do "tablet mais vendido no mundo, criado por uma empresa americana, montado por uma empresa taiwanesa". Eu só acho que, em vez de falar que Dilma Roussef é a presidente do Brasil, deveriam dizer que discursou hoje "uma certa presidente de determinado país". Tão querendo se promover nas costas do meu jornalismo? É ruim, hein.

Nos testes do Inmetro do Fantástico, marcas seriam suprimidas do mesmo jeito, a única coisa que ia passar pela minha censura férrea seriam afirmações como "Algumas marcas de torneira passaram e outras tantas reprovaram em testes de dada autoridade governamental. Uma das marcas reprovadas enviou o seguinte comunicado dizendo que: 'A Fábrica de Torneiras obedece a todos os padrões internacionais de qualidade.'."

Na hora dos Gols do Fantástico, Tadeu Schmidt, que ficaria atrás de uma parede de ladrilhos e usaria um modulador de voz, só poderia se referir aos times como "equipes de uniforme azul" ou "equipes de uniforme vermelho". Se alguém fizesse três gols numa partida, não só não apareceria na TV pedindo música nenhuma, como ninguém nunca saberia que uma mesma pessoa marcou três gols. Porque aí já é publicidade demais, né.

[Post idealizado em conjunto com certo amigo meu. Se quiser saber qual amigo, entre em nosso site: www.manipulacao.org.]

5 de abril de 2011

Axe

Quem usa Axe do jeito que o comercial mostra? É um desodorante, não colônia. Também não é inseticida, embora seja muito massa ficar tacando o spray em tudo quanto é lugar. Será que os mosquitos atingidos no caminho da brincadeira também atraem muitas fêmeas, que nem homens atraem mulheres e anjas nos comerciais do Axe? Enquanto eu estou lá desperdiçando meu Dark Temptation, passa aquele mosquitinho esperto e se banha na fumaça. As fêmeas se desmancham por ele.

Logo, a responsabilidade sobre a reprodução do Aedes aegypti e a consequente epidemia de dengue deveria ser do Axe. Por que as autoridades ainda não acionaram judicialmente a Unilever?

Dito isto, tenho que expressar meu estupor pelo fato de que ninguém nunca pensou na campanha publicitária que vou sugerir agora: "Axe: AXESSÍVEL". Em vez de "Até os anjos cairão" ou qualquer outro nonsense do tipo, vamos explorar o mau português do vulgo. Eu nem sei o que vocês colocariam nos vídeos, mas, porra, olha esse slogan, eu ouço os "ca-shing" a cada vez que o repito.

3 de abril de 2011

Naked capitalism

Se a obesidade é uma epidemia, a causa é o Peixe Urbano. Ou o Groupon. Ou esses milhares de outros sites por aí. Conceito bacana, mas quantas vezes eu posso querer rodízio de sushi num mês? Alinhamento e balanceamento pro meu "possante" também são recorrentes, mas o mais curioso é a quantidade de ofertas de limpeza de pele e esfoliação.

Eu sabia que cravos eram um problema (pelo menos pra mim são), mas o fato de eles serem tão prevalentes a ponto de justificarem limpezas de pele diárias a 75% de desconto me surpreende.

Embora cause dor lacinante, agradeço à minha namorada por remover meus cravos manualmente, assim acabo não apoiando esse modelo de negócios que nos empurra ao consumo das mesmas coisas over and over and over and over and over. CAPITALISMO.

Desafios

Atores são os únicos profissionais que têm o aval social para chamar qualquer trabalho de "desafio". "Esse papel de presidiário maneta foi um desafio." "Fazer um cantor homossexual dos anos 80 foi um desafio." "Me colocar no lugar de uma mãe de classe média no Leblon, algo que eu já sou na minha vida cotidiana, foi um grande desafio."

Se qualquer integrante de outra profissão (ou quase - não quero ser tão abrangente, vai que aparece alguém nos comentários com dezenas de contra-exemplos) também tivesse esse hábito, perderia o emprego em dois tempos. Imagina, um encanador chega na sua casa: "Eis um desafio. Um vazamento numa pia." Você até entende na primeira vez, talvez na segunda, na terceira aquilo te perturba profundamente: "Amigo, tem certeza de que você sabe o que são encanamentos?"

É extremamente esquisito que ninguém dê uma real nos atores, dizendo que, pô, se tudo é tão difícil assim, talvez essa não seja a vocação deles. Talvez você queira um emprego na área de engenharia? Está se expandindo muito no país ultimamente.

15 de março de 2011

Inglês bíblico

Segundo a placa da fachada, a escola religiosa daqui de perto ensina "inglês bíblico (com nativos)". Nativos de onde? Da Bíblia? Yesss, quero falar com João Batista, cara maneiro. Não sabia que falava inglês, minha admiração aumenta.

Isso explica como os habitantes bíblicos se comunicam uns com os outros; um fala aramaico, o outro fala latim, tem uns gregos aqui e acolá, mas todo mundo usa o inglês como língua franca. É o povão todo falando "thou" em vez de "you" e impressionando os incautos.

"Dãã, não é isso que quiseram dizer com a placa, mongol."

Mas se não foi isso, o que foi? O que é inglês bíblico? Inglês sexual? Hmm, vamos conhecer o inglês no sentido bíblico. Todas as mais íntimas facetas do inglês. O que é o inglês entre quatro paredes.

Com nativos, ainda. Pegam alguém que fala inglês, te levam para aquele encontro bacana, vinho, velas. Depois a coisa toda é levada para um ambiente mais reservado, onde os "estudos" podem acontecer. E quando ele ou ela te conhecer biblicamente, não vai ter nada de "isso, isso, vai", o negócio vai ser todo na linha de "oh, yes, harder".

Deve ser um curso fantástico.

14 de março de 2011

Mais um post espiritual

O ateísmo obviamente tem um problema de marketing. Na minha opinião, o maior deles é o de que os ateus acham que os não-ateus não conseguem lidar com a dura realidade de um mundo sem Deus. Quem é crente é crente porque é fraco, precisa de uma muleta, necessita de explicações rápidas para fenômenos que não entende, e em geral é uma pessoa supersticiosa e crédula, que cai em qualquer conto do vigário.

Aí complica, né, porque a gloriosa raça superior atéia se acha melhor que a gentalha plebéia teísta e acaba ofendendo os alvos da propaganda. Imagina. Você está lá, chillin', acreditando em Deus, chega um ateu hardcore, Richard Dawkins da vida, falando "Você é um fraco, Deus não passa de um conceito falso no qual você se apoia por ser covarde". E, apesar de eu estar sendo FACETO aqui, eu já vi nego falando isso aí quase literalmente.

Falando por mim, eu não diria "Puxa vida, é verdade, que fraco eu sou, vou passar a ser forte e ateu".

Porque (1) ser fraco nem é escolha, moron, e (2) mesmo que seja uma escolha, talvez ser fraco e covarde tenha lá suas vantagens.

Eu mesmo me acho bastante fraco. Não quero ficar tendo trabalho com esse negócio de crença. A maior parte das crenças requer que eu me esforce pra acreditar em algo não muito óbvio, e pior, querem que eu frequente missas, cultos, giras, afff.

Agora, ser religioso requer uma dedicação e força quase inumanas, precisa cumprir vários rituais, aceitar psicologicamente se submeter a uma força divina muito maior. Né, é difícil.

Quer dizer, o problema dos ateus é que eles querem que ser ateu seja difícil. Mas aí estão alienando o público. Ainda bem que eles são mó fortes, assim aguentam o isolamento social.

4 de março de 2011

Sarah de Iemanjá

Sarah de Iemanjá é ubíqua, a gente olha pra qualquer parte do Recife e tem um cartaz de propaganda dela dizendo: "Faço e desfaço qualquer trabalho gratuitamente, resultados em 24h". A parte do gratuitamente sempre me incomodou ao ler essas propagandas, o que significa que eu passo 17 horas do meu dia irritado, porque eu vou comprar pão, olha lá um cartaz, vou pro trabalho, lá vem outro, visito o banheiro daqui de casa, mais um.

Não entendo muito de orixás, não sei as nuances que separam candomblé de umbanda, minha noção do funcionamento de tarô e búzios é no máximo vaga. Mães de santo sempre oferecem serviços de tarô, búzios, quiromancia? Eu não saberia, sou muito ignorante.

Mas como eu dizia, a parte de que ela faz e desfaz qualquer trabalho era estranha. Se é realmente de graça, como ela se sustenta?

Pensei que ela pudesse fornecer serviços acessórios. Você vai lá, faz uma mandinga pra amarração de amor, compra uma leitura da borra de café (thanks, O Clone!) pelo preço promocional de R$25. Uma variante do modelo dos barbeadores e das lâminas, coisa sofisticada.

Os cartazes da mulher também nos levam a especular a utilização de um modelo de freemium. Você pode querer um trabalho para prosperidade profissional, mas se quiser ficar o dia todo na internet tomando aquele sorvete de pavê da Kibon e mesmo assim continuar ricão, vai ter que liberar a grana.

Tudo isso pode estar acoplado a um esquema de franchising, dada a força da marca SARAH DE IEMANJÁ. Não é possível que a mulher consiga atender a tantos clientes criados pela presença universal do seu marketing.

***

Acabei com a minha curiosidade ligando para a Da. Sarah para perguntar como ela fazia pra lucrar sem cobrar pelo serviço. Porque aqui é assim, é investigação, é JOURNALISM.

E ela me disse que não cobra pelos trabalhos mesmo, só pela consulta. E pelo material necessário nos trabalhos. Se você quiser um trabalho de "melhoria do desempenho sexual", não basta o comprimido azul, você tem também que pagar pelo horário da Da. Sarah. Mas o trabalho mesmo não é pago, né, Sarah, sua danada.

3 de março de 2011

Um comentário sobre Death Note que eu queria escrever há anos

Em Death Note, o caderno mágico epônimo permite a seu usuário matar qualquer zé neguinho, é só saber o nome dele e qual é o rosto do sujeito. Com essas duas informações, é só escrever o nome no caderno e bum, mais um defunto. E saber o nome da pessoa nem é lá um grande problema, porque tem HAX na série que permitem que o portador do caderno veja o nome de quem quer que olhar, sabendo até a grafia mongol que os pais do infeliz inventaram. Mesmo que você se chame Deyvÿssóhn, você não está a salvo dos poderes assassinos do caderno.

Com esse poder foda, o personagem principal da série, o Light, acaba com as guerras, com o crime e infunde medo no coração das crianças de todo o mundo, que têm medo de fazer qualquer coisa que irrite o rapaz e morrer instantaneamente.

Here's the thing. O negócio é que dá pra dobrar as regras do caderno. Se o portador não vir a cara do alvo, já era, não vai matar, otário. É só usar máscaras que já era o poder. Na verdade, no final da série a polícia até faz isso pro Light não poder atingi-los, só que isso me parece pouco. Por que as máscaras não passaram a ser usadas em massa no mundo?

Quer dizer, duvido que o Light tenha matado qualquer um no Carnaval aqui no Brasil nos anos em que ele reinou o mundo. Todo mundo mascarado, algumas pessoas sem qualquer senso de ridículo, inclusive, e todo mundo vivo. Bota uma meia na cabeça, assalta todo mundo e o portador do caderno não vai poder fazer nada contra você.

É engraçado que a série inteira tenha sido construída sobre um conjunto de regras mas que o conjunto de regras seja tão facilmente dobrável. É claro que a série nunca leva as regras às últimas consequências (apesar de ser um desenho bem inteligentinho).

Na verdade, dado que com essas poucas coisas liberadas uma pessoa poderia morrer, haveria uma crise de identidade no mundo. Todo mundo passaria a usar apelidos, todo mundo passaria a usar máscaras. Seria um problema para os governos. Ninguém confia em ninguém, o governo não teria como rastrear os cidadãos e controlá-los.

Até o comércio ficaria altamente patético num mundo com o Death Note de verdade. Como o comércio requer uma dose razoável de confiança e essa confiança não existiria com a anonimidade total, geral ia ficar miserável. O que seria uma ironia massa se tivesse sido explorada na série, já que o Light, megalomaníaco, queria criar uma sociedade perfeita. Ia acabar destruindo tudo.

***

OUTRO ASSUNTO DE IMPORTÂNCIA VITAL: e quanto a maquiagem? Se o usuário do Death Note olhar pra cara de alguém e a pessoa estiver lotada de maquiagem, vale? É só escrever no caderno o nome que ela morre?

Porque assim, parece meio injusto que máscaras te deixem imune e maquiagem não deixe. Porque tem umas maquiagens por aí que vou te contar, viu.

26 de fevereiro de 2011

PSA

Vou aproveitar as milhares de visitas advindas do "Bobagento" para fazer aquele merchan. Anteontem ficou pronto o segundo episódio do Boteco dos Game, meu podcast de vidjogames com essas pessoas aqui: link, link, link.

Episódio 1
Episódio 2

A trama do podcast ainda não foi estabelecida completamente, estamos na fase de apresentação e desenvolvimento dos personagens. Aliás, o primeiro episódio tem áudio horrível, mas no segundo minha voz de veludo salta aos ouvidos.

Vejam que, enquanto vocês, leitores, ficam aí na maciota, eu produzo entretenimento de qualidade para todas as idades.

É praticamente um presente para meus novos visitantes, porque, né, se vocês quisessem ler, vocês iam para a escola, não para a internet.

Abra sua kbça

Um dos papéis que assumi na minha vida quotidiana (saquem meu uso elegante do qu - haha, aqui o humor é ralé mesmo) é o de QUESTIONADOR DE PREMISSAS.

Quer que eu dê um exemplo? Vou te dizer um exemplo. Ontem eu estava aqui jogando Tomb Raider: Anniversary, andando por uns lugares muito doidos do Peru (tem até dinossauro), cheguei numa porta enorme de pedra, trancada. Fui dar uma espiada esperta no diário da Lara para saber o que ela achava sobre o assunto e lá estava, ipsis litteris: "There must be a way to open this door."

Pff, faz-me rir. Quem disse que deve haver um jeito de abrir a porta? Deus? Que raciocínio tosco, sério. Não há nada neste mundo indicando que todas as portas sejam abríveis. Direto eu chego em portas gigantescas trancadas e não saio por aí presumindo que dê pra abrir tudo. Elas estão fechadas, talvez sempre tenham estado fechadas.

A porta lá de Tomb Raider, inclusive, é da época inca. Vai que os incas nunca abriam suas portas. Eles construíam elas abertas e fechavam uma vez. Provável que, por ser uma civilização muito antiga, não conhecessem o conceito de abrir. Acho que só depois da dominação pela gloriosa raça europeia eles entraram em contato com o conceito de "abertura".

Tendo basicamente refutado dialeticamente o raciocínio infantil de Lara Croft, eu saí do jogo satisfeito por ter chegado ao fim. Um pouco decepcionado por não ter tido algum filmezinho e tal, mas que eu zerei o jogo, zerei. E a Lara vai ter que tomar algumas aulas com, sei lá, ARISTÓTELES, antes de vir com essa conversinha fiada de "tem que ter" isso ou "deve ser" aquilo.

Mas também, gostosa demais a mulher, não dava pra esperar muita massa cinzenta.

22 de fevereiro de 2011

Controvérsia

Para elaborar uma posição radical que eu tomei enquanto gravava o Boteco dos Game (primeiro episódio, próximo em uma semana!) com meus amgs, lá vai.

No caso de um apocalipse zumbi, sou pró-zumbis. A unanimidade atual em prol dos não-infectados não é coisa saudável, sem diversidade não há democracia. É assustadora a falta de representatividade dos zumbis, é assim que acontecem os genocídios. Vê aí o caso da Líbia, daqui a pouco vamos mandar jatos para abater os bichinhos dos undead.

Na moral, todo mundo se imagina como parte da resistência, como a galera que vai repovoar a terra. Ninguém se imagina como parte da massa sem personalidade de zumbis, exceto eu, porque eu sou muito especial.

Por que eu deveria fugir dos zumbis? Ia dar mó trabalho. Se eu fico lá paradão, viro zumbi e eu persigo as pessoas, vou ser o dominante da relação, o macho alfa, a humanidade se torna minha presa. Se eu fico assim, rosinha e sadio, vou ter que ficar fugindo e me escondendo dos zumbis, vou ser a total bitch deles. Porra, e não é como se a gente fosse encontrar escopeta em cada armário pelo Brasil, esse país é mó deprê, os únicos que iam acabar sobrevivendo seriam os seguranças de carro forte.

Os resistentes teriam que se defender com umas faquinhas de cortar pão, galhos, mangueiras, varais, essas coisas que a gente realmente acha no Brasil, ia ser a visão mais emocionalmente transtornante do mundo. Por outro lado, o futuro parece brilhante se geral simplesmente aceitar virar zumbi. A gente persegue os indefesos, não sente mais dor, vive em função do prazer de comer cérebros e nem pensa em mais nada. Quando nossa população estabilizasse, a gente poderia até chegar num consenso sobre um grau sustentável de consumo de cérebros sadios.

É uma pena deveras que o debate atual sobre zumbis só esteja infectado mesmo pelo RACISMO.

16 de fevereiro de 2011

Power of intimidation

O que te assusta mais, mistério ou força? Acho que varia de pessoa pra pessoa; no meu caso, fico mais oprimido quando estou diante de alguém muito mais forte que eu. Mas a filosofia das empresas de segurança por aí parece ser a de que mistério é mais amedrontador, por isso vestem seus vigias com paletó preto e gravata, naquela vibe meio MIB.

"Tenha medo, nós vamos calcular o seu imposto de renda", essa é a única mensagem que me passam. Se eu visse um cara de camiseta, tatuado, piercing, careca ou de moicano, transpirando, acho que eu teria mais medo de chegar tocando terror na revendedora Hugo Boss.

Colocam aqueles caras bem vestidos na porta da loja, fico até tentado a arriscar um assalto épico. Posso entrar numa loja qualquer, assaltá-la e sair correndo. O que os seguranças engomadinhos vão fazer? Em 3 minutos de perseguição eles desistem porque, assim, meia e sapato social não foram feitos para esse tipo de ação frenética.

É uma crise de imagem; quando você está na academia e tem aquele estivador cabuloso levantando 80 kg na rosca direta, você não pensa "Puxa, se ele estivesse usando um terno eu teria muito mais medo dele". Mas as madames não querem uma segurança eficaz na sua loja preferida, só querem aquele cara perfumadinho no canto da loja com fone de ouvido. Taí o resultado, 50 mil homicídios por ano no país.

11 de fevereiro de 2011

Li por aí que epidemias não precisam ser contagiosas, lol

Se a obesidade é uma epidemia, deveríamos colocar os obesos em quarentena. A gente está lidando com a situação do jeito errado, dando poltronas extras pra eles em avião e ônibus. Quem vai emagrecer assim? Geral vai querer engordar.

O que é um problema, já que vamos estar expondo nossa juventude aos males da gordura. Um gordão fica andando por aí e infectando os transeuntes com sua adiposidade. Não dá pra aceitarmos essa situação.

Isolar os gordos também traria efeitos sociais benéficos além da melhora do nível de beleza nos nossos balneários. Por exemplo, não teríamos que lidar com o fiasco Geyse Uniban. Ela nunca sairia de casa se nosso país fosse minimamente sério, usar mini-saia seria fora de questão. Veja como o nosso nível moral melhoraria.

Além disso, não aconteceriam tragédias como o Rodeio das Gordas da Unesp, em que pessoas inocentes montavam em moças obesas, tentavam permanecer o maior tempo possível em cima delas, e, inadvertidamente pegavam o vírus da gordura. Convívio social vetado aos portadores dessa terrível doença.

"Mas, mas, a obesidade é tão epidêmica quanto a febre dos ioiôs e aquela música 'Vou não, quero não, posso não'!" Exatamente, ainda bem que meus argumentos foram bem compreendidos. Só há uma explicação para a inação das autoridades competentes frente a essa situação periclitante: lobby da indústria de redução do estômago.

Acessibilidade

Procurando um emprego no Curriculum.com.br, logo abaixo de "Promotor de Vendas", umas duas posições acima de "Gerente de Qualidade", tinha uma vaga de "Pessoa Portadora de Deficiência". Esse era o nome da posição, não era um emprego normal reservado pra um cadeirante, tratava-se da própria vaga. Alguém vai ser contratado pra ser deficiente.

Deficiente por 8 horas diárias. Durante o almoço o indivíduo pode deixar de ser deficiente, sair da cadeira de rodas, tirar a venda dos olhos, destampar os ouvidos, parar aquela imitação de maneta. Mas às 2h da tarde, ele tem que voltar com toda a força para sua função. O gerente, descansado, talvez exija até mais empenho do funcionário. Ser cego não é o suficiente, um caso mais extremo de autismo talvez seja adequado para a segunda metade do dia. Mas amanhã de manhã, às 8h em ponto, espero que você esteja aqui com aquela doencinha de Down esperta, aquela síndrome de Mowat-Wilson malandra.

Do empregado espera-se versatilidade, não queremos ficar cobrando. Se você vai ser deficiente, seja direito. Antes de nós chegarmos no seu cubículo, esperamos que você já esteja sem controlar o fluxo de baba e que ignore todos os nossos comentários por não possuir a capacidade mental para compreendê-los. Se você está na nossa empresa, você tem que fazer por merecer, nós só contratamos os melhores.

7 de fevereiro de 2011

Reportagens sobre o aquecimento global do Fantástico

Comove os jornais do mundo quando uma geleira desaba, mas acho que o mundo em geral não se importa muito. Quer dizer, é só gelo, talvez em termos absolutos seja realmente muito triste que ele derreta, mas pô, é uma formação amorfa, eu fico bem mais chocado quando percebo que o aquecimento global pode destruir alguns minutos mais rápido gelo tipo esses aqui.

Querem que alguém se importe quando mostram gelo derretendo? Mostrem um gelo com que as pessoas tenham apego emocional. Falem que o gelo que compraram para o churrasco vai render bem menos, que vão ter que encher mais vezes as gôndolas de gelo pra botar no congelador, todo mundo odeia esse tipo de coisa.

Fiquei com um desejo um pouco sádico ao ver como a queda das geleiras afetava a Sônia Bridi durante a reportagem que assisti lá do Fantástico. Pensei em chamá-la para um drink. Ia servir um whisky, tacar umas pedrinhas de gelo no copo dela, posicioná-lo na mesinha, logo à frente da repórter.

Quando nós ficássemos sem assunto, 6 minutos depois do início da conversa, ela tentaria estender o braço para bebericar o whisky e eu diria "Ã, ã, ã! Nada disso!". Levantaria, pegaria o copo da mesa e colocaria rente ao rosto dela: "Observe o gelo derreter, observe!"

E provavelmente, muito provavelmente, obrigaria a Sônia Bridi a assistir o gelo virando água só para presenciar seu semblante de terror. "Você podia ter salvado aquele cubo. Era um gelo tão bom, íntegro e honesto. Seu furo no meio não era menos que uma criação divina, exemplo para o resto do gelo do mundo."

6 de fevereiro de 2011

Uma explosão de simbolismo e sabor

Admiro o senso de propósito dos animais que eu vejo na rua. Eu ando por aí, um cachorro me ultrapassa. Eu não tenho nada para fazer, devo ainda decidir se vou na padaria, na academia, na farmácia, no shopping, talvez eu até tenha que trabalhar, mas vou deixar pra amanhã mesmo. A besta, por outro lado, vai resolutamente em determinada direção. O que tem naquela direção? Qual é o assunto tão premente que exige que ela ande com aquela determinação?

Provável que eu esteja confundindo as coisas, minhas dúvidas do que fazer talvez sejam sinal de que eu tenho cérebro realmente mais evoluído. O cachorro só deve estar indo para um lixo mais bacana que descobriu ontem. Pode ser que os cachorros em geral estejam em polvorosa com a descoberta desse lixo. Devem ter formado um carrossel para perseguir um o rabo do outro. Mas, bom, eles sabem o que querem fazer, eu não.

Não quero transformar isso num texto muito profundo, mas sério, queria ter a metade da convicção que os animais que eu vejo na rua têm quando vão pra um lado. Eu tenho dificuldades em manter o equilíbrio na calçada, vem um vira-lata qualquer com passadas fortes e me deixa comendo poeira. Acha que tá Avenida Paulista, né, o executivo.

Mas eu estou só sendo cute. Eu já tive assuntos urgentes pra resolver. Acho até que já aumentei a velocidade das minhas passadas uma ou duas vezes na vida. Me consolo pensando que alguém deve ter me observado nesses momentos cruciais e dito "Tá aí um sujeito que faz". Um cachorro entediado pode até ter me olhado e ter duvidado da minha inteligência: "Mente simplória, não hesita, mergulha de cara na primeira veleidade que vem à cabeça".

5 de fevereiro de 2011

Sou melhor do que você

Leio direto em vidros traseiros de táxis por aí, "Foi Deus quem me deu" ou "Jesus está voltando, prepare-se!".

Me incomoda um pouco; quer dizer, não a parte de que foi Deus quem deu o carro pro taxista. Essa parte só me deixa um pouco deprimido - o cara fica lá idolatrando um ser onipotente e só ganha um Corsa Sedan, fico até em dúvida se valeu o trabalho.

Mas a parte de que Jesus está voltando me incomoda, sim, a certeza é um pouco perturbadora. Podiam pelo menos dizer, "Jesus talvez volte, acho que vai ser em breve", ou "Jesus voltará, mas em um momento indeterminado do futuro", ou "Jesus está voltando, mas ele vem num táxi palha que nem o meu, deve ter pego trânsito".

Não sei como alguém pode falar essas coisas com esse grau de convicção. E ainda mandam eu me preparar! "Jesus está voltando e está com fome!", tenho que estocar mantimentos? Talvez ele esteja chegando e está planejando me comer na porrada, querem me alertar, provável que eu precise fazer um curso de defesa pessoal, Krav Maga. Mas assim, ele é onipotente, né, nem vai rolar eu me defender, melhor desistir.

Se ele está voltando mesmo, é pro juízo final, talvez eu já tenha sido condenado, não tenho mais que fazer preparativos.

Tenho um relacionamento conturbado com o juízo final. Acho que eu devia pelo menos ser ouvido. Ninguém aceita esses julgamentos sumários aqui na terra, mas Deus pode, né, nada a ver.

Só por que ele nos criou? Nunca entendi esse poder que Deus ganha por ser nosso criador. Eu consigo pensar em várias coisas que as pessoas criam e sobre as quais não podem ter poder absoluto. Tipo, FILHOS.

Tá, ele é bem poderoso, eu nem tenho chance se for tentar revidar, mas cadê a misericórdia? Cadê a ampla defesa? Esse sistema jurídico celestial não tem qualquer legitimidade.

Além disso, às vezes tenho medo de ser condenado ao inferno por não acreditar em Deus. Se eu tivesse direito à defesa, diria que Deus é onipotente, pelo menos poderia ter dado umas evidências mais contundentes da própria existência. Minha inteligência é limitada, não sou craque em simbolismo; se querem que eu acredite, é bom mostrarem uma coisa bem óbvia. Me tratem como um guri retardado de 3 anos de idade se precisarem.

Se tivessem me dado um Corsa Sedan, capaz de eu acreditar.

2 de fevereiro de 2011

She was like "Huh?" and I was like "Yeah"

Quero voltar a postar aqui, mas antes disso vou fazer um layout novo para o blog.

O problema com a internet é que hoje em dia todo mundo tem computadores e navegadores capazes de mostrar o que quer que você coloque na tela, mas você não pode usar nada.

Quer dizer, todo mundo tem 4 GB de RAM e conexões de 10 MB, mas eu não posso nem usar tabelas no meu site. E a gente tem que colocar ícones gigantescos de RSS e tal, porque essa é a coisa web 2.0 de se fazer.