25 de novembro de 2005

Ateísmo

Nunca falei neste blog sobre nada do que acredito ou desacredito, creio até que nunca comentei sobre nenhuma pessoalidade minha aqui. Discorrerei um pouco, então, sobre meu ateísmo, já que nada tenho para fazer e não posto aqui faz muito tempo. (Quando eu passar muito tempo sem escrever nada, vocês devem pedir também à Noodle para escrever. Guardem bem isso.)

À primeira vista, parece desnecessário discorrer sobre o ateísmo, que é tão somente a negação de uma crença e não um conjunto organizado de pensamentos, mas considero ser mais que necessário falar do assunto. Em primeiro lugar, rejeito veementemente a idéia de que não se deve organizar um pensamento baseado numa não-idéia. Claro que devemos organizar um pensamento de pessoas que não acreditam em Deus. Exemplifico. Digamos que todas as pessoas do mundo acreditem na idéia idiota de que usar boné é bonito. Eu, ao contrário, recuso tal crença, a qual não tem a menor base factual; sou, conseqüentemente, um aboneísta. Ora, por que o aboneísmo não pode ser um conjunto organizado de pensamentos baseado na rejeição de uma fé? Pelo contrário, o aboneísmo tem quase a obrigação moral de ser um conjunto coeso de pensamentos baseado no axioma de que bonés são estúpidos.

A propósito, falando em moral, teístas perguntam freqüentemente aos ateus como podemos ter condutas morais se não temos uma referência do bem. Bom, isso é verdade, não temos nenhuma referência moral, mas você ganha esse relógio bacana aqui (mostro o relógio) se deixar de acreditar em Deus. A escolha é sua: crença em Deus x relógio com bússola. Não me levem a mal, crentes; os ateus são tão amorais que vieram com a mesma proposta quando eu ainda era católico, foi irresistível. Acho que, se você for um pouco mais resistente que eu, ainda farão a oferta uma caneta com laser junto com o relógio. Aí não tem jeito mesmo, não fique triste.

Perguntam-me ainda qual a beleza do prospecto de não haver nada no post mortem. Dizem-me que nascer, morrer e ser comido pelos vermes abaixo da terra é uma visão muito estreita da existência. Olha só, visão estreita é a que os teístas têm de ficar apodrecendo enterrado; coisa maravilhosa, aquele cheirinho de terra molhada, hum. E, ademais, serviremos no post mortem de adubo para as florezinhas mais lindas deste planeta. Nada pode ser mais belo do que isso. Feio, digo-lhes, é querer ir para um céu sem flores (ouvi dizer que flores não dão em nuvens) e sem relógios com bússola.

9 de novembro de 2005

Tragédia

- Ficou sabendo do que aconteceu na casa da Elizângela?
- Não, me conta!
- Ah, você nem vai querer saber...
- É verdade, não vou.
- Então vou contar, adoro fazer coisas contra a vontade das pessoas. Foi o seguinte, a Elizângela, com aquela carinha de santinha, estava traindo o Alberto com o Marcone!
- Mentira!
- É a mais pura verdade! E, noutro dia, acho que foi na segunda ou na quinta-feira, não lembro bem, o Alberto chegou em seu apartamento e flagrou-a! Flagrou-a tomando chá com o Marcone!
- Meu Jesus amado...
- Pois é, nem preciso lhe dizer como o Alberto ficou irado, né? Começou uma briga enorme na casa da Elizângela, voou chá para todo lado, uma cena horrível de se ver. O Alberto avançou para cima do Marcone, eles se estapearam, ficaram os dois todo estropiados, até que o Alberto pegou uma arma em sua mesa de cabeceira, cruzes, não gosto nem de lembrar...
- Imagino como deve ter sido.
- Ele pegou a arma e saiu atirando no Marcone. O Marcone, que não é bobo nem nada, se escondeu atrás do guarda-roupa. Perto do guarda-roupa tinha uma janela e o Marcone fugiu por ela, só que ele se esqueceu que a Elizângela mora no décimo-segundo andar!
- Ah, meu Deus, que tragédia!
- E não é? Ele saiu voando, o Alberto apareceu na janela e o Marcone disparou um raio laser ótico no infeliz! Uma desgraça sem tamanho.