26 de outubro de 2008

O brasileirismo de Sasha Grey é meio paraguaio

Todos sabem que se a Madonna é bonita, a avó do Paulo Francis é uma bicicleta. Mas o que você está prestes a descobrir é que, se a Sasha Grey é brasileira, de Fortaleza/CE, eu zerei Street Fighter 4 do PS3 no hard com o Zangief. (Haha, e todo mundo sabe que eu nem tenho Playstation 3! E SF4 nem saiu! Então é *óbvio* que a Sasha Grey não é brasileira!)

Sasha Grey
, atriz dos filmes mais recatados da indústria pornô, vai estrelar um filme do Steven Soderbergh agora. Sendo a próxima Julia Roberts, ela está recebendo um bocado de atenção de veículos de mídia que não são o Redtube, a Viceland (que é massa, sem zoação) ou o programa da Tyra Banks, onde ela descobriu que é pecadora por estrelar esses filmes lascivos.

Isto é, ela também está recebendo bastante atenção de veículos midiáticos tradicionais do Brasil, como o Pravda (pura brasilidade, como a da Sasha), o Omelete, o Globo, o Tudo Agora, o Verdes Mares (admito que estes dois últimos não são tão tradicionais, ok), e muitos outros, consulte "sasha grey" + "soderbergh" e selecione páginas em português no Google.

Um problema que passa meio despercebido pelo público em geral é o fato de se veicular em absolutamente todos os sites que a moça nasceu em Fortaleza, no Ceará. Em alguns estão dizendo que ela nasceu em Quixadá. Quixadá. Não estou de brincadeira. Quixadá.

Não ignoro que o corpo dela seja estereotipicamente cearense, mas além disso, sinto informar que não há nenhuma prova ou indicação de que ela seja brasileira. Ou seja, tiraram a informação do cu. Parem de repeti-la, it's fucking pissing me off. (Quer dizer: você, você, você, você e vocês, outros resultados do Google para "sasha grey brasileira", calem a boca.)

A informação é tão conspicuamente fake que o Omelete ficou até com vergonha e admitiu que confiou num Zé Neguinho qualquer que editou a Wikipedia PT (não foi nem a Wikipedia em inglês, hein). Verificando o artigo atual da Wikipedia em português, vejo que até lá o local de nascimento da Sasha já foi alterado. E, no entanto, O Globo ainda insiste que a mulher é produto nacional.

Pesquisando algo em inglês sobre o assunto, não encontrei uma referência sobre o cabeça-chatismo da Sasha. Por outro lado, a mídia estrangeira regularmente reporta que ela nasceu em Gary, Indiana, e foi criada em Sacramento, Califórnia. E por mais que Fortaleza ou Quixadá se pareçam com Gary ou Sacramento, acho que ainda há uma diferença geográfica leve entre os locais.

As únicas referências que eu consegui encontrar a respeito do surgimento do hype SASHA É BRASIL NO EXTERIOR foram este comentário de um dos blogs que eu linkei ali em cima e o artigo da Encyclopedia Dramatica (confiável). Aparentemente alguém da revista Ele&Ela inventou que a Sasha era brasileira para que os editores publicassem suas fotos.

A imprensa brasileira é tão ridícula que hoje em dia eu me recrimino por já ter achado que os boatos que o Cocadaboa emplacava na mídia eram grandes feitos. C'mon. Engolem qualquer merda no Brasil.

Todos sabem que o único motivo pelo qual a Sasha Grey viria para o Nordeste brasileiro seria para me ver. Ela chegaria aqui e andaria na minha direção assim, dizendo "Oh, Frost, você me excita tanto com esses posts entupidos de links". Porque estes posts são irresistíveis mesmo.

25 de outubro de 2008

No wanking

Para quem quer uma análise nuançada da crise econômica mundial.

Também acho que eu devia postar a quote de The Office em que o Dwight diz que a Angela o introduziu ao monoteísmo

- And you know the worst part? I liked my job. I hurt people. I tied them up and hung them from the arms until... you hear their tendons rip.
- Jesus Christ.
- Then I went home and cracked a bottle of vodka, maybe smoked a little smack, and it felt good. So, you know, I guess I'm trying to figure out whether chopping off a super villain's fingers and making him eat them in a cheese baguette is really heroic anymore.
Don "Timebomb", No Heroics

17 de outubro de 2008

E o episódio em que o Pinky monta um museu de ostras e acaba recebendo a chave da cidade e mudando o nome dela para "Calças Reluzentes", hein?

Vou ser polêmico, a polêmica está nas minhas veias, passo meus dias antagonizando geral, como na vez em que eu falei que era palha o episódio de O Pinky e o Cérebro em que o Cérebro constrói um mundo de papel machê e atrai toda a população da Terra para o novo planeta oferecendo camisetas grátis (eu só queria causar certo atrito, deixar aquele climão, o episódio era muito awesome).

Desta vez o meu alvo é você, que acha que não deve ter medo de errar, aquela coisa de palestra motivacional. Mentiram para você, e alguém precisava dizer isso. Você precisa ter medo de errar. Se não tiver, você vai sair errando por aí, destemidamente, se sentindo orgulhoso, e essa não é uma boa base sobre a qual se firmar uma civilização.

Não dá para entender quem acha que as pessoas devem ignorar os próprios erros. Por que elas quereriam acertar então? "Vou tentar uma estratégia estúpida e errar, mas não me importa, porque grandes homens erraram muito antes de chegarem onde chegaram." Mas grandes homens erraram acidentalmente, e o medo deles de errar eventualmente fez com que eles fizessem, tipo, coisas certas.

Então, você está sendo enganado. Tenha medo de errar e faça umas coisas direitas no processo. Já pensou se o Cérebro não ligasse pros próprios erros? Oh, wait.

15 de outubro de 2008

Terminei de ler Death Note, o mangá é melhor que o anime, sério. O epílogo também é massa.

Hoje eu estava falando com umas pessoas sobre o fato de os estudantes terem que trocar seus cartões de meia passagem de ônibus de chip por cartões magnéticos aqui no Recife. E disse que não faria nenhuma diferença, porque as roletas continuarão no lugar, então o processo de entrar no ônibus vai continuar igual (colocar um cartão numa maquininha, esperar aprovação, girar a roleta).

Perguntaram o que eu queria no lugar. Na verdade, eu não quero nada no lugar. Couldn't care less se os ônibus têm ou não roleta. Se tivessem todos ar-condicionado, podem colocar três roletas mais caminho de pneus para atravessarmos antes de chegar nos assentos.

Mas eu ingenuamente citei o fato de que, nas cidades em que eu estive no exterior, não havia roletas nem cobradores nos ônibus.

Ouvindo isso, as pessoas entram em estado berserk, começam a me atacar, como se eu fosse o maior militante anti-roletas do país, presidente da ONG Roletas Nunca Mais, pós-graduado em sociologia do transporte coletivo.

Uma menina disse que o Brasil teria que evoluir uns 200 anos para que as roletas sejam dispensáveis. O que talvez seja verdade, embora eu sinceramente não tenha calculado o tempo tão precisamente e desconfie da metodologia adotada. Ficou dizendo que as pessoas nunca respeitariam ônibus sem roletas e cobradores, ninguém ia pagar, o caos reinaria.

O que eu acho mais curioso é que as pessoas sempre acham que elas próprias são civilizadas e capazes de respeitar um sistema que, digamos, não use roletas (ou mesmo caixas de auto-atendimento em supermercados), mas os outros são bárbaros demais. Não sei de onde tiraram essa noção, e me parece que a diferença de honestidade em geral não é muito grande (e, me parece ainda, que no passado as pessoas eram ainda mais honestas, e o mundo contava com menos mecanismos eletrônicos de vigilância, o que levanta dúvidas acerca da "evolução" necessária ao país - parece que seria necessário justamente o contrário, um regresso).

Na moral, acho que eu respeitaria mais essas pessoas se elas dissessem: "Sabe por que isso não funcionaria? Porque eu ia sabotar o sistema. Hehehe. *rindo, esfregando as mãos e olhando para os lados*"

12 de outubro de 2008

Filler

Três meses sem posts? Não vou deixar isso acontecer. Eu queria modificar o layout do blog, mas ainda não tive paciência para parar e fazer isso. Eu tive tantas boas idéias nesse meio tempo, não utilizei nenhuma delas. Algumas estão em arquivo ainda, então vocês, que visitam este blog, ainda não estão perdidos.

Uma das idéias que eu tive era justificar aqui por que a antiga Manchete foi a pioneira em animes no Brasil, e isso me ocorreu ao assistir Pantanal. A Manchete gostava de animes porque era uma emissora especializada em FILLER.

Do mesmo jeito que colocavam a mesma animação do Meteoro de Pégaso repetidamente durante os 22 minutos de um episódio dos Cavaleiros do Zodíaco, eu já conheço cada uma das imagens de apoio usadas como filler em Pantanal: a cobra, o joão-de-barro, as palmeiras, a visão aérea dos charcos, o jacaré...

A Manchete é exatamente o contrário de mim. Eles mantinham (e agora o SBT mantém) a audiência cativa com imagens externas repetidas. Eu, ao contrário, não coloco nem um tuiuiú voando para entreter os meus leitores em três meses sem posts.

23 de julho de 2008

Caros,

Posto que:

- quando o Murilo Benício fala nós pensamos que ele está forçando a voz com objetivos humorísticos;
- que, na verdade, aquela é a voz natural dele, não apenas a voz canastrona de seu personagem de Pé na Jaca;
- e que ele supostamente interpreta um vilão sério na novela atual;

Desejo conseguir apoio para a campanha "Faz fono, Murilo Benício". Doações são aceitas.

16 de julho de 2008

Balls out, my life is a slut/This dick don't hit the bottom, but I fuck the sides up

Ontem no The Moment of Truth brasileiro, aquele do Silvio Santos, Roberta Close foi desclassificada porque disse que tinha orgasmos — o polígrafo não acreditou, até porque ela não fez a menor questão de parecer crível, disse: "Claro, sou uma mulher completa", e na própria mente adicionou: "apesar de não parecer".

A resposta de Roberta Close só mostra que ela ainda está ligada demais ao universo masculino para que se junte de fato às fileiras das mulheres. Se ela tivesse metade do conhecimento do universo feminino que eu tenho, adquirido via comédias românticas, ela saberia que mulheres nunca têm orgasmos, sempre fingem e usam esse fato para humilhar seus amados quando há uma briga. "Eu nunca gozei!", as coitadas sempre dizem, crentes de que estão abafando — apesar de ser uma estratégia meio idiota, né, convenhamos, se ela não gozou, azar o dela, eu gozei em todas as vezes.

Fato é também que esse The Moment of Truth brasileiro continua meio baixo nível, até porque só vão artistas. Eles não fazem questão de ser muito performáticos nas suas aparições no programa, e estão preocupados demais com a própria imagem e possibilidade de futuros ganhos para fazer revelações bombásticas. Nos EUA, como só vai ralé, neguinho joga tudo pro alto e abraça a possibilidade de dinheiro imediato. Que nem aquela mulher que confessou que havia traído o marido, foi totalmente awesome. Só seria mais awesome se ela confessasse a traição e a máquina dissesse que ela mentiu.

14 de julho de 2008

I'm a sailor peg/and I've lost my leg/I've climbed up the top sails/I've lost my leg/I'm shipping up to Boston/I'm shipping off to find my wooden leg

Pretendia fazer um gif sobre a última briga entre blogueiros de aluguel e BlueBus, usando um vídeo da Vera Verão. A gostosona da vez do esquete chamaria Jorge Lafond de "blogueira de aluguel" e ele, ultrajado, rodopiaria e gritaria "Êpaaa! Êpaaa! Blogueira de aluguel, não! Eu sou uma quase-escritora imparcial que publica suas opiniões desenviesadas em mídia digital mediante pagamento por uma das partes interessadas!".

Mas fiquei com preguiça.

Além do mais, o gif ia ficar meio inaccurate, já que o BlueBus ia precisar de muito webdesign (faço layout baratinho) para ser representado por uma gostosona. Bom, pelo menos o Jorge Lafond ia representar bem a classe blogueira. Fica aí a idéia para quem tem mais disposição do que eu.

11 de julho de 2008

4 de junho de 2008

Violet Hill

Se eu fosse diretor de algum clipe do Coldplay, realizaria o desejo final do Chris Martin e colocaria setinhas apontando para o vão entre os dentes dele toda vez que aparecesse a cara do maluco em close (90% do tempo de todos os clipes do Coldplay).

22 de maio de 2008

Por que rejeitar total e completamente o vegetarianismo

Eu estava conversando com o Gustavo sobre o vegetarianismo, ele me dizia que é ultrajante existir um estilo alimentício que te obrigue a trocar provolone por tofu. Eu não apenas concordo como vou mais além e digo que é ultrajante existir um estilo alimentício que te obrigue a trocar provolone por um personagem de Resident Evil 2:


Tofu nos esgotos de Raccoon City.

Está na minha declaração (secreta) de princípios: "Jamais comerei personagens de Resident Evil 2 (Ok, talvez a Claire)". [Aponta para o leitor vegetariano.] Isso deveria te fazer pensar por um minuto, amigo vegetariano.

20 de maio de 2008

Lagoa Azul

Sou como aqueles caras que analisam a consistência lógica de cada trecho de cada obra de ficção já produzida pela humanidade, e assim vocês podem me pegar direto falando mal de Guerra nas Estrelas porque o som não se propaga no vácuo, dentre outros motivos.

Agora, há um trecho em A Lagoa Azul que eu nunca entendi, que é aquele em que o maluquinho fica puto porque a doidinha não quer dar pra ele. Fica aquela tensão no ar, clima pesado, até que a Brooke Shields decide fazer as pazes com sexo. Qual a lógica disso? O sexo era o próprio ponto em disputa. Vamos trocar "fazer sexo" por "comer spaghetti" para vermos como a coisa toda é nonsensical:

- Irmã, vamos comer spaghetti!
- Jamais.
[Clima tenso]
- ...
- Ok, vamos comer spaghetti.

Fazer sexo funciona para fazer as pazes em todas as brigas cujos motivos não sejam o próprio sexo. Se ela concorda em fazer sexo/comer spaghetti, ela já admitiu que estava errada e que é burra. Todo mundo sabe que sexo é um compromise entre as duas partes ("Ok, nos achamos mutuamente idiotas, mas isso não significa que não podemos trepar").

Você pode ser smart-ass e dizer "Mas ela mudou de idéia, doh!", caso no qual a briga perde todo o sentido no filme. A maluquinha só queria suspender aquele clima chato, os dois sem se falar, o que deve ser meio palha numa ilha deserta. Evidentemente é possível que ela tenha mudado de idéia, mas eu não quero nem contemplar o quão infinitamente retardado seria se esse fosse o caso.

8 de maio de 2008

Freudian worries

Estou sem computador, e em decorrência disso, decidi fazer um desenho do Afro Samurai na tarde do último sábado. Peguei então o encarte do DVD do anime e, inocente eu, escolhi uma das ilustrações do personagem, esta, na qual me basear.

Fui desenhando até me deparar com a posição pouco ortodoxa do cabo da espada, veja a imagem de novo, e percebi que era uma posição bem pouco católica para um cabo de espada, especialmente em se tratando de um desenho em P&B. Fiquei chocado com aquilo e falei "Nossa, isso é um piru!", o que foi basicamente o oposto da minha reação ("Caralho, ele não tem piru!") a quando o Freeza se transformou pela terceira vez em Dragon Ball Z. Mas ignoremos por ora esses supervilões trolhaless.

Fui até consultar minha mãe para ver se ela concordava com minhas impressões falicistas a respeito da ilustração, e a risada dela aparentemente confirmou meus temores. Comecei então a tentar apagar o que já havia desenhado do cabo da espada, o que me obrigou a colocar a espada na outra mão do Afro, o que me obrigou também a apagar o baseado daquela mão do personagem, o que, tudo somado, deixou o desenho duplamente cristão.

No final, tentei até colocar o logo da série para esconder os vestígios manjubais da figura, mas sem sucesso. Veja. E, por sinal, só agora notei como o scan ficou enorme, mas não posso fazer nada quanto a isto nesta lan house fubanga, e você vai abrir o arquivo mesmo assim, você sabe que quer.

2 de abril de 2008

Por isso eu só vivo com meu boné gangsta por aqui

"So I put on my hat and jumped into the hansom which Jack had left at the door. En passant, you may have noticed that this is the second time I have recorded the fact that I put on my hat. English novelists are very careful about this precaution. He put on his hat and walked out of the room. He wished her goodbye, and, putting on his hat, he went out as he had come in. There is never a word said about the hero’s top-coat or his gloves, no matter how cold the weather may be, but the putting on of the hat is always carefully chronicled. Now, there is a reason for this. It is a well-established principle of English common law that, whenever a public disturbance or street mêlée or other shindy takes place, the representative of order shall single out a suitable scapegoat from among the crowd. In case of a mutiny in the Austrian army, I am told, it is usual to shoot every tenth man who is chosen by lot. But here in merry England the instructions are to look round for a man without a hat. When found, he is marched off to the police station with the approval of all concerned. It is part of our unwritten law. Some few months since the principle was actually applied in a cause célèbre by the magistrate himself. A journalist summoned no less a personage than the Duke of Cambridge for assault. The facts were not denied, and the witnesses were all agreed, when succor came from an unexpected quarter. It is a fact, as I have seen it stated in the papers, asked the worthy stipendiary, is it a fact, I ask, that the plaintiff was without a hat? There was no gainsaying this. The prosecutor was hatless at the time of the alleged assault. That settled the matter; and the Commander-in-chief of the British Army left the court (metaphorically speaking) without a stain on his character."

Wordsworth Donisthorpe