29 de dezembro de 2007

Estou trabalhando :O

Estou nos Estados Unidos, trabalhando num subemprego, limpando mesas. No Brasil, toda vez que eu dizia que viria para os EUA trabalhar nisso, ou como garçom, ou como qualquer outra coisa, falavam "Eu queria ver isso". Não sei se esse espanto advinha do fato de que eu estaria trabalhando num subemprego ou do fato de que eu estaria trabalhando. Em qualquer um dos casos, eu continuo maneiro.

3 de dezembro de 2007

Stuff

Descobrir uma doença é como fazer um panetone.

Eu devia fazer uma analogia aqui, mas pensei bem e uma coisa nem tem nada a ver com a outra mesmo.

Mas pensa bem: você passa anos estudando certos sintomas, curas e tal, e quando descobre uma doença nova, o que fazem? Batizam a doença com o seu nome. Era para isso ser uma homenagem?

Agora, sobre fazer panetones. Fazer um panetone é quase tão triste quanto descobrir uma doença. Você pega um pão perfeitamente bom e coloca frutas secas dentro. Meu Deus, se quer estragar um pão, faça isso abertamente, coloque pedras, terra, esterco lá dentro. Não tente estragá-lo de forma velada.

20 de novembro de 2007

Minha modesta teoria

Tenho uma teoria, e ela é facilmente comprovável, totalmente factual, de forma que eu espero que os fundamentalistas cristãos americanos não tentem impedi-la de ser ensinada nas salas de aula. Basicamente é uma teoria que se propõe a explicar o fenômeno das pessoas que trocam de MSN para que você seja obrigado a adicioná-las de novo em outro email, o que não fará absolutamente nenhuma diferença, mas elas insistem em fazer isso só para dar trabalho.

Minha teoria é a seguinte. Essas pessoas querem chamar a atenção. Sei, não é uma teoria muito inovadora, mas ela funciona em vários níveis. Primeiro a pessoa, com quem você provavelmente não fala, muda o MSN. Ela coloca uma mensagem no próprio nome alertando para o destino terrível de quem não adicionar seu novo email -- perdê-la. Você se dá ao trabalho de adicioná-la e não apaga o endereço antigo, porque você está fazendo outra coisa, tipo procurar um wallpaper maneiro de Final Fantasy Advent Children.

Toda vez que passar olhando aleatoriamente pelo seu MSN, seu subconsciente captará o nome da pessoa duas vezes (ou mais, dependendo do quão psico ela for pra ficar mudando repetidamente o email). Assim, você eventualmente vai falar com a pessoa que mudou o email, que havia ardilosamente tramado tudo anteriormente.

Eu posso até, como o Parkman de Heroes, reproduzir com riqueza de detalhes os pensamentos do ser humano que faz esse tipo de coisa: "Como ninguém pode ler meus pensamentos, vou pensar algo moralmente ultrajante, hihi. Eu vou mudar meu endereço de MSN, o que obrigará as pessoas a adicionarem um novo endereço meu. Elas me notarão tanto! I kick ass."

Como sempre as attention whores dominam o mundo e obrigam pessoas inocentes (eu) a adicioná-las em milhares de novos MSNs, o que eu notei agora quando limpava a minha lista de contatos.

Agora, o que é realmente incompreensível é quem apaga a própria conta no orkut para logo em seguida criar outra. É quase como esses vocalistas de certas bandas que saem em carreira solo para fazer músicas iguaizinhas às que faziam em seus grupos (mas pelo menos eles ganham mais dinheiro, menos a Nicole Sherzinger).

18 de novembro de 2007

Mawble cawlums

Colunas gregas são legais, tantos estilos, formas, talvez cores, não sei. O problema é que os gregos faziam prédios inteiros de colunas, rodeados de colunas, lotados de colunas. Você coloca duas colunas na entrada de um lugar, aquilo parece imponente. Você coloca quinhetas e trinta e aquilo fica parecendo um estacionamento. Mas em estacionamentos, obviamente, os gregos eram imbatíveis.

14 de novembro de 2007

E as camisas agridem meus olhos

Nos jogos do Palmeiras com essa camisa fluorescente, eu sempre penso que tem um monte de juízes correndo pelo campo.

19 de outubro de 2007

Não é porque vão saltar no próximo ponto

Eu não sei o que as pessoas que usam o transporte público buscam no fim do ônibus, principalmente naqueles bem lotados, mas deve ser algo muito maneiro, um pote de ouro, um trevo de quatro folhas, a fonte da juventude, candy mountain. Porque elas realmente querem ir para o fundo do ônibus. E farão qualquer coisa para chegar lá.

9 de outubro de 2007

Thom Yorke deveria parar de novo de tocar porque seus instrumentos emitem muito dióxido de carbono

Radiohead já colocou o próprio disco de graça na internet e o Jamiroquai e o Oasis vão fazer o mesmo. Essas bandas me permitem testar o ditado "não aceito nem de graça".

5 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Eu ia postar esta resenha no Roliudi, mas o site é .com.br, tem uma política meio estrita quanto a falar de filmes que ainda não foram lançados. Como neste blog é tudo liberado e eu não arrisco a vida nem o dinheiro de ninguém além de mim, vou postá-la aqui.

***

Eu não tenho lido nada sobre Tropa de Elite, então é possível que eu esteja falando algo que já foi dito por algum ligeirinho na Terra, mas, de qualquer forma, quem diz que esse filme é fascista, francamente, é dumb as fuck.

Não, sério. Porque, parece, um filme não pode mostrar que quem comete atos bárbaros, policiais, também tem sentimentos, não gosta do que faz e, quem sabe, pode ser, talvez tenha um pouco de razão. Se mostrar, é fascista. Tropa de Elite mostra policiais fazendo tudo de ruim: executando sumariamente, torturando, coisa e tal. O problema é que ele mostra que os policiais têm famílias, são normais, também têm a própria visão das coisas -- muito embora façam o que façam. E um filme não poderia mostrar essas coisas. Tem que haver um lado bom e um lado mau, e a divisão entre os dois lados deve ser nítida. Os policiais não deviam ter problemas existenciais, deviam ter risadas maléficas, deviam usar sobretudos de gola alta -- afinal eles são THE EVAL.

Os críticos que dizem que o filme é fascista, me parece, querem que todos os filmes sejam uma luta dos Ursinhos Carinhosos contra o Coração Gelado. Isso me lembra o William Waack, do Jornal da Globo, quando noticiou o início de uma exposição de fotos dos nazistas nos campos de concentração, onde apareciam sorrindo e fazendo coisas normais. O tom da coisa parecia querer passar algo como "Como se atrevem a fazer coisas normais?! Estas estão reservadas a nós, seus monstros malignos! Agora voltem a fazer planos de extermínio e a beber sangue humano!". Todo mundo sabe que os nazistas eram como a Família Addams, que ama a tristeza e odeia a bondade, as comidas gostosas e as reuniões familiares.

Agora, o filme, propriamente, como vocês já devem ter notado pelo meu tom de defesa incondicional, eu achei sensacional. Isso na versão não-editada que pegamos no Mininova.org. Podemos supor que, na versão final, está ainda mais badass. (Inclusive, a música do Tihuana, já velha e que nem parecia tão legal, ficou uma beleza com o filme.)

Wagner Moura, em sua primeira experiência no cinema sem a companhia do Lázaro Ramos, se mostrou bastante confiante, apesar de estar presumivelmente inseguro (um relacionamento de tantos anos...). Ele convenceu (gostaram deste termo? Avalio muito tecnicamente os filmes). Não há como não gostar do Capitão Nascimento, autor de tantas quotes que vão rechear o IMDb, futuro pai e torturador simpático.

Ah, Tropa de Elite também vai agradar todos aqueles que odeiam as discussões em suas faculdades. É um filme extremamente anti-debates em faculdade, este, sim, um rótulo justo. Porque todos os debates em faculdades são estúpidos e todos os temas de faculdade são estúpidos. Eu teria vergonha de discutir Foucault, ou, para dizer a verdade, qualquer autor ou livro em faculdade, depois de ver este filme. Quer dizer, eu já fico com vergonha de estar matriculado numa faculdade depois de ver este filme. Deve ser por isso que é fascista. Boo, intolerante.

De qualquer maneira, a coisa toda é ótima e vale a pena gastar uma noite de download no BitComet (apesar de eu preferir o Azureus, pega lá no Superdownloads pra ver). Ok, eu diria que vale até uma entrada no cinema para ver a versão finalizada e sem títulos em inglês. Só não baixe se você tiver muita consciência social.

24 de setembro de 2007

Sobre o amor e seus caprichos

(Eu estava com a idéia deste conto há um tempo já e pretendia postá-lo inteiro. Mas se eu fosse esperar completar o texto para depois postá-lo, eu só ia terminar em 2019. Assim, decidi postar o que já tenho pronto e ir postando à medida que eu for escrevendo. Dessa forma eu fico com aquela sensação de que realmente estou progredindo, mais próximo do fim, coisa e tal. Então lá vão as duas primeiras partes.)

***

I

A experiência nos ensina que só há uma forma cem por cento segura de se apaixonar. Ela consiste no seguinte: uma pessoa deve esbarrar na outra, de forma que esta derrube acidentalmente no chão os livros, as revistas, os cadernos, ou coisa que o valha, que carregava. As duas, então, agacham-se para recolher o material derrubado, balbuciando desculpas, até que os olhares de ambas se cruzam. A paixão é imediata. Elas levantam e sabem que se amam mutuamente. Não se conhece um caso na história em que o esbarrão e subseqüente recolhimento de material do chão não tenha resultado numa fulminante paixão e, em certos casos, por que não, num amor duradouro.

II

Apesar de, atualmente, imaginarmos que esse tipo de paixão só ocorre em séries de TV como Dawson's Creek e Veronica Mars, a detetive adolescente, há registros de esbarrões e recolhimentos de materiais em todas as épocas da história humana. Manuscritos apócrifos contam que Moisés só se casou com Ziporá quando os dois se chocaram e fizeram com que o profeta largasse as duas tábuas dos Dez Mandamentos. Quando foram recolhê-las no chão, seus olhares se cruzaram e nada mais foi como antes.

Uma passagem omitida por copistas tardios do Livro das Mil e Uma Noites, por preocupação com a coerência, dá conta que o rei Sharyah na verdade não mata Sharazad por conta da paixão fulminante que tem por ela, que lhe acometeu após eles se esbarrarem e se agacharrem para pegar alguns palimpsestos do chão.

(Continua — como o episódio de House da semana passada na Record, que adiou a conclusão para esta semana e me deixou com muita raiva.)

18 de setembro de 2007

Eu as vi naquela situação e fiquei tocado

Acabo de voltar do Rio. Lá eu vi pessoas em estado terminal de sotaque do Rio. Uma coisa triste de se ver, é dali pra pior. A pessoa pode estar saudável num momento, mas em outro começa a falar com o sotaque do Rio e vai definhando, não dá pra parar o processo.

21 de agosto de 2007

Uma nota sobre a fragrância suave Brut

Ironicamente, no meu desodorante, o Brut, tem escrito na parte de trás que ele é uma "fragrância suave para homens modernos e seguros". Sério, Brut é para homens modernos. Fico meio triste pelos homens antiquados e inseguros quando vejo esses slogans de desodorante, penso no triste destino deles, que são obrigados a ficar para sempre com CC (haha, acho engraçado escrever isso).

(E não admira que sejam inseguros. Ficam lá, fedendo o tempo todo — embora este seja um raciocínio um tanto circular.)

12 de agosto de 2007

Olá, visitantes advindos do mapa da blogosfera brasileira

Só hoje fui ver que André Dahmer fez um mapa do mundo dos blogs brasileiro, e lá estou eu, perto do Soares Silva, do Leite de Pato, do Liberal, Libertário, Libertino e do Cláudio Humberto. Estou feliz com o meu continente, apesar de que deles eu só leio o Soares Silva mesmo. Mas respeitarei a opinião dos outros se eles não gostarem da minha companhia.

Então, se alguém tiver alguma objeção a fazer fronteira comigo, eu faço questão de espalhar no Manipulação umas quinhentas e seis propagandas (mais aquele script que coloca um link em todas as palavras dos textos para uma busca no Mercado Livre) e fazer o meu país migrar para o continente do Interney. Como naquele livro do Saramago.

24 de julho de 2007

Carta aberta a todos os segundos e terceiros colocados de todas as modalidades nos Jogos Pan-americanos

Caros,

Venho por meio deste dar meus sinceros parabéns àqueles brasileiros que ganharam medalhas de prata ou bronze nestes Jogos Pan-americanos, em todas as modalidades. Vocês são um orgulho para o país ao prestarem um serviço tão nobre como o de critério de desempate no quadro de medalhas. Vejam que, caso o Brasil venha a empatar com Cuba nas medalhas de ouro, aqueles que ganharam medalhas de prata vão prestar um enorme serviço à pátria, desempatando a competição, colocando o país no segundo lugar geral das Américas.

A importância de suas medalhas é análoga à do número de vitórias ou ao saldo de gols de um time do Brasileirão; isto é, no caso das medalhas de prata. No caso das de bronze, elas não são mais que o número de empates ou, talvez, os gols pró. Não quero que pensem que estou desmerecendo suas conquistas ao dizer isso — longe de mim. Elas são grandes façanhas, uma medalha de prata a mais e o Fluminense passaria do Goiás na tabela do campeonato, um bronze e o Figueirense superaria o Internacional. Suas conquistas são importantes, é necessário haver segundos colocados, sustentáculos, apêndices, vice-escolhidos, critérios de desempate, para que se destaquem aqueles que realmente merecem.

Para demonstrar meu apreço por seus serviços, pretendo inclusive confeccionar-lhes, não gratuitamente, mas a um módico custo, não maior que o incorrido para que chegassem onde chegaram — a saber, no máximo no segundo lugar —, algumas camisetas com mensagens edificantes, como por exemplo "Sou critério de desempate, mas sou feliz", "Fiquei em segundo/terceiro, mas vou virar comentarista da Globo no próximo Pan" e "Prata não conta, mas é mais bonita". Espero que gostem.

Sem mais.

Yours sincerely,

21 de julho de 2007

Roliudi IV

Depois de mais de duas semanas, voltei ao Roliudi, numa resenha um tanto afetada aqui e numa notícia atrasada aqui.

15 de julho de 2007

Coisas que não têm graça, mas que continuam a ser tratadas como se tivessem #2

Chamar o Lula de apedeuta, de Lulla, de Mula, ou mesmo do combo Mulla, com ou sem os ll em verde e amarelo, para espertamente aludir a Collor: Lulla — de fato, qualquer apelido inventado para o Lula é estúpido (não que eu goste do Lula; poucos o devem odiar mais do que eu, mas eu tenho consciência de que ele se fortalece sempre que um seu adversário o apelida de alguma coisa).

Marketing inteligente

Esta dúvida está me consumindo, tirando meu sono, formando mechas e mais mechas de cabelos acima das minhas orelhas, me criando rugas na testa, pés-de-galinha ao lado dos olhos e bolsas de cansaço ao redor deles: na propaganda da Brahma, que diabos aquele Z tem a ver com a cerveja?

4 de julho de 2007

Conto dos absurdos

Acordara naquela manhã e, percebendo o misterioso uso do pretérito mais-que-perfeito para descrever o que ocorria, teve suas suspeitas despertadas. Fora escovar os dentes, mas, antes de entrar no banheiro, ouvira um trecho da conversa de sua mulher com uma amiga qualquer, na qual ela, sua mulher, não a amiga qualquer, o mencionava. Transcrevo literalmente a curta frase da mulher: "Sim, lá foi o meu esposo." Chocado com o vocabulário usado por sua amada, que outrora não ousaria terminar um adjetivo substantivado (como, por exemplo, esquisitice, burrice, etc) com ss, tivera suas suspeitas ainda mais aguçadas. Fora para o trabalho; houvera se esquecido de que naquele dia era seu aniversário. Ao chegar lá, o que viu não foi senão um enorme bolo, de onde saiu um travesti, que o puxou para dançar - o que divertiu à beça seus colegas de serviço, que riam como bebês tendo as barrigas acariciadas. Não pudera acreditar que existiam de fato pessoas que achavam travestis engraçados, e, durante a dança, seus membros eram levados sem resistência para onde quer que os movessem. O que sentia era um torpor, uma estupefação, diante da absurdidade dos eventos. Não havia dúvidas, as evidências eram conclusivas, e ele não podia fazer nada além de aceitar a conclusão inescapável. Estava num conto.

22 de junho de 2007

Quando este era um post sério...

No Ensino Médio, tive um professor que gostava de dizer que certas pessoas haviam deixado de ser sérias. Especificamente, Fernando Henrique e Lula haviam deixado de ser sérios quando foram eleitos para presidente. "Fernando Henrique, durante a ditadura, durante os anos oitenta, era um homem sério. Depois foi eleito para presidente e..." Ás vezes era algo mais sutil: "Lula, durante as greves no ABC, isto é, quando ele ainda era um homem sério...".

Nunca entendi muito bem o que ele queria dizer; eu sempre acabava pensando que Lula e FHC haviam se tornado pessoas mais afáveis, mais brincalhonas, mais calorosas, menos sisudas - quer dizer, tinha havido uma mudança positiva, na qual Lula e FHC, percebendo que não podiam ficar para sempre com aquela cara fechada, descobrindo que haviam prazeres na vida, empreenderam um certo esforço para se tornarem pessoas mais agradáveis. Enfim, viraram pessoas engraçadas. (Mas eu devo dizer que nunca vi a menor graça em qualquer político, é necessário ter um senso de humor muito distorcido para rir desse tipo de coisa.)

15 de junho de 2007

I am all, but what am I?

Se tudo é arte, tudo na vida é contemplação?

Não é questão de achar que é intolerância dizer que quem fala que "tudo é arte" tem um padrão baixo do que é belo - é uma necessidade lógica. Se você pensa que tudo é arte, em termos práticos é impossível que você aprecie a beleza de tudo. Essa impossibilidade de apreciação de todas as coisas o cega para outros tipos de beleza, sua atenção é dispersa e, no fim, sua cabeça explode.

11 de junho de 2007

The Great Sunday TV Schedule Scam

Quando me dizem que a programação televisiva de domingo é ruim, encaro com incredulidade. Parece-me o mesmo que dizer que este é o pior planeta habitável que existe no universo: qual o parâmetro? Alguém vai dizer que você pode comparar a programação dos domingos com a dos outros dias da semana, mas acredito que essa comparação seja inválida; a programação de domingo aparentemente tem que ser aquela, já está lá há tanto tempo, reclamar disso é como reclamar do passar das estações ou da duração dos dias.

Mas mesmo aceitando que possamos comparar, o "argumento" (repare nas scary quotes desmoralizando sem misericórdia o argumento adversário) é falso. As pessoas pensam que a programação durante a semana é boa, mas essa é só uma ilusão que alimentaram por muito tempo, uma daquelas idéias ridículas que as pessoas mantêm de estimação, porque ninguém realmente vê TV durante a semana. Você pode ver Jornal Nacional, mas o Jornal Nacional não é algo que você realmente assiste, é algo que está lá passando enquanto você está sentado no sofá, não havendo qualquer esforço consciente para manter a atenção - prova cabal do que acabei de dizer é aquela estatística segundo a qual não sei quantos por cento das pessoas dão boa noite para o William e para a Fátima.

Mas além do Jornal Nacional e da novela, que eu admito que alguém pode realmente assistir, isso é tudo o que o brasileiro vê na televisão. No resto do dia, está fora de casa, trabalhando, estudando ou dormindo. Se as pessoas realmente soubessem o que passa na televisão enquanto estão fora de casa, parariam de reclamar da programação de domingo. Você sabe o que passa de tarde na Globo, amigo leitor? Da Cor do Pecado. Sério! Depois passa um filme, digamos, Bud, o cão amigo, e Malhação. Pela manhã, passam desenhos horríveis, como "Avatar". Pois é, eu sabia que você preferiria não ter tomado dessas coisas, mas agora é tarde.

E vocês reclamando do Sérgio Loroza na Dança dos Famosos, hein?

7 de junho de 2007

Piratas do Caribe, um filme médio

Johnny Depp é um gênio? Não. Possivelmente um bom ator, mas não um gênio. Nem Jack Sparrow nem Piratas do Caribe em geral (nenhum dos três filmes, e eu não vi o terceiro) têm nada que os torne geniais. Piratas do Caribe são filmes comuns, talvez agradáveis, mas não eu não sairia de casa para vê-los no cinema, e possivelmente mudaria de canal se estivesse passando na Globo no horário de Pimp My Ride na MTV. O que dizer de Jack Sparrow? Por que o consideram genial? Por que consideram o Johnny Depp um gênio? Seria porque Jack Sparrow é um personagem engraçadinho? E ele não é nem tão engraçado, o deputado João Plenário da Praça É Nossa já me proporcionou melhores risadas. Alguém poderia me dizer quando foi que o padrão para que um filme (e um personagem) seja considerado genial baixou tanto a ponto de considerarem Piratas do Caribe (e Jack Sparrow) genial?

27 de maio de 2007

Roliudi

Há algumas semanas, Paulo Vivan me convidou para fazer parte de seu site sobre cinema, o Roliudi, outrora hospedado no Blogspot, mas que ele queria tornar maior. Apesar de meus alertas, ele foi irredutível e não suspendeu o convite; então eu aceitei. O site já está no ar há algum tempo, graças principalmente aos esforços heróicos do próprio Paulo Vivan, e eu não queria fazer propaganda enquanto não tivesse escrito algo de verdade para lá. Agora que já fiz minha resenha, posso fazer propaganda com a consciência tranqüila. Portanto, vão , leiam minha resenha de Ultravioleta e comentem (comentem também nas notícias que eu postei: esta e esta; eu não recebi nenhum comentário em nenhum texto até agora, imaginem minha infelicidade).

(Eu não entendo absolutamente nada sobre cinema, mas, por algum motivo, o Paulo Vivan disse que essa não é uma condição indispensável para se estar num site de filmes.)

16 de maio de 2007

"Esse filme é bom como entretenimento"

E os outros? São bons como trabalho? Até onde eu sei, todos os filmes, com a possível exceção de Uma Verdade Inconveniente (ouvi dizer em algum lugar que existe um gênero de filmes chamado "documentário", mas a comunidade científica ainda não se pronunciou a respeito), devem ser bons como entretenimento. Se não são bons, pelo menos deveriam tentar ser bons como entretenimento.

Mas é compreensível que certas pessoas achem necessário enfatizar que um filme deve ser bom como entretenimento, porque viram tantos filmes franceses que já se esqueceram que esse é o próprio objetivo do cinema. Filmes, para essas pessoas, são constante sofrimento e agonia; quando vêem um que não é, têm que ressaltar o fato.

Pedreiros sem-teto, grupo certamente muito expressivo da população, devem dizer o mesmo quando acontece de dormirem numa casa: "Humm, esta casa é boa como moradia". Eles não sabiam que casas podiam ser boas como moradia, nunca tinham dormido numa; para eles, casas podiam ser boas somente como trabalho.

Mais uma posição retrógrada da Igreja Católica

As posições do papa realmente são revoltantes - principalmente a posição dele quanto a carros, já que ele usa uma Saveiro com um aquário na parte de trás para andar por aí. Sério, uma Saveiro?

17 de abril de 2007

Não me mate, eu produzo muitas riquezas

Ontem, após ter noticiado o massacre na universidade americana, a âncora do Jornal da Globo disse, segundo a minha memória: "E a pergunta que fica é: como esse massacre pôde acontecer no país que mais produz riquezas no mundo?" Gostaria que, se possível, alguém me indicasse estudos que apontam a proporcionalidade inversa entre massacres em universidades e produção de riquezas.

13 de abril de 2007

Conto policial (early draft)

Gustavo me desafiou a escrever um romance policial. Eu confesso que não sou capaz, mas escrevi o começo de um "conto", algum dia termino:
Era tarde e a rua brilhava com o reflexo do sol sobre as poças de água acumulada depois da chuva. Fazia calor, mas o vento amenizava a sensação de ardor sobre a pele. Na terceira esquina anda Olecram, o qual tem o nome invertido, vejam bem, por essa ser uma característica estilística muito idiota adotada por vários escritores. Ao fazer uso deste artifício, advirto logo de início o leitor para não esperar nada de muito surpreendente, e, de fato, que espere o mais supérfluo e clichê do que é disponível na literatura. Olecram, embora anagrama de Marcelo, é na verdade mulher, jovem, inocente, e tem uma arma apontada para seu rosto.

O fato torna-se tanto mais misterioso quando notamos que não há ninguém segurando a arma contra Olecram. De fato, Olecram estava parada em frente à vitrine de uma loja de armas, de modo que o manequim da vitrine da loja apontava seu rifle exatamente para a maçã da bochecha direita da moça - peço que o leitor não estranhe que haja, no mundo onde se passa esta história, lojas de armas com manequins segurando rifles.

Depois de alguns minutos de estupor, em que não fez mais que admirar os artigos da loja disponíveis para contemplação, Olecram entrou no local, com uma firme resolução de que compraria o tal rifle que observara. No balcão estava um velho com chapéu de caça, sobrancelhas brancas que se encontravam e olhos cansados. Olecram arrependeu-se logo após passar pela porta da loja, mas o vendedor já a vira e seria estranho que ela fosse embora imediatamente. Decidiu trocar palavras com velho, que foi o primeiro a falar quando ela se aproximou:

- É Olecram, certo?
- Absolutamente! Chamo-me Anagram [Aqui constará uma nota do editor dizendo o seguinte: "O autor quis fazer um jogo de palavras, visto que o nome original da personagem já era um anagrama."]

3 de abril de 2007

Dúvida

Como é possível conciliar o fato de não gostar de 300 e a habilidade de amarrar os sapatos?

20 de fevereiro de 2007

Uma Crítica a Deus

Deus pode tudo. Tudinho, sem exceção. Pode fazer o que bem entender, é só querer. E, bem, Ele mandou Jesus para o mundo para livrá-lo dos pecados dos homens, etc, etc, etc, aquela história toda. Jesus então morreu, ressuscitou, tomou uma caipiroska, enfim, houve uma grande trabalheira para redimir os homens. Mas eu pergunto: se Deus pode tudo, mas tudo mesmo, não seria mais fácil ele ter simplesmente querido livrar os homens dos pecados e pronto? Assim ficariam todos felizes, sem pecados, e sem aquele aborrecimento de Jesus ter que morrer e tal. E funcionaria: Deus pode.

Jesus livrar pecados do mundo é como se eu quisesse chegar do outro lado do meu quarto, mas em vez de dar dois passos para a direita, desse a volta ao mundo pela esquerda. Meu lado economista também fala alto: foi economicamente caro demais. Houve os gastos com o sustento de Jesus até a maioridade, pregos, cruz, tempo; o mesmo resultado poderia ser obtido por Deus a custo zero. Estou ciente de que Deus não está muito preocupado com os custos de nada, porque ele pode fazer qualquer coisa sem gastar nada, mas ele podia se preocupar com os custos para nós, reles humanos.

Um problema do cenário que eu proponho (i.e., Deus faz tudo, Jesus não existe, eu fico milionário repentinamente) é que a coisa perderia muito do glamour literário. Mas Deus poderia nos fazer simplesmente achar isso esteticamente bonito e pronto.

Talvez Deus não quisesse interferir diretamente no mundo para não ferir o livre-arbítrio, por isso enviou Jesus. Porém, a isso respondo: Deus poderia simplesmente dar um twist na lógica interferir no mundo sem interferir no livre arbítrio. E Ele pode fazer isso, porque Deus kicks ass.

24 de janeiro de 2007

You've been Punk'd

A diferença principal entre festas de adultos e de crianças está nos docinhos. Porque embora você possa confiar plenamente nos docinhos de festas de crianças, os docinhos de festas de adulto são rasteiros, eles nos enganam, eles se camuflam, como bestas selvagens prontas para o bote.

Docinhos de festas de criança são o que parecem. Você nunca vai pegar um brigadeiro numa festa infantil e encontrar algo que não chocolate na composição. É simples, ninguém tenta te enganar, você sabe o que esperar. Por outro lado, pegar um docinho numa festa adulta é suicídio, pois não se sabe realmente o que tem dentro deles. Por fora, parecem amigáveis, com coberturas de chocolate ao leite e branco, suculentos, pensamos que ao comê-los vamos nos deparar com mais chocolate (ao leite ou branco) ou com qualquer outro ingrediente neutro (por exemplo, baunilha). Mas o que sempre vemos dentro são coisas como uvas ou pior. Que isso fique bem entendido, docinhos de festas de adulto não são realmente docinhos, mas apenas embalagens atrativas para coisas que de outra forma ninguém ia querer comer.

Vejam, eu tenho 19 anos. Meu espírito, contudo, a despeito da idade, é de criança, no que tange docinhos de festas. Eu não entendo, for the life of me, por que em casamentos - supostamente datas comemorativas, de alegria - fazem questão de colocar esses docinhos porcaria para as pessoas comerem. É raiva? Afinal, brigadeiros e beijinhos são mais baratos e agradam muito mais do que nozes com cobertura de chocolate. As pessoas vão lá, pensando estar prestes a comer doces de verdade, gostosos, e se chocam com o que quase engoliram. A situação é constrangedora, muitas pessoas compreensivelmente usam guardanapos para tirar e esconder as porcarias de dentro da boca.

Tentarei uma explicação para o fenômeno aqui, a saber: festas de criança são uma metáfora da vida infantil, na qual se pode confiar plenamente nos seus olhos e nas outras pessoas; festas de adultos, similarmente, são metáforas da vida adulta, onde não se pode confiar mais em ninguém e onde há armadilhas sempre à espreita. Docinhos de festas de adulto só refletem a estrutura geral da vida de um adulto. É óbvio.

14 de janeiro de 2007

Japanese ninja car

Acabei de descobrir que existe um ator cujo nome é Peter Coyote. Estou pensando em mudar meu nome para Coyote também, para que toda vez que eu for me apresentar eu possa falar "Meu nome é Erick V. Coyote, gênio, super-gênio".